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terça-feira, 6 de junho de 2023

Pelo fim dos juros extorsivos! – Miguel Torres

 


Há tempos, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central frustra os trabalhadores (as), e se curva aos especuladores. Tragicamente, também em nosso país estamos reféns dos poderosíssimos interesses dos rentistas.

A manutenção da taxa Selic em 13,75% a.a., há vários meses, é um verdadeiro prêmio aos especuladores e uma “extorsão para os brasileiros e o setor produtivo”.

Vamos continuar com mobilização e pressão para uma drástica queda nas taxas de juros. Por isso, o movimento sindical irá cobrar em todo o País a redução das taxas de juros nos próximos dias e, fortemente, no dias 20 e 21 de junho, quando acontece a reunião dos tecnocratas do Copom. Em São Paulo, o ato será no dia 20, na porta do Banco Central, na Avenida Paulista.

A Taxa Selic está exageradamente elevada no Brasil. Os juros continuam proibitivos. A redução dos juros é importante para o desenvolvimento e o crescimento do Brasil.

Vale destacar que juros altos sangram o País e inviabilizam o desenvolvimento. O pagamento de juros, por parte governo, consome e restringe consideravelmente as possibilidades de crescimento do País, bem como os investimentos em educação, saúde e infraestrutura, entre outros.

Essa nefasta política, infelizmente, resulta em queda da atividade econômica, deteriora o mercado de trabalho e a renda, aumenta o desemprego, diminui a capacidade de consumo das famílias e compromete em muito o crescimento econômico.

Os membros do Copom precisam entender a elementar lógica da equação do crescimento: com juros baixos, há mais consumo, gerando mais produção, e consequentemente, abertura de novos postos de trabalho. Como podemos incentivar o setor produtivo se temos uma das mais altas taxas de juros do mundo?

Nossa luta é pelo fim dos juros extorsivos. Menos juros, mais empregos já!

Miguel Torres
presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de SP e Mogi e Presidente da Força Sindical 

FONTE: Agência Sindical - Agência Sindical

Governo planeja distribuir 90% do lucro do FGTS, em 2022, de R$ 15 bilhões


Decisão final está no STF que analisa se Taxa Referencial (TR) pode ser aplicada como índice de correção do fundo


O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) fechou o ano passado com lucro de R$ 15,4 bilhões, cerca de 16% mais que em 2021, segundo estimativas do Ministério do Trabalho e Emprego. A ideia do governo é distribuir mais de 90% do lucro apurado em 2022 para assegurar uma rentabilidade acima da inflação para os cotistas do fundo. Para 2023, a expectativa é de manutenção do lucro na casa dos R$ 15 bilhões.


O resultado preliminar do fundo do ano passado e de 2023 consta de “memorial complementar” enviado pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa ação sobre se a Taxa Referencial (TR) pode ser aplicada como índice de correção do FGTS.

 

Fonte: Valor Investe - Do Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br

 

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Espanha pós-reforma trabalhista tem redução de desempregados e recorde de contribuintes à seguridade

País fechou maio com 2,7 milhões de desempregados, menor número para o mês desde 2008. Contratos temporários diminuem

Reprodução
Reprodução
 
Ministra Yolanda Díaz destacou efeitos positivos da reforma trabalhista, do aumento do salário mínimo e de políticas públicas

São Paulo – Dezessete meses depois da aprovação da reforma da legislação trabalhista, a Espanha exibe indicadores positivos sobre o emprego. O número de desempregados, por exemplo, somou 2.739.110 em maio, o menor para esse mês desde 2008, segundo dados do Ministério do Trabalho e Economia Social divulgados nesta semana. Em relação a 2022, são 183.881 pessoas a menos, redução de 6,29%. No mês, menos 49.260 (-1,77%). A queda atingiu todos os setores.

