Artigo dos presidentes das Centrais Sindicais*
O Dia do Trabalhador está diretamente ligado à luta
pela redução da jornada. A origem da data remete à
greve geral ocorrida em Chicago, EUA, em 1º de maio
de 1886, cuja principal reivindicação era reduzir o
tempo de trabalho — que chegava a 17 horas diárias.
A mobilização, que completa 140 anos, foi duramente
reprimida, transformando-se em símbolo de
resistência e luta.
Desde então, trabalhadores no Brasil e no mundo
obtiveram importantes conquistas. No Brasil, o
principal marco foi a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT), em 1943, que, entre outras
melhorias, estabeleceu a jornada de 8 horas diárias
e 48 horas semanais — um avanço significativo em um
contexto em que a jornada frequentemente
ultrapassava 14 horas por dia, com escalas que
invadiam sábados e até manhãs de domingo.
Outro momento decisivo foi a Constituição Federal de
1988, que, consolidando uma luta sindical construída
nas campanhas salariais de 1985, diminuiu a carga
horária semanal de 48 para 44 horas.
Diante desse histórico, surge a pergunta: por que,
em 2026, ainda empunhamos a bandeira da redução da
jornada — hoje também expressa na luta pelo fim da
escala 6x1?
Em 140 anos, importantes conquistas promoveram
regulamentação e atenuaram os abusos do início da
industrialização. No entanto, as condições de
trabalho também se transformaram e hoje permitem
maior equilíbrio na organização do tempo, da
produção e na distribuição dos ganhos. Avançar nesse
sentido é fundamental para construir uma sociedade
mais justa.
Além disso, a partir da década de 1980, com as
crises do capitalismo, houve uma desestruturação dos
setores produtivos, marcada pelo aumento do
desemprego, pela expansão da terceirização e pelo
crescimento da informalidade.
Esse cenário foi aprofundado com a reforma
trabalhista de 2017, que abriu brechas para a
precarização e para o aumento da jornada, ao
flexibilizar regras de contratação e normas
relacionadas ao tempo de alimentação, descanso e
deslocamento.
Para os trabalhadores na informalidade, a situação é
ainda pior. Muitos revivem os abusos do início da
industrialização, com jornadas que chegam àquelas 17
horas diárias do século XIX. Trata-se de um
contingente que permanece à margem das conquistas
acumuladas ao longo desses 140 anos de luta.
Diante desse quadro, a defesa da redução da jornada
não é apenas uma pauta histórica — é uma necessidade
contemporânea. E ela envolve mais do que o tempo de
trabalho: a carga horária excessiva provoca desgaste
físico, rebaixamento salarial, dificulta o acesso à
formação e agrava a saúde mental.
Assim, ao completar 140 anos, o 1º de Maio reafirma
seu sentido original: a luta pelo tempo de vida. Em
um mundo marcado por avanços tecnológicos, de um
lado, e novas formas de exploração, de outro,
resgatar essa luta é atualizar o significado
histórico da data, mantendo viva a busca por
dignidade, equilíbrio e justiça social para a classe
trabalhadora.
* Miguel Torres, presidente da Força Sindical;
Sérgio Nobre, presidente da CUT; Ricardo Patah,
presidente da UGT; Adilson Araújo, presidente da
CTB; Antonio Neto, presidente da CSB; Sônia Zerino,
presidente da NCST.
Fonte: NCST - Do Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br
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