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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Maioria rejeita reforma da Previdência e não abre mão de direitos trabalhistas



Nova pesquisa mostra que, para 60%, projeto aprovado na Câmara só é bom para os mais ricos ou não beneficia ninguém

A maioria dos brasileiros não acredita que a reforma da Previdência proposta pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) e aprovada na Câmara trará benefícios à população, segundo pesquisa MDA/CNT divulgada nesta segunda-feira (26). Para começar a valer, as novas regras ainda precisam da aprovação só do Senado.

O levantamento, que também apontou novo aumento na avaliação negativa do governo Bolsonaro, mostrou que 52,7% dos entrevistados são contra o projeto e apenas 36,6% a favor. Outros 10,7% não souberam responder.

E mais: 60% entendem que a reforma será boa apenas para os mais ricos ou não será boa para ninguém. Um índice muito próximo – 60,7% - acredita que não terá benefício pessoal com o projeto.

Está também na casa dos 60% o total de pessoas que se recusam a abrir mão de direitos trabalhistas para garantir o emprego.

Fonte: Brasil de Fato, do blog de notícias da CNTI 

http://cnti.org.br/html/noticias.htm#Maioria_rejeita_reforma_da_Previd%C3%AAncia_e_n%C3%A3o_abre_m%C3%A3o_de_direitos_trabalhistas

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

1 em cada 4 desempregados procura trabalho há pelo menos dois anos no Brasil

O país tem 12,8 milhões de trabalhadores desempregados, 28,4 subutilizados e 4,9 milhões desalentados

Escrito por: Marize Muniz
Marcello Casal Jr/ Agencia Brasil
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Desde o golpe de 2016, tanto o ilegítimo governo de Michel Temer (MDB) quanto o governo de Jair Bolsonaro (PSL) veem garantindo que a aprovação de propostas de retirada de direitos previdenciários e trabalhistas aqueceria a economia e geraria milhões de empregos. Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desmente a tese dos governos de direita. 

Enquanto Bolsonaro tenta aprovar a reforma da Previdência e a MP da Minirreforma Trabalhista e apresenta dia sim dia não uma medida para retirar direitos da classe trabalhadora, um quarto (26,2%) dos trabalhadores e trabalhadoras desempregados no 2º trimestre no Brasil, o que equivale a 3,347 milhões de pessoas, estão procurando emprego há pelo menos 2 anos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE. No 1º trimestre, estavam nesta situação 3,319 milhões trabalhadores, ou 24,8% do total.

Do total de desempregados, 45,6% estavam entre um mês e menos de um ano em busca de trabalho; 26,2%, há dois anos ou mais, 14,2%, de um ano a menos de dois anos e 14,0%, há menos de um mês.  
A taxa de desemprego do primeiro trimestre deste ano foi de 12,0% contra 12,7%. O recuo foi leve e o desemprego ainda atinge 12,8 milhões de trabalhadores e trabalhadoras. A subutilização atinge 28,4 milhões de brasileiros que poderiam e querem trabalhar mais horas e não conseguem; e o desalento bateu a porta de 4,9 milhões que nem procuram mais recolocação.

De acordo com técnicos do IBGE, o elevado tempo de procura por emprego é um dos fatores que ajudam a explicar o desalento, em especial nas regiões onde o mercado de trabalho oferece poucas oportunidades. A maior parte dos desalentados está na Bahia (766 mil pessoas) e no Maranhão (588 mil pessoas).

Ainda de acordo com o instituto, a dificuldade de se recolocar no mercado também influencia a informalidade em um mercado de trabalho composto por 19,4 milhões de trabalhadores por conta própria sem CNPJ, 11,5 milhões de empregados sem carteira assinada e 873 mil de empregadores sem CNPJ.

No 2º trimestre de 2019, as maiores taxas de subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação a força de trabalho ampliada) foram registradas no Piauí (43,3%), Maranhão (41,0%) e Bahia (40,1%). Já as menores taxas foram em Santa Catarina (10,7%), Rondônia (15,7%) e Mato Grosso (15,8%).

O percentual de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado do país era de 74,3%. Os maiores percentuais estavam em Santa Catarina (87,6%), Rio Grande do Sul (83,3%) e Paraná (81,4%) e os menores, no Maranhão (50,3%), Piauí (52,0%) e Pará (52,7%).

