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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Formação sindical e proteção ao trabalho no centro dos debates da CNTI

 



Plenária dos 80 anos reúne especialistas para discutir hegemonia, formação de lideranças, precarização, saúde do trabalhador e os desafios da proteção previdenciária

 


O segundo dia da Plenária Nacional CNTI 80 Anos, nesta quarta-feira (16), foi marcado por debates sobre a formação sindical e os impactos das transformações econômicas e sociais sobre o mundo do trabalho.

Ao longo do dia, dirigentes e militantes da base da Confederação discutiram desde a disputa de hegemonia e a preparação de novas lideranças até os efeitos da precarização sobre direitos, saúde e proteção previdenciária dos trabalhadores.
 


Na programação da manhã, o tema “Formação sindical e os impactos da realidade socioeconômica brasileira” abriu os trabalhos. O debate reuniu o professor titular da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Ricardo Lara, e o professor-doutor da UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), Diogo Prado Evangelista, com mediação de Fabrício José Missio, professor do Departamento de Economia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e presidente da Ipead/UFMG (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas).

As exposições abordaram os processos culturais, a hegemonia e as relações de poder na formação das lideranças, além das implicações da dominação ideológica sobre as relações de trabalho, a organização sindical e a esfera política.
 


Os debatedores também destacaram o papel da educação popular e da formação sindical diante da hegemonia patronal e das forças do mercado.

Para os especialistas, a preparação de dirigentes e militantes exige domínio de dados, informações históricas e indicadores socioeconômicos capazes de transformar conhecimento em instrumento de organização e ação da classe trabalhadora.

A discussão apontou, assim, para a necessidade de formação sindical que não se limite à transmissão de conteúdos, mas prepare os dirigentes para compreender a realidade, identificar os mecanismos de poder e atuar sobre esses.
 

 

TRABALHO, SAÚDE E PROTEÇÃO SOCIAL

Ainda pela manhã, a programação contou com a participação de Ileana Neiva Mousinho, subprocuradora-geral do Trabalho do MPT (Ministério Público do Trabalho), e Gilmar Ortiz, presidente da Abrastt (Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora).

O debate foi mediado pela professora e especialista em formação de lideranças sindicais e diretora da Repensar Cursos.

No período da tarde, os trabalhos avançaram para o tema “Trabalho e proteção previdenciária: realidade e perspectivas – precarização, ambiente, condições e saúde laboral”. A mesa temática foi mediada pelo professor-doutor René Mendes, coordenador do Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora, do IEA/USP (Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo).

 


Participaram como palestrantes Carolina Maria Ruy, jornalista e pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical, editora do Rádio Peão Brasil e integrante do Conselho Consultivo da Fundação Maurício Grabois; e Paulo Rogério Albuquerque de Oliveira, professor e auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil, autor de estudos e instrumentos relacionados ao PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário), NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário), FAP (Fator Acidentário de Prevenção) e aos eventos de SST (Saúde e Segurança do Trabalho) no eSocial.

O debate tratou dos impactos das Reformas Trabalhista e previdenciária sobre a realidade dos trabalhadores industriários e das novas formas de precarização, entre essas a terceirização irrestrita, a pejotização, o contrato intermitente e a plataformização algorítmica.

Também estiveram no centro das discussões as condições e os ambientes de trabalho na indústria, com os riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, inerente aos processos de trabalho, além das políticas de vigilância da saúde do trabalhador e da necessidade de ambientes laborais seguros.

DA INDUSTRIALIZAÇÃO AO NEOLIBERALISMO

Carolina Ruy recuperou a trajetória histórica das relações de trabalho e das condições laborais a partir das transformações do modelo de desenvolvimento brasileiro na década de 1930.

Na exposição, ela percorreu o período do nacional-desenvolvimentismo, as crises e transformações das décadas de 1970 e 1980 e o avanço do neoliberalismo.

A perspectiva histórica ajudou a situar as mudanças atuais no mundo do trabalho como parte de processo mais amplo de transformação econômica e social, no qual a organização sindical também precisa se adaptar para enfrentar novas formas de exploração e precarização.
 


Paulo Rogério, por sua vez, chamou atenção para mecanismos utilizados para contornar direitos trabalhistas e previdenciários, muitos desses pouco conhecidos pelos próprios trabalhadores. Para ele, a disputa também passa pelo domínio das novas tecnologias e pela capacidade de comunicação das entidades.

“Os sindicatos precisam deixar de ser analógicos para serem digitais. A era do papel e do PDF acabou”, enfatizou.

