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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Sem investimento em ciência e industrialização, Brasil seguirá estagnado

 

Cientistas apontam que o Brasil “está ficando para trás”, com investimentos em pesquisa e desenvolvimento de apenas 1% do PIB

Arquivo/EBC
indústria
 
"Estamos em um país que tem um déficit de R$ 20 bilhões em propriedade intelectual e que não quer gastar R$ 4 bilhões para a Ciência"

São Paulo – “O Brasil seguirá como um país estagnado se não investir em pesquisa e desenvolvimento.” A sentença é resultado do debate “Contagem Regressiva para o Bicentenário: Rumos à Independência“. O evento foi realizado nesta semana, a partir de iniciativa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Especialistas apresentaram um cenário desolador para o país, em que os próximos governantes precisarão reconstruir uma política industrial e de pesquisa, sob pena de afundar o Brasil ainda mais no subdesenvolvimento.

O professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Fernando Sarti, o físico da Unicamp Marcelo Knobel e o membro da comissão regional da SBPC de São Paulo Sávio Cavalcante discutiram o tema. A partir da exposição de dados, os especialistas argumentaram que “não há um processo de desindustrialização no mundo, ao contrário. O que mudou foi a forma de produzir, consumir e informar globalmente, e isso tem impacto direto em Pesquisa e Desenvolvimento. E o Brasil está ficando para trás.”

Sarti apontou que “a China tem a liderança absoluta como maior produtor global, tendo 4,4 bilhões de dólares em Valor Agregado Industrial em 2021. Atrás dela estão os Estados Unidos, o Japão e a Alemanha. Mas se somarmos os valores dos três, eles não chegam no nível da China. E essas regiões representam mais de 80% de toda a produção de bens de média e alta intensidade tecnológica”. Enquanto isso, o Brasil ocupa a 15ª posição neste ranking. Já no campo da Competitividade Industrial (CIP), o Brasil caiu, em 30 anos, do 26º lugar para o 42º lugar.

Investir em conhecimento

A estagnação tem relação com a drástica redução recente do investimento do setor, argumenta o cientista. “Enquanto todas as demais economias de média renda atuam de forma absolutamente exponencial neste setor, os investimentos do Brasil seguem estagnados em 1% do PIB (…) Com o passar dos anos, houve uma complexidade maior do ponto de vista tecnológico na estrutura de produção e de exportação. Só que aqui no Brasil a gente vê um movimento inverso, nós temos um downgrade“, aponta.

“Estamos em um país que tem um déficit de R$ 20 bilhões em propriedade intelectual e que não quer gastar R$ 4 bilhões para a Ciência. Nós precisamos de um esquema de Ciência, Tecnologia e Inovação dinâmico e robusto, porque não se pode pensar em investimentos para a CT&I sem continuidade, que é o que o País está fazendo hoje”, prosseguiu Sarti.

Knobel, por sua vez, completou a exposição do professor: “Nós precisamos ter produtos com base tecnológica e investir em conhecimento, senão o país vai ficar para trás, não tem escapatória. O mundo segue avançando e nós estamos nos movendo para perdermos a soberania nacional”.

Por Redação RBA  

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

 https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2022/09/ciencia-industrializacao-investimento/

 

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Com queda na linha branca e em automóveis, produção industrial cai em 2022 e segue abaixo do nível pré-pandemia

 

Produção cai 2% no ano e 3% em 12 meses. Segundo o IBGE, está 17% abaixo do recorde, registrado em 2011


 
Indústria
Produção da chamada linha branca cai 20% em 2022

São Paulo – A produção industrial brasileira subiu 0,6% de junho para julho, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (2). Na comparação com igual mês de 2021, no entanto, a atividade cai 0,5%. Assim, os resultados também são negativos no acumulado do ano (-2%) e em 12 meses (-3%).

No mês, o instituto apurou alta em duas das quatro categorias econômicas e em 10 dos 26 ramos pesquisados. “Com esses resultados, o setor industrial ainda se encontra 0,8% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 17,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011”, diz o IBGE.

