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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

GOVERNO NEGOCIA COM SENADO DFESTRAVAR MPS ENTRE ELAS FIM DA ESCALA 6X1

 

 Brasília (DF), 24/02/2026 - Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

  Carlos Moura/Agência Senado

Nesta quarta-feira (12), o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, informou que uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre, no Palácio da Alvorada, contribuiu para destravar pautas em tramitação no Legislativo, incluindo a Medida Provisória (MP) apelidada de "taxa das blusinhas" e outras MPs.

 

"Foi reafirmada a importância do avanço das pautas prioritárias para o Governo, como a PEC do fim da escala 6x1, a MP que trata do fim da 'taxa das blusinhas', a PEC da Segurança Pública e o PL de Minerais Críticos", disse Guimarães, em postagem nas redes sociais.

FONTE: Agência Brasil

LER MAIS: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-08/congresso-adia-instalacao-de-comissao-sobre-mp-da-taxa-das-blusinhas 

Saiba quais setores são mais afetados pela escala 6x1, que aguarda votação no Senado

 

Proposta, que foi aprovada por ampla maioria na Câmara dos Deputados, é aceita por mais 70% dos trabalhadores. CUT e centrais pressionam Senado por votação


Escrito por: Redação CUT | Editado por: Walber Pinto

Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário, foram aprovados por ampla maioria na Câmara dos Deputados, mas seguem travados no Senado Federal. Enquanto a proposta aguarda votação, mais de 70% dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros defendem o fim do modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.

Para pressionar o Senado a avançar na discussão e colocar a proposta em pauta, a CUT e as demais centrais sindicais realizam, nesta semana, uma série de mobilizações em todo o país. A agenda busca ampliar a pressão sobre os senadores e cobrar a votação do fim da escala 6x1.

A proposta encaminhada pelo governo federal estabelece uma mudança no modelo atual de organização do trabalho e prevê a redução da jornada semanal para 40 horas, com o objetivo de ampliar o tempo de descanso e melhorar as condições de vida dos trabalhadores.

6x1 atinge milhões de trabalhadores do transporte, comércio e serviços

Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra a dimensão da escala 6x1 no mercado de trabalho brasileiro. Cerca de 14,8 milhões de trabalhadores, o equivalente a 33,2% dos ocupados no país, estão submetidos a esse modelo.

Entre as atividades com maior presença, a escala 6x1 tem maior incidência no transporte aéreo, onde alcança 53,2% dos trabalhadores, seguido pelos serviços de alojamento (52%), serviços de alimentação (47,1%) e comércio (42,2%), segundo levantamento do Dieese.

Os números mostram que trabalhadores de setores com funcionamento diário e horários estendidos estão entre os mais submetidos à jornada de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.

Empresários ligados principalmente aos setores de comércio e serviços estão entre os que mais resistem à mudança. Por outro lado, empresas que passaram a testar modelos alternativos de organização do trabalho, como a escala 5x2, relatam resultados positivos, incluindo melhora no engajamento dos funcionários.

Maioria trabalha mais de 40 horas por semana

A Constituição Federal estabelece atualmente uma jornada máxima de 44 horas semanais, que pode ser distribuída em diferentes escalas de trabalho. Na escala 6x1, são seis dias de trabalho para um dia de descanso.

Na prática, porém, uma parcela significativa da classe trabalhadora brasileira cumpre jornadas longas e desgastantes.

Segundo o Dieese, a maioria absoluta dos trabalhadores brasileiros trabalha entre 40 e 44 horas semanais. Além disso, cerca de 20 milhões de pessoas trabalham acima desse limite, com jornadas que chegam a 45, 48 horas ou mais por semana.

Os dados do Dieese apontam ainda que 64% dos trabalhadores formais têm jornada superior a 40 horas semanais. Entre os trabalhadores celetistas, aproximadamente 75% trabalham mais de 40 horas por semana.

Mais tempo para viver

A redução da jornada de trabalho não representa apenas uma mudança na organização das horas trabalhadas. Entre os principais argumentos em defesa da medida está a possibilidade de melhorar a qualidade de vida da população trabalhadora.

Com uma jornada menor e mais dias de descanso, os trabalhadores podem ter mais tempo para convivência familiar, estudo, lazer, descanso e cuidados com a saúde física e mental.