A afirmação sintetizou uma das preocupações que atravessaram os debates: a necessidade de modernizar instrumentos de organização, comunicação e formação sem perder de vista a defesa dos direitos e a representação coletiva dos trabalhadores.

DEBATE NOS GRUPOS

Depois das exposições e dos debates em plenário, os participantes da Plenária Nacional CNTI 80 Anos foram divididos em grupos de trabalho, dando sequência às discussões e aprofundando os temas apresentados ao longo do dia.
 


A programação combinou análise histórica, formação política e sindical, economia, saúde do trabalhador e proteção previdenciária, colocando diante dos dirigentes desafio comum: compreender as transformações do mundo do trabalho para fortalecer a capacidade de organização e defesa dos direitos da classe trabalhadora.

 

 

 

 

 

FONTE: CNTI 

https://cnti.org.br/html/PlenNacCNTI80anos/PlenNacCNTI80anos2.htm

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

CNTI 80 anos debate eleições, trabalho e soberania e projeta futuro da indústria


 

Plenária Nacional reúne dirigentes para discutir conjuntura, eleições de 2026, desafios do sindicalismo, indústria, soberania e participação de mulheres e jovens

 

 

Os 80 anos da CNTI foram marcados, nesta terça-feira (15), por agenda que combinou análise da conjuntura política, eleições de 2026, desafios do sindicalismo, desenvolvimento industrial, soberania nacional e renovação geracional.

A programação ocorreu no CTE (Centro Técnico Educacional) da entidade, em Luziânia (GO), onde também foram inaugurados a usina fotovoltaica da CNTI e o Ceras (Centro de Experimentação com Remineralizadores e Agroecologia Socioprodutiva). A programação integra a Plenária Nacional CNTI 80 Anos, realizada ao longo desta semana.

Na abertura dos trabalhos, o presidente da CNTI, José Reginaldo Inácio, destacou a singularidade do momento vivido pelo País e o significado histórico das 8 décadas da entidade.

Para ele, a celebração dos 80 anos representa também oportunidade de discutir os caminhos do movimento sindical diante das transformações econômicas, políticas, tecnológicas e sociais do Brasil.
 

 

 

 

CONJUNTURA E ELEIÇÕES

Sob mediação da presidenta do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Rita Serrano, a primeira rodada de debates tratou da conjuntura nacional e internacional, da correlação de forças entre os Poderes Executivo e Legislativo e dos impactos da grande mídia e das plataformas digitais sobre o debate público.

Também entraram na pauta as eleições de 2026, as agendas estratégicas da classe trabalhadora, o combate ao assédio nas relações de trabalho, a fiscalização e as denúncias de violações de direitos. O debate defendeu a construção de plataforma sindical capaz de formular propostas, incidir no debate político e estabelecer interlocução com candidaturas.

Rita Serrano chamou atenção para a mudança estrutural provocada pelo avanço do capitalismo plataformizado. Segundo ela, o objetivo já não se restringe ao controle do trabalho. “Não quer apenas o controle da força de trabalho; quer também o controle da mente dos trabalhadores.”

Para a presidenta do Diap, o cenário internacional e nacional tornou-se mais complexo. “O mundo está mais complexo”, afirmou, ao sustentar que o antigo “pacto de paz acabou” e que as minorias que contribuem para manter algum nível de estabilidade social demonstram capacidade de resistência.

“É necessário mudar a realidade atual, porque essa não nos serve”, afirmou Rita. Ao concluir a exposição, defendeu confiança na capacidade de transformação: “É preciso acreditar na capacidade de mudanças na realidade atual”.

A defesa da unidade sindical apareceu como eixo transversal dos debates, especialmente em torno da institucionalidade, da soberania nacional, da democracia e da preservação dos direitos trabalhistas.

PLATAFORMAS DIGITAIS E ELEIÇÕES

O jornalista Sylvio Costa, ex-editor do portal Congresso em Foco e presidente da Rede pela Soberania, abordou a crescente influência das plataformas digitais na formação da opinião pública e no debate político.

A exposição chamou atenção para o uso dessas ferramentas no processo eleitoral e para a atuação da extrema direita no ambiente digital, colocando para o movimento sindical o desafio de compreender novas formas de comunicação, disputa narrativa e mobilização política.

Na sequência, o jornalista e assessor parlamentar do Diap André dos Santos analisou as eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado. Ele destacou as dificuldades envolvidas na renovação do Congresso Nacional e chamou atenção para a necessidade de discussão que vá além da eleição presidencial.