Alimentos e máquinas

Entre as principais influências positivas de julho na produção industrial, estão produtos alimentícios (4,3%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2%) e indústrias extrativas (2,1%). Do lado das quedas, a produção de máquinas e equipamentos (-10,4%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-5,7%).

Em relaçao a julho do ano passado, que teve um dia útil a mais, a produção cai em duas das quatro categorias, 16 dos 26 ramos, 47 dos 79 grupos e 56% dos 805 produtos. O segmento de máquinas e equipamentos também teve retração (-9,3%), assim como indústrias extrativas (-3,8%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-13%) e produtos de metal (-9,2%). Por outro lado, cresceu a produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (8,6%) e produtos alimentícios (4,3%), além da atividade que inclui veículos automotores (2%).

Menor dinamismo

No acumulado de 2022, o setor industrial tem queda em quatro das quatro grandes categorias econômicas, 19 dos 26 ramos, 57 dos 79 grupos e 62,5% dos 805 produtos. O IBGE aponta, como principais influências negativas, produtos de metal (-11,7%), indústrias extrativas (-3,3%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,3%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-13,3%), produtos de borracha e de material plástico (-8,7%) e metalurgia (-5,0%). Coque/petróleo sobe 10%, além de bebidas (4,2%), produtos alimentícios (0,9%) e celulose/papel (2,2%).

Leia também: PIB do segundo trimestre indica ciclo de fraca atividade econômica no Brasil

Dessa forma, o instituto apurou “menor dinamismo” para bens de consumo duráveis. Resultado de redução na produção de eletrodomésticos da chamada linha branca, que acumula 20% de retração no ano. A linha marrom recua 13% e o setor de automóveis, 4,1%.

 

 Por Redação RBA

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

 

https://www.redebrasilatual.com.br/economia/2022/09/queda-linha-branca-automoveis-industria-abaixo-pre-pandemia/

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Trabalho sem carteira cresce duas vezes mais que o formal e bate recorde. Desemprego recua. Renda também cai

 

Se por um lado a ocupação é recorde, o número de trabalhadores sem carteira assinada é o maior da série histórica


Emprego
 
Brasil tem agora 98,7 milhões de ocupados e 9,9 milhões de desempregados, segundo as estimativas do IBGE

São Paulo – A taxa de desemprego mantém tendência de queda, atingindo 9,1% no trimestre encerrado em julho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (31) pelo IBGE. A menor taxa nesse período é de 2014 (7%). De acordo com o instituto, o número de desempregados foi estimado em 9,882 milhões. Queda de 12,9% no trimestre e de 31,4% em 12 meses.

Apesar dos dados positivos, a redução se dá, em boa medida, pela informalidade, que se mantém na casa dos 40%. Agora, corresponde a 39,8% dos ocupados, ante 40,1% no trimestre anterior e 40,2% há um ano. São 39,3 milhões.

Com e sem carteira

Assim, na comparação com igual período de 2021, o emprego com carteira assinada no setor privado (35,801 milhões de pessoas) cresce 10%. Já o emprego sem carteira (13,075 milhões, o maior número da série histórica) aumenta duas vezes mais: 19,8%. E o trabalho por conta própria (25,873 milhões) sobe 3,5%. Por sua vez, o número de trabalhadores domésticos (5,832 milhões, na maioria empregos sem carteira assinada) cresce 14,1%.

Com isso, mostra o IBGE, o número de ocupados foi a 98,666 milhões, recorde da série histórica, iniciada em 2012. São 2,2% a mais no trimestre e 8,8% em 12 meses. Entre os 8 milhões de ocupados a mais em relação a 2021, o número de sem carteira supera o com carteira, somados todos os segmentos.

Subutilização e desalento

Os chamados subutilizados, pessoas que gostariam de trabalhar mais, agora são 24,307 milhões, queda de 6,9% no trimestre e de 24% em um ano. A taxa de subutilização é de 20,9%, a menor desde 2016. Já os desalentados somam 4,229 milhões, quedas de 5% e 19,8%, respectivamente.

