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quarta-feira, 11 de março de 2026

TST fará audiência pública sobre aumento de jornada em atividades insalubres nesta quinta (12)

 

O Tribunal Superior do Trabalho realizará, na próxima quinta-feira (12), a partir das 9h, uma audiência pública para discutir a validade de norma coletiva que autoriza regime de trabalho que estende a jornada em ambiente insalubre, independentemente da licença prévia da autoridade competente. O tema é tratado num recurso submetido à sistemática dos recursos repetitivos (Tema 149) para a formação de precedentes vinculantes.


A audiência será transmitida pelo canal do TST no YouTube.


O caso está sob a relatoria do ministro Douglas Alencar Rodrigues, que convocou a audiência a fim de ouvir depoimentos de pessoas com experiência e conhecimento na matéria. Participarão da audiência, na condição de expositores, representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação Nacional da Saúde (CNS), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado do Rio Grande do Sul, da Associação Brasileira de Agroindústria Exportadora de Carnes (Abiec), da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), do Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa), das Federações da Indústria do Rio de Janeiro (Firjan) e do Rio Grande do Sul (Fiergs) e do Grupo Hospitalar Conceição S.A.


Cada expositor terá 10 minutos para sua apresentação, e, ao final, será facultada a palavra ao Ministério Público do Trabalho (MPT), pelo mesmo tempo.

 

Fonte: TST - Do Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br

terça-feira, 10 de março de 2026

Comissão debate com ministro Luiz Marinho fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados promove audiência pública nesta terça-feira (10), com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que trata do fim da escala 6x1 e da redução da jornada de trabalho.


O debate será realizado às 14 horas, no plenário 1.


A audiência atende a pedido do deputado Paulo Azi (União-BA), relator da PEC na CCJ. Segundo o deputado, a participação do ministério é importante para apresentar diagnósticos sobre formalidade no emprego, políticas de proteção ao trabalhador e os possíveis efeitos da redução da jornada no mercado de trabalho.


“A pauta da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 constituem temas históricos e de grande relevância para a população, refletindo as transformações observadas no ambiente laboral”, afirma.


O parlamentar destaca ainda que a discussão envolve diferentes aspectos, como a sobrecarga de trabalho enfrentada por muitos trabalhadores e o aumento de doenças psicossociais associadas a jornadas prolongadas.


Por outro lado, segundo ele, também é necessário avaliar os impactos econômicos da redução da jornada, como possíveis aumentos de custos para as empresas e efeitos sobre a informalidade no mercado de trabalho.

 

Fonte: Agência Câmara - https://cnti.org.br

segunda-feira, 9 de março de 2026

Manobra na Câmara de Deputados ameaça direitos

 

Contra a redução da jornada de trabalho, a bancada bolsonarista liderada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) apresentou o Requerimento 477/2026, visando apensar a PEC 40/2025 à PEC 221/2019, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.

A proposta defendida pela bancada da direita altera o Artigo 7º da Constituição pra permitir a flexibilização da jornada de trabalho, com possibilidade de redução proporcional de salário e direitos.

A PEC estabelece que o trabalhador poderá optar entre o regime da CLT ou um modelo flexível por horas trabalhadas. Também prevê que o contrato individual prevaleça sobre Acordos e Convenções Coletivas.

Consequências – Caso o pedido de apensação seja deferido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a tramitação conjunta das propostas pode ampliar o alcance das mudanças. Na prática, o deferimento do apensamento abre espaço para que os relatores – especialmente no âmbito de uma eventual comissão especial – apresentem substitutivos ou incluam piorem o texto.

Isso pode ampliar a possibilidade para alterações, podendo desconfigurar a proposta apresentada pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), resultando em regras prejudiciais aos trabalhadores.

Redução – Conforme o texto defendido pela ala bolsonarista, caso o empregado tenha sua jornada reduzida, o salário e os direitos trabalhistas – férias, 13º salário, FGTS e demais – serão calculados proporcionalmente às horas efetivamente trabalhadas.
A proposta autoriza jornada flexível mediante contrato individual, respeitando o limite máximo de 44 horas semanais.