“Não basta renovar o mandato do atual presidente; é preciso renovar para melhor o Congresso Nacional”, resumiu.

NIB E O PAPEL DO TRABALHADOR

Antes do almoço, a Plenária orientou-se para a NIB (Nova Indústria Brasil) e o papel estratégico do trabalhador industriário no projeto de desenvolvimento nacional.

O debate foi mediado pelo jornalista Marco Antônio Campanella e contou com a participação de Randal Farah, chefe da Diei (Diretoria de Inteligência e Economia da Indústria) da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), vinculada ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A discussão abordou a reindustrialização brasileira diante de cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, guerras comerciais e barreiras tarifárias.

Os participantes também discutiram a necessidade de contrapartidas sociolaborais na concessão de incentivos e subsídios públicos vinculados à NIB, com exigências relacionadas à geração de empregos decentes, valorização salarial e responsabilidade ambiental.

Outro ponto destacado foi o fortalecimento da organização dos trabalhadores nos locais de produção, incluindo os comitês de fábrica, como instrumentos de participação e resistência aos processos de desindustrialização.

A agenda dialoga com iniciativas que a própria CNTI vem defendendo na área de ciência, tecnologia, inovação, transição energética e trabalho decente. Em agosto, a entidade havia apresentado à ministra Luciana Santos propostas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, inovação e fortalecimento das políticas públicas para o setor produtivo.

INDÚSTRIA, CIÊNCIA E TRABALHO

Na parte da tarde, a abertura solene da Plenária foi marcada pela exibição do vídeo institucional produzido para os 80 anos da CNTI, recuperando a trajetória da entidade e a relação com a história do trabalho e da industrialização brasileira.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o papel dos trabalhadores no processo de desenvolvimento nacional. “Os trabalhadores da indústria têm papel indispensável no desenvolvimento nacional. E fortalecer a indústria significa, portanto, fortalecer o trabalho.”

A ministra ressaltou ainda que são os trabalhadores que transformam conhecimento, matéria-prima e tecnologia em riqueza para o País, vinculando ciência, inovação e produção à valorização do trabalho.
 

 

 


MULHERES, JUVENTUDE E TRANSIÇÃO GERACIONAL

O encerramento dos debates da tarde colocou no centro da discussão a renovação do movimento sindical. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, abordou gênero, transição geracional e juventude no contexto sindical.

A programação contou ainda com exposição da diretora-técnica do Dieese, Adriana Marcolino, que contribuiu para a análise das transformações no mundo do trabalho e dos desafios colocados à organização sindical.

Também participou Mazé Morais, agricultora familiar, dirigente sindical e coordenadora-geral da Marcha das Margaridas. Secretária Nacional de Mulheres da Contag, Mazé ampliou sua atuação política em 2026 ao assumir também a Secretaria Nacional de Mulheres do PT.

A presença de mulheres e jovens na programação reforçou uma das questões estratégicas colocadas para o sindicalismo: como preservar a memória e o legado das entidades sem perder a capacidade de dialogar com as novas gerações e com as transformações do mundo do trabalho.

 

Participou ainda, na parte da tarde, o ministro interino do Trabalho e Emprego, Francisco Macena, que saudou os 80 anos da CNTI e destacou os desafios da pasta diante de cenário econômico e social ainda marcado pela precarização das relações de trabalho.


Entre os principais problemas, citou a chamada pejotização, mecanismo que, ao substituir vínculos formais por relações contratuais mais frágeis, amplia a insegurança e reduz direitos.

O enfrentamento dessa prática, que afeta diretamente a proteção trabalhista, está entre as prioridades da atuação da CNTI em defesa do trabalho decente e dos direitos dos trabalhadores.

SUSTENTABILIDADE E SOBERANIA

O dia foi encerrado com a inauguração da Usina Fotovoltaica da CNTI e do Ceras (Centro de Experimentação com Remineralizadores e Agroecologia Socioprodutiva).

Ambas as iniciativas aproximam a estrutura da entidade de temas que ganharam espaço na agenda sindical contemporânea: transição energética, sustentabilidade, inovação, agroecologia e desenvolvimento tecnológico.

A usina fotovoltaica também simboliza a aposta da CNTI em fontes renováveis de energia. Já o Ceras amplia o campo de atuação da entidade para experiências relacionadas à agroecologia e ao uso de remineralizadores.

