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quinta-feira, 20 de março de 2025

A VERDADE SOBRE O FINANCIAMENTO SINDICAL: SEM SINDICATOS FORTES, O TRABALHADOR SAI PERDENDO

 

Os recentes ataques da grande mídia contra o financiamento sindical mostram como ainda existe uma enorme resistência ao fortalecimento da luta dos trabalhadores no Brasil. Os artigos publicados pela Veja tentam vender a ideia de que a proposta de contribuição negocial aprovada em assembleia – um direito legítimo das categorias – seria a volta de um "imposto sindical". A realidade, no entanto, é bem diferente: trata-se da sobrevivência das entidades que negociam diretamente os direitos dos trabalhadores.

Além disso, as matérias da Veja não possuem tom jornalístico e beiram o que se considera uma prática antissindical. O veículo escolheu entrevistar apenas parlamentares da oposição e ignorou qualquer voz favorável ao movimento sindical, distorcendo a realidade e induzindo a opinião pública a uma visão parcial e equivocada. Esse tipo de desinformação não apenas ataca injustamente os sindicatos, mas também enfraquece o direito constitucional de organização dos trabalhadores. A manipulação de informações contra entidades representativas deve ser combatida, pois configura uma tentativa de deslegitimar a luta sindical e deveria ser punida como uma prática antissindical clara.

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que cada avanço conquistado ao longo da história trabalhista brasileira passou pelo movimento sindical. A CLT, o 13º salário, o adicional noturno, o FGTS, a licença-maternidade, o vale-alimentação, os reajustes salariais acima da inflação – tudo isso não caiu do céu, foi arrancado na luta pelo movimento sindical. O que não foi negociado diretamente nas mesas de convenção coletiva, foi impulsionado pelos sindicatos até virar lei. Sem essa mobilização, o trabalhador estaria completamente desprotegido diante do poder econômico das empresas.

A lógica da contribuição negocial não é "imposto sindical". Imposto é aquilo que o Estado cobra e ninguém discute para onde vai. Por outro lado, a contribuição negocial não é compulsória nem imposta por lei ou pelo Estado, ela é aprovada democraticamente pelos trabalhadores em assembleia e é fundamental para manter a estrutura das entidades que garantem melhores condições de trabalho, reajustes dignos e cláusulas sociais que fazem toda a diferença no dia a dia de todos os trabalhadores da categoria, independentemente de estes serem associados à entidade sindical.

Todos os anos, as negociações coletivas realizadas pelos sindicatos injetam bilhões de reais na economia do país. A cada novo acordo e convenção coletiva, além de garantir direitos que superam a legislação, o movimento sindical conquista reajustes salariais, participação nos lucros e benefícios que aumentam diretamente o poder de compra dos trabalhadores. Esse dinheiro movimenta o comércio, impulsiona a indústria, fortalece a construção civil e gera arrecadação para os municípios. Sem essa injeção financeira garantida pela luta sindical, cidades inteiras veriam uma queda drástica no consumo, prejudicando não apenas os trabalhadores, mas toda a economia. O impacto positivo do sindicalismo não se limita à garantia de direitos: ele sustenta e fortalece a economia do país.

Além dos direitos econômicos e reajustes salariais conquistados anualmente, há dezenas de cláusulas sociais que muitas vezes passam despercebidas pela mídia, mas que transformam a vida dos trabalhadores. Exemplos concretos incluem a Faixa Azul no município de São Paulo, um direito garantido por meio da atuação sindical, que melhora a mobilidade dos trabalhadores motociclistas. Outra conquista importante é o Bolsa Educação, cláusula negociada em diversas categorias que permite que trabalhadores garantam até duas vagas gratuitas para seus filhos em instituições de ensino. Além disso, sindicatos conquistam benefícios como planos de saúde custeados total ou parcialmente pelos empregadores, estabilidade pré-aposentadoria, folgas extras em momentos importantes da vida do trabalhador, como casamento e adoção, além da ampliação das licenças por falecimento de familiares. Em algumas categorias, convenções coletivas garantem períodos de estabilidade ao trabalhador no retorno de férias, folgas maiores do que as previstas na CLT para luto ou casamento, e direitos iguais para casais homoafetivos. Esses são apenas alguns exemplos de como os sindicatos atuam para melhorar não apenas a remuneração, mas também a qualidade de vida dos trabalhadores e suas famílias.