Já a proporção de empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado foi de 25,7%. As UFs com os maiores percentuais foram no Maranhão (49,7%), Piauí (48,0%) e Pará (47,3%), e as menores taxas estavam em Santa Catarina (12,4%), Rio Grande do Sul (16,7%) e Paraná (18,6%).

O percentual da população ocupada do país trabalhando por conta própria era de 25,9%. As unidades da federação com os maiores percentuais foram Pará (35,6%), Amapá (35,1%) e Amazonas (34,3%) e os menores estavam no Distrito Federal (19,6%), Mato Grosso do Sul (20,9%) e São Paulo (21,7%).


FONTE: Site da Central Única dos Tralhadores - CUT
 https://www.cut.org.br/noticias/1-em-cada-4-desempregados-procura-trabalho-ha-pelo-menos-dois-anos-no-brasil-7f9b

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Queda no comércio afeta salário, precariza trabalho e provoca demissões em todo país

No Rio, presidente do Sindicato dos Comerciários relata abusos sobre os direitos de trabalhadores

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)
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Comércio varejista teve desaceleração no volume de vendas em relação a semestres anteriores / Agência Brasil
A falta de medidas do governo Bolsonaro (PSL) para alavancar a economia se expressou na última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na semana passada. Em junho, indústria, comércio e o setor de serviços tiveram queda de 1% em relação ao mês anterior e de 3,6% em relação a junho de 2018. A desaceleração no comércio varejista em relação a semestres anteriores afeta os donos de lojas, mas o efeito é devastador para trabalhadores e trabalhadoras de todo o país.

Funcionária de uma loja de telefonia em um shopping da Zona Norte do Rio, Fabiana Prates trabalha há anos na área e contou ao Brasil de Fato que nunca viu um cenário tão ruim quanto o atual. “Até 2017, a gente ainda conseguia vender bem e era um mercado que funcionava sozinho. Depois, veio 2018 como um ano muito difícil, mas 2019 está sendo ainda pior”, avalia Fabiana, que acompanha o quadro comparativo de vendas na loja em que trabalha mês a mês e ano a ano. “Por aí, a gente vê que a situação piorou muito”.

A funcionária lembrou que o salário de grande parte dos trabalhadores do comércio depende do volume de vendas. “Isso se reflete no nosso salário, porque a gente trabalha por comissionamento. Se você não atinge a meta, você não recebe. As vendas não são mais como antes, agora ela tem meses específicos que são bons, antes a gente tinha isso todos os meses”.

O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, confirma essa percepção e lembra que a reforma trabalhista só fez piorar a situação dos trabalhadores. Ayer afirma que alguns dos efeitos dos índices negativos do setor são a perda de massa salarial e o aumento da precarização e da informalidade.

“O cenário piora quando as empresas, para impulsionar as vendas, estimulam seus vendedores a extrapolarem suas jornadas numa tentativa desesperada de bater metas, cada dia mais abusivas. A consequência disso é um contingente gigante de trabalhadores estressados e que em breve vão ficar doentes. É só imaginar o trabalhador em pé na loja, durante 12 horas, sete dias na semana”, relata o representante da categoria.

Questões trabalhistas

O que poderia parecer um filme de ficção científica distópica já é uma realidade brasileira. Diversos setores vêm sacrificando cada vez mais o trabalhador e avançando sobre direitos, tanto de remuneração digna quanto de tempo para descanso e lazer. A chamada “jornada espanhola” (48 horas em uma semana e 40 horas na seguinte).

Márcio Ayer afirma que essas modalidades, assim como a jornada de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, “acabam com os direitos que os comerciários conquistaram para o trabalho aos domingos e feriados”.

“A situação piora para quem é contratado sem carteira assinada e fica sem garantia nenhuma de direitos. Os dados da informalidade do comércio ainda não existem, mas não é difícil encontrar lojas inteiras funcionando com trabalhadores sem carteira assinada. Uma dura realidade que atinge os comerciários é que muitos compram as mercadorias da loja em que trabalhavam e vão para as ruas vender”.

 
Edição: Mariana Pitasse


FONTE: BRASIL DE FATO

https://www.brasildefato.com.br/2019/08/14/queda-no-comercio-afeta-salario-precariza-trabalho-e-provoca-demissoes-em-todo-pais/