Após a conquista da isenção do Imposto de Renda sobre salários até R$ 5 mil, uma nova bandeira ganhou proeminência no sindicalismo e no campo progressista. Trata-se do fim da escala 6×1, pauta com grande apoio popular, que agora também é encampada pelo governo Lula.
Segunda (10), na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, a pauta foi defendida pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em Audiência Pública que reuniu sindicalistas, empregadores e especialistas.
Eusébio Pinto Neto, presidente da Federação Nacional dos Frentistas, acompanhou a Audiência em Brasília. Ele comemora a postura do ministro: “Marinho deu declarações anteriores que atrapalharam o andamento do tema no Congresso. Felizmente, agora ele e o governo defendem urgência nessa tramitação”, afirma.
O líder frentista destaca que escala e jornada são temas que andam juntos. A redução da jornada para, pelo menos, 40 horas, é uma bandeira antiga do movimento sindical. A novidade é a popularidade que a extinção da escala 6×1 ganhou, sobretudo nas redes sociais e entre os mais jovens, o que tem gerado crescente apoio social às duas medidas.
Patrões – Eusébio explica que a reivindicação se baseia nos avanços tecnológicos das últimas décadas, como a automação e a Inteligência Artificial, que garantiram mais produtividade aos empregadores. Ele diz: “Isso deveria se reverter em uma jornada menor para os trabalhadores, com mais tempo para descanso, lazer e cultura. Contudo, os patrões são reticentes ao progresso e insistem em se abraçar a uma cultura escravagista”.
Lei – Na Câmara, o ministro Luiz Marinho lembrou que a classe patronal teve postura semelhante em 1988, quando a Constituição reduziu a jornada de 48 pra 44 horas semanais. “Se não tiver imposição legal, vamos atravessar mais um século com trabalhadores presos à mesma regra. Quando reduziram a jornada, disseram que o mundo ia acabar, e isso não ocorreu”, afirmou.
Mobilização – Eusébio, da Fenepospetro, está confiante que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 possam ser analisados pelo Congresso no ano que vem. Mas pondera: “Tem que ser no início da agenda legislativa, e com muita pressão popular. O movimento sindical poderia, inclusive, propor uma greve geral pra chamar atenção ao tema. Sem a força das ruas, não avançaremos”, analisa.
MAIS – Sites da Fenepospetro e do Ministério do Trabalho e Emprego.
FONTE: Agência Sindical

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