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quinta-feira, 5 de março de 2026

“Modernizar” para não reduzir esta é retórica empresarial contra a nova jornada


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Manifesto liderado pela CNI evita dizer “não” à redução, mas repete argumentos históricos usados contra direitos que o tempo consolidou

O eufemismo como estratégia retórica é o faz a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e mais de 100 entidades do setor produtivo, que divulgaram manifesto defendendo a “modernização da jornada de trabalho”.

O texto apresenta 4 princípios para o debate: preservação do emprego formal, foco na produtividade, diferenciação por setor e aprofundamento técnico.

À primeira vista, trata-se de contribuição qualificada ao debate. Na prática, o documento evita afirmar explicitamente que é contrário à redução da jornada semanal e ao fim da escala 6x1. Mas estrutura os argumentos justamente para inviabilizá-los.

A escolha da palavra “modernização” cumpre função retórica. Substitui a negativa frontal por vocabulário tecnocrático que desloca o debate para critérios condicionantes que, no limite, postergam indefinidamente qualquer mudança estrutural.

Repetição de padrão histórico

Não é a primeira vez que o setor empresarial reage dessa forma. Argumentos semelhantes foram mobilizados contra o aumento real do salário mínimo, contra a redução da jornada de 48 para 44 horas na Constituição de 1988 e contra a ampliação de direitos trabalhistas ao longo das décadas.

Em todos esses episódios, a previsão era a mesma: desemprego, perda de competitividade, colapso produtivo. Nenhum desses cenários se confirmou nos termos anunciados.

Ao contrário, a ampliação do mercado interno e o aumento da renda contribuíram para ciclos de crescimento. O atual manifesto repete o roteiro. Ao invocar “preservação do emprego formal”, sugere que a redução da jornada geraria demissões.

Ainda que estudos apontem potencial de redistribuição do trabalho e criação de postos. Ao enfatizar “produtividade”, desloca a responsabilidade para o trabalhador, quando a própria organização do trabalho e o investimento empresarial são determinantes centrais desse indicador.

Diferenciação ou fragmentação

Outro ponto defendido é a diferenciação por setor. Embora tecnicamente plausível, o argumento pode funcionar como mecanismo de fragmentação da pauta, dificultando regra geral e mantendo o status quo em segmentos de maior resistência patronal.

A defesa de “discussão técnica aprofundada” também soa razoável. Contudo, o debate sobre jornada não é novo nem desprovido de estudos. Ao contrário, acumula décadas de evidências nacionais e internacionais.

A exigência permanente de novos diagnósticos pode operar como tática dilatória.

Modernizar para quem?

O centro da questão permanece: a jornada atual de 44 horas semanais e a escala 6x1 refletem modelo produtivo que impõe longos períodos de trabalho com pouco tempo de descanso.

A proposta de redução não é apenas reivindicação sindical, mas resposta às transformações tecnológicas, novas formas de organização do trabalho e demandas sociais por qualidade de vida.

Ao evitar dizer que é contra a mudança, a CNI procura ocupar o terreno da racionalidade técnica. Mas o conteúdo do manifesto revela resistência estrutural à redistribuição do tempo de trabalho.

Historicamente, posições empresariais classificadas como “prudentes” mostraram-se, depois, atrasadas diante da realidade social e econômica. A modernização invocada agora pode, no futuro, ser lembrada como mais um capítulo de oposição a direitos que acabaram se consolidando.

O debate sobre jornada é, no fundo, disputa sobre como distribuir ganhos de produtividade e tempo social. E nisso, o silêncio estratégico pode dizer mais do que negativa explícita.

FONTE: DIAP

https://www.diap.org.br/index.php/noticias/noticias/92768-modernizar-para-nao-reduzir-esta-e-retorica-empresarial-contra-a-nova-jornada

 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Bolsonaristas defendem reduzir salário e direitos dos trabalhadores

 Contra a redução da jornada de trabalho a bancada bolsonarista liderada pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) apresentou o Requerimento nº 477/2026, solicitando a apensação da PEC 40/2025 à PEC 221/2019, atualmente em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara.

A proposta defendida pela bancada Bolsonarista altera o artigo 7º da Constituição Federal para permitir a flexibilização da jornada de trabalho, com possibilidade de redução proporcional de salário e direitos.

