Dieese alerta para a PEC da Maldade
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026, apresentada no Senado Federal, acende um alerta entre entidades sindicais e especialistas em relações de trabalho. Segundo análise do Dieese, a medida pode ampliar a lógica do contrato intermitente, conhecido como “contrato de zero hora”, criando um modelo em que a jornada e a remuneração ficam condicionadas à demanda das empresas.
A proposta surge após a aprovação, na Câmara, da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial e da ampliação do descanso semanal. Para o Dieese, enquanto uma iniciativa busca garantir mais tempo livre e proteção aos trabalhadores, a PEC 12/2026 segue caminho contrário ao flexibilizar jornada, salários e regras de contratação.
Pela proposta, o trabalhador poderia ser contratado com pagamento baseado apenas nas horas efetivamente trabalhadas. Na prática, a empresa deixaria de estabelecer uma jornada fixa, podendo convocar o empregado conforme suas necessidades. O estudo aponta que esse modelo transfere para o trabalhador os riscos das oscilações da atividade econômica, aumentando a insegurança sobre renda e estabilidade profissional.
O Dieese destaca que a chamada “liberdade” de escolha da jornada pode
representar, na realidade, maior poder para as empresas definirem quando
e quanto o trabalhador irá trabalhar. A entidade argumenta que, diante
da desigualdade existente entre patrões e empregados, a negociação
individual pode enfraquecer a proteção garantida pelos acordos e
convenções coletivas.
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de redução da renda mensal. Apesar de a PEC prever o pagamento proporcional de direitos como férias, 13º salário e FGTS, o estudo aponta que a ausência de uma jornada mínima contratada pode fazer com que trabalhadores recebam valores inferiores ao salário mínimo ao final do mês.
A análise também compara a proposta com a redução da jornada aprovada na
Câmara. Segundo o Dieese, a PEC 221/2019 busca reduzir o tempo de
trabalho para 40 horas semanais, sem diminuir salários, enquanto a PEC
12/2026 mantém a lógica da remuneração variável e do trabalho sob
demanda.
Experiências anteriores com o contrato intermitente, criado pela reforma trabalhista de 2017, reforçam as críticas. Dados apresentados pelo Dieese mostram que, em 2025, havia 539,7 mil vínculos intermitentes no país, com remuneração média mensal de R$ 686,47. Mais da metade desses contratos não registrou atividade no período, resultando em remuneração igual a zero.
Para o Dieese, os números indicam que a flexibilização das relações de
trabalho não trouxe a redução esperada da informalidade nem garantiu
melhores condições aos trabalhadores. A entidade avalia que a PEC
12/2026 pode consolidar um modelo em que empresas ganham maior controle
sobre a jornada, enquanto trabalhadores ficam submetidos à instabilidade
de renda.
O debate agora deve avançar no Senado, onde representantes dos trabalhadores defendem que qualquer mudança nas regras de jornada preserve direitos históricos, fortaleça a negociação coletiva e garanta condições dignas de emprego.
MAIS – Site do Dieese
FONTE: Agência Sindical
https://agenciasindical.com.br/dieese-alerta-para-a-pec-da-maldade/