O tema da contribuição assistencial/negocial já foi analisado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do ARE 1.018.459 (Tema 935), e a Corte decidiu que é constitucional a cobrança tanto de sócios quanto de não sócios, desde que assegurado o direito de oposição. O Supremo consolidou esse entendimento ao fixar a seguinte tese vinculante:

"É constitucional a instituição, por acordo ou convenção coletivos, de contribuições assistenciais a serem suportadas por todos os empregados da categoria, ainda que não filiados ao sindicato, desde que assegurado o direito de oposição." (Tema 935 do STF)

Portanto, o discurso de que essa forma de custeio sindical seria inconstitucional ou "forçada" é uma falácia. O STF já reconheceu a legalidade da contribuição assistencial e seu papel essencial para garantir o funcionamento das entidades que representam os trabalhadores. A contribuição negocial não é uma imposição arbitrária, mas um mecanismo legítimo de financiamento coletivo, aprovado democraticamente em assembleia pelos próprios trabalhadores, conforme prevê a Constituição Federal e a jurisprudência consolidada da Suprema Corte.

Os sindicatos frequentemente negociam direitos e benefícios que excedem os previstos na legislação trabalhista, consolidados em convenções ou acordos coletivos com diversas cláusulas. Esses acordos beneficiam todos os membros da categoria profissional, não apenas os sindicalizados. A representação da categoria como um todo é inerente ao sindicato, abrangendo todos os trabalhadores que dela fazem parte, independentemente de serem associados ou não.

No entanto, é flagrantemente injusto e desproporcional que o trabalhador não filiado seja beneficiário direto dos serviços de negociação do sindicato sem contribuir financeiramente para esta atuação, sem qualquer responsabilidade ou compromisso com a entidade que o protege. Assim, todos os trabalhadores beneficiados pelas cláusulas das normas coletivas de trabalho resultantes devem ter algum nível de responsabilidade no custeio do sistema.

A grande mídia e setores do empresariado, que adoram a Reforma Trabalhista de 2017, querem sindicatos fracos, divididos, sem poder de negociação. E por quê? Porque sabem que sindicatos fortes garantem direitos, aumentam os salários e impedem retrocessos. Desde que a contribuição sindical obrigatória foi "extinta", milhares de sindicatos fecharam as portas e os trabalhadores ficaram ainda mais vulneráveis. Quem perdeu com isso? Apenas os próprios trabalhadores, que viram sua capacidade de negociação ser enfraquecida.

O discurso da Veja é o mesmo de sempre: criminalizar o movimento sindical, tachar os sindicatos de ineficientes e ignorar os milhões de trabalhadores que se beneficiam das convenções coletivas e acordos coletivos. Mas a verdade é que as entidades sindicais que permanecem atuando – mesmo sob ataque – continuam garantindo conquistas muito além da legislação: pisos salariais melhores, participação nos lucros, reajustes acima da inflação, benefícios que não existem na CLT.

E tem mais: esse ataque não é apenas contra os sindicatos, mas contra o próprio direito de organização dos trabalhadores. Qualquer entidade forte precisa de custeio para atuar. Empresas têm seus sindicatos patronais, federações, confederações bem estruturadas, recebendo recursos diretamente do sistema “S”, garantindo-lhes alta condição financeira e plena capacidade de operação. Dados da Secretaria Especial de Fazenda/Departamento de Gestão de Fundos, Coordenação-Geral de Recursos Financeiros, mostram que em 2020, esses recursos patronais somaram R$ 15,9 bilhões.

E os sindicatos dos trabalhadores? Devem sobreviver de milagres? O mesmo estudo aponta que as entidades sindicais profissionais receberam apenas 0,27% do montante bilionário recebido pelas entidades patronais.

A luta sindical nunca foi fácil. Mas é por meio dela que os trabalhadores conquistaram tudo que têm. Por isso, é fundamental rechaçar esse discurso de que a contribuição negocial é um "imposto". O que está em jogo aqui não é um detalhe burocrático, mas a capacidade de organização dos trabalhadores para defender seus direitos.