A PEC estabelece que o trabalhador poderá optar entre o regime tradicional previsto na CLT ou um modelo flexível por horas trabalhadas. Também prevê que o contrato individual possa prevalecer sobre acordos e convenções coletivas.

Apensação pode ampliar alcance do texto

Caso o pedido de apensação seja deferido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a tramitação conjunta das propostas pode ampliar o alcance das mudanças.

Na prática, o deferimento do apensamento abre espaço para que os relatores — especialmente no âmbito de uma eventual comissão especial — apresentem substitutivos ou incluam novos dispositivos no texto.

Isso pode ampliar a possibilidade para alterações com destaques algo que pode desconfigurar a proposta apresentada pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG) e resultar em regras prejudiciais aos trabalhadores.

Redução proporcional de salário e direitos

Pelo texto defendido pela ala Bolsonarista, caso o empregado reduza sua jornada, o salário e os direitos trabalhistas — como férias, 13º salário, FGTS e demais benefícios — serão calculados proporcionalmente às horas efetivamente trabalhadas.

Além disso, a proposta autoriza jornada flexível mediante contrato individual, respeitando o limite máximo de 44 horas semanais.

Apoio de parlamentares alinhados a Jair Bolsonaro

A proposta reúne forte apoio de deputados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente do PL e partidos de perfil conservador.

Lista completa dos parlamentares que assinaram a PEC 40

Mauricio Marcon (PODE/RS)

Zé Trovão (PL/SC)

Zé Vitor (PL/MG)

Sargento Fahur (PSD/PR)

Julia Zanatta (PL/SC)

Pr. Marco Feliciano (PL/SP)

Covatti Filho (PP/RS)

Capitão Alden (PL/BA)

Delegado Caveira (PL/PA)

Gilson Marques (NOVO/SC)

Carla Zambelli (PL/SP)

Evair Vieira de Melo (PP/ES)

Luiz Lima (NOVO/RJ)

Marcelo Moraes (PL/RS)

Mario Frias (PL/SP)

Cabo Gilberto Silva (PL/PB)

Coronel Ulysses (UNIÃO/AC)

Roberta Roma (PL/BA)

Delegado Paulo Bilynskyj (PL/SP)

Gustavo Gayer (PL/GO)

Nikolas Ferreira (PL/MG)

Coronel Meira (PL/PE)

Marcos Pollon (PL/MS)

Rodrigo Valadares (UNIÃO/SE)

Gilson Daniel (PODE/ES)

Carlos Jordy (PL/RJ)

Coronel Assis (UNIÃO/MT)

Vermelho (PP/PR)

Rosangela Moro (UNIÃO/SP)

Coronel Fernanda (PL/MT)

Ricardo Salles (NOVO/SP)

Kim Kataguiri (UNIÃO/SP)

General Girão (PL/RN)

Pedro Lupion (PP/PR)

Marcel van Hattem (NOVO/RS)

Messias Donato (REPUBLIC/ES)

Pezenti (MDB/SC)

Giovani Cherini (PL/RS)

Sargento Gonçalves (PL/RN)

Fernando Rodolfo (PL/PE)

Adriana Ventura (NOVO/SP)

Delegado Ramagem (PL/RJ)

Zucco (PL/RS)

Bia Kicis (PL/DF)

Sanderson (PL/RS)

Lincoln Portela (PL/MG)

Delegado Éder Mauro (PL/PA)

Allan Garcês (PP/MA)

Nelson Barbudo (PL/MT)

General Pazuello (PL/RJ)

Coronel Chrisóstomo (PL/RO)

Daniela Reinehr (PL/SC)

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL/SP)

Clarissa Tércio (PP/PE)

Vicentinho Júnior (PP/TO)

Chris Tonietto (PL/RJ)

Alfredo Gaspar (UNIÃO/AL)

Rodolfo Nogueira (PL/MS)

Caroline de Toni (PL/SC)

José Medeiros (PL/MT)

Eli Borges (PL/TO)

Daniel Freitas (PL/SC)

Filipe Martins (PL/TO)

Gilvan da Federal (PL/ES)