O que o movimento sindical deve fazer?
A Agência Sindical ouviu Marcos Verlaine, consultor do Diap. Segundo ele, “é habitual se pedir a anexação pra que tudo seja discutido junto”. Quanto ao conteúdo e efeitos, ele alerta: “Querem andar na contramão, precarizando o contrato de trabalho, como, por exemplo, pagar por hora ou apenas pelo tempo trabalhado, igual ao que ocorre em alguns países. Acontece que, se a pessoa trabalhar menos horas, por imposição da empresa, ela receberá salário menor”. O argumento de modernizar as relações de trabalho é ilusório.

O presidente da Câmara, Hugo Mota (Republicanos-PB), já traçou o cronograma, a fim de votar em maio a PEC original. A manobra bolsonarista de realizar audiências, inclusive nos Estados, visa retardar a votação da PEC 221, que nos interessa porque propõe chegarmos em 10 anos à jornada de 36 horas semanais.

Direita – A proposta retrógrada reúne forte apoio de deputados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente do PL.

Lista completa dos que assinam a PEC 40:
Mauricio Marcon (Pode/RS), Zé Trovão (PL/SC), Zé Vitor (PL/MG), Sargento Fahur (PSD/PR), Julia Zanatta (PL/SC), Marco Feliciano (PL/SP), Covatti Filho (PP/RS), Capitão Alden (PL/BA), Delegado Caveira (PL/PA), Gilson Marques (Novo/SC), Carla Zambelli (PL/SP), Evair Vieira de Melo (PP/ES), Luiz Lima (Novo/RJ), Marcelo Moraes (PL/RS), Mario Frias (PL/SP), Cabo Gilberto Silva (PL/PB), Coronel Ulysses (União/AC), Roberta Roma (PL/BA), Delegado Bilynskyj (PL/SP), Gustavo Gayer (PL/GO), Nikolas Ferreira (PL/MG), Coronel Meira (PL/PE), Marcos Pollon (PL/MS), Rodrigo Valadares (União/SE), Gilson Daniel (Pode/ES), Carlos Jordy (PL/RJ), Coronel Assis (União/MT), Vermelho (PP/PR), Rosangela Moro (União/SP), Coronel Fernanda (PL/MT), Ricardo Salles (Novo/SP), Kim Kataguiri (União/SP), General Girão (PL/RN), Pedro Lupion (PP/PR), Marcel van Hattem (Novo/RS), Messias Donato (Republic/ES), Pezenti (MDB/SC), Giovani Cherini (PL/RS), Sargento Gonçalves (PL/RN), Fernando Rodolfo (PL/PE), Adriana Ventura (Novo/SP), Ramagem (PL/RJ), Zucco (PL/RS), Bia Kicis (PL/DF), Sanderson (PL/RS), Lincoln Portela (PL/MG), Delegado Éder Mauro (PL/PA), Allan Garcês (PP/MA), Nelson Barbudo (PL/MT), Gen. Pazuello (PL/RJ), Cel. Chrisóstomo (PL/RO), Daniela Reinehr (PL/SC), Philippe de Orleans e Bragança (PL/SP), Clarissa Tércio (PP/PE), Vicentinho Júnior (PP/TO), Chris Tonietto (PL/RJ), Alfredo Gaspar (União/AL), Rodolfo Nogueira (PL/MS), Caroline de Toni (PL/SC), José Medeiros (PL/MT), Eli Borges (PL/TO), Daniel Freitas (PL/SC), Filipe Martins (PL/TO), Gilvan da Federal (PL/ES), Dr. Fernando Máximo (União/RO), Franciane Bayer (Republic/RS), Osmar Terra (PL/RS), Helio Lopes (PL/RJ), Adilson Barroso (PL/SP), Mauricio do Vôlei (PL/MG), Jefferson Campos (PL/SP), Silvia Cristina (PP/RO), David Soares (União/SP), Thiago Flores (REPUBLIC/RO), Delegado Palumbo (MDB/SP), Romero Rodrigues (Pode/PB), Luisa Canziani (PSD/PR), Ismael (PSD/SC), Fabio Schiochet (União/SC), Cobalchini (MDB/SC), Greyce Elias (Avante/MG), Alex Manente (Cidadania/SP), Eros Biondini (PL/MG), Domingos Sávio (PL/MG), Icaro de Valmir (PL/SE), Stefano Aguiar (PSD/MG), Pastor Diniz (União/RR), Delegado Marcelo Freitas (União/MG), Any Ortiz (Cidadania/RS), Juninho do Pneu (União/RJ), Nicoletti (UNIÃO/RR), Lomanto Júnior (União/BA), Sóstenes Cavalcante (PL/RJ), Reinhold Stephanes (PSD/PR), Junio Amaral (PL/MG), Lucas Redecker (PSDB/RS), Luiz Gastão (PSD/CE), Marcio Alvino (PL/SP), Alberto Fraga (PL/DF), Filipe Barros (PL/PR), Alceu Moreira (MDB/RS), Sargento Portugal (Pode/RJ), Joaquim Passarinho (PL/PA), Otoni de Paula (MDB/RJ), Dr. Jaziel (PL/CE), Dr. Zacharias Calil (União/GO), Silvye Alves (UNIÃO/GO), Bibo Nunes (PL/RS), Paulo Freire Costa (PL/SP), Rodrigo Gambale (Pode/SP), Pedro Aihara (PRD/MG), Alexandre Guimarães (MDB/TO), Capitão Alberto (PL/AM), Luis C. Gomes (Republic/RJ), Prof. Alcides (PL/GO), Jorge Goetten (Republic/SC), Renata Abreu (Pode/SP), Lucio Mosquini (MDB/RO), Pedro Westphalen (PP/RS), Nely Aquino (Pode/MG), Daniel Trzeciak (PSDB/RS), Delegado Bruno Lima (PP/SP), Toninho Wandscheer (PP/PR), Padovani (União/PR), Dr. Luiz Ovando (PP/MS), Gutemberg Reis (MDB/RJ), Lafayette de Andrada (Republic/MG), Julio Lopes (PP/RJ), Maurício Carvalho (União/RO), Waldemar Oliveira (Avante/PE), Sergio Souza (MDB/PR), Thiago de Joaldo (PP/SE), Mendonça Filho (União/PE), Amaro Neto (Republic/ES), Luiz C. Busato (UNIÃO/RS), Beto Pereira (PSDB/MS), André Fernandes (PL/CE), Duda Ramos (MDB/RR), Mersinho Lucena (PP/PB), Marcelo Crivella (Republic/RJ), Magda Mofatto (PRD/GO), Diego Garcia (Republic/PR), Vitor Lippi (PSDB/SP), Zezinho Barbary (PP/AC), Dagoberto Nogueira (PSDB/MS), Zé Adriano (PP/AC), Fausto Pinato (PP/SP), João Carlos Bacelar (PL/BA), Saulo Pedroso (PSD/SP), Aluísio Mendes (Republic/MA), Claudio Cajado (PP/BA), Cristiane Lopes (União/RO), Fred Linhares (Republic/DF), Josivaldo Jp (PSD/MA), Marcelo Antônio (PL/MG), Rodrigo da Zaeli (PL/MT), Hildo Rocha (MDB/MA), Daniel Agrobom (PL/GO), Roberto Monteiro (PL/RJ), Rogéria Santos (Republic/BA), Paula Leão (PP/MG), Ricardo Guidi (PL/SC), Célio Silveira (MDB/GO), Rafael Prudente (MDB/DF), Tião Medeiros (PP/PR), Danilo Forte (União/CE), Sidney Leite (PSD/AM), Luiz Fernando Vampiro (MDB/SC), Lula da Fonte (PP/PE), Delegado Fabio Costa (PP/AL) e Afonso Hamm (PP/RS).
MAIS – Site do Diap – www.diap.org.br

FONTE: Agência Sindical

II Conferência Nacional valoriza diálogo e renda

 

Terminou em São Paulo, dia 5, a II Conferência Nacional do Trabalho (CNT). O evento nacional foi precedido das 27 etapas estaduais e distritais de trabalhadores e empregadores, constituindo-se num mutirão democrático de diálogo social que mobilizou mais de três mil representantes de entidades de classe. O evento é coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Renda – Diz o Documento Final: “Atualizar o paradigma das relações de trabalho é fundamental para nos alinharmos aos países desenvolvidos, alcançar maiores patamares de produtividade e ser competitivos na escala global. Sem avançar nesse campo, será difícil consolidar o País entre as maiores economias do planeta, garantindo trabalho e renda adequada à população brasileira”.

