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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Escala 6x1: 67% apontam que jornada piora saúde mental, diz pesquisa



Para 62%, rotina laboral atual prejudica saúde física do trabalhador
 
Luiz Cláudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil

Brasília (DF) 05/08/2026 - Filas de passageiros e ônibus na Rodoviária do Plano Piloto de Brasília.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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Trabalhar seis dias seguidos e descansar apenas um proporciona piora da saúde mental para 67% dos brasileiros ouvidos por levantamento do Instituto Locomotiva, divulgado nesta terça (2). O possível fim da escala 6x1 está em tramitação avançada no Congresso. 

A proposta de emenda à Constituição sobre o tema foi aprovada nesta tarde pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A pesquisa do Locomotiva apresenta também, por exemplo, que a rotina laboral da escala 6x1 prejudica a saúde física para 62% das pessoas.

Segundo avaliou o presidente do instituto, Renato Meirelles, o levantamento aponta que o problema central para os brasileiros está no tamanho da vida que sobra depois do trabalho.

“A pesquisa mostra que a jornada pesa sobre dimensões fundamentais da qualidade de vida, como saúde mental, descanso, tempo com a família e relações pessoais”, destaca.

O levantamento foi feito em parceria com a QuestionPro entre os dias 2 e 8 de junho e ouviu 1.030 brasileiros em todas as regiões. 

Menos sono e saúde

Ao todo, 69% entendem que o tempo com a família é prejudicado ao trabalhar seis dias seguidos e folgar um, e 61% dizem que o sono e o descanso são impactados.  Inclusive, 71% dos brasileiros afirmam que a jornada dificulta a manutenção de hábitos saudáveis e 78% dizem que é difícil descansar de verdade trabalhando tanto tempo. 

O sentimento de que vivem cada vez mais cansadas é citado por 83% das pessoas. O levantamento de quem atua na escala 6x1 é de sacrificar saúde e lazer em nome da renda para 85%. Entre as mulheres, o percentual chega a 89%.

Brasília (DF), 02/09/2026 - Pesquisa sobre escala 6x1 e jornada de trabalho. Foto: Instituto Locomotiva/Divulgação
 Instituto Locomotiva/Divulgação

Projeto

A PEC 221 de 2019, que tramita no Congresso Nacioanl, prevê a obrigatoriedade de descanso remunerado de dois dias por semana, sem diminuição salarial. A proposta reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição de 14 meses. 

Nas discussões no Congresso, os parlamentares destacam que estudos sobre o fim da escala 6x1 divergem sobre os impactos para a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país).   

 

FONTE: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-09/escala-6x1-67-apontam-que-jornada-piora-saude-mental-diz-pesquisa 

Câmara aprova adesão do Brasil a acordo para eliminar violência e assédio no trabalho

Convenção da OIT foi aprovada pelos deputados e segue para análise do Senado


A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (1º) a ratificação de convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para eliminar a violência e o assédio no mundo do trabalho. O texto consta do Projeto de Decreto Legislativo 997/26 e segue para análise do Senado.


A aprovação foi recomendada pela relatora, deputada Benedita da Silva (PT-RJ). "A persistência de casos de assédio moral, assédio sexual e outras formas de violência no ambiente laboral demonstra a necessidade de fortalecimento das políticas de prevenção, acolhimento das vítimas e responsabilização dos agressores", defendeu.


Benedita da Silva acredita que a promoção de um ambiente de trabalho livre de violência e assédio também trará benefícios econômicos. "A redução de afastamentos por adoecimento, a melhoria do clima organizacional, o aumento da produtividade e a diminuição da rotatividade da mão de obra evidenciam que a prevenção da violência no trabalho constitui medida socialmente justa e economicamente racional", afirmou.


Assédio

 

A convenção define a violência e o assédio no mundo do trabalho como "um conjunto de comportamentos e práticas inaceitáveis, ou ameaças de tais comportamentos e práticas, quer se manifestem uma vez ou repetidamente, que tenham por objeto, causem ou sejam suscetíveis de causar danos físicos, psicológicos, sexuais ou econômicos, incluindo violência e assédio de gênero".