Leia também: Desemprego segue maior entre mulheres, negros e jovens, e 30% procuram emprego há mais de dois anos

Entre os setores, também na comparação anual, o emprego no comércio/reparação de veículos cresce 13,2% (mais 2,238 milhões) e os serviços de alojamento e alimentação, 19,7% (894 mil). A indústria tem alta de 8,2% (966 mil) e a construção, de 7,4% (516 mil). Agricultura/pecuária cai 1,8% (menos 162 mil pessoas).

Estimado em R$ 2.693, o rendimento médio cresce 2,9% no trimestre, mas cai na mesma proporção em relação a 2021. Também em comparação com o ano passado, a renda dos empregados com carteira cai 3,1% no setor privado e 11,6% no público.

 Por Redação RBA 

FONTE: Rede Brasil atual

https://www.redebrasilatual.com.br/economia/2022/08/trabalho-sem-carteira-cresce-duas-vezes-mais-recorde-desemprego-recua/

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Pochmann: em produção industrial e relações de trabalho, Brasil precisa entrar no século 21

Há países que produzem, comercializam e exportam bens e serviços digitais. Outros, como o Brasil, não conseguem produzir e se tornam importadores

Governo do Espírito Santo/Agência Brasil
industria-automação

São Paulo – Os novos parâmetros da digitalização e do trabalho cada vez mais conectado à internet e ao uso de aplicativos exigem a regulamentação de muitas atividades. Sem isso, serão aprofundados ainda mais os efeitos da desregulamentação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) pela reforma trabalhista dos últimos anos, que aumentou a precariedade.

Para o economista Marcio Pochmann, presidente do Instituo Lula, há muito o que fazer sobre o tema. Com inúmeras funções cada vez mais digitalizadas, o trabalhador de certa maneira fica “plugado” no trabalho durante mais tempo do que deveria. Em muitos casos não há a jornada de seis, sete ou oito horas. “Estudos mostram que o trabalho das pessoas tem uma jornada muito extensa. A desigualdade se aprofunda pela má repartição dos ganhos do trabalho”, diz Pochmann.

Nesse sentido, segundo ele, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem destacado que é preciso construir novos parâmetros das relações de trabalho com diálogo em discussões tripartites, reunindo trabalhadores, empregadores e Estado.

Lula com empresários da construção: ‘Setor será um motor do crescimento’

Pochmann nota que há uma divisão do trabalho digital no mundo atual, e é importante partir dessa perspectiva: há países que produzem, comercializam e exportam bens e serviços digitais. Outros, como o Brasil, não têm tecnologia suficiente para produzir isso e se tornam importadores.

Além disso, com a automação, o país precisa gerar empregos qualificados, e não mais postos de trabalho muito simples, com baixa remuneração, que não dão perspectivas aos jovens recém-saídos das universidades.

Reindustrialização para o século 21

“O Brasil é o quarto maior mercado consumidor desses bens e serviços digitais. Isso precisaria ser enfrentado, mas somos dependentes da importação”, diz. Em sua opinião, o que está em questão é o que ele chama de “soberania digital” e a necessidade de se pensar na reindustrialização. “Não uma volta ao passado, mas conectada com as perspectivas do presente e futuro”, afirma o economista.

Igualmente, Giorgio Romano Schutte, professor de Relações Internacionais e Economia da Universidade Federal do ABC (UFABC), considera central a discussão sobre a reindustrialização do país, “mas não sob parâmetros antigos, e sim novos”.

“O mundo está investindo muito. A Europa está falando em política industrial depois de décadas de neoliberalismo, quando era ‘proibido’ falar em reindustrialização”, diz Giorgio.  “Os Estados Unidos estão colocando trilhões de dólares para chips e questões energéticas etc. A China também”, continua o professor da UFABC.

“Escassez” na regulação pública

Do  ponto de vista do trabalho, na opinião de Pochmann, o Brasil vive uma espécie de “escassez” na regulação pública que permitiria identificar o trabalho nesse novo mundo, “dar pertencimento” e oferecer condições para proteger os direitos. Diante da nova realidade virtual, é preciso definir situações concretas.