O tempo gasto no deslocamento também pesa na rotina. De acordo com o Dieese:

  • 71,2 milhões de trabalhadores precisam se deslocar para o trabalho;
  • 14,5 milhões levam entre 30 minutos e uma hora no trajeto;
  • 7,4 milhões gastam mais de uma hora para chegar ao trabalho;
  • 1,3 milhão passa mais de duas horas no deslocamento diário.

Na prática, milhões de brasileiros passam grande parte do dia envolvidos com o trabalho, somando as horas da jornada ao tempo necessário para chegar e voltar de seus locais de trabalho.

FONTE: CUT

https://www.cut.org.br/noticias/fim-da-escala-6x1-aguarda-votacao-no-senado-saiba-os-setores-que-ais-sofrem-com-95c8 

 

Economia

Procon Rio divulga cartilha com orientações sobre riscos das bets

Guia também tem informações para prevenir superendividamento
Agência Brasil
Publicado em 10/08/2026 - 18:21
Rio de Janeiro
Brasília (DF) 05/08/2026 -Idoso usando celular na Rodoviária do Plano Piloto de Brasília  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Versão em áudio

O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-RJ) lançou nesta segunda-feira (10), a cartilha Apostas Online: Bets e Jogos de Azar - Proteja Seu Dinheiro, Sua Saúde e Sua Família.

O guia reúne orientações para conscientizar a população sobre os riscos das apostas esportivas e dos jogos de azar online e oferece informações para prevenção do superendividamento. O material mostra ainda como identificar sinais de perda de controle e indica os canais de apoio disponíveis.

O material explica, de forma acessível, como funcionam as plataformas de apostas, esclarece a diferença entre entretenimento, investimento e jogo de azar, e alerta para mecanismos que estimulam o jogador a permanecer apostando.

A cartilha também desmistifica falsas promessas de lucro fácil e reforça que apostas não representam uma forma segura de obtenção de renda. 

A publicação ainda deixa claro que a participação de menores de 18 anos em apostas online é proibida por lei e orienta pais e responsáveis sobre sinais de alerta que podem indicar exposição precoce a esse tipo de conteúdo. 

Estratégia

A estratégia mais usada pelas empresas de apostas é distribuir prêmios em momentos totalmente aleatórios. Esse jato de dopamina faz o cérebro querer continuar jogando para ver quando virá o próximo acerto.

Outra armadilha é a do dinheiro já gasto: após perder muito. De acordo com a publicação, a pessoa sente que parar é aceitar a derrota. Ela continua jogando só porque "já investiu demais ali".

Reconhecer o erro e parar imediatamente é a única forma de evitar um prejuízo maior. Com o tempo, valores pequenos perdem a graça. O consumidor passa a apostar quantias cada vez maiores para sentir a mesma adrenalina de antes, atingindo o orçamento familiar.

De acordo com o Procon, a cartilha foi elaborada com base em evidências científicas e técnicas produzidas por pesquisadores de universidades, organismos internacionais e instituições públicas. O conteúdo reúne conhecimentos multidisciplinares atuais e traz informações baseadas na legislação brasileira.

FONTE: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/procon-rio-divulga-cartilha-com-orientacoes-sobre-riscos-das-bets 

CRE aprova marco da OIT sobre saúde e segurança no trabalho


A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) aprovou nesta terça-feira (11) o texto da Convenção 187 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o Marco Promocional para a Segurança e a Saúde no Trabalho (SST).


A Convenção 187 estabelece diretrizes para o aprimoramento contínuo da segurança e da saúde no trabalho, com o objetivo de melhorar as condições e os ambientes de trabalho e reduzir danos à saúde dos trabalhadores. Para isso, é prevista a criação, implementação e acompanhamento de uma política nacional, de um sistema nacional e de um programa nacional nessa área.


O PDL 720/2024 recebeu parecer favorável do senador Esperidião Amin (PP-SC) e agora será analisado pelo Plenário. Na avaliação do relator, a aprovação da convenção permitirá ao Brasil participar da cooperação internacional para aperfeiçoar as políticas de segurança e saúde no trabalho.


— O Brasil terá a oportunidade de aprimorar sua legislação trabalhista, perante um mundo do trabalho em constante transformação, servindo-se da troca de experiências e de boas práticas entre países — afirmou.


Cultura preventiva


A Convenção 187 estimula os países a desenvolver uma cultura preventiva em segurança e saúde no trabalho. O acordo define conceitos relacionados à política nacional, ao sistema nacional e ao programa nacional de segurança e saúde no trabalho, além de estabelecer parâmetros mínimos para a atuação dos países que aderirem ao texto.