“Ainda são muitas (pessoas desempregadas), porém é menor quantidade desde 2008″, afirma a ministra Yolanda Díaz, também 2ª vice do governo espanhol. Em dois anos, lembrou, o total de desempregados caiu em aproximadamente 1 milhão. “A reforma trabalhista, o aumento do salário mínimo e as políticas ativas de emprego são instrumentos essenciais para acabar com um problema que arrastamos há quatro décadas.”

Contratações

Além disso, destacou a ministra – que recentemente recebeu seu colega brasileiro, Luiz Marinho –, o país atingiu a maior quantidade de pessoas que contribuem para o sistema de seguridade social: 20,8 milhões. Ou exatos 20.709.078.

Apenas em maio, foram registrados 1,412 milhão de novos contratos, sendo 625 mil (44,25%) por tempo indeterminado. Esse era um dos principais problemas apontados para justificar a revisão da legislação trabalhista: a excessiva quantidade de contratos temporários. No mês passado, a porcentagem de trabalhadores com contrato temporário se manteve próximo do mínimo histórico de 14%. Antes da reforma, esse total chegava a 30%.

Setores e regiões

De acordo com os dados oficiais, o desemprego diminuiu em todos os setores econômicos, em todas as regiões do país (as “comunidades autônomas) e tanto para homem como mulheres. O total de jovens menores de 25 anos desempregados (188 mil) também é o menor da série histórica.

Entre os setores, a queda em maio foi de 1,74% nos serviços, 2,07% na indústria, 1,82% na construção e 2,3% na agricultura. No caso das mulheres, o desemprego atinge 1.655.027 (-1,46%). São 1.084.083 homens desempregados (-2,23%).

FONTE: Rede Brasil Atual -   Redação RBA

Tuíre Kayapó convoca luta contra marco temporal: 'O branco só quer destruir a nossa Amazônia'

 

Na luta desde a década de 1980, liderança indígena convoca sociedade para barrar o marco temporal: 'vamos lutar juntos'


 
Tuiré Kayapó durante o Acampamento Terra livre de 2017, em Brasília - Mídia NINJA/Mobilização Nacional Indígena

Nesta terça-feira (30), a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei (PL) 490, conhecido como PL do Marco Temporal. Entre outros retrocessos, o texto prevê que os povos indígenas só terão direito às terras que ocupavam em 1988, ignorando a ocupação ancestral do território pelos povos, muito antes da chegada dos invasores portugueses.

O placar foi tranquilo para os ruralistas e demais adversários da demarcação das terras indígenas: 283 a 155, sendo que apenas PT, PSOL, PCdoB e Rede orientaram o voto contra o projeto. Agora, o projeto vai passar por votação no Senado. Em paralelo, a discussão sobre a constitucionalidade da tese será retomada pelo Supremo Tribunal Federal no dia 7 de junho.

:: Após repressão e sob cerco policial, indígenas convocam mobilização no Jaraguá no domingo (4) ::

Foi para falar sobre essas e outras batalhas que Tuíre Kayapó, lutadora histórica pelos direitos dos povos indígenas, recebeu o Brasil de Fato em uma associação indígena em Belém (PA), onde estava hospedada. Ela estava acompanhada por seu marido, o cacique Dudu, que traduziu suas palavras na entrevista que aconteceu no sábado, dia 27, antes da aprovação do PL 490 pela Câmara.

Em 1989, Tuíre colocou um facão no rosto do então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, durante uma audiência sobre a construção da usina de Belo Monte, que anos mais tarde seria concluída a despeito de protestos dos povos indígenas.


Foto de Tuiré Kayapó encostando um facão no rosto de um representante da Eletronorte foi capa da revista Manchete, em março de 1989 / Reprodução

Tuíre confrontou com um facão os que insistiam em colocar motosserras sobre sua cabeça e a de seus parentes todos os dias. Agora, após décadas de luta pela preservação da Amazônia e dos territórios indígenas, Tuíre enfrenta uma nova batalha. Hoje, sua arma é a fala.

Confira abaixo a íntegra da entrevista.

