Atualização da NR-1 torna obrigatória a avaliação de riscos psicossociais nas empresas a partir de maio
A saúde emocional dos trabalhadores passou a
integrar, de forma obrigatória, as normas de
segurança e saúde no trabalho no Brasil. Em maio de
2025, o governo federal atualizou a Norma
Regulamentadora nº 1 (NR-1), determinando que
empresas incluam a avaliação de riscos emocionais e
psicossociais em suas rotinas. As novas regras
entram em vigor em maio deste ano.
A medida ocorre em um cenário de crescente
adoecimento mental relacionado ao trabalho. Dados do
Ministério da Previdência Social e do INSS indicam
que, em 2025, quase meio milhão de afastamentos
foram registrados por transtornos mentais,
principalmente ansiedade e depressão. As informações
foram divulgadas pela Agência Brasil, em matéria de
João Barbosa.
Entre os quadros mais comuns está a Síndrome de
Burnout, caracterizada por esgotamento físico,
emocional e mental, além de irritabilidade, queda de
rendimento, lapsos de memória e sensação constante
de incapacidade.
Casos concretos ajudam a dimensionar o problema. A
médica dermatologista Paula Sian relata que
desenvolveu sintomas graves após vivenciar um
ambiente de trabalho marcado por assédio e pressão
constante.
“Ela gritava, humilhava, diminuía. Só reclamava e
nunca era clara nas demandas. Dois dias antes de um
ataque de pânico, perguntei se ela tinha noção de
que todo mundo estava chorando na frente do
computador. Era pandemia, estávamos em home office,
e havia gente com insônia, em terapia e tomando
remédio para dormir”, contou.
Segundo Paula, os efeitos do estresse foram
progressivos.
“Eu já tinha insônia, dor de cabeça, o coração
disparava do nada. Suava mesmo em repouso, tinha
gastrite, esquecia das coisas. O ataque de pânico
foi a cereja do bolo. Aconteceu num domingo, só de
pensar em ouvir a voz da minha chefe na
segunda-feira.”
Mudança exige prevenção nas empresas
Com a atualização da NR-1, as empresas passam a ter a obrigação de identificar fatores que possam causar adoecimento emocional, como excesso de cobranças, metas irreais, lideranças despreparadas e ambientes tóxicos.
A especialista em psicologia organizacional Daniele
Caetano explica que, além do diagnóstico, será
necessário adotar medidas preventivas.
“As empresas deverão investir em treinamentos,
orientação para lideranças e programas de saúde
mental, criando um ambiente de trabalho mais
saudável.”
Além de atender à legislação, o cuidado com a saúde
emocional impacta diretamente a produtividade. Dados
da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam
que cerca de 12 bilhões de dias úteis são perdidos
anualmente no mundo devido à ansiedade e à
depressão, gerando prejuízo estimado em US$ 1
trilhão.
Para Daniele, ignorar o problema traz consequências.
“Empresas que não cuidam disso têm mais
afastamentos, mais demissões, mais processos e menos
produtividade. Ou seja, não agir sai muito mais
caro.”
Em casos de sintomas de estresse, esgotamento
físico, mental ou emocional, a recomendação é buscar
atendimento médico e apoio especializado.
Reivindicação sindical
Nesse contexto, o tema da saúde mental tem ganhado espaço crescente na atuação sindical. Diversos sindicatos já passaram a incluir o assunto nos debates cotidianos com a base e nas negociações coletivas, buscando estabelecer cláusulas que garantam ambientes de trabalho mais saudáveis e prevenção ao adoecimento.
A pauta também se consolida como uma reivindicação
sindical, refletindo a preocupação das entidades com
as novas formas de organização do trabalho e seus
impactos sobre a vida dos trabalhadores.
Fonte: Rádio Peão Brasil - Do Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br
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