Não se enganem: quando a grande mídia bate nos sindicatos, ela está defendendo os interesses dos patrões. E a única resposta possível para isso é fortalecer a mobilização, reafirmar a importância do custeio sindical e garantir que os sindicatos continuem existindo para lutar pelos trabalhadores.

Porque sem sindicato forte, quem realmente perde é o trabalhador.

Saudações sindicais!

NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES - NCST
Moacyr Roberto Tesch Auersvald

FÓRUM SINDICAL DOS TRABALHADORES – FST
Luiz de Souza Arraes

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM ESTABELECIMENTOS DE EDUCAÇÃO E CULTURA – CNTEEC
Tarcísio Brandão Melo

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA - CNTI
José Reginaldo Inácio

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO E AFINS - CNTA
Artur Bueno de Camargo

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM TRANSPORTES TERRESTRES - CNTTT
Valdir de Souza Pestana

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM TURISMO E HOSPITALIDADE - CONTRATUH
Wilson Pereira

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NO COMÉRCIO - CNTC
Luiz Carlos Motta

 

FONTE: Página da CNTI

 

https://cnti.org.br/html/noticias/2025/AVerdadeSobreOFinanciamentoSindical.htm

quarta-feira, 19 de março de 2025

Centrais vão às ruas contra juros altos nesta terça

 


 



Nesta terça-feira (18), as Centrais Sindicais – Nova Central, Força Sindical, CUT, CTB, UGT, CSB, Intersindical e Pública – realizaram ato contra juros altos em frente à sede do Banco Central, na Avenida Paulista, em São Paulo. 

 


O presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Moacyr Auersvald, acredita no apoio da mobilização social para conter os juros: “Estamos nas ruas buscando o apoio da sociedade, especialmente da classe trabalhadora, que é a mais afetada por essa situação. Os membros do Copom precisam rever as taxas de juros”.
 

O presidente da Nova Central agradeceu ao presidente da NCST/SP Luiz Gonçalves (Luizinho) por todo empenho. "Gostaria de agradecer ao Luizinho e aos membros da NCST/SP pelo empenho, dedicação e força na mobilização contra os juros altos. O esforço coletivo de cada um de vocês tem sido essencial para dar visibilidade a essa causa e pressionar por mudanças necessárias para o bem-estar de todos os trabalhadores e cidadãos", enfatizou Moacyr. 

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central,  se reúne hoje e amanhã (18 e 19 de março) para discutir a possibilidade de reduzir a taxa de juros, atualmente em 13,25% .
 
FONTE : SITE da NCST - https://www.ncst.org.br/subpage.php?id=26377_18-03-2025_centrais-v-o-s-ruas-contra-juros-altos-nesta-ter-a

terça-feira, 18 de março de 2025

CNTI lança Cartilha sobre Lei 14.611/2023 da Igualdade Salarial durante 6°

Encontro de Mulheres Trabalhadoras Industriárias/SP

 


Na manhã do dia 14 de março, sexta-feira, no auditório da Sede do SINTRAPEL-SP, ocorreu o 6° Encontro de Mulheres Trabalhadoras nas Indústrias do Estado de São Paulo.


O evento organizado pela CNTI, foi coordenado pelo Secretário Regional da Região Sudeste, Sr Eduardo Neves, e pela Secretaria para Assuntos do Trabalho da Mulher Juventude e do Idoso, Sônia Zerino. A mesa de abertura esteve composta pelo Secretário de Educação CNTI, companheiro Chicão, também Presidente do Sindicato dos Eletricitários São Paulo, Diretor do conselho fiscal da CNTI, José Francisco, Sra Luci Secretária Adjunta da Mulher da CNTI, o Presidente da NCST-SP, companheiro Luizinho, Sra Elizabete, Presidente do SINTHORESP, Sra Francisca, representante da CTB, Cátia Laurindo, Secretária Nacional de Igualdade Racial da NCST, Edna Andrade, Secretária de Mulheres do SMTTRUSP, companheiro Nailton, Diretor de Comunicação da NCST, Dr William Assessor do Deputado Estadual Márcio Nakashima-SP e o Sr Fernando, Diretor do SINDTRAPEL-SP.