Os acordos e temas tratados na II CNT podem orientar a atuação do Ministério e gerar consequências na sua organização e funcionamento, na interface com outras estruturas do Governo Federal, dos Estados e Municípios, aprofundando o diálogo com entidades de trabalhadores e empregadores. Trata-se de uma agenda de inovação e modernização que envolve os serviços disponibilizados pelo MTE à população, as políticas públicas de emprego, trabalho e renda e o sistema de relações trabalhistas e negociação coletiva.

Planejada como um exercício de diálogo social, a II CNT aponta caminhos a serem trilhados também por outras esferas da vida política nacional. Todos saímos vencedores!

DOCUMENTO – Clique aqui e leia na íntegra.

 

FONTE: Agência Sindical

II Conferência Nacional do Trabalho termina com aprovação de propostas para o mercado de trabalho


Encontro promovido pelo MTE reuniu trabalhadores, empregadores e governo e consolidou 17 propostas construídas a partir do diálogo social.


A II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT) encerrou-se na quinta-feira (5), no Distrito do Anhembi, em São Paulo, com a votação das propostas consolidadas pelos mais de 3 mil delegados de todo o país. Ao longo do encontro, foram analisadas 370 propostas oriundas das etapas estaduais realizadas entre setembro e dezembro de 2025 em todos os estados brasileiros.


Promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a conferência reuniu representantes de trabalhadores, empregadores e governo para debater os desafios e as transformações do mundo do trabalho. A OIT acompanhou todas as discussões, junto com observadores de outros países.


A abertura do evento, realizada no dia 3 de março, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que destacou a importância do diálogo tripartite na formulação de políticas públicas para o mundo do trabalho. “O Brasil não entrará no rol dos países desenvolvidos se o trabalhador não entrar junto. Quanto mais o trabalhador ganhar, mais o patrão ganhará”, afirmou, ao ressaltar a relevância dos debates promovidos durante a Conferência.


O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, acompanhou toda a programação da Conferência e participou da votação simbólica final no encerramento da II CNT, ao lado do diretor da OIT no Brasil, Vinícius Pinheiro. Durante o evento, o ministro acompanhou os debates das propostas conduzidos por representantes de trabalhadores e empregadores.


Luiz Marinho destacou que as propostas da Conferência foram construídas a partir do diálogo tripartite, com o objetivo de alcançar consensos sobre as mudanças necessárias no mundo do trabalho. “É um momento rico, um ponto de partida para aperfeiçoarmos o diálogo. Não há ferramenta mais poderosa do que o diálogo”, afirmou.


Segundo o ministro, a II CNT também representa uma experiência que pode servir de referência para outros países. “O governo está sempre aberto ao diálogo, acompanhando as transformações do mercado de trabalho”, disse, ao agradecer a todos os participantes que contribuíram para fortalecer o processo coletivo de representação.


Confira a Declaração Final da II Conferência Nacional do Trabalho 

 

Fonte: MTE - Do Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br

quinta-feira, 5 de março de 2026

“Modernizar” para não reduzir esta é retórica empresarial contra a nova jornada


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Manifesto liderado pela CNI evita dizer “não” à redução, mas repete argumentos históricos usados contra direitos que o tempo consolidou

O eufemismo como estratégia retórica é o faz a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e mais de 100 entidades do setor produtivo, que divulgaram manifesto defendendo a “modernização da jornada de trabalho”.

O texto apresenta 4 princípios para o debate: preservação do emprego formal, foco na produtividade, diferenciação por setor e aprofundamento técnico.

À primeira vista, trata-se de contribuição qualificada ao debate. Na prática, o documento evita afirmar explicitamente que é contrário à redução da jornada semanal e ao fim da escala 6x1. Mas estrutura os argumentos justamente para inviabilizá-los.

A escolha da palavra “modernização” cumpre função retórica. Substitui a negativa frontal por vocabulário tecnocrático que desloca o debate para critérios condicionantes que, no limite, postergam indefinidamente qualquer mudança estrutural.