Os países que assinarem a convenção devem adotar legislação e políticas públicas que garantam o direito à igualdade e à não discriminação no emprego e na ocupação.


As regras devem valer para todas as pessoas envolvidas no mundo laboral, como empregados, trabalhadores autônomos, estagiários, aprendizes, voluntários, trabalhadores despedidos, candidatos a emprego, trabalhadores que exercem cargos de chefia e gestão. Também valerão para os setores público e privado, para a economia formal e informal e para as zonas urbanas e rurais.


Ações na Justiça

 

A Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego, nos estudos acerca da ratificação da convenção, registrou 5.933 demandas sobre práticas discriminatórias entre 2014 e 2021.


Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) apontam que, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2021, aproximadamente 26 mil pessoas ingressaram com ações na Justiça por conta do assédio sexual no ambiente de trabalho.

 

Fonte: Agência Câmara - No Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br

CNTI se reúne com ministro Boulos

 

 


A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) realizou reunião com o Ministro-chefe da Secretária-geral da Presidência, Guilherme Boulos, no Palácio do Planalto, para reiterar o convite da Plenária Nacional CNTI 80 Anos, ao mesmo tempo apresentou iniciativas estratégicas da entidade e discutiu pautas de relevância institucional e nacional como, por exemplo, o Fim da Escala 6x1.


Participaram do encontro José Reginaldo Inácio, presidente da CNTI; Sônia Zerino, Secretária das Mulheres da CNTI e presidente da Nova Central; Nelson Bonardi, Secretário-Geral da CNTI. Também estiveram presentes: Marco Antonio Campanella, assessor político institucional e Raimundo Salvador, presidente do STI Construção e Mobiliário de Brasília.

 

FONTE: Portal da CNTI

 

https://cnti.org.br/html/noticias/2026/CNTIreuniaoMinistroBoulos.htm 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Vitória dos trabalhadores: CCJ do Senado aprova fim da 6x1

 

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6x1, com dois dias de descanso semanal, e a redução gradual da jornada de 44 para 40 horas, sem redução salarial. 
 

Após quase sete horas de debates, o relatório do senador Omar Aziz (PSD-AM) foi aprovado por ampla maioria. Apenas quatro senadores votaram contra: Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).

A presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sônia Zerino, participou das atividades no Senado Federal acompanhada pelo vice-presidente, José Reginaldo, pelo Diretor de Relações Institucionais, Moacyr Roberto Tesch Auersvald, pelo Diretor de Finanças, Wilson Pereira, e por outros dirigentes da entidade. A mobilização reuniu presidentes e representantes das centrais sindicais em defesa da proposta.

Trabalho sindical faz a diferença

A aprovação da PEC na CCJ é resultado também da mobilização e da articulação permanente do movimento sindical. Nos últimos dias, dirigentes das centrais estiveram no Senado, percorreram gabinetes, conversaram com parlamentares e defenderam diretamente os interesses dos trabalhadores. 
 

A atuação conjunta demonstra a força da unidade sindical na construção de avanços para a classe trabalhadora. O trabalho de convencimento, a mobilização nas bases e a pressão sobre o Congresso foram fundamentais para que a proposta chegasse a esta etapa.

A PEC agora segue para o plenário do Senado, onde precisará de 49 votos favoráveis, em dois turnos, para ser aprovada.

“A aprovação na CCJ é uma importante vitória da classe trabalhadora e mostra a força da mobilização sindical. Mas a luta continua. Agora, precisamos ampliar a pressão para garantir a aprovação da PEC no plenário do Senado e conquistar o fim da escala 6x1, com redução da jornada e sem redução salarial", enfatizou Sônia Zerino. 
 

Plenária Nacional CNTI 80 Anos

 


 

 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) tem a honra de convidar o(a) companheiro(a) para participar da Plenária Nacional CNTI 80 Anos, um encontro histórico que marcará as oito décadas de atuação da Confederação em defesa dos trabalhadores e do fortalecimento do movimento sindical brasileiro. O evento será realizado de 14 a 18 de setembro de 2026, no Centro Técnico Educacional (CTE) / Instituto de Educação e Trabalho José Calixto Ramos, em Luziânia (GO).