 


Na cerimônia de abertura foi justificada a ausência do Presidente da CNTI, Dr José Reginaldo e enaltecido seu apoio para realização do encontro. A secretária da Mulher, Sônia Zerino e o Secretário Regional/SP, Eduardo, juntamente com demais diretores da CNTI presentes fizeram o lançamento da Cartilha da CNTI sobre a Lei da Igualdade Salarial, com o objetivo de reforçar a importância de conscientizar para garantir o cumprimento desse direito.

 


Após o lançamento, seguiu-se com a programação que contou com palestras inspiradoras sobre a Importância da Lei da Política Nacional do Cuidado, Lei da Igualdade Salarial e informes sobre a 5ª Conferência Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres. Seguida pela palestra sobre Feminicídio Zero: Nenhuma Violência Contra a Mulher Deve ser Tolerada, ministrada pela Dra. Simone Souza, Coordenadora Nacional de Prevenção à Violência contra as Mulheres do Ministério da Mulher.

 


Encerrando com a Psicóloga, Dra. Jamile Nascimento, falou sobre Saúde Mental "Autoestima e Autocuidado, nossos valores e Como lidar com nossos Fragmentos Emocionais. Ao final foi feito avaliações entrega de certificados e sorteio de brindes e reafirmamos nosso compromisso com a luta por diretos, respeito e um país mais justo e igualitário.

 

 

 

    

 

FONTE: Site    CNTI -  https://cnti.org.br/html/Smulher/2025/6EncontroMulheresIndustriariasSP.htm 

segunda-feira, 17 de março de 2025

Renda dos pobres supera inflação

Pobres ganham acima da inflação

OU

Renda dos pobres supera inflação

Ainda que a inflação dos alimentos esteja alta, em 7,7%, os ganhos salariais das camadas mais pobres da população superam com folga a subida no preço dos alimentos. Renda dos trabalhadores nessa faixa aumentou 10,7% em 2024, enquanto alimentos subiram 7,7%.

As categorias profissionais, no geral, têm obtido aumentos acima do INPC, quando das negociações coletivas nas datas-bases. Muitas categorias também se beneficiam dos ganhos resultantes dos acordos de PLR – Participação no Lucros e/ou Resultados – acordos por empresa ou segmento empresarial.

Recentemente, o presidente da UGT, Ricardo Patah, gravou vídeo no qual avalia como muito boa a atual administração de Lula, a terceira pelo voto popular.

Esses ganhos foram reafirmados neste domingo em manchete no jornal Folha de S. Paulo. Os dados são do IBGE, que também informa crescimento de 6,7% na renda dos mais ricos – ou seja, superior à inflação. A Folha também noticia retorno do aumento na produtividade, que cresceu 0,7%.

MAIS – https://www.folha.uol.com.br

FONTE: Agência Sindical

Caixa vai baixar pela metade juros do empréstimo consignado para CLT, diz presidente

Expectativa de presidente é que base de clientes cresça com a nova modalidade de empréstimo


A concorrência pelo crédito consignado para trabalhadores do setor privado será acirrada, se depender do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira. O banco pretende baixar pela metade os juros cobrados em empréstimos, para 2 a 3% (contra os 6 a 8% geralmente praticados), segundo afirmou o presidente do banco em entrevista ao jornal O Globo.


A expectativa de Vieira é que a base de clientes cresça de quatro a cinco vezes em um ano. “A Caixa quer ser um dos maiores protagonistas desse mercado, que hoje não é muito grande para o banco”, disse. Hoje, a Caixa possui cerca de R$ 1,3 trilhão em crédito e, segundo o presidente, detém outras linhas que ganham musculatura. Uma delas seria, por exemplo, o microcrédito que conta com R$ 2,5 bilhões para atender até 210 mil brasileiros.


Na linha principal do banco, o crédito imobiliário, mesmo com aumento da taxa de juros, a demanda continuou firme. Por isso, algumas medidas foram tomadas para garantir a concessão de crédito, segundo o presidente. No curto prazo, Vieira entende que as medidas foram suficientes e que podem ser complementadas por novas iniciativas no fim do ano.