Brasil de Fato: Na última terça-feira (30), a Câmara dos Deputados aprovou o PL do Marco Temporal, que agora vai para votação no Senado. Caso o projeto se torne lei, quais impactos ele trará para os povos indígenas e para a Amazônia?

Tuíre Kayapó: Eu mando o recado para todos do Brasil, para todas as etnias. Eu peço para não deixar, para lutarmos juntos. Não deixem. Eu peço para todo mundo. Nós vamos lutar. Nós temos apoio do pessoal americano, do interior, e várias pessoas que estão nos ajudando. Não somos só nós não. Por isso eu peço à todas as etnias do Brasil e aos brancos que estão nos ajudando. Nós vamos lutar juntos. E como meu nome é representante da Nação Kayapó, eu não aceito o Marco Temporal. Eu não aceito. Jornalista pode levar o meu recado para divulgar até no Congresso, para todo mundo ouvir minha conversa. Eu não quero Marco Temporal. Onde tem terra sobrando? Não tem nenhuma floresta sobrando, na floresta não tem nenhum vazio. Tudo tem nome, tem dono. Somos nós índios. O pessoal poderia tirar dos ruralistas, tirar dos fazendeiros. Tem muita fazenda grande, tem que plantar alguma coisa para ele, tem que dividir para o pessoal dele. Mas da minha Amazônia eu não quero que tire, eu não quero. Por isso que eu não quero Marco Temporal. 

Qual a relação que os Kayapó têm com o seu território? Por que as Terras Indígenas são tão importantes para vocês viverem e darem continuidade à sua cultura?

Nossa vida é a floresta, a Amazônia. Estamos sempre vivendo na floresta, no rio. Nós nos acostumamos a morar dentro da Amazônia, porque a Amazônia está lá nos guiando. Lá nós nos alimentamos bem e não tem doença, nenhuma doença. Por isso o pessoal não pode destruir nossa Amazônia, nossa floresta.

Eu não quero. Porque senador vive na cidade, deputado vive na cidade. Eles não moram dentro da floresta. Nós não, nós vivemos na floresta, na Amazônia. Por isso que eu não quero o Marco Temporal, eu não quero.

Eles deveriam fazer alguma coisa, algum programa deles para dentro da cidade. Eles só querem fazer os programas deles, projetos deles, dentro da nossa reserva, nossa floresta, nossa Amazônia. Essa terra aqui é nossa. Nós que vamos criar algum projeto, que vamos fazer algo dentro da nossa floresta. Eles não, eles estão na cidade.

Por isso eu não quero Marco Temporal. Porque eles não podem prejudicar a minha comunidade. Eu quero que defendam para todo mundo, para o Brasil inteiro. Para ter a nossa comunidade. Está vendo que eu estou no mato ainda? Será que algum senador já entrou na minha floresta, já comeu fruta? 

Durante o governo Bolsonaro, os povos indígenas sofreram ataques constantes. Apesar do Congresso eleito ser muito conservador, esperava-se que com a eleição de Lula os povos indígenas viveriam momentos de paz. Como você vê mais esse ataque, em um momento em que se esperava progresso nas pautas indígenas?

No tempo do governo anterior, de Bolsonaro, quando ele era governante do país, logo ele entrou e já começou criticar os índios, e fez muitos ataques também. Por isso, nós índios começamos a fazer reuniões de mobilização grandes. Nós fizemos para a gente combinar de votar em outro governo. Por isso nós votamos para o governo Lula. Porque o governo Lula estava ajudando o índio, porque ele fez demarcação, estava homologando muita terra indígena. E aí quando ele assumiu, ele criou o Ministério Indígena para nós.

Mas o partido do governo Bolsonaro ainda está no Congresso, por isso ele estava criticando o trabalho do atual governo. Esse projeto do Marco Temporal é do partido de Bolsonaro. Por isso que senador, deputado do Bolsonaro, dentro do Congresso, eles são contra nós e contra o serviço do Lula e estão querendo tirar a história do partido dele.