Repetição de padrão histórico

Não é a primeira vez que o setor empresarial reage dessa forma. Argumentos semelhantes foram mobilizados contra o aumento real do salário mínimo, contra a redução da jornada de 48 para 44 horas na Constituição de 1988 e contra a ampliação de direitos trabalhistas ao longo das décadas.

Em todos esses episódios, a previsão era a mesma: desemprego, perda de competitividade, colapso produtivo. Nenhum desses cenários se confirmou nos termos anunciados.

Ao contrário, a ampliação do mercado interno e o aumento da renda contribuíram para ciclos de crescimento. O atual manifesto repete o roteiro. Ao invocar “preservação do emprego formal”, sugere que a redução da jornada geraria demissões.

Ainda que estudos apontem potencial de redistribuição do trabalho e criação de postos. Ao enfatizar “produtividade”, desloca a responsabilidade para o trabalhador, quando a própria organização do trabalho e o investimento empresarial são determinantes centrais desse indicador.

Diferenciação ou fragmentação

Outro ponto defendido é a diferenciação por setor. Embora tecnicamente plausível, o argumento pode funcionar como mecanismo de fragmentação da pauta, dificultando regra geral e mantendo o status quo em segmentos de maior resistência patronal.

A defesa de “discussão técnica aprofundada” também soa razoável. Contudo, o debate sobre jornada não é novo nem desprovido de estudos. Ao contrário, acumula décadas de evidências nacionais e internacionais.

A exigência permanente de novos diagnósticos pode operar como tática dilatória.

Modernizar para quem?

O centro da questão permanece: a jornada atual de 44 horas semanais e a escala 6x1 refletem modelo produtivo que impõe longos períodos de trabalho com pouco tempo de descanso.

A proposta de redução não é apenas reivindicação sindical, mas resposta às transformações tecnológicas, novas formas de organização do trabalho e demandas sociais por qualidade de vida.

Ao evitar dizer que é contra a mudança, a CNI procura ocupar o terreno da racionalidade técnica. Mas o conteúdo do manifesto revela resistência estrutural à redistribuição do tempo de trabalho.

Historicamente, posições empresariais classificadas como “prudentes” mostraram-se, depois, atrasadas diante da realidade social e econômica. A modernização invocada agora pode, no futuro, ser lembrada como mais um capítulo de oposição a direitos que acabaram se consolidando.

O debate sobre jornada é, no fundo, disputa sobre como distribuir ganhos de produtividade e tempo social. E nisso, o silêncio estratégico pode dizer mais do que negativa explícita.

FONTE: DIAP

https://www.diap.org.br/index.php/noticias/noticias/92768-modernizar-para-nao-reduzir-esta-e-retorica-empresarial-contra-a-nova-jornada

 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Bolsonaristas defendem reduzir salário e direitos dos trabalhadores

 Contra a redução da jornada de trabalho a bancada bolsonarista liderada pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) apresentou o Requerimento nº 477/2026, solicitando a apensação da PEC 40/2025 à PEC 221/2019, atualmente em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara.

A proposta defendida pela bancada Bolsonarista altera o artigo 7º da Constituição Federal para permitir a flexibilização da jornada de trabalho, com possibilidade de redução proporcional de salário e direitos.

A PEC estabelece que o trabalhador poderá optar entre o regime tradicional previsto na CLT ou um modelo flexível por horas trabalhadas. Também prevê que o contrato individual possa prevalecer sobre acordos e convenções coletivas.

Apensação pode ampliar alcance do texto

Caso o pedido de apensação seja deferido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a tramitação conjunta das propostas pode ampliar o alcance das mudanças.

Na prática, o deferimento do apensamento abre espaço para que os relatores — especialmente no âmbito de uma eventual comissão especial — apresentem substitutivos ou incluam novos dispositivos no texto.

Isso pode ampliar a possibilidade para alterações com destaques algo que pode desconfigurar a proposta apresentada pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG) e resultar em regras prejudiciais aos trabalhadores.