O presidente citou, também, a retirada de recursos por 10 milhões de trabalhadores com a autorização para credito do saque-aniversário do FGTS. Foram creditados R$ 4,5 bilhões dos R$ 4,6 destinados.

 

Fonte: InfoMoney - Do Blog de Notícias da CNTI 


https://cnti.org.br

sexta-feira, 14 de março de 2025

Auxílios-doença por ansiedade têm maior patamar em dez anos no INSS

 

Os auxílios-doença por ansiedade dispararam e atingiram o maior número de concessões em dez anos, ocupando o primeiro lugar no ranking do Ministério da Previdência Social pelo quarto ano seguido. Os afastamentos por depressão aparecem na sequência.

Em relação ao ano passado, os casos ligados a ansiedade aumentaram em 76%, ante 69% dos atribuídos à depressão. O volume total de auxílios concedidos pelo INSS teve uma alta de quase 40%.

O ministério elaborou um ranking dos dez transtornos mentais e comportamentais que mais geraram a concessão de benefícios por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), de 2014 a 2024, em todo o Brasil.

RANKING DOS TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTAIS QUE MAIS GERARAM A CONCESSÃO DE AUXÍLIOS-DOENÇA EM 2024

Outros transtornos ansiosos (141.414)

Episódios depressivos (113.604)

Transtorno depressivo recorrente (52.627)

Transtorno afetivo bipolar (51.314)

Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas (21.498)

Reações ao estresse grave e transtornos de adaptação (20.873)

Esquizofrenia (14.778)

Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de álcool (11.470)

Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso da cocaína (6.873)

Transtornos específicos da personalidade (5.982)

O número total de auxílios deste ranking é de quase meio milhão, o que representa um aumento de cerca de 67% em relação ao ano passado. Também é o maior número de licenças médicas concedidas dos últimos dez anos.


O QUE EXPLICA ESSE CENÁRIO?

Para a advogada trabalhista Priscila Arraes, o aumento da concessão de benefícios é causado pelo adoecimento mental. “As pessoas passaram a pandemia no modo sobrevivência, esperando que voltaríamos à normalidade, mas não voltamos. Hoje temos o home office, por exemplo, e o luto por parentes perdidos.”

A especialista também cita a precarização do trabalho, que afirma ser progressiva desde 2017. “Há um risco iminente de perder o emprego. Amanhã o empregador pode mandar o funcionário embora e contratar um autônomo para reduzir custos. É a diminuição de funcionários, mas não do trabalho. Uma equipe pequena faz as mesmas coisas que a equipe grande fazia.”

O home office foi outro fator apontado pela especialista como motivador do adoecimento. “Muitas vezes o trabalho ultrapassa o limite do descanso, envia-se mensagens a qualquer hora. O ambiente empresarial também invade a casa, que antes era espaço da família. E há uma falta de proteção social, do ver e ser visto pelos colegas.”

Neste ano, também houve um aumento de auxílios-doença no geral, incluindo transtornos físicos. Priscila diz que é possível atribuir isso ao fato de que, na época da pandemia, as pessoas fizeram menos cirurgias eletivas e exames de rotina, prejudicando a saúde geral.

 QUAIS MEDIDAS FORAM TOMADAS?

A advogada previdenciária Adriane Bramante também acredita que o número de afastamentos por saúde mental pode ser explicado por uma maior exigência do mercado de trabalho. “O cumprimento de metas excessivas causa cada vez mais transtornos, e isso se agravou, principalmente, após a pandemia”, afirma.

As tecnologias também têm contribuído. “As pessoas querem tudo para ontem. Se você recebe um WhatsApp, precisa responder na hora. É um imediatismo muito grande.”

“Por isso também foi publicada a NR-1, que trata de aspectos psicossociais e traz protocolos para evitar esses transtornos”, diz. Adriana se refere à Norma Regulamentadora Número 1, feita pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) em agosto do ano passado.