“Quantas horas e o que significa trabalhar em casa? Qual a remuneração?”, exemplifica o economista do Instituto Lula. Ele lembra que a entrada do 5G no país “abre enormes possibilidades” de trabalho e conexão. Mas o Brasil precisa entrar no século 21.

Com informações do Jornal PT Brasil

 

FONTE: AGÊNCIA SINDICAL 

 

https://www.redebrasilatual.com.br/economia/2022/08/pochmann-questoes-trabalhistas-producao-industrial-brasil-seculo-21/

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Conhecer os parlamentares para votar bem

  Murilo Pinheiro

Para além das promessas da propaganda eleitoral, vale a pena conferir como foi o desempenho dos parlamentares que buscam um novo mandato; ferramenta lançada pelo Diap ajuda a saber quem foi quem no Congresso.

A pouco mais de um mês das eleições de outubro, os cidadãos se veem com a missão de escolher aqueles vão governar e legislar a partir do próximo ano.

Como se sabe, essa é tarefa de enorme responsabilidade e não deve ser realizada com displicência ou leviandade, pois estão em jogo os rumos do País e do Estado e, em última instância, as decisões que regerão a vida de cada um de nós.

Embora nessa disputa os cargos executivos sempre mereçam mais destaque, é fundamental a seleção consciente e informada de deputados e senadores, pois o papel do Legislativo é absolutamente relevante; a maioria das questões mais importantes, com impacto direto sobre a população, depende do voto do Parlamento.

Muita atenção aos vão representar o povo

Assim, há que se dar muita atenção à escolha dos que vão representar o povo para que, em caso de vitória, atuem realmente com esse objetivo.

Tendo em vista o grande número de candidatos, certamente cada eleitor pode ter uma boa opção de voto, podendo descartar os que não apresentam condições de exercer um mandato adequadamente, carecem de seriedade e compromisso com o interesse público.

Para além da profusão de promessas e apresentação de currículos brilhantes nas propagandas eleitorais, uma boa pista a se seguir, no caso dos parlamentares que concorrem a uma nova cadeira, é verificar como foi sua atuação no decorrer do mandato que termina em 2022.

Considerando que 87% dos atuais deputados e 48% dos senadores buscam se reeleger, já se tem um significativo contingente cujo desempenho pode ser aferido.

E, graças a uma excelente iniciativa do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), isso pode ser feito de maneira simples, rápida e objetiva.

Quem foi Quem no Congresso Nacional

A instituição lançou a plataforma “Quem foi quem no Congresso Nacional”, que traz o levantamento de como votaram deputados e senadores nas questões de interesse do trabalhador, ou seja, da maioria do povo brasileiro, e naquelas consideradas mais relevantes para o conjunto da sociedade.

Nesse critério, entram, por exemplo, a Medida Provisória que flexibilizava regras, retirando direitos trabalhistas, e a que propunha a privatização da Eletrobras.

Além de permitir a pesquisa sobre a posição de cada parlamentar por matéria selecionada, a ferramenta também fornece estatísticas com o perfil geral dos deputados e senadores, classificando-os contra ou a favor dos interesses dos trabalhadores, e informa a base eleitoral de cada um.

Vale a pena conferir e checar o desempenho dos parlamentares, avaliando se merecem um novo mandato. Vamos exercer o nosso direito de voto de forma consciente e exercitar bem a nossa cidadania.

Clique aqui e leia mais artigos de Murilo Pinheiro.

Acesse – www.seesp.org.br

 

FONTE: AGÊNCIA SINDICAL 


https://www.agenciasindical.com.br/conhecer-os-parlamentares-para-votar-bem/

Desregulamentação do trabalho contribui com aumento de acidentes

Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias cobra mudanças na legislação para melhorar segurança e evitar lesões


A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) realizou na quinta-feira (25) audiência pública para debater a situação dos trabalhadores lesionados no Brasil. O evento reuniu especialistas e trabalhadores que sofreram lesões, que sugeriram mudanças na legislação para assegurar direitos aos empregados portadores de lesão.