Redução proporcional de salário e direitos

Pelo texto defendido pela ala Bolsonarista, caso o empregado reduza sua jornada, o salário e os direitos trabalhistas — como férias, 13º salário, FGTS e demais benefícios — serão calculados proporcionalmente às horas efetivamente trabalhadas.

Além disso, a proposta autoriza jornada flexível mediante contrato individual, respeitando o limite máximo de 44 horas semanais.

Apoio de parlamentares alinhados a Jair Bolsonaro

A proposta reúne forte apoio de deputados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente do PL e partidos de perfil conservador.

Lista completa dos parlamentares que assinaram a PEC 40

Mauricio Marcon (PODE/RS)

Zé Trovão (PL/SC)

Zé Vitor (PL/MG)

Sargento Fahur (PSD/PR)

Julia Zanatta (PL/SC)

Pr. Marco Feliciano (PL/SP)

Covatti Filho (PP/RS)

Capitão Alden (PL/BA)

Delegado Caveira (PL/PA)

Gilson Marques (NOVO/SC)

Carla Zambelli (PL/SP)

Evair Vieira de Melo (PP/ES)

Luiz Lima (NOVO/RJ)

Marcelo Moraes (PL/RS)

Mario Frias (PL/SP)

Cabo Gilberto Silva (PL/PB)

Coronel Ulysses (UNIÃO/AC)

Roberta Roma (PL/BA)

Delegado Paulo Bilynskyj (PL/SP)

Gustavo Gayer (PL/GO)

Nikolas Ferreira (PL/MG)

Coronel Meira (PL/PE)

Marcos Pollon (PL/MS)

Rodrigo Valadares (UNIÃO/SE)

Gilson Daniel (PODE/ES)

Carlos Jordy (PL/RJ)

Coronel Assis (UNIÃO/MT)

Vermelho (PP/PR)

Rosangela Moro (UNIÃO/SP)

Coronel Fernanda (PL/MT)

Ricardo Salles (NOVO/SP)

Kim Kataguiri (UNIÃO/SP)

General Girão (PL/RN)

Pedro Lupion (PP/PR)

Marcel van Hattem (NOVO/RS)

Messias Donato (REPUBLIC/ES)

Pezenti (MDB/SC)

Giovani Cherini (PL/RS)

Sargento Gonçalves (PL/RN)

Fernando Rodolfo (PL/PE)

Adriana Ventura (NOVO/SP)

Delegado Ramagem (PL/RJ)

Zucco (PL/RS)

Bia Kicis (PL/DF)

Sanderson (PL/RS)

Lincoln Portela (PL/MG)

Delegado Éder Mauro (PL/PA)

Allan Garcês (PP/MA)

Nelson Barbudo (PL/MT)

General Pazuello (PL/RJ)

Coronel Chrisóstomo (PL/RO)

Daniela Reinehr (PL/SC)

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL/SP)

Clarissa Tércio (PP/PE)

Vicentinho Júnior (PP/TO)

Chris Tonietto (PL/RJ)

Alfredo Gaspar (UNIÃO/AL)

Rodolfo Nogueira (PL/MS)

Caroline de Toni (PL/SC)

José Medeiros (PL/MT)

Eli Borges (PL/TO)

Daniel Freitas (PL/SC)

Filipe Martins (PL/TO)

Gilvan da Federal (PL/ES)

Dr. Fernando Máximo (UNIÃO/RO)

Franciane Bayer (REPUBLIC/RS)

Osmar Terra (PL/RS)

Helio Lopes (PL/RJ)

Adilson Barroso (PL/SP)

Mauricio do Vôlei (PL/MG)

Jefferson Campos (PL/SP)

Silvia Cristina (PP/RO)

David Soares (UNIÃO/SP)

Thiago Flores (REPUBLIC/RO)

Delegado Palumbo (MDB/SP)

Romero Rodrigues (PODE/PB)

Luisa Canziani (PSD/PR)

Ismael (PSD/SC)

Fabio Schiochet (UNIÃO/SC)

Cobalchini (MDB/SC)

Greyce Elias (AVANTE/MG)

Alex Manente (CIDADANIA/SP)

Eros Biondini (PL/MG)

Domingos Sávio (PL/MG)

Icaro de Valmir (PL/SE)

Stefano Aguiar (PSD/MG)