O texto prevê que os países participantes aprimorem continuamente a segurança e a saúde no trabalho para prevenir lesões, doenças e mortes relacionadas ao trabalho. A implementação das medidas deve ocorrer em diálogo com organizações representativas de empregadores e trabalhadores.


A convenção também estabelece que o sistema nacional de segurança e saúde no trabalho deve ser mantido, desenvolvido progressivamente e revisado periodicamente. O programa nacional deverá colocar em prática esse sistema, com ampla divulgação e apoio das autoridades nacionais quando possível.

 

Fonte: Agência Senado - Do Blog de Notícias da C.N.T.I.   https://cnti.org.br

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Centrais sindicais realizam manifestação no Brás pela redução da jornada, fim da escala 6×1 e manutenção dos salários dos trabalhadores

 

 Centrais fazem manifestação no Brás pelo fim da escala 6x1

 Centrais Sindicais fazem panfletagem pelo fim da escala 6×1


Centrais sindicais realizaram nesta segunda-feira (10) uma ampla ação de panfletagem em frente à Estação Brás do Metrô, em São Paulo, mobilizando diversos trabalhadores locais.

Leia também:

Fim da Escala 6×1 e os desafios das mulheres no mercado de trabalho

Durante a atividade, dirigentes e militantes sindicais defenderam a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, sem qualquer redução dos salários.

A mobilização integra uma jornada nacional organizada pelas centrais sindicais, com manifestações e distribuição de materiais em diferentes regiões de todo o Brasil.

Agora, as entidades concentram esforços no Senado, onde buscam ampliar a pressão pela votação da proposta que reduz a jornada dos trabalhadores brasileiros sem perdas.

Com a campanha “#VotaSenado”, o movimento sindical busca sensibilizar parlamentares e ampliar o apoio popular à mudança, apresentada como avanço nas relações de trabalho brasileiras.

De acordo com as lideranças das centrais, a redução da jornada beneficia trabalhadores, empresas e o próprio país, ao favorecer melhores condições laborais, qualidade de vida e desenvolvimento econômico.

Adriano Lateri na Panfletagem das centrais sindicais pelo fim da escala 6x1

Adriano Lateri na Panfletagem das centrais sindicais pelo fim da escala 6×1

O vice-presidente da Força Sindical São Paulo, Adriano Lateri, ressalta que a mobilização de hoje mostra que os trabalhadores querem uma mudança concreta na organização do trabalho. A redução da jornada e o fim da escala 6×1 representam mais qualidade de vida, mais tempo para a família, saúde e dignidade.

“Estamos nas ruas para dialogar com a população e mostrar aos senadores que existe uma ampla reivindicação social pela aprovação dessa proposta, sem qualquer redução salarial. Agora precisamos ampliar a pressão sobre o Senado e transformar essa mobilização nacional em uma conquista histórica para a classe trabalhadora”.

Momento decisivo

Josimar Andrade na Panfletagem das centrais sindicais pelo fim da escala 6x1

Josimar Andrade na Panfletagem das centrais sindicais pelo fim da escala 6×1

Já Josimar Andrade, Diretor de Relações Sindicais do Sindicato dos Comerciários de SP e Coordenador UGT-SP da capital, destacou que o momento é decisivo para avançar na redução da jornada.

Segundo o sindicalista, a mudança deve ocorrer sem redução salarial, garantindo também o fim da escala 6×1 e a adoção de jornadas mais equilibradas aos trabalhadores.

O país já demonstra condições para avançar rumo à escala 5×2, proporcionando mais descanso e qualidade de vida aos trabalhadores”, afirmou Josimar.

Como exemplo, o dirigente citou supermercados e lojas que já adotam a escala 5×2, demonstrando, na prática, a viabilidade dessa mudança nas relações de trabalho.

“Entramos no momento de intensificar as mobilizações nas ruas e nos locais de trabalho!”, concluiu o dirigente, convocando os trabalhadores para fortalecer a pressão popular.

O presidente da CTB-SP, René Vicente, destacou a importância da atuação conjunta das centrais sindicais para mobilizar os trabalhadores e ampliar a pressão sobre o Senado.

“A unidade das centrais sindicais é imprescindível para movimentar a classe trabalhadora e pressionar o Senado Federal para pautar a PEC que trata da luta histórica pela redução da jornada de trabalho, sem redução salarial, e pelo fim da escala 6×1. Essa mudança busca garantir mais tempo de vida para além do trabalho. Queremos tempo para viver mais, cuidar da saúde, investir em formação, ter lazer e também desfrutar do ócio criativo”, afirmou René Vicente.