A Plenária será um importante espaço de diálogo, integração e construção coletiva, reunindo dirigentes sindicais de todo o país para debater os desafios do mundo do trabalho, definir estratégias de atuação e celebrar os 80 anos de história da CNTI. Sua presença será fundamental para fortalecer a unidade da categoria e reafirmar o compromisso com a luta por mais direitos, valorização do trabalho e um futuro cada vez mais justo para todos os trabalhadores da indústria.

 

FONTE: Portal da CNTI

 

https://cnti.org.br/html/PlenNacCNTI80anos/PlenNacCNTI80anos.htm

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Centrais intensificam pressão no Senado pelo fim da escala 6x1

 


 

 

As centrais sindicais intensificaram nesta terça-feira (1º), em Brasília, a mobilização pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sônia Zerino, participou das atividades no Senado Federal acompanhada pelo Diretor de Relações Institucionais, Moacyr Roberto Tesch Auersvald, pelo Diretor de Finanças, Wilson Pereira, e por outros dirigentes da entidade. A mobilização reuniu presidentes e representantes das centrais sindicais em defesa da proposta.

A mobilização ocorre às vésperas da análise da PEC 221/2019 pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, prevista para esta quarta-feira (2). O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável à proposta.

Durante a mobilização, os dirigentes percorreram gabinetes e foram recebidos por senadores, entre eles Otto Alencar (PSD-BA), Omar Aziz (PSD-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Professora Dorinha Seabra (União-TO), para apresentar a pauta e buscar apoio à aprovação da PEC.

Trabalho de convencimento

O diretor de Relações Institucionais da NCST, Moacyr Roberto Tesch Auersvald, destacou a articulação realizada junto aos parlamentares.

“Nós estamos aqui no Senado Federal com a presidente da Nova Central, Sônia Zerino, e com o presidente da Contratuh, Wilson Pereira, fazendo um trabalho de convencimento aos senadores, porque amanhã será votado o fim da 6x1. Estamos tendo uma repercussão muito positiva. Já estivemos com o senador Otto Alencar, com o senador Omar Aziz, fomos recebidos pelo senador Renan Calheiros e estamos correndo rapidamente aos gabinetes.”

Moacyr também reforçou a importância da unidade do movimento sindical. “Gostaríamos de agradecer à Nova Central, à Contratuh e aos companheiros que estão aqui colaborando com o nosso trabalho. Nós estamos juntos, porque juntos somos fortes.”

Mobilização precisa continuar

Para Wilson Pereira, a mobilização precisa ser ampliada para garantir apoio à proposta nas próximas etapas de votação.“É um trabalho dignificante e que está muito bem apresentado. A gente viu, inclusive, por parte de vários senadores, a perspectiva de ser aprovado. É um trabalho que tem que ser realizado. Por isso, estamos chamando todos os dirigentes sindicais da União para que conversem com seus senadores, façam contato e peçam a aprovação amanhã na Comissão de Constituição e Justiça.”

O dirigente ressaltou que, após a CCJ, a mobilização deverá continuar no plenário do Senado.“Logicamente, depois vamos para o plenário, para o Senado, e temos que trabalhar todos os senadores para que seja aprovada essa PEC.”

Sônia Zerino destaca importância para as mulheres

A presidente da NCST, Sônia Zerino, reforçou a necessidade de pressão junto aos senadores e destacou os impactos da redução da jornada, especialmente para as mulheres.

“Nós estamos aqui numa ação concentrada, trabalhando com os senadores, pedindo apoio para que amanhã a Comissão de Constituição e Justiça aprove o fim da escala 6x1, sem redução do salário. Precisamos que os companheiros, nas suas bases, continuem fazendo a pressão por e-mail, pedindo aos senadores dos seus estados o apoio.”