Pastor Diniz (UNIÃO/RR)

Delegado Marcelo Freitas (UNIÃO/MG)

Any Ortiz (CIDADANIA/RS)

Juninho do Pneu (UNIÃO/RJ)

Nicoletti (UNIÃO/RR)

Leur Lomanto Júnior (UNIÃO/BA)

Sóstenes Cavalcante (PL/RJ)

Reinhold Stephanes (PSD/PR)

Junio Amaral (PL/MG)

Lucas Redecker (PSDB/RS)

Luiz Gastão (PSD/CE)

Marcio Alvino (PL/SP)

Alberto Fraga (PL/DF)

Filipe Barros (PL/PR)

Alceu Moreira (MDB/RS)

Sargento Portugal (PODE/RJ)

Joaquim Passarinho (PL/PA)

Otoni de Paula (MDB/RJ)

Dr. Jaziel (PL/CE)

Dr. Zacharias Calil (UNIÃO/GO)

Silvye Alves (UNIÃO/GO)

Bibo Nunes (PL/RS)

Paulo Freire Costa (PL/SP)

Rodrigo Gambale (PODE/SP)

Pedro Aihara (PRD/MG)

Alexandre Guimarães (MDB/TO)

Capitão Alberto Neto (PL/AM)

Luis Carlos Gomes (REPUBLIC/RJ)

Professor Alcides (PL/GO)

Jorge Goetten (REPUBLIC/SC)

Renata Abreu (PODE/SP)

Lucio Mosquini (MDB/RO)

Pedro Westphalen (PP/RS)

Nely Aquino (PODE/MG)

Daniel Trzeciak (PSDB/RS)

Delegado Bruno Lima (PP/SP)

Toninho Wandscheer (PP/PR)

Padovani (UNIÃO/PR)

Dr. Luiz Ovando (PP/MS)

Gutemberg Reis (MDB/RJ)

Lafayette de Andrada (REPUBLIC/MG)

Julio Lopes (PP/RJ)

Maurício Carvalho (UNIÃO/RO)

Waldemar Oliveira (AVANTE/PE)

Sergio Souza (MDB/PR)

Thiago de Joaldo (PP/SE)

Mendonça Filho (UNIÃO/PE)

Amaro Neto (REPUBLIC/ES)

Luiz Carlos Busato (UNIÃO/RS)

Beto Pereira (PSDB/MS)

André Fernandes (PL/CE)

Duda Ramos (MDB/RR)

Mersinho Lucena (PP/PB)

Marcelo Crivella (REPUBLIC/RJ)

Magda Mofatto (PRD/GO)

Diego Garcia (REPUBLIC/PR)

Vitor Lippi (PSDB/SP)

Zezinho Barbary (PP/AC)

Dagoberto Nogueira (PSDB/MS)

Zé Adriano (PP/AC)

Fausto Pinato (PP/SP)

João Carlos Bacelar (PL/BA)

Saulo Pedroso (PSD/SP)

Aluisio Mendes (REPUBLIC/MA)

Claudio Cajado (PP/BA)

Cristiane Lopes (UNIÃO/RO)

Fred Linhares (REPUBLIC/DF)

Josivaldo Jp (PSD/MA)

Marcelo Álvaro Antônio (PL/MG)

Rodrigo da Zaeli (PL/MT)

Hildo Rocha (MDB/MA)

Daniel Agrobom (PL/GO)

Roberto Monteiro Pai (PL/RJ)

Rogéria Santos (REPUBLIC/BA)

Ana Paula Leão (PP/MG)

Ricardo Guidi (PL/SC)

Célio Silveira (MDB/GO)

Rafael Prudente (MDB/DF)

Tião Medeiros (PP/PR)

Danilo Forte (UNIÃO/CE)

Sidney Leite (PSD/AM)

Luiz Fernando Vampiro (MDB/SC)

Lula da Fonte (PP/PE)

Delegado Fabio Costa (PP/AL)

Afonso Hamm (PP/RS)

 

FONTE: DIAP

https://www.diap.org.br/index.php/noticias/noticias/92764-bolsonaristas-defendem-reduzir-salario-e-direitos-dos-trabalhadores