Dr. Fernando Máximo (UNIÃO/RO)

Franciane Bayer (REPUBLIC/RS)

Osmar Terra (PL/RS)

Helio Lopes (PL/RJ)

Adilson Barroso (PL/SP)

Mauricio do Vôlei (PL/MG)

Jefferson Campos (PL/SP)

Silvia Cristina (PP/RO)

David Soares (UNIÃO/SP)

Thiago Flores (REPUBLIC/RO)

Delegado Palumbo (MDB/SP)

Romero Rodrigues (PODE/PB)

Luisa Canziani (PSD/PR)

Ismael (PSD/SC)

Fabio Schiochet (UNIÃO/SC)

Cobalchini (MDB/SC)

Greyce Elias (AVANTE/MG)

Alex Manente (CIDADANIA/SP)

Eros Biondini (PL/MG)

Domingos Sávio (PL/MG)

Icaro de Valmir (PL/SE)

Stefano Aguiar (PSD/MG)

Pastor Diniz (UNIÃO/RR)

Delegado Marcelo Freitas (UNIÃO/MG)

Any Ortiz (CIDADANIA/RS)

Juninho do Pneu (UNIÃO/RJ)

Nicoletti (UNIÃO/RR)

Leur Lomanto Júnior (UNIÃO/BA)

Sóstenes Cavalcante (PL/RJ)

Reinhold Stephanes (PSD/PR)

Junio Amaral (PL/MG)

Lucas Redecker (PSDB/RS)

Luiz Gastão (PSD/CE)

Marcio Alvino (PL/SP)

Alberto Fraga (PL/DF)

Filipe Barros (PL/PR)

Alceu Moreira (MDB/RS)

Sargento Portugal (PODE/RJ)

Joaquim Passarinho (PL/PA)

Otoni de Paula (MDB/RJ)

Dr. Jaziel (PL/CE)

Dr. Zacharias Calil (UNIÃO/GO)

Silvye Alves (UNIÃO/GO)

Bibo Nunes (PL/RS)

Paulo Freire Costa (PL/SP)

Rodrigo Gambale (PODE/SP)

Pedro Aihara (PRD/MG)

Alexandre Guimarães (MDB/TO)

Capitão Alberto Neto (PL/AM)

Luis Carlos Gomes (REPUBLIC/RJ)

Professor Alcides (PL/GO)

Jorge Goetten (REPUBLIC/SC)

Renata Abreu (PODE/SP)

Lucio Mosquini (MDB/RO)

Pedro Westphalen (PP/RS)

Nely Aquino (PODE/MG)

Daniel Trzeciak (PSDB/RS)

Delegado Bruno Lima (PP/SP)

Toninho Wandscheer (PP/PR)

Padovani (UNIÃO/PR)

Dr. Luiz Ovando (PP/MS)

Gutemberg Reis (MDB/RJ)

Lafayette de Andrada (REPUBLIC/MG)

Julio Lopes (PP/RJ)

Maurício Carvalho (UNIÃO/RO)

Waldemar Oliveira (AVANTE/PE)

Sergio Souza (MDB/PR)

Thiago de Joaldo (PP/SE)

Mendonça Filho (UNIÃO/PE)

Amaro Neto (REPUBLIC/ES)

Luiz Carlos Busato (UNIÃO/RS)

Beto Pereira (PSDB/MS)

André Fernandes (PL/CE)

Duda Ramos (MDB/RR)

Mersinho Lucena (PP/PB)

Marcelo Crivella (REPUBLIC/RJ)

Magda Mofatto (PRD/GO)

Diego Garcia (REPUBLIC/PR)

Vitor Lippi (PSDB/SP)

Zezinho Barbary (PP/AC)

Dagoberto Nogueira (PSDB/MS)

Zé Adriano (PP/AC)

Fausto Pinato (PP/SP)

João Carlos Bacelar (PL/BA)

Saulo Pedroso (PSD/SP)

Aluisio Mendes (REPUBLIC/MA)

Claudio Cajado (PP/BA)

Cristiane Lopes (UNIÃO/RO)

Fred Linhares (REPUBLIC/DF)

Josivaldo Jp (PSD/MA)