Por isso, a manifestação no Brás levou a reivindicação diretamente aos trabalhadores que circulavam pela região, reforçando a importância da participação popular nesta mobilização nacional.

Por fim, as centrais pretendem manter mobilização para pressionar o Senado e transformar a redução da jornada e o fim da escala 6×1 em vitória.

FONTE: Rádio Peão Brasil

https://radiopeaobrasil.com.br/centrais-sindicais-fazem-panfletagem-pelo-fim-da-escala-6x1/ 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

SOBRE O PREJUÍZO QUE LEVA O POVO BRASILEIRO COM AS PRIVATIZAÇÕES

 

O que divulga Josinaldo José de Barros (Cabeça), presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região é  correto.

Em todo o nosso país, diversas atividades estão caóticas graças as privatizações que vem sendo realizadas por políticos brasileiros.

Segue abaixo o pensamento publicado na página da Agência Sindical

 Privatizar melhora? – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

A experiência ensina que a melhor economia é aquela que combina Estado e mercado. Ou seja, nem tudo é estatal e nem tudo fica nas mãos do setor privado.

Foi esse modelo que Getúlio Vargas começou a implantar com a Revolução de 30 e depois prosseguiu em seu segundo mandato, quando criou a Petrobras. Ele também criou o Banco do Brasil, a Eletrobras, o BNDEs e outras instituições de apoio ao Estado e fortalecimento da economia privada.

Esse modelo vigorou por muito tempo e fez o Brasil obter o maior crescimento econômico do mundo. Para que isso acontecesse, o País contou também com empresas estatais como a Vale do Rio Doce e a Embraer. Nosso agronegócio é hoje essa potência devido à capacidade técnica e científica da Embrapa, que é estatal.

Portanto, desconfie de político que queira levar 100% da economia pra debaixo das asas do Estado ou defenda a privatização de tudo. A virtude está no meio, ensina o velho ditado. E a voz do povo completa: nem oito, nem oitenta.

Por que digo isso? Porque o governador Tarcísio de Freitas tem sido irresponsável ao querer privatizar tudo e mostrado incompetência na gestão dos serviços privatizados. O acidente no trem na CPTM dia 23 não foi um fato isolado. As linhas privatizadas do Metrô vivem dando problemas ou gerando acidentes que travam todo o transporte na Grande São Paulo.

Nossa rotina diária muitas vezes nos impede de olhar ao redor e perceber a real dimensão da região ou da própria cidade. O transporte sobre trilhos na Grande São Paulo conduz diariamente seis milhões de pessoas. Só o Metrô, 2,4 milhões. Dessa massa, a imensa maioria é de trabalhadores.

Os acidentes em trens e metrôs produzem transtornos gigantescos. Mas os maiores prejudicados são os trabalhadores. Até porque o pico no transporte sobre trilhos ocorre das 6 às 8h30 e das 17 às 19h30. Ou seja, na ida e na volta do trabalho.

A cada dia crescem as reclamações não só quanto aos trens e metrôs. A população reclama da Sabesp, da Enel e dos serviços em postos de saúde por meio das chamadas “OS/OSS” – organizações sociais, que de sociais não têm nada.

Por trás de toda privatização tem pelo menos uma negociata. Junto a qualquer privatização tem sempre um político, um partido ou uma organização política disfarçada de ONG, fundação, associação e outras entidades de fachada.

Voto – Em outubro, teremos eleições gerais no Brasil. Nosso voto decidirá se a água vai chegar em nossa casa, e chegar limpa; se vai faltar energia na rua ou no bairro; se o transporte público vai continuar nesse calvário diário; se vai ter médico no posto de saúde; se vai ter vacina na rede pública.

Portanto, preste atenção em cada candidato. Conheça a vida pregressa do pretendente. Examine sua folha de serviços. Até porque a árvore se conhece pelos frutos que ela dá.

Josinaldo José de Barros (Cabeça) – Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.

