Queiroz afirma que Fazenda ataca com números e
ele defende proteção social, mas Lula é quem decide
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, discorda
da ideia de que uma nova reforma do sistema de
aposentadorias e pensões seja necessária. Em
entrevista ao JOTA nesta segunda-feira (27/7), ele
tachou de cruéis iniciativas como mudanças na idade
mínima e defendeu a proteção dos trabalhadores mais
vulneráveis.
As declarações evidenciam a dificuldade de o próprio
governo enfrentar um tema sensível como as mudanças
previdenciárias em meio às eleições, mesmo enquanto
o mercado espera sinalizações mais robustas de
ajustes nas contas públicas. O próprio ministro
Dario Durigan (Fazenda) vem fazendo acenos do tipo e
defendendo a contenção de despesas obrigatórias no
Orçamento da União, mas o assunto está longe de ter
um discurso unificado no governo e entre outros
aliados de Lula (PT).
“Não concordo que haja necessidade de uma reforma”,
disse Queiroz. “Nós estamos envelhecendo mais e isso
pressiona a conta da Previdência, mas eu considero
injusto que se olhe sempre para uma reforma da
Previdência como se costuma fazer, olhando sempre
para aumentar a idade ou aumentar a alíquota [de
contribuição]”.
“Acho isso muito cruel. Sou do Nordeste brasileiro,
onde a expectativa de vida não é como a do Sul e do
Sudeste. As pessoas não vivem tanto tempo”, disse.
“É muito cruel [aumentar a idade mínima] para quem
pega ônibus todos os dias, [leva] duas horas para ir
para o trabalho, duas para voltar”, completou.
Apesar da resistência, o ministro reconheceu a
necessidade de mudanças. “Acredito que nós estaremos
desafiados – todos nós, a inteligência brasileira –
a construir soluções de Previdência que são reais,
que nós precisamos ajustar e adequar. Mas sempre com
o olhar de não penalizar aqueles que já vivem muito
sofridos, que são os trabalhadores brasileiros”,
disse.
“Todos nós aqui trabalhamos muitas horas, mas nós
trabalhamos no ar-condicionado, de paletó e gravata,
bem vestidos, graças a Deus, e nós sabemos que essa
não é a realidade da maioria, de 99% dos
trabalhadores brasileiros. Então é com eles que me
preocupo”, disse.
O ministro Dario Durigan já citou como possível
mudança na Previdência um endurecimento nas regras
para militares. A secretária de Política Econômica
da Fazenda, Débora Freire, menciona a possibilidade
de ajustes, no futuro, na idade mínima. O atual
secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, já
disse que o país precisaria se acostumar com
mudanças mais frequentes no sistema.
Quando apresentado a essas declarações, Queiroz
afirmou que o Ministério da Fazenda fica no ataque
cuidando dos números. Enquanto ele fica na defesa do
trabalhador. E que quem decide a estratégia é o
presidente Lula.
“O capitão do time agora, digamos, é a ministra
Miriam Belchior [da Casa Civil]. O técnico é o
presidente Lula. É ele quem decide qual é a hora de
atacar, qual é a hora de defender, qual é a
estratégia do time. O ministro Dario é o atacante.
Ele tá lá na frente, cuidando dos números. E eu sou
o cara da defesa, da proteção social. Então eu tô
fazendo o meu papel”, disse.
Fonte: Jota - No Blog de Notícias da CNTI
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