Marcelo Álvaro Antônio (PL/MG)

Rodrigo da Zaeli (PL/MT)

Hildo Rocha (MDB/MA)

Daniel Agrobom (PL/GO)

Roberto Monteiro Pai (PL/RJ)

Rogéria Santos (REPUBLIC/BA)

Ana Paula Leão (PP/MG)

Ricardo Guidi (PL/SC)

Célio Silveira (MDB/GO)

Rafael Prudente (MDB/DF)

Tião Medeiros (PP/PR)

Danilo Forte (UNIÃO/CE)

Sidney Leite (PSD/AM)

Luiz Fernando Vampiro (MDB/SC)

Lula da Fonte (PP/PE)

Delegado Fabio Costa (PP/AL)

Afonso Hamm (PP/RS)

 

FONTE: DIAP

https://www.diap.org.br/index.php/noticias/noticias/92764-bolsonaristas-defendem-reduzir-salario-e-direitos-dos-trabalhadores

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

13º do INSS antecipado em 2026: veja quem tem direito ao pagamento

 13º do INSS antecipado em 2026: veja quem tem direito ao pagamento


O 13º do INSS em 2026 deve ser antecipado para abril e maio. Confira quem tem direito ao pagamento


O governo federal planeja a antecipação do 13º para aposentados e pensionistas do INSS em 2026 para os meses de abril e maio. A medida, que aguarda a finalização de uma nota técnica pelo Ministério da Previdência, deve injetar R$ 78 bilhões na economia e beneficiar cerca de 35 milhões de segurados. Para que o cronograma seja confirmado, é necessária a publicação de um decreto presidencial até o início de abril.


Quem tem direito ao 13º salário do INSS?

 

O abono anual é destinado a segurados e dependentes da Previdência Social que receberam durante o ano:

- Aposentadoria;

- Pensão por morte;

- Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença);

- Auxílio-acidente;

- Auxílio-reclusão.


Importante: Idosos e pessoas com deficiência de baixa renda que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) não têm direito ao 13º.


Calendário e parcelas da antecipação

 

O pagamento do 13º salário obedece o cronograma de pagamento dos benefícios do INSS, entre os últimos dias de cada mês e início do seguinte.


Tradicionalmente, o 13º é pago em duas parcelas em agosto e novembro, mas o governo tem antecipado o pagamento das parcelas nos últimos anos. A medida não tem impacto fiscal, altera apenas o fluxo de pagamentos no exercício.

 

Fonte: Agência O Globo - No Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Paim defende Previdência Social e critica capitalização


Em pronunciamento no Plenário nesta terça-feira (24), o senador Paulo Paim (PT-RS) voltou a defender a Previdência Social. O parlamentar afirmou que o sistema representa um dos principais instrumentos de proteção social do país e destacou que o debate não deve se restringir a números, mas considerar os impactos na vida da população. Segundo ele, a Previdência garante renda, dignidade e segurança a trabalhadores, aposentados e pensionistas.


— Nossa luta é clara e é histórica: proteger a previdência da mão grande do mercado, que sempre a está olhando como alvo para privatizar; garantir que nenhum trabalhador fique desamparado em momentos difíceis, quando a idade avança. Não aceitaremos reformas que retirem direitos, nem capitalização, nem desmonte, nem privatização. A previdência é um patrimônio do povo brasileiro. Ajudei a construir, lá na Assembleia Nacional Constituinte, esse conceito tão importante — declarou.


O senador criticou propostas de capitalização e de privatização do sistema, afirmando que tais medidas podem ampliar desigualdades. Ele defendeu ainda mudanças na forma de contribuição das empresas, sugerindo que a base de cálculo considere o faturamento, e não apenas a folha de salários. Para Paim, é necessário fortalecer a arrecadação, combater a sonegação e revisar políticas que, segundo ele, prejudicam o financiamento da seguridade social.


— A Previdência Social é uma das maiores políticas de inclusão social da história do Brasil. Atacar a Previdência é atacar os mais vulneráveis, é atacar o trabalhador rural, a pessoa com deficiência, o idoso pobre, seja do campo ou da cidade, a viúva, os órfãos. A Previdência não é problema, ela é solução. Ela não é obstáculo ao desenvolvimento, ela é motor do desenvolvimento social e econômico. Ela não é privilégio, é direito — disse.