FONTE: Agência Sindical

A Exposição a Agentes Cancerígenos e a Aposentadoria Especial



 

Cumprida a carência legal, a aposentadoria especial é devida aos segurados empregados, aos trabalhadores avulsos e aos contribuintes individuais que comprovem o exercício de atividades com efetiva exposição a agentes químicos, físicos ou biológicos prejudiciais à saúde, ou à associação desses agentes, de forma permanente, não ocasional nem intermitente. A atividade não pode ser enquadrada como especial apenas em razão da categoria profissional ou da ocupação: é indispensável comprovar a exposição durante quinze, vinte ou vinte e cinco anos, conforme o caso.


A efetiva exposição a agente prejudicial à saúde caracteriza-se quando, mesmo após a adoção das medidas de controle previstas na legislação trabalhista, a nocividade não é eliminada nem neutralizada.


Nesse contexto, surge a questão central: o segurado exposto a agentes cancerígenos precisa comprovar que a concentração supera os limites de tolerância para ter direito à aposentadoria especial, ou a presença do agente no ambiente de trabalho é suficiente para caracterizar a atividade como especial?


Em regra, o Anexo IV do Decreto nº 3.048/1999 estabelece que, para os agentes químicos, o reconhecimento do direito ao benefício depende da exposição do trabalhador ao agente nocivo no ambiente laboral e no processo produtivo, em concentração superior aos limites de tolerância previstos.


Essa regra, contudo, recebe tratamento específico no art. 298 da Instrução Normativa nº 128/2022. Para a caracterização da atividade especial decorrente da exposição a agentes reconhecidamente cancerígenos em humanos, listados na Portaria Interministerial nº 9, de outubro de 2014, deve-se observar o seguinte:


II - a exposição aos agentes prejudiciais à saúde reconhecidamente cancerígenos será avaliada de forma qualitativa, conforme os §§ 2º e 3º do art. 68 do RPS.


A Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos (LINACH) relaciona diversos agentes químicos reconhecidamente cancerígenos, entre os quais figuram o benzeno, os asbestos (amianto), o álcool isopropílico, a poeira de couro, a poeira de madeira, a poeira de sílica, a radiação ionizante e a gasolina, entre outros.


No caso desses agentes, o reconhecimento da atividade especial depende de avaliação qualitativa. Isso significa que basta comprovar a presença do agente nocivo no ambiente de trabalho, independentemente da análise quantitativa de sua concentração ou intensidade.


Pela mesma razão, quando se trata de agente reconhecidamente cancerígeno, a utilização de equipamentos de proteção individual ou coletiva não afasta a caracterização da nocividade, ainda que esses equipamentos sejam considerados eficazes.


Nesse sentido, a Turma Nacional de Uniformização (TNU), ao julgar o PEDILEF nº 5013056-81.2020.4.04.7108/RS, em 22/11/2023, firmou o entendimento de que, para a concessão da aposentadoria especial em razão da exposição a agentes reconhecidamente cancerígenos, basta a presença do agente no ambiente de trabalho, independentemente do grau de concentração ou intensidade.


AGENTE RECONHECIDAMENTE CANCERÍGENO


APOSENTADORIA ESPECIAL. EXPOSIÇÃO A AGENTE QUÍMICO CANCERÍGENO. ANÁLISE QUALITATIVA.


Tese reafirmada: para o reconhecimento da especialidade em caso de exposição a agentes nocivos reconhecidamente cancerígenos, constantes do Grupo 1 da lista da LINACH, basta comprovar sua presença no ambiente de trabalho, mediante análise qualitativa. Além disso, a exposição intermitente não afasta a nocividade desses agentes.


A exposição intermitente ocorre quando o trabalhador mantém contato reiterado e previsível com o agente nocivo, embora haja interrupções ou intervalos ao longo da jornada ou da semana.


Diversas categorias profissionais expostas ao benzeno podem se beneficiar desse entendimento, como frentistas e trabalhadores de refinarias, petroquímicas, siderúrgicas e plataformas de exploração de petróleo. Em relação à poeira de madeira, incluem-se marceneiros, carpinteiros e serradores, entre outros.


Cabe destacar, ainda, que, se o trabalhador exposto a agentes prejudiciais à saúde se afastar do emprego em razão de doença comum ou acidentária, o respectivo período de afastamento será computado como tempo especial.


Assim, considerando que o STF afastou a exigência de idade mínima para a concessão da aposentadoria especial, o segurado terá direito ao benefício se comprovar, pelo menos, 25 anos de efetiva exposição a agentes prejudiciais à saúde.


Christovam Ramos Pinto Neto é advogado trabalhista e previdenciário.

 

https://cnti.org.br/html/noticias/2026/ExpAgCancAposentadoriaEspecial.htm