:: Mais um indígena Pataxó é alvo de ataque em território ameaçado por Marco Temporal na Bahia ::

Desde criança eu sou cacique da nação indígena, não acaba como política. Bolsonaro já saiu, seu mandato já acabou, ele não tem poder para mais nada. Mas quem está criticando, ainda, é o partido dele. Por isso, eu estou falando para vocês ouvirem, que a minha história não acaba, não é política. Política é cada pessoa que entrou e tem o projeto dele, história dele para fazer, aí quando o mandato dele acaba já está parado. Aí alguém entra e manda tudo parar, e aí começa outro. Nós não. 

Quais são as estratégias do povo Kayapó, em conjunto com outras etnias, para impedir que o Marco Temporal seja transformado em lei?

Nossa estratégia, nossas etnias todas já foram reunidas para fazer grande mobilização. Porque o pessoal do Mato Grosso já saiu para lá [Brasília]. Lá do sul também vão sair amanhã. E Kayapó também, tem três povos Kayapó que vão para lá. No dia de votação lá no Tribunal estará todo mundo lá. Por isso que o pessoal estava me ligando direto. Eu estou doente, aí mandei só recado para lá, no Congresso. Minha força é toda para os indígenas.

Além do Marco Temporal, há outras ameaças à Amazônia em curso. Os projetos de extração de petróleo na chamada Margem Equatorial, o desmatamento, o garimpo etc. Eu queria que você falasse um pouco sobre essas ameaças.

O Marco Temporal tem muito interesse em nosso petróleo, tem garimpo, minério, madeira, óleo, nossa Amazônia tem. Por isso que o branco estava se sentindo ameaçado com a gente, nós não deixamos, não deixamos. Eu não deixo. Porque o branco só quer destruir a nossa Amazônia, até o nosso indígena, a minha comunidade. Porque se deixar aprovar o Marco Temporal uma criança vai morrer, adulto vai morrer. Por isso eu não quero, eu não aceito.

:: Energia limpa e Nordeste: como a Petrobras pode crescer sem a Foz do Amazonas ::

A Amazônia é importante na preservação do planeta e na luta contra o aquecimento global. Preservar e demarcar as terras indígenas é, também, preservar o planeta. Gostaria de ouvir sobre a importância da Amazônia para o planeta e para as futuras gerações, não só dos povos indígenas, mas também de todas as pessoas.

A questão da Amazônia, porque nós queríamos preservar… É uma questão global. Nós queremos preservar a nossa Amazônia para ficar frio. Nuvem chega em cima da folha e vem descendo, pela raiz, até os solos. Nós vamos ficar com saúde, e nós que vamos plantar alguma coisa para crescer boa, o alimento nosso, para gente alimentar. Até a caça, peixe, estavam alegres. Castanha, açaí, bacaba, tem muita fruta no mato para ficar alegre, e nós também ficamos. Vida boa, muito boa. Tem muito pessoal que está destruindo o mato, a Amazônia, a floresta. Onde só tem campo, aí tá quente, quente, quente. Aí onde a caça vai alimentar, onde? Onde o pessoal vai banhar? Não, isso aí é prejudicado demais, tem que ter mato para preservar, para ficar bom para nós, ficar frio. Porque isso aí é o trabalho do nosso pai, Deus. Ele não quer também, para não destruir o serviço dele.

Edição: Nicolau Soares

FONTE: BRASIL DE FATO  -   https://www.brasildefato.com.br

sexta-feira, 2 de junho de 2023

A lamentável mente de parte dos empresários – Artur Bueno de Camargo

 Revisão da Vida Toda 

Artur Bueno de Camargo é presidente da CNTA Afins

O jornal A Folha de S.Paulo de domingo (21) mostrou a posição de alguns empresários claramente insensíveis às questões que envolvem direitos sociais e trabalhistas. Ou esta gente não se importa com a vida das pessoas, ou ignora a realidade em que vivemos, consequência dos governos Temer e Bolsonaro.