 

Fonte: Agência Senado - No Blog de Notícias da CNTI


https://cnti.org.br

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Redução da jornada – João Guilherme Vargas Neto


Quando as direções sindicais e o governo se põem de acordo para aprovar no Congresso Nacional a redução constitucional da jornada de trabalho sem redução de salário e a abolição da escala 6 x 1, todos os grandes veículos de comunicação, principalmente os jornalões, desencadeiam uma onda de argumentos antepondo-se à ideia.

Menos pela argumentação e mais pelo egoísmo social revelado, os números e as planilhas abundam.

É bom que saibam que, como ocorreu na luta pelas férias remuneradas e pelo 13º salário, ficarão como ficaram os jornalões da época marcados pelo reacionarismo.

Para concluir que a redução da jornada sem a redução de salário é possível, basta verificar as horas efetivamente trabalhadas atualmente que em nenhuma contagem ultrapassam as 40 horas semanais, meta das centrais sindicais.

A grande contribuição que a luta sindical daria neste convencimento dos deputados e senadores, seria nas negociações coletivas engajadas garantir já, como resultado, reduções de jornadas ou confirmar, naquelas categorias que já as reduziram, a divulgação de tais fatos.

A redução constitucional da jornada sem redução de salário e a abolição da escala 6 x 1 são avanços sociais em que o governo e os trabalhadores são os agentes de modernização, de produtividade e de justiça.

João Guilherme Vargas Netto. Analista político e consultor sindical.

 FONTE: Agência Sindical

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O ‘antídoto’ da pejotização: a estratégia das elites para aniquilar direitos

 Sob o manto da "liberdade contratual", o parecer do PGR Paulo Gonet ameaça transformar o trabalhador em um simulacro de empresa, esvaziando a luta pela redução da jornada e pela dignidade laboral

 


A história do Brasil é marcada por um ciclo perverso: sempre que a classe trabalhadora vislumbra uma conquista real, as estruturas de poder se movimentam para criar "antídotos" que neutralizam qualquer progresso. O recente parecer do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, favorável à pejotização, é o mais novo veneno destilado contra o povo brasileiro. Ao defender que a Justiça Comum, e não a do Trabalho, julgue a validade desses contratos, o PGR abre a porteira para uma fraude institucionalizada que suprime férias, 13º salário, FGTS e a própria dignidade do trabalhador.


A pejotização não é "modernização"; é retrocesso colonial. É a tentativa de transformar o suor do operário em uma transação comercial fria, despida de garantias sociais. Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria - CNTI, esse posicionamento é um ataque direto ao coração das conquistas históricas da classe trabalhadora, mascarando relações de emprego reais sob o verniz de contratos entre empresas para fugir de encargos e responsabilidades.


O alvo é a redução da jornada de trabalho


Não é coincidência que esse movimento surja no momento em que a sociedade brasileira amadurece o debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salário. A elite econômica, incapaz de aceitar uma minúscula diminuição em suas margens de lucro, utiliza o Estado para esvaziar essas vitórias.


Ao "pejotizar" o trabalhador, o patronato neutraliza o efeito de qualquer redução de jornada. Se não há controle de horas, se não há limite legal estabelecido pela CLT, o trabalhador PJ torna-se escravo de uma produtividade sem fim, sem direito ao descanso remunerado ou à convivência familiar. É uma manobra vergonhosa para manter a desigualdade em patamares abismais e intensificar a exploração.


A resistência necessária


Como bem ensinou o mestre Celso Furtado, as classes dominantes movem o aparelho de Estado para proteger sua concentração de riqueza. O que assistimos hoje é o uso da estrutura jurídica para validar a precarização, jogando sobre os ombros do trabalhador todos os riscos do negócio, enquanto o lucro permanece intocado e blindado.


A CNTI não assistirá passivamente a esse desmonte. A "autonomia contratual" pregada pela PGR é uma falácia quando de um lado está o poder econômico e do outro a necessidade de sobrevivência. Aceitar a pejotização irrestrita é aceitar o esvaziamento da Previdência Social, o enfraquecimento dos sindicatos e a desproteção total em casos de doença ou acidente.