Autor de requerimento para realização do debate, o presidente da CDHM, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), culpou a desregulação do mercado de trabalho nos últimos anos pelo aumento de acidentes e doenças ocupacionais.


“A precarização das relações de trabalho no último período agravou enormemente as lesões. Por isso é importante que a Câmara adote medidas na legislação que sejam protetivas do ambiente do trabalho”, afirmou o parlamentar.


Segundo levantamento do Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho, ligado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), de 2012 a 2021 foram registradas 23 mil mortes no mercado de trabalho formal no Brasil. Em 2021, ocorreram 578 mil acidentes e 2.487 mortes associadas ao trabalho – um aumento de 30% em relação a 2020.


“Os dados são escandalosos. É preciso romper com a precarização do trabalho, com a insegurança do trabalho”, frisou Orlando, reiterando a necessidade de o tema ser tratado em lei.


Uma das sugestões dos debatedores é para prever a estabilidade no emprego, até a aposentadoria, nos casos de lesão permanente adquirida no trabalho. A lei atual garante a manutenção do contrato de emprego, pelo prazo mínimo de 12 meses, após o fim do pagamento do auxílio-doença acidentário.


A ideia é proteger esses profissionais que, lesionados, muitas vezes são demitidos com a justificativa de impossibilidade de executar a função, após o período de estabilidade garantido em lei.


“Estamos cada vez mais expostos à exploração, ao assédio moral, às péssimas condições de trabalho, aos salários cada vez mais rebaixados e principalmente aos acidentes e doenças profissionais”, denunciou o presidente da Associação dos Trabalhadores Lesionados nas Indústrias Metalúrgicas do Vale do Paraíba (SP), Luís Fabiano Costa.


Ele observou que, nos últimos anos, foram revogadas diversas normas aplicadas ao setor que funcionavam como medidas de segurança para evitar acidentes e lesões.


Dificuldade de comprovação

 

Segundo os debatedores, um dos impasses para receber indenização é a dificuldade em comprovar o nexo causal entre a lesão e o trabalho, uma vez que estas também podem ser causadas por prática de esportes e em atividades domésticas.


Pelas regras atuais, a empresa é responsável, quer por ação ou omissão, pela lesão ou doença ocupacional gerada no ambiente de trabalho. Dessa forma, tem de arcar com os danos materiais, que são contabilizados, como as despesas médicas, entre outros; além dos danos morais, que não podem ser contabilizados, como é o caso do sofrimento da vítima.


Como solução, esses profissionais defendem que as regras sobre o tema sejam fixadas em lei, e não em acordos coletivos. Essa foi a demanda da trabalhadora lesionada Renata Rothje Ruiz, que adquiriu a lesão no trabalho e há sete anos pleiteia o direito de indenização na Justiça.


“Desde que me tornei lesionada, fui perseguida, maltratada e muitas vezes humilhada dentro da empresa”, relatou a profissional, que também disse ter sofrido de depressão.


Regras de análise

 

Os participantes do debate criticaram a medida provisória (MP 1113/22) que promoveu mudanças no modelo de análise de pedidos de benefícios pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Aprovada pelo Congresso, a MP ainda aguarda a sanção do Executivo.


A reclamação foi de que a medida deixa ainda mais vulnerável o trabalhador com doença profissional, ao obrigar segurados de auxílio-acidente a se submeter a perícia médica administrativa.


Nesse sentido foi a queixa do trabalhador lesionado Antônio Benedito Gonçalves. “A qualquer momento eu posso ser chamado para uma nova perícia que pode cortar meu benefício. Peço que olhem para nós não como simples peças de reposição”, declarou.

 

Fonte: Liderança do PCdoB com Agência Câmara - Do Blog de Noticias da CNTI

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

‘Reforma’ trabalhista foi contraditória ao propor negociação coletiva e enfraquecer sindicatos

Número de acordos diminuiu. E em vez de avançar, agora se caracterizam pela tentativa de manter direitos, afirma professor
Trabalho

São Paulo – Com quase cinco anos de vigência, a Lei 13.467, da “reforma” trabalhista, continua sendo questionada. Além de os prometidos empregos não aparecerem, outra crítica está no fato – contraditório – de a nova legislação propor fortalecimento da negociação coletiva e, ao mesmo tempo, enfraquecer os atores sociais responsáveis por essa negociação. No caso, os sindicatos.