Sônia também destacou que a redução da jornada representa melhores condições de trabalho e mais tempo para descanso e convivência familiar.
“Melhores condições de trabalho significam ter dois dias de folga na semana, principalmente para nós, mulheres, que temos a dupla, a tripla jornada. Trabalhamos uma jornada fora e ainda temos as responsabilidades de casa e da família.”

Vigília no Senado

As centrais sindicais realizam vigílias em frente ao Anexo II do Senado nesta terça, quarta e quinta-feira, a partir das 14h.

A NCST orienta trabalhadores e dirigentes sindicais a manterem a mobilização e pressionarem os senadores pela aprovação da PEC.
 
FONTE: Portal NCST
 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Se a CLT não cabe no bolso, o problema não é o jovem – Marcos Verlaine

 


Para reconquistar a juventude, a CLT precisa oferecer renda, direitos, perspectiva e flexibilidade, sem transformar precarização em liberdade nem proteção em privilégio.

No artigo “Quando a precarização é vendida como liberdade”, publicado no Portal Vermelho nesta quarta-feira (26), procurei mostrar que a perda de prestígio da CLT entre parcelas da juventude não pode ser explicada simplesmente por suposta rejeição aos direitos trabalhistas.

Essa resulta de combinação de precarização, baixa remuneração, mudanças tecnológicas, dificuldades de ingresso no mercado e, sobretudo, de disputa ideológica que há anos procura apresentar direitos como obstáculos à liberdade.

A questão que se impõe agora é outra, complementar: o que fazer para que a juventude, sobretudo a mais pobre, volte a enxergar na carteira assinada conquista. E não prisão? Esse trabalho precisa ser enfrentado pelo Estado e pelos sindicatos.

A resposta começa por constatação incômoda: não se reconquista o jovem para a CLT apenas explicando o que são férias, 13º salário, FGTS e Previdência. É preciso fazer com que esses direitos sejam acompanhados de renda, autonomia, respeito, perspectiva profissional e qualidade de vida.

O jovem não está errado ao procurar ocupação que lhe permita viver melhor.

Números desmentem tese da “geração sem CLT”

Pesquisa recente da Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva, ajuda a qualificar o debate. Entre os jovens de 16 a 29 anos que trabalham, 44% têm carteira assinada. Outros 15% são assalariados sem registro, 13% são autônomos ou freelancers, 10% estão em trabalhos informais e 8% são estagiários ou aprendizes remunerados.

Mais revelador ainda: 30% dizem que hoje desejam emprego com carteira assinada. Quando projetam os próximos 5 anos, porém, esse percentual cai para 16%, enquanto a preferência declarada pelo trabalho autônomo sobe de 28% para 42%. Não é difícil entender por quê.

O salário é o principal fator para 64% dos jovens na escolha de um trabalho. Benefícios, plano de carreira e ambiente agradável aparecem, cada um, com 31%. E 62% aceitariam ganhar um pouco menos para trabalhar em ambiente menos estressante. Entre os que já trabalharam, 69% afirmam ter deixado voluntariamente algum emprego; falta de respeito, jornadas longas, pressão excessiva e ausência de perspectiva estão entre as principais razões.

Ou seja: o jovem não está rejeitando necessariamente o direito. Está rejeitando empregos que não entregam vida minimamente digna.

Não basta dizer: “valorize a CLT”

Há erro recorrente nesse debate: responsabilizar o jovem por não reconhecer o valor da proteção trabalhista. É preciso inverter a pergunta.

Em vez de indagar porque o jovem não valoriza a CLT, deveríamos perguntar o que fizemos para que a CLT continue sendo socialmente desejável para quem está entrando no mercado de trabalho.

Se o jovem recebe proposta de emprego formal de salário baixo, jornada rígida, deslocamento longo, chefia abusiva e nenhuma perspectiva de crescimento, enquanto o aplicativo lhe oferece dinheiro ao final do dia, não é racional esperar que ele seja convencido apenas com cartilha sobre FGTS.

O direito futuro precisa dialogar com a necessidade presente. E isso não significa aceitar a precarização. Significa melhorar o emprego formal.