Recomendações e posicionamento da CNTI


Diante desse cenário catastrófico, a CNTI reafirma as diretrizes inegociáveis desta Confederação:


- Combate à pejotização fraudulenta: Denunciamos que o uso do CNPJ para mascarar subordinação e pessoalidade é crime contra a organização do trabalho e deve ser combatido pela Justiça do Trabalho.


- Fim da escala 6x1: Exigimos a imediata revisão dos modelos de jornada que massacram a saúde física e mental dos industriários.


- Redução da jornada sem redução de salário: Esta é a bandeira central para a distribuição de renda e geração de empregos. Não aceitaremos "antídotos" jurídicos que tentem neutralizar essa conquista.


- Solidariedade e mobilização: Conclamamos o movimento sindical e os parlamentares comprometidos com a justiça social a barrar esse entendimento no STF. A Constituição Federal de 1988 não pode ser rasgada em nome da ganância patronal.


A CNTI segue firme: não há liberdade sem direitos, e não há progresso sem justiça laboral!


A Diretoria

 

 Assessoria de Comunicação da CNTI

 

FONTE: CNTI - 

 

https://cnti.org.br/html/noticias/2026/OAntidotodaPejotizacao.htm

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Greves na Argentina pressionam contra reforma trabalhista

Greves gerais e setoriais na Argentina pressionam o Congresso contra a reforma trabalhista, com forte adesão sindical e impactos no transporte e agroexportação


A Confederação Geral do Trabalho (CGT) convocou greve geral contra a reforma trabalhista do governo argentino, após aprovação preliminar no Senado, articulando paralisação no debate parlamentar.


Em seguida, sindicatos de transporte confirmaram adesão, ampliando impacto e intermunicipal, enquanto centrais planejam atos públicos próximos ao Congresso, pressionando deputados na análise do projeto.


Paralelamente, protestos acompanharam o debate legislativo, com repressão policial, evidenciando resistência sindical às mudanças que reduzem indenizações, flexibilizam jornadas, salários, licenças médicas e negociação coletiva.


Além disso, greves marítimas paralisaram embarques agrícolas, afetando portos estratégicos como Rosário, ao interromper navios, práticos e serviços, de acordo com entidades empresariais e sindicais do país.


“Esta ação visa defender nossos direitos trabalhistas e a estabilidade de nossos empregos”, afirmou a Federação dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais (Fesimaf) em um comunicado à imprensa ‌divulgado ⁠nas redes sociais.


Adesão de categorias estratégicas

 

 

Entre as organizações que já confirmaram participação, destaca-se a Unión Tranviarios Automotor, entidade que representa motoristas de ônibus.


Sindicatos ferroviários e trabalhadores do setor de trens também anunciaram adesão. Da mesma forma, a Confederación Argentina de Trabajadores del Transporte declarou apoio à mobilização.


Com a presença dessas categorias, a paralisação pode afetar serviços de transporte urbano, intermunicipal e ferroviário. Como consequência, haverá impacto direto nos deslocamentos em grandes centros, incluindo Buenos Aires e sua região metropolitana.


Paralelamente, as centrais sindicais planejam atos públicos e concentração nas proximidades do Congresso no dia do debate legislativo, reforçando a pressão política sobre o tema.


Além das greves ‌anunciadas por diversas entidades, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Processadora de Oleaginosas (SOEA) de San Lorenzo, o polo agroexportador localizado ao norte de Rosário, onde se concentra a maioria das usinas de processamento de soja do país, aderiu à greve na ‌quarta-feira.


O SOEA também aderiu às greves anunciadas por diversos sindicatos.


“Condenamos veementemente essa suposta modernização que busca apenas legalizar a erosão dos direitos trabalhistas”, declarou o SOEA em ⁠um comunicado à imprensa.


A Argentina é a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja.


O governo argumenta que a medida busca reduzir custos empresariais e ampliar a flexibilidade nas relações de trabalho.


Sindicatos afirmam que as mudanças podem resultar em redução de direitos, salários e garantias trabalhistas, além de restringir a atuação das entidades representativas.

 

Fonte: Rádio Peão Brasil - Do Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br