O estudo apresenta a situação das mulheres em idade ativa, ou seja, de 14 anos ou mais. Compara o terceiro trimestre de 2021 com o mesmo período de 2019, pré-pandemia. Também há comparações entre mulheres negras e não negras, e também com os homens. O resultado é uma clara demonstração da retração da economia no período.

Dados – Em 2019, 47,5 milhões de mulheres estavam no mercado de trabalho, número que caiu para 46,4 milhões em 2021. Para Patrícia Pelatieri, diretora do Dieese, os números merecem atenção. “A diferença de mais de um milhão, em dois anos, é preocupante. Fora que muitas perdem o emprego e desistem de procurar, pois não têm perspectiva”, conta a economista.

Do total no mercado de trabalho, 39 milhões estão ocupadas. Destas, 51,6% são negras. Entre as 7,4 milhões de desocupadas, 63,5% são negras. “Isso é mais uma amostra da desigualdade racial que existe no Brasil”, ressalta Patrícia.

Salário – Outro dado que comprova a desigualdade racial é o valor do salário. Por hora, a brasileira recebe, em média, R$ 13,89. Entre as mulheres negras, este valor cai para R$ 10,83. Não negras têm um rendimento médio de R$ 17,13 a cada hora trabalhada.

Média – O rendimento mensal das mulheres caiu no período, de R$ 2.139,00 para R$ 2.078,00. Dez categorias profissionais foram pesquisadas e apenas as que atuam na Segurança Pública tiveram aumento na renda. Em 2019, a categoria recebia R$ 35,57 por hora. Dois anos depois o valor subiu pra R$ 37,71.

Homens – A pesquisa faz comparações entre homens e mulheres. E fica claro o abismo entre os sexos no mercado de trabalho. São 53,9 milhões de homens ocupados, contra 39 milhões de mulheres. Em média, eles recebem R$ 15,25 por hora, ante R$ 13,89 do sexo feminino. Outro destaque negativo é a comparação dos homens não negros, que recebem R$ 19,73 por hora, quase o dobro da mulher negra, que tem um rendimento médio de R$ 10,83.

Entre os profissionais com curso superior, o salário médio da mulher é de R$ 3.866,00, enquanto o dos homens é R$ 6.113,00, quase 37% a mais. “Quanto mais alto o nível de formação, maior a diferença salarial”, explica Patrícia Pelatieri.

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FONTE: Agência Sindical

https://www.agenciasindical.com.br/precarizacao-do-mercado-de-trabalho-tem-genero-e-cor/