Dizer que estão preocupados que o presidente Lula reveja reforma trabalhista e previdenciária, feitas pelos governos anteriores, posicionando-se de que Lula não reveja o passado para trabalhar apenas com o futuro, é muita insensibilidade.

É impressionante como criticam o atual governo Lula, dizendo que o presidente não está tendo a mesma habilidade que antes para negociar com o Congresso e outros segmentos da sociedade organizada, mas se esquecem que nem bem tomou posse e o governo teve a turbulência do 8 de janeiro, quando vândalos terroristas, motivados pelo governo Bolsonaro a um golpe de estado, invadiram Brasília com sanha destrutiva. E sobrou para o governo consertar antes de poder começar a trabalhar!

Essa parcela dos empresários não fala da política de destruição de matas e dos indígenas adotada pelo governo anterior, que criou, inclusive, um ambiente negativo nas relações internacionais para o país. Dizer que é um desajuste rever o que foi feito no passado, independente de imperfeições, só pode ser porque está muito bom para eles – e a sociedade que trabalha e constrói a riqueza do país, não tem a menor importância.

Interessante, também, que abordam a pandemia, um fator que proporcionou momento delicado, mas não falam sobre a péssima condução do ex-presidente Bolsonaro na proteção da saúde da sociedade. Foi o ex-presidente que pregou e fez propaganda enganosa de medicamentos, se omitiu na compra da vacinas e desmotivou a vacinação.

Esses empresários reconhecem que os governos anteriores do PT foram responsáveis por iniciativas importantes do ponto de vista social; que devem ser preservadas, mas dizem também que as transformações econômicas de outros governos também devem ser preservadas, mas, ora, desde que não sejam iniciativas que favoreçam os mais ricos em detrimento dos direitos da classe trabalhadora, de direitos sociais conquistados.

Para finalizar quero dizer a essa parcela de empresários que lamento profundamente este tipo de visão que só protege o capitalismo e não resulta, a médio e longo prazos, em benefício para a sociedade. Políticas equivocadas que foram implementadas devem ser revistas, sim. Se não houver um equilíbrio entre o capital, o trabalho, o trabalhador e a sociedade não haverá futuro para esse país.

Não pensem apenas em vocês, empresários. Sozinhos, vocês não fazem nada.

Artur Bueno de Camargo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação (CNTA Afins).

FONTE:Agência Sindical

 

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Contrato intermitente, o símbolo de uma reforma trabalhista fracassada


Em 2021, apenas 0,5% do estoque de empregos formais no País estava vinculado à modalidade intermitente


por André Cintra


Para sorte dos brasileiros, o trabalho intermitente – um dos retrocessos da reforma trabalhista do governo Michel Temer (MDB) – não vingou. Propagandeado por seus idealizadores como trunfo para a geração de milhões de empregos, o chamado “contrato de zero hora” fracassou.


Em 2021, passados quatro anos da reforma, apenas 0,5% do estoque de empregos formais no País estava vinculado à modalidade intermitente. É o que aponta um estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), com base em dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais).


A exemplo da nefasta Carteira Verde e Amarela proposta na gestão Jair Bolsonaro (PL), o trabalho intermitente parte da (falsa) lógica segundo a qual “menos direito é mais emprego”. Nesse tipo de contrato, conforme explica o Dieese, “o trabalhador fica à disposição para trabalhar, aguardando, sem remuneração, pelo chamado do empregador. Enquanto não for convocado, não recebe. E, quando requisitado para executar algum serviço, a renda é proporcional às horas efetivamente trabalhadas”.


Seu pressuposto é o de que, com a precarização das condições de trabalho, os empregadores abririam mais postos, sobretudo em períodos de demanda elevada. Na prática, nada disso ocorreu. Em dezembro de 2021, o número de contratos intermitentes no Brasil não passava de 244 mil.


Mas a constatação mais chocante do Dieese diz respeito à precariedade do vínculo entre empregadores e trabalhadores intermitentes. De acordo com o estudo, “muitos dos contratos passaram boa parte do ano engavetados – quer dizer, geraram pouco ou nenhum trabalho e renda. Um em cada cinco contratos intermitentes firmados no ano (de 2021) não gerou renda alguma para o trabalhador”.