A combinação entre os debates políticos e sindicais e as novas estruturas inauguradas em Luziânia deu ao encontro sentido que ultrapassa a comemoração das 8 décadas.

A Plenária colocou em discussão o papel do sindicalismo diante de um mundo em transformação, no qual democracia, soberania, indústria, tecnologia, meio ambiente, direitos trabalhistas e renovação geracional passam a integrar a mesma agenda.

Ao completar 80 anos, a CNTI procura, assim, articular memória, organização sindical e projeto de futuro, reafirmando a centralidade do trabalho na construção do desenvolvimento brasileiro.

 

 

 

Inauguração da Usina de Energia Fotovoltaica

 

 

 

 

 

Confira a Programação!

 

FONTE: CNTI

https://cnti.org.br/html/PlenNacCNTI80anos/PlenNacCNTI80anos.htm 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

CNTI 80 anos debate eleições, trabalho e soberania e projeta futuro da indústria

 

 

 

Plenária Nacional reúne dirigentes para discutir conjuntura, eleições de 2026, desafios do sindicalismo, indústria, soberania e participação de mulheres e jovens


Os 80 anos da CNTI foram marcados, nesta terça-feira (15), por agenda que combinou análise da conjuntura política, eleições de 2026, desafios do sindicalismo, desenvolvimento industrial, soberania nacional e renovação geracional.

A programação ocorreu no CTE (Centro Técnico Educacional) da entidade, em Luziânia (GO), onde também foram inaugurados a usina fotovoltaica da CNTI e o Ceras (Centro de Experimentação com Remineralizadores e Agroecologia Socioprodutiva). A programação integra a Plenária Nacional CNTI 80 Anos, realizada ao longo desta semana.

Na abertura dos trabalhos, o presidente da CNTI, José Reginaldo Inácio, destacou a singularidade do momento vivido pelo País e o significado histórico das 8 décadas da entidade.

Para ele, a celebração dos 80 anos representa também oportunidade de discutir os caminhos do movimento sindical diante das transformações econômicas, políticas, tecnológicas e sociais do Brasil.
 

 

 

 

CONJUNTURA E ELEIÇÕES

Sob mediação da presidenta do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Rita Serrano, a primeira rodada de debates tratou da conjuntura nacional e internacional, da correlação de forças entre os Poderes Executivo e Legislativo e dos impactos da grande mídia e das plataformas digitais sobre o debate público.

Também entraram na pauta as eleições de 2026, as agendas estratégicas da classe trabalhadora, o combate ao assédio nas relações de trabalho, a fiscalização e as denúncias de violações de direitos. O debate defendeu a construção de plataforma sindical capaz de formular propostas, incidir no debate político e estabelecer interlocução com candidaturas.

Rita Serrano chamou atenção para a mudança estrutural provocada pelo avanço do capitalismo plataformizado. Segundo ela, o objetivo já não se restringe ao controle do trabalho. “Não quer apenas o controle da força de trabalho; quer também o controle da mente dos trabalhadores.”

Para a presidenta do Diap, o cenário internacional e nacional tornou-se mais complexo. “O mundo está mais complexo”, afirmou, ao sustentar que o antigo “pacto de paz acabou” e que as minorias que contribuem para manter algum nível de estabilidade social demonstram capacidade de resistência.

“É necessário mudar a realidade atual, porque essa não nos serve”, afirmou Rita. Ao concluir a exposição, defendeu confiança na capacidade de transformação: “É preciso acreditar na capacidade de mudanças na realidade atual”.

A defesa da unidade sindical apareceu como eixo transversal dos debates, especialmente em torno da institucionalidade, da soberania nacional, da democracia e da preservação dos direitos trabalhistas.

PLATAFORMAS DIGITAIS E ELEIÇÕES

O jornalista Sylvio Costa, ex-editor do portal Congresso em Foco e presidente da Rede pela Soberania, abordou a crescente influência das plataformas digitais na formação da opinião pública e no debate político.

A exposição chamou atenção para o uso dessas ferramentas no processo eleitoral e para a atuação da extrema direita no ambiente digital, colocando para o movimento sindical o desafio de compreender novas formas de comunicação, disputa narrativa e mobilização política.

Na sequência, o jornalista e assessor parlamentar do Diap André dos Santos analisou as eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado. Ele destacou as dificuldades envolvidas na renovação do Congresso Nacional e chamou atenção para a necessidade de discussão que vá além da eleição presidencial.

“Não basta renovar o mandato do atual presidente; é preciso renovar para melhor o Congresso Nacional”, resumiu.