O documento, que estabelece as condições de segurança e saúde no ambiente de trabalho, foi atualizado para determinar a responsabilidade dos empregadores em promover um ambiente favorável ao bem-estar psicológico. As empresas devem implementar um planejamento para controle dos riscos ocupacionais relacionados à saúde mental, que fica à disposição para a fiscalização do MTE.

No final do ano passado, em entrevista à Folha, Alessandro Stefanutto, presidente do INSS, falou sobre a continuidade do Atestmed, sistema que permite pedir auxílio sem precisar passar por perícia médica.


QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS DOS AFASTAMENTOS?

Segundo Adriane Bramante, os custos para as empresas são calculados por meio de alíquotas aplicadas sobre o valor da folha de pagamento. Existem alíquotas de 1%, 2% ou 3%, conforme o risco de acidente do trabalho e de acordo com a atividade da empresa.

“Essas alíquotas podem aumentar em até 100% se a empresa tem muitas ocorrências acidentes de trabalho, e reduzir em até 50% se não tiver”, diz Adriane. “É um incentivo para que os empregadores invistam em segurança do trabalho e evitem os acidentes, que refletem tanto na Previdência quanto na questão trabalhista.”


COMO PEDIR O AUXÍLIO-DOENÇA?

O pedido deve ser feito pelo Meu INSS ou pela Central Telefônica 135:

Entre no Meu INSS;

Clique em “Pedir Benefício por Incapacidade”;

Selecione o tipo de perícia e siga as orientações que aparecem na tela;

Informe os dados necessários para concluir seu pedido.

É necessário comprovar a incapacidade para o trabalho por meio de atestado médico e documentos complementares.

O atestado e os documentos complementares sobre a doença serão submetidos à perícia médica, que fará a análise documental e irá estabelecer tempo de duração do benefício. Caso necessário, com outro atestado, o segurado pode solicitar a prorrogação do benefício, desde que a soma deles não ultrapasse 180 dias, segundo informou o INSS.

Fonte: Folha de S.Paulo via Contec - Extraído do site da UGT (União Geral dos Trabalhadores)


https://www.ugt.org.br/Noticias/77591-Auxilios-doenca-por-ansiedade-tem-maior-patamar-em-dez-anos-no-INSS

Programa Crédito do Trabalhador é celebrado pelas Centrais

A Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) participou, nesta quarta-feira (12/3), do lançamento oficial do programa Crédito do Trabalhador, que estabelece a modalidade de crédito consignado para trabalhadores formais do setor privado, no regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O crédito estará disponível a partir de 21 de março.


Representantes das centrais sindicais definiram a iniciativa como um sonho para a classe trabalhadora e se dispuseram a organizar uma campanha sobre educação financeira.


De forma fácil, os trabalhadores terão acesso às opções de crédito pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. Lá poderão consultar a margem salarial disponível para consignação e os bancos privados. Após a aprovação, as ofertas de crédito estarão disponíveis em até 24 horas.


O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) também poderá ser usado como garantia e as parcelas serão descontadas no salário do funcionário. Os bancos terão acesso às informações dos trabalhadores pelo eSocial.


Para o presidente Lula, o programa reduz desigualdades sociais ao conceder crédito, com juros mais baixos, a empregados rurais, domésticos e empregados de MEI (microempreendedor individual).


Lula mencionou a importância do trabalho sindical: “É importante lembrar todo mundo que, antes do dia 21, os dirigentes sindicais, que estão aqui, têm que pegar um carro de som e ir para a porta da fábrica dizer para os trabalhadores que agora eles podem ter crédito barato para que ele possa sair do endividamento que ele se meteu. Sair da mão do agiota, sair da mão de banco que cobra 10%, 12%, sair e procurar o crédito mais barato que ele puder encontrar. E aí a gente tem, para estar aqui na porta das lojas, dizer para as meninas que trabalham lá: companheira, você não precisa mais pagar 10% de juros. Procura um banco que lhe ofereça um taxa menor, sem ter que escolher entre os bancos privados, públicos. Aquele que cobrar menor, vá lá e faça a sua mudança de crédito, pegue seu empréstimo”.