Porém, mesmo entre os trabalhadores que tiveram renda, os resultados são pífios. No final de 2021, “a remuneração mensal média dos vínculos intermitentes foi de R$ 888, o que equivalia a 81% do valor do salário mínimo naquele ano”. Nada menos que 44% desses contratos geravam renda abaixo do piso salarial dos brasileiros.


Segundo a Constituição Federal de 1988, o salário mínimo deve atender a “necessidades vitais básicas” do trabalhador brasileiro e de sua família. Essas necessidades incluem moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. O Dieese calcula que, em abril de 2023, o salário mínimo realmente necessário no Brasil seria de R$ 6.676,11. Atualmente, o mínimo é de R$ 1.320.

 

Fonte: Portal Vermelho - Do Blog de Notícias da CNTI

 

quarta-feira, 31 de maio de 2023

INSS sem fila! – Luiz Carlos Motta

 


Tanto em minha trajetória como líder sindical comerciário como na Câmara Federal tenho apresentado propostas que têm como objetivo diminuir o sofrimento dos brasileiros reféns da máquina burocrática do País. Um dos grandes gargalos da estrutura estatal é a lentidão na decisão dos processos, o que causa longas esperas em filas imensas. Na área da Previdência Social, por exemplo, são mais de 1,8 milhão de pessoas aguardando a vez para realizar uma perícia médica para eventual afastamento para tratamento da saúde. A espera chega a demorar meses e deixa os segurados em situações difíceis.

Esforço conjunto

Por isso, em um esforço conjunto para amenizar este grave problema, recentemente, a Federação dos Comerciários do Estado de São Paulo (Fecomerciários), a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) assinaram com o Ministério da Previdência, Carlos Lupi, um Acordo de Cooperação Técnica e lançaram o Serviço de Suporte ao Segurado no Requerimento de Benefícios por Incapacidade Temporária Documental (Atestmed). Trata-se de um sistema inovador que começará a ser implantado no Estado de São Paulo; depois, em todo o Brasil. Pelo acordo assinado, o INSS terá um posto avançado em cada um dos 72 Sindicatos Filiados à Fecomerciários e, posteriormente, em suas subsedes estaduais. Serão oferecidos cursos online para treinar os funcionários que atenderão os trabalhadores.

Perícia médica

O lançamento da ferramenta ocorreu na sede da Fecomerciários na capital paulista, onde Lupi explicou aos dirigentes sindicais comerciários presentes que um dos seus principais objetivos é ajudar a combater a fila de agendamentos para a realização da perícia médica (principalmente por afastamento), racionalizando, dessa forma, a oferta e a demanda do atendimento médico pericial presencial em face do reduzido número de servidores que trabalham como peritos médicos federais. Portanto, a utilização desse sistema digital dá celeridade às análises e às concessões de benefícios oferecidos pelo INSS. Por ele, o interessado leva o atestado médico, preenche um formulário digital e todas as informações seguem para o Ministério.

Democracia

O ministro frisou que há 30 milhões de aposentados e pensionistas, além de oito milhões de pessoas que recebem algum benefício da Previdência. Afastamentos de até 90 dias para tratamento de saúde terão prioridade e deverão ser concedidos em no máximo 14 dias após a solicitação, via Atestmed. Há também os que querem voltar a trabalhar e que serão atendidos dentro deste prazo. Lupi encerrou a cerimônia elogiando a participação do sindicalismo na assinatura do Acordo. Afirmou que os sindicatos sempre estiveram ligados à democracia e enfatizou que reduzir filas é oferecer democracia. Segundo ele, a próxima etapa é conseguir junto aos peritos para que estes emitam atestados digitais, diretamente no sistema. Os usuários do INSS agradecem!

Luiz Carlos Motta é presidente da Fecomerciários e da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC). É Deputado Federal (PL/SP).

FONTE: Agência Sindical