NIB E O PAPEL DO TRABALHADOR

Antes do almoço, a Plenária orientou-se para a NIB (Nova Indústria Brasil) e o papel estratégico do trabalhador industriário no projeto de desenvolvimento nacional.

O debate foi mediado pelo jornalista Marco Antônio Campanella e contou com a participação de Randal Farah, chefe da Diei (Diretoria de Inteligência e Economia da Indústria) da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), vinculada ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A discussão abordou a reindustrialização brasileira diante de cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, guerras comerciais e barreiras tarifárias.

Os participantes também discutiram a necessidade de contrapartidas sociolaborais na concessão de incentivos e subsídios públicos vinculados à NIB, com exigências relacionadas à geração de empregos decentes, valorização salarial e responsabilidade ambiental.

Outro ponto destacado foi o fortalecimento da organização dos trabalhadores nos locais de produção, incluindo os comitês de fábrica, como instrumentos de participação e resistência aos processos de desindustrialização.

A agenda dialoga com iniciativas que a própria CNTI vem defendendo na área de ciência, tecnologia, inovação, transição energética e trabalho decente. Em agosto, a entidade havia apresentado à ministra Luciana Santos propostas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, inovação e fortalecimento das políticas públicas para o setor produtivo.

INDÚSTRIA, CIÊNCIA E TRABALHO

Na parte da tarde, a abertura solene da Plenária foi marcada pela exibição do vídeo institucional produzido para os 80 anos da CNTI, recuperando a trajetória da entidade e a relação com a história do trabalho e da industrialização brasileira.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o papel dos trabalhadores no processo de desenvolvimento nacional. “Os trabalhadores da indústria têm papel indispensável no desenvolvimento nacional. E fortalecer a indústria significa, portanto, fortalecer o trabalho.”

A ministra ressaltou ainda que são os trabalhadores que transformam conhecimento, matéria-prima e tecnologia em riqueza para o País, vinculando ciência, inovação e produção à valorização do trabalho.
 

 

 


MULHERES, JUVENTUDE E TRANSIÇÃO GERACIONAL

O encerramento dos debates da tarde colocou no centro da discussão a renovação do movimento sindical. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, abordou gênero, transição geracional e juventude no contexto sindical.

A programação contou ainda com exposição da diretora-técnica do Dieese, Adriana Marcolino, que contribuiu para a análise das transformações no mundo do trabalho e dos desafios colocados à organização sindical.

Também participou Mazé Morais, agricultora familiar, dirigente sindical e coordenadora-geral da Marcha das Margaridas. Secretária Nacional de Mulheres da Contag, Mazé ampliou sua atuação política em 2026 ao assumir também a Secretaria Nacional de Mulheres do PT.

A presença de mulheres e jovens na programação reforçou uma das questões estratégicas colocadas para o sindicalismo: como preservar a memória e o legado das entidades sem perder a capacidade de dialogar com as novas gerações e com as transformações do mundo do trabalho.

SUSTENTABILIDADE E SOBERANIA

O dia foi encerrado com a inauguração da Usina Fotovoltaica da CNTI e do Ceras (Centro de Experimentação com Remineralizadores e Agroecologia Socioprodutiva).

Ambas as iniciativas aproximam a estrutura da entidade de temas que ganharam espaço na agenda sindical contemporânea: transição energética, sustentabilidade, inovação, agroecologia e desenvolvimento tecnológico.

A usina fotovoltaica também simboliza a aposta da CNTI em fontes renováveis de energia. Já o Ceras amplia o campo de atuação da entidade para experiências relacionadas à agroecologia e ao uso de remineralizadores.

A combinação entre os debates políticos e sindicais e as novas estruturas inauguradas em Luziânia deu ao encontro sentido que ultrapassa a comemoração das 8 décadas.

A Plenária colocou em discussão o papel do sindicalismo diante de um mundo em transformação, no qual democracia, soberania, indústria, tecnologia, meio ambiente, direitos trabalhistas e renovação geracional passam a integrar a mesma agenda.

Ao completar 80 anos, a CNTI procura, assim, articular memória, organização sindical e projeto de futuro, reafirmando a centralidade do trabalho na construção do desenvolvimento brasileiro.

 

 

 

Inauguração da Usina de Energia Fotovoltaica

 

 

 

 

 

Confira a Programação!

 

FONTE: CNTI

https://cnti.org.br/html/PlenNacCNTI80anos/PlenNacCNTI80anos.htm