Segundo o Ministério do Trabalho, o país tem atualmente 47 milhões de trabalhadores formais, o que inclui 2,2 milhões de trabalhadores domésticos, 4 milhões de trabalhadores rurais e empregados do MEI, até então excluídos dos empréstimos consignados.


COMO VAI FUNCIONAR?

 

Por meio do app da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital), o trabalhador tem a opção de requerer a proposta de crédito. Para isso, seguindo as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), autoriza as instituições financeiras habilitadas pelo Ministério do Trabalho a acessar dados como nome, CPF, margem do salário disponível para consignação e tempo de empresa.


QUANTO TEMPO PARA RECEBER AS OFERTAS?

 

A partir da autorização de uso dos dados, o trabalhador recebe as ofertas em até 24h, analisa a melhor opção e faz a contratação no canal eletrônico do banco.


COMO SERÁ FEITO O DESCONTO DAS PARCELAS?

 

As parcelas do empréstimo serão descontadas na folha do trabalhador mensalmente, por meio do eSocial, observada a margem consignável de 35% do salário. Após a contratação, o trabalhador acompanha mês a mês as atualizações do pagamento. A partir de 25 de abril, o trabalhador também poderá fazer contratações pelos canais eletrônicos dos bancos.


QUEM TEM DIREITO?

 

O trabalhador com carteira assinada, inclusive rurais e domésticos, além de MEIs.


QUANDO O CRÉDITO DO TRABALHADOR ESTARÁ DISPONÍVEL?

 

A partir de 21 de março de 2025.


SE EU JÁ TIVER UM CONSIGNADO, POSSO MIGRAR?

 

Os trabalhadores que já tem empréstimos com desconto em folha podem migrar o contrato existente para o novo modelo a partir de 25 de abril deste ano.


EM CASO DE DEMISSÃO, COMO FICAM AS PARCELAS DEVIDAS?

 

No caso de desligamento, o desconto será aplicado sobre as verbas rescisórias, observado o limite legal.


O QUE PODE SER DADO COMO GARANTIA DE PAGAMENTO DO EMPRÉSTIMO?

 

O trabalhador pode usar até 10% do saldo no FGTS para garantias e ainda 100% da multa rescisória em caso de demissão.


O PROCESSO É SÓ PELA CARTEIRA DIGITAL OU POSSO IR AOS BANCOS?

 

Inicialmente, somente na CTPS Digital. A partir de 25 de abril, o trabalhador poderá também iniciar contratações pelos canais eletrônicos dos bancos. Pela CTPS Digital, o trabalhador tem a possibilidade de receber propostas de todos os bancos interessados, o que permite comparação e a escolha mais vantajosa.


AS OPERAÇÕES SERÃO SÓ POR BANCOS HABILITADOS?

 

Sim. A estimativa é que mais de 80 instituições financeiras estejam habilitadas. O início da habilitação se dará a partir da publicação da Medida Provisória.


OS BANCOS TERÃO ACESSO A TODOS OS DADOS DO TRABALHADOR?

 

Apenas os dados necessários para que as instituições façam propostas de crédito: nome, CPF, margem do salário disponível para consignação e tempo de empresa.


SERÁ AUTOMÁTICA A MIGRAÇÃO DO CRÉDITO DIRETO AO CONSUMIDOR (CDC) PARA O CRÉDITO DO TRABALHADOR?

 

O trabalhador que tiver CDC deve procurar uma instituição financeira habilitada, caso queira fazer a migração para o Crédito Trabalhador.


DEPOIS DE REALIZAR O CRÉDITO DO TRABALHADOR, O TRABALHADOR PODE FAZER A PORTABILIDADE PARA UM BANCO COM TAXAS MELHORES?

 

Sim. A portabilidade estará disponível a partir de junho de 2025.


O CRÉDITO DO TRABALHADOR SUBSTITUI O SAQUE-ANIVERSÁRIO?

 

Não, o Saque-Aniversário continuará em vigor.


Com informações do Governo Federal

 

 Fonte: NCST - Do Blog de Notícias da CNTI


https://cnti.org.br/html/noticias.htm#Programa_Cr%C3%A9dito_do_Trabalhador_%C3%A9_celebrado_pelas_Centrais