Renda e direitos não podem ser adversários

A primeira tarefa é elevar o poder de compra do trabalho. Não haverá campanha de valorização da CLT capaz de convencer o jovem pobre se o salário recebido no fim do mês não permite pagar aluguel, transporte, alimentação e outros custos básicos.

A valorização real do salário mínimo, políticas de primeiro emprego, incentivos à contratação de jovens vulneráveis e estímulos à permanência no emprego precisam fazer parte dessa agenda, governamental e sindical.

Mas há diferença fundamental em relação à velha fórmula da desoneração indiscriminada: o incentivo público precisa estar condicionado à qualidade do emprego.

Subsidiar contratação que dura poucos meses e depois devolve o jovem à informalidade não resolve o problema. O incentivo deve premiar contratação formal, formação profissional, permanência, progressão salarial e respeito aos direitos.

O Estado pode reduzir o custo de entrada do jovem no mercado, mas não pode subsidiar a precarização.

Flexibilidade sem desproteção

Há outro ponto que não pode ser ignorado. O jovem valoriza autonomia e flexibilidade. Isso não significa que queira necessariamente abrir mão de direitos. Significa que o modelo tradicional de trabalho precisa acompanhar mudanças efetivas na organização da vida.

A discussão sobre redução da jornada, fim da escala 6×1, horários flexíveis, trabalho híbrido quando possível e novas formas de organização do tempo precisa ser incorporada à modernização trabalhista.

É perfeitamente possível ter flexibilidade com direitos. O erro é aceitar a falsa escolha entre CLT rígida e informalidade libertadora.

A questão não é obrigar o jovem a trabalhar sob modelo concebido para outra época. É atualizar a proteção social para que essa alcance o trabalhador do século 21.

Primeiro emprego não pode ser armadilha

A pesquisa revela que 49% dos jovens apontam a falta de experiência como principal dificuldade para conseguir trabalho. A contradição é conhecida: as empresas exigem experiência justamente de quem está tentando conquistar a primeira oportunidade. É aí que a política pública pode fazer a diferença.

O programa de aprendizagem profissional já oferece caminho. A modalidade combina formação teórica e experiência prática, assegurando registro em carteira e direitos trabalhistas e previdenciários para jovens de 14 a 24 anos.

O Ministério do Trabalho informa que mais de 4 mil entidades formadoras estão cadastradas e que, em 2025, ações de fiscalização contribuíram para inserir 174,6 mil aprendizes no mercado.

O caminho, portanto, não é desmontar a aprendizagem para baratear o primeiro emprego. É ampliá-la, qualificá-la e conectá-la às novas economias.

Tecnologia, inteligência artificial, transição energética, indústria, saúde, economia verde, serviços digitais e infraestrutura precisam ser portas de entrada para nova geração de trabalhadores qualificados.

Há, inclusive, proposta recente no Senado para criar o Programa Nacional de Empregabilidade Jovem em Setores Estratégicos, orientado à formação e contratação de jovens em áreas como petróleo, mineração, energia, indústria e semicondutores.

Não é preciso precarizar para empregar jovens

Essa é talvez a principal lição a extrair do debate. Em junho, o governo federal vetou integralmente o projeto que criava o chamado “Contrato do Primeiro Emprego”, sob o argumento de que a proposta estabelecia condições que poderiam precarizar a contratação de jovens, inclusive com jornada de até 44 horas semanais e enfraquecimento da aprendizagem profissional.

A discussão é importante porque há tentação permanente de repetir a velha receita: para contratar o jovem, retire direitos; para reduzir o desemprego, reduza o custo do trabalhador; para modernizar, flexibilize a proteção.

É a mesma lógica que transforma direito em custo e precariedade em oportunidade. Não precisa ser assim.

O primeiro emprego pode ser subsidiado sem ser precarizado. Pode ter formação sem ser exploração. Pode ser flexível sem ser informal. Pode ser moderno sem abandonar a proteção social.

Jovem quer respeito

Há dados da pesquisa que deveriam estar no centro dessa discussão: 43% dos jovens que deixaram emprego apontam falta de respeito ou tratamento inadequado por parte de chefes ou líderes. Jornadas longas aparecem para 36%; pressão excessiva, para 32%; falta de oportunidade de crescimento, para 28%.