É o que sustenta, por exemplo, o professor Francisco Gérson Marques de Lima, da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), e subprocurador-geral do Trabalho. “Urge esclarecer que a política de prevalência do negociado sobre o legislado e da desregulação do trabalho requer sindicatos fortes e incentivos à negociação”, afirma, em estudo sobre o tema. “É contraditório que o legislador anuncie a primazia da negociação, enquanto cause enfraquecimento dos sindicatos profissionais, provocando a ruptura do indispensável equilíbrio de forças entre o capital e o trabalho, entre os agentes da negociação coletiva”, acrescenta.

Queda nas negociações

Um sinal de que a negociação coletiva não prevaleceu foi a queda desse instrumento, pelo menos segundo dados do próprio governo. A diminuição começou justamente em 2017, o ano da reforma. “Aliás, em 2021, o Brasil chegou ao menor número de negociações coletivas desde 2010. Pior: sem qualquer indicativo ou expectativa de retomada”, destaca o professor, que também coordena o chamado Projeto Grupe (Grupo de Estudos em Direito do Trabalho). Convenções e acordos coletivos somaram 34.871 no ano passado, segundo o Sistema Mediador, do Ministério da Economia, em dados reunidos pelo Dieese. De 2011 a 2017, o total oscilou de 46 mil a 49 mil.

Também mudou o caráter da negociação, salienta o pesquisador. Até o que ele chama de “contrarreforma”, acordos e convenções costumavam ficar acima da CLT. Ou seja, com mais direitos assegurados. “Agora, sob à nova lei trabalhista, as negociações se dão para não perder direitos.”

Sem regras de transição

Ele observa ainda que a Lei 13.467 não estabeleceu regra de transição e provocou uma abrupta queda de receita nas entidades sindicais, ao eliminar a contribuição anual obrigatória. Assim essas entidades, lembra o estudo, recebem atualmente 1% do que recebiam em 2016, ano anterior à reforma. “Caso se tratassem de empresas, certamente os sindicatos teriam pedido falência, em face da insolvência, porque nem recuperação daria mais. E se fossem órgãos públicos, teriam parado de funcionar, provavelmente teriam sido incorporados por outro órgão da Administração”, compara.

Com isso, a “reforma” trabalhista também desequilibrou a balança das negociações. “Enquanto a representação sindical de trabalhadores recebeu, em 2020, R$ 42,9 milhões, a representação patronal recebeu, apenas do sistema “S” (tirante outras receitas), valor na casa dos R$ 15,9 bilhões. Ou seja, as entidades profissionais receberam 0,27% (vinte e sete centésimos por cento) do percebido pela representação patronal. (…) “Trata-se de uma diferença abissal, que agrava o desequilíbrio de forças entre o capital e o trabalho, entre as representações de empregados e de empregadores”, alerta o professor. Isso se reflete, inclusive, na composição do parlamento, com bancada empresarial muito superior à dos trabalhadores.

Para piorar, os sindicatos perderam sócios nos últimos anos, uma tendência que se acentuou após a “reforma” trabalhista. Em 2012, segundo o IBGE, a taxa de sindicalização era de 16,2%. Em 2019, estava em 11,2%. “Enfim, pelo que se percebe, o atual pensamento do legislador, do governo e da jurisprudência consolidada não tem contribuído para o aprimoramento das relações coletivas de trabalho nem para o fortalecimento dos sindicatos. Pelo contrário, tem colaborado para o declínio das principais taxas que medem o nível dessas relações e para acentuar o desequilíbrio entre o capital e o trabalho”, diz o professor em suas conclusões.

Confira aqui a íntegra do estudo.

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

 https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2022/08/reforma-trabalhista-contraditoria-negociacao-coletiva-enfraquecer-sindicatos/