Isso desmonta outro preconceito. O jovem não quer simplesmente “trabalhar menos”. Ele quer trabalhar com sentido, ser respeitado, receber adequadamente, aprender, crescer e ter tempo para viver. Trata-se, pois, de reivindicação legítima.

Aliás, a preferência por ambientes menos estressantes mostra que a nova geração está colocando uma questão que o mundo do trabalho frequentemente ignorou: produtividade não precisa ser sinônimo de exaustão.

CLT precisa voltar a ser promessa

Há, portanto, batalha cultural a ser travada, mas essa não será vencida apenas pela comunicação. É preciso mostrar o valor do FGTS, das férias, do 13º, da Previdência, do seguro-desemprego e da proteção contra acidentes. Mas é igualmente necessário garantir que o emprego protegido ofereça salário digno, carreira, formação, respeito e tempo para viver.

A juventude precisa olhar para a carteira assinada e enxergar o futuro. Isso exige também falar a linguagem dessa. Direitos precisam estar nas redes, nos vídeos curtos, nas escolas, nos cursos profissionalizantes e nos locais onde os jovens efetivamente constroem visão de mundo.

Mas comunicação sem realidade vira propaganda. O jovem não será convencido a prestigiar a CLT se a experiência concreta do trabalho formal continuar sendo marcada por salário baixo, assédio, jornada excessiva e ausência de perspectiva.

Não é volta ao passado

Valorizar a CLT não significa congelá-la em 1943. A legislação trabalhista já passou por inúmeras alterações e continuará precisando ser atualizada. Atualizada, não desconfigurada, como fez a Reforma Trabalhista, de 2017.

O que não se pode aceitar é a ideia de que toda modernização precisa retirar proteção.

A verdadeira modernização é outra: incorporar tecnologia sem abandonar direitos; introduzir flexibilidade sem transferir todos os riscos ao trabalhador; reduzir jornadas sem reduzir salários; estimular empreendedorismo sem transformar necessidade em virtude; e ampliar a autonomia sem deixar o indivíduo sozinho diante do poder econômico.

O desafio é construir novo pacto trabalhista para a nova geração. Pacto em que o jovem possa ser empreendedor se quiser, autônomo se preferir e trabalhador assalariado sem que nenhuma dessas escolhas implique abrir mão de dignidade e proteção.

Disputa é pelo futuro

O artigo “Quando a precarização é vendida como liberdade” procurou demonstrar como a ideologia pode transformar a retirada de direitos em suposta emancipação. O passo seguinte é reconhecer que a defesa da CLT também precisa escapar da nostalgia.

Não se trata de dizer ao jovem: “você precisa gostar da CLT porque seus pais gostavam”. Tra

ta-se de fazer com que ele possa dizer: “a carteira assinada melhora minha vida”. Esta é a disputa de fundo.

Se o emprego formal oferecer apenas direitos que serão usufruídos no futuro, enquanto a informalidade oferece dinheiro para pagar a conta hoje, a escolha será previsível.

Mas se a CLT significar salário melhor, jornada menor, respeito, formação, carreira, proteção e possibilidade de conciliar trabalho, estudo, família e lazer, o documento voltará a ser vista pelo que historicamente foi: não como prisão, mas como conquista de liberdade.

A juventude pobre não precisa ser convencida de que merece menos. Precisa ter a oportunidade de experimentar, na prática, que ter direitos pode ser uma das formas mais concretas de ser livre.

Exemplo histórico: quando o nordestino pobre migrava para o Sudeste, sobretudo para São Paulo, recebia 2 documentos que simbolizavam cidadania: a Carteira de Trabalho e o Título de Eleitor. O primeiro o protegia do trabalho escravo ou semiescravo; o segundo lhe assegurava a liberdade de escolher quem melhor o representasse. Antes da Revolução de 1930, no Nordeste, o voto era marcado pelo chamado “voto de cabresto”.

Marcos Verlaine. Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP.