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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Salários ainda perdem para inflação, mostra Dieese

Os salários perdem para inflação. Quem nos mostra isso é o Dieese, por meio do Boletim 23 – “De Olho nas Negociações”.

Acordos acompanhados até 10 de agosto indicam que 31,8% dos salários tiveram ganhos acima do INPC (Indice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses.

Em 20,8% dos casos, os reajustes foram iguais à inflação. Porém, 47,3% das negociações tiveram resultado abaixo do INPC.

A variação real média dos reajustes de julho ficou negativa em -1,10%. Mesmo com a deflação de 0,6% no mês, o reajuste necessário para zerar a inflação na data-base de agosto seria de 10,12%.

Considerando apenas os reajustes com ganhos acima do INPC, a variação real em julho foi de 0,39%, muito aquém da alta de preços.

Como isso impacta na vida das famílias?

Levando em conta todas as negociações neste ano, 20,7% dos reajustes negociados ficaram acima do INPC. Outros resultados: 35,4% tiveram valores iguais ao índice e 43,9% não repuseram as perdas inflacionárias.

Segundo Luis Ribeiro, técnico do Dieese e responsável pelo acompanhamento das negociações coletivas, a consequência imediata desse cenário é a diminuição da renda média e do poder aquisitivo dos trabalhadores devido à inflação elevada.

Por que os salários ainda perdem para inflação?

De acordo com Luis Ribeiro, além da inflação de dois dígitos “a informalidade e o alto índice de desemprego são os principais motivos para os salários de várias categorias não receberam ganhos reais”.

Para ele, o medo da demissão também tem um papel fundamental nessa equação: “os funcionários de carteira assinada não querem entrar em greve por medo de perder o emprego e isso faz com que as negociações salariais sejam prejudicas. E mesmo quando o trabalhador consegue um reajuste que acompanha o INPC acumulado dos 12 meses, a inflação alta logo corrói o seu poder de compra”, ressalta.

Sindicato forte consegue salário com ganho real

No acumulado do ano, até julho, reajustes iguais ou acima do INPC foram mais frequentes no comércio (69,6%). Na indústria, o percentual de resultados iguais ou acima da inflação ficou em 65% – um pouco inferior ao observado no comércio.

Nos serviços, 52,6% dos reajustes não conseguiram repor a inflação. Mas é no setor industrial que se nota o maior percentual de reajustes com aumentos reais: 26,9%.

“Categorias que têm um sindicato forte têm maior poder de negociação e conseguem reajustes com ganhos reais, isso explica porque indústria e comércio apresentam melhores índices”, conta Luis.

Para o acumulado entre agosto e dezembro, o técnico do Dieese prevê uma pequena melhora de cenário, mas sem perspectiva de estabilidade em longo prazo.

“Apesar de ainda não termos dados oficiais, a perspectiva é que até o final do ano a gente tenha um cenário um pouco melhor. Isso porque muitas categorias, com sindicatos fortes, começam à fechar acordos, o que gera uma pequena melhora nos indicadores. Mas não quer dizer que haverá uma retomada econômica do país, pois as medidas adotadas pelo governo federal visando à eleição também vão impactar nos salários em 2023”.

Veja aqui o Boletim De Olho nas Negociações.

 

FONTE:  Agência Sindical

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

FGTS corre perigo! – Josinaldo Barros

FGTS corre perigo! – O presidente Bolsonaro quer agravar a reforma trabalhista feita por Michel Temer. Ou seja, quer cortar direitos e precarizar até o talo as nossas condições de trabalho. Como assim?

Pois bem: os grandes jornais já anunciaram duas Medidas Provisórias nesse sentido. E por que o governo recuou? Por medo de perder as eleições, pois as medidas são muito impopulares.

O alvo principal é o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que existe desde 1965.

Quando o Fundo foi criado, era assim: a empresa contribuía com 8% sobre o salário e quando demitisse o empregado pagaria multa de 10% sobre o saldo depositado. Essa multa mudou e vou contar como.

Na Assembleia Constituinte, o movimento sindical pressionou e conseguiu aumentar a multa na demissão sem justa causa de 10% pra 40% do saldo do FGTS.

Mas Jair Bolsonaro quer reduzir a multa à metade, ou seja, 20% do saldo que o empregado tem no FGTS.

Exemplo. Digamos que você é dispensado e tem R$ 15 mil de Fundo. Com a multa atual, que está garantida na Constituição, você recebe R$ 6 mil. Com a mudança pretendida por Bolsonaro, você receberia apenas a metade disso, ou seja, R$ 3 mil.

Mas o homem quer danar ainda mais com o trabalhador. Quer que o recolhimento feito pela empresa caia de 8% pra 2%. Se você ganha R$ 3 mil, todo mês o empregador recolhe R$ 240,00. Se cair pra 2%, seu FGTS mensal vai ser de apenas R$ 60,00.

Essa redução (8% pra 2%) pode ser boa pro patrão, mas é uma facada no empregado. E a multa? Vamos supor que a empresa demita 10 empregados de uma vez, com salário médio de R$ 3 mil. O total da multa hoje é R$ 12 mil. Com a ideia de jerico do Bolsonaro, a multa cairia pra R$ 6 mil. Ou seja, ficaria mais barato o patrão demitir.

Mas isso é verdade? Pois dê uma busca no Google. Escreva “Bolsonaro quer mudar o Fundo de Garantia”. Ou “Bolsonaro quer reduzir a multa sobre o FGTS”. Você vai ver que Folha de S. Paulo, Valor Econômico e outros já deram essa notícia.

Veja bem: quando a gente alerta em porta de fábrica tem companheiro que duvida. Pior: pra alguns, o alerta é campanha a favor do candidato A ou B. Tenha a santa paciência! O Sindicato não se engaja em campanhas. O que pode ocorrer é nossos diretores apoiarem certos candidatos. Na democracia é assim mesmo: cada cidadão vota em quem achar melhor. E campanha faz parte do jogo eleitoral.

FIQUE DE OLHO – Pergunta pros mais velhos sobre o golpe que o PMDB deu no Plano Cruzado depois das eleições. Estava tudo com os preços congelados. Mas uma semana depois da eleição o presidente Sarney liberou geral. Político malandro é assim mesmo: joga a pedra, mas esconde a mão.

Não vamos deixar que joguem pedra no nosso Fundo de Garantia!

BANCADA – Por tudo isso, precisamos eleger uma bancada de deputados e senadores alinhada com os direitos trabalhistas e sociais.

Josinaldo José de Barros (Cabeça)

 
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.


Diretoria Metalúrgicos em Ação

Email – josinaldo@metalurgico.org.br
Site – www.metalurgico.org.br

Clique aqui e leia mais opiniões

 

FONTE: Agencia Sindical - https://www.agenciasindical.com.br

 

Falta de recolhimento do FGTS causa rescisão indireta, decide o TST


A ausência do recolhimento dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é uma falta grave do empregador e dá razão à rescisão indireta, ou seja, o rompimento do contrato com o pagamento, por parte da empresa, das verbas rescisórias devidas no caso de dispensa imotivada.


Esse entendimento foi adotado pela 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao reconhecer a rescisão indireta do contrato de um motorista da Kings Governança de Serviços, de São Paulo, decorrente da falta de recolhimento do FGTS durante nove meses.


Na reclamação trabalhista, o motorista alegou o cometimento de diversas faltas graves pela empresa, como o não recolhimento do FGTS, a não concessão de intervalo intrajornada e o não pagamento de vale-refeição. Ele pediu, assim, a rescisão indireta do contrato (equivalente à justa causa do empregador) a partir de 17/4/2019, último dia em que havia trabalhado, com o recebimento de todas as parcelas devidas.


A empresa, em sua defesa, alegou que o empregado foi demitido por justa causa, por abandono de emprego, em 16/5/2019. Essa alegação, porém, foi descartada pelo juízo de primeiro grau, que assinalou que sua caracterização exige a intenção do empregado de não mais retornar ao trabalho e a ausência injustificada e prolongada por mais de 30 dias.


Segundo a sentença, a reclamação trabalhista foi ajuizada em 22/4/2019 e a empresa foi notificada três dias depois. Além disso, documentos demonstram que o motorista enviou telegrama, recebido também em 25/4, informando que havia ajuizado a ação e que não compareceria à empresa até a decisão final, como facultado pelo parágrafo 3º do artigo 483 da CLT. Com isso, reconheceu a rescisão indireta, diante da comprovação da ausência dos depósitos do FGTS.


O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (Grande São Paulo e litoral paulista), porém, reformou a sentença. Segundo a decisão, a "justa causa do empregador" é caracterizada pelas atitudes da empresa que tornem a relação de emprego insustentável, e, para isso, é necessário que a comprovação dos atos ilícitos seja contundente, "demonstrando a atitude desonesta, amoral ou ofensiva" do empregador.


Para a corte regional, a inadimplência dos depósitos do FGTS, por si só, não justifica a rescisão indireta. "Trata-se de verba que se torna disponível ao empregado apenas no momento da rescisão contratual, e não tem o condão de tornar insuportável a relação de emprego", concluiu, ao excluir da condenação o pagamento do aviso prévio indenizado e da multa de 40% sobre o saldo do FGTS e a liberação das guias para levantamento do fundo, entre outros.


Essa decisão foi reformada pela 6ª Turma do TST. A relatora do recurso de revista do motorista, ministra Kátia Arruda, observou que, de acordo com a jurisprudência da corte, o descumprimento de obrigação essencial ao emprego, como não depositar o FGTS, justifica a rescisão indireta. Essa posição foi demonstrada em diversos precedentes citados em seu voto. A decisão foi unânime. Com informações da assessoria de imprensa do TST.

Clique aqui para ler o acórdão

RR 1000629-30.2019.5.02.0609

 

Fonte: Consultor Jurídico - Do Blog de Notícias da CNTI

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Contrarreforma trabalhista cria empregos na Espanha e pode ser exemplo para Brasil

 Candidatos à Presidência prometem revogar legislação trabalhista brasileira aprovada em 2017, no governo Temer

 
Brasil de Fato | Curitiba (PR) |

Reforma trabalhista no Brasil flexibilixou contratações e estagnou renda do trabalhador
Reforma trabalhista no Brasil flexibilixou contratações e estagnou renda do trabalhador - Reprodução

A Reforma Trabalhista aprovada em 2017, durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), virou alvo de críticas de candidatos à Presidência nesta eleição. Pelo menos cinco deles, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas de intenções de voto, já prometeram revogar ao menos alguns trechos da nova legislação por a considerarem maléfica ao trabalhador.

Sancionada para reduzir obrigações trabalhistas de empresários e, com isso, gerar 6 milhões de postos de trabalho, a reforma praticamente não baixou o nível do desemprego no país, que só neste ano voltou a afetar menos de 10% da população. Ainda estagnou o nível de renda do trabalhador, que segue em cerca de R$ 2.700 mensais após cinco anos, apesar de a inflação acumular alta de 30% nesse período.

:: Reforma vira tema eleitoral após reduzir salários e empregos ::

Parte dessa estagnação da renda tem a ver com a precarização das relações de trabalho resultante da reforma, que facilitou a terceirização, a contratação temporária e até intermitente de trabalhadores no Brasil. Tudo isso, justamente quando o país já vivia uma crise econômica, que se agravou com o início da pandemia do coronavírus.

Candidatos que querem rever a Reforma Trabalhista:

. Ciro Gomes (PDT)
. Léo Péricles (UP)
. Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
. Sofia Manzano (PCB)
. Vera Lúcia (PSTU)

Reformas na Espanha

Na Espanha, o cenário não era muito diferente entre 2008 e 2012, quando reformas trabalhistas entraram em vigor por lá. Em 2008, o país sofreu com crise relacionada à quebra do banco Lehman Brothers, dos Estados Unidos. Em 2011, passou a ser governado por um presidente de um partido conservador –Mariano Rajoy, do Partido Popular–, que via na flexibilização das relações de trabalho uma forma de gerar emprego.

Nesse contexto, a Espanha modificou sua legislação para facilitar a contratação temporária de trabalhadores e reduzir o peso das negociações coletivas, feitas por sindicatos, sobre salários e benefícios –medidas semelhantes àquelas adotadas no Brasil anos depois.

::Reforma trabalhista reduz arrecadação de sindicatos e prejudica trabalhador::

A criação de vagas na Espanha até cresceu nos anos pós-reforma, mas muitos postos de trabalho criados eram temporários, os quais tendem a deixar o trabalhador em instabilidade.

Rajoy deixou o governo em 2018. Em seu lugar, assumiu Pedro Sánchez, do Partido Operário Espanhol, alinhado à esquerda. Segundo o advogado José Eymard Loguercio, pesquisador e presidente do Instituto Lavoro, ele agiu para dificultar as demissões durante a pandemia. Quando ela arrefeceu, já tinha capital político para propor a revogação de boa parte das regras que passaram a valer anos antes.

A contrarreforma veio no final de 2021. Loguercio explicou que ela criou regras para restringir a contratação de trabalhadores por prazo determinado e devolveu às negociações coletivas a importância que elas tinham.

:: PT troca "revisão" por "revogação" da reforma trabalhista em proposta para campanha de Lula ::

Resultados positivos

As mudanças, de acordo com o Ministério do Trabalho e Economia Social da Espanha, são positivas até aqui. O número de trabalhadores desempregados caiu de cerca de 3,1 milhões, em janeiro, para 2,9 milhões em julho deste ano –menor número para o mês já registrado nos últimos 14 anos.

Em julho de 2021, os desempregados na Espanha eram cerca de 3,4 milhões. A redução de mais de 500 mil desempregados em um ano é a maior já registrada para julho.

No primeiro semestre deste ano, o número de novos contratos de trabalho firmados na Espanha chegou a 11,2 milhões –7% mais do que no mesmo período de 2021.

:: Revisão de reforma trabalhista é apoiada por 58% dos brasileiros ::

Mais importante ainda é que o número de contratos indefinidos, sem tempo determinado, cresceu ainda mais. Foram 3,9 mil vagas criadas de janeiro a julho –253% mais do que no mesmo período do ano anterior.

Só em julho, foram 685 mil vagas de trabalho sem prazo definido criadas. Elas foram 41% do total daquele mês. Antes da contrarreforma, era comum que as vagas temporárias representassem cerca de 90% do total de novos empregos criados.

“Há também uma questão do ciclo econômico, da saída de uma crise causada pela pandemia”, ressaltou Loguercio, do Instituto Lavoro. “Mas o importante é a quebra esse discurso de que você é precisa rebaixar as garantias trabalhistas para gerar emprego. A Espanha faz uma reorientação da legislação e consegue com isso promover e gerar emprego."

::Podcast: Em 2021 foram realizadas 721 greves::

Momento brasileiro

O sociólogo e técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Luis Ribeiro, disse que as notícias que chegam da Espanha são animadoras e destaca que elas vão além das são econômicas.

“A melhoria da renda e emprego geram desenvolvimento. Acredito nisso”, afirmou ele. “Mas há questões que não são apenas econômicas. Um país tem que definir alguns valores básicos de dignidade, de trabalho decente, de remuneração digna para o combate à desigualdade. A mudança na reforma trabalhista espanhola vai nesse sentido.”

::Opinião. Por uma nova lei trabalhista e a situação da classe trabalhadora::

Para Ribeiro, o Brasil está hoje num momento propício para debater esse tipo de valores básicos. Segundo ele, esta eleição tende a definir que tipo de trabalho o país pretende gerar: o menos protegido, proposto por Temer em 2017, ou o mais digno, o qual está sendo defendido por candidatos a presidente opositores do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Loguercio também crê que a Reforma Trabalhista terá de ser revista caso o país queria criar uma sociedade mais justa.

"Em algum momento ele terá que ser feito caso nós queiramos é diminuir a miséria e a desigualdade porque a reforma como ficou induz relações de trabalho precárias", afirmou ele.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

 

FONTE: BRASIL DE FATO

https://www.brasildefato.com.br/2022/08/24/contrarreforma-trabalhista-cria-empregos-na-espanha-e-pode-ser-exemplo-para-brasil

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Reforma Trabalhista: desmantelo, falência e precarização do trabalho

“A Reforma Trabalhista de 2017 e a jurisprudência vigorante não contribuíram para a liberdade sindical nem [tampouco] para a mudança de hábitos do sindicalismo brasileiro”, é a conclusão que chega o professor Francisco Gérson Marques de Lima1, por meio do estudo “Sindicatos em números: reflexões sobre a sindicalismo brasileiro após 2017”.


“Urge esclarecer que a política de prevalência do negociado sobre o legislado e da desregulação do trabalho requer sindicatos fortes e incentivos à negociação. É contraditório que o legislador anuncie a primazia da negociação, enquanto cause enfraquecimento dos sindicatos profissionais, provocando a ruptura do indispensável equilíbrio de forças entre o capital e o trabalho, entre os agentes da negociação coletiva”, aponta Gérson Marques.


É importante esclarecer e lembrar, que o MPT (Ministério Público do Trabalho), por meio de nota técnica, denunciou que a intensão do autor e da maioria do Congresso ao querer explicitar — o que estava implícito — o negociado sobre legislado, sob a proteção da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) era para retirar direitos e não os proteger ou amplia-los.


Trocando em miúdos: a legislação anterior à Reforma Trabalhista não impedia a negociação acima da lei; impedia abaixo. Agora, sob à nova lei trabalhista, as negociações se dão para não perder direitos.


As convenções coletivas anteriores à contrarreforma, em geral, ficavam acima da CLT. Os acordos coletivos, do mesmo modo, ficavam acima das convenções.


Sem regra de transição

 

No estudo, o professor lembra que “a Lei 13.467/17 não estabeleceu nenhuma regra de transição, levando os sindicatos a amargarem queda abrupta e profunda nas receitas, com reflexos no fechamento de entidades e na impossibilidade de desenvolverem parte de suas atividades.”


Ao pensarem a lei, no formato final que o Congresso restou oferecer ao texto original enviado ao Legislativo pelo então presidente Michel Temer (MDB), o legislador quis mesmo desmantelar as entidades sindicais, fali-las, a fim de que não pudessem interferir no desmonte de direitos que viria a seguir.


Os dados do estudo revelam que “as entidades sindicais profissionais recebem [hoje] 1% do que recebiam no ano [2016] anterior à vigência da Reforma Sindical. Este percentual é 0,27% do que o ‘Sistema S’ alimentou, em 2020, as entidades patronais, o que revela um desequilíbrio abissal entre o capital e o trabalho”, está nas considerações finais do estudo do professor.


Vale à pena debruçar-se sobre as “provocações” e “reflexões” dessa “pesquisa estatística e de observação”, como escreve o professor, para futuras alterações, necessárias, nessa contrarreforma trabalhista.


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1Doutor e pós-doutor em Direito, professor da Faculdade de Direito da UFC, subprocurador-geral do Trabalho, conselheiro do Conselho Superior do MPT, membro do Nupia (Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição na Procuradoria-Geral do Trabalho), coordenador do Projeto Grupe (Grupo de Estudos em Direito do Trabalho), membro fundador da ACDT (Academia Cearense de Direito do Trabalho) e membro da ACLJ (Academia Cearense de Letras Jurídicas).

 

Fonte: Diap _ Do Blog de Notícias da CNTI

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

16 Deputados somam mais de R$ 1 milhão em multas ambientais do Ibama

 

Gutemberg Reis (MDB-RJ) teve a multa mais alta e Barbudo (PL-MT) quer reduzir de R$ 50 milhões para R$ 5 mil o limite

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Multado pelo Ibama, o deputado Nelson Barbudo (PL-MT) apresentou projeto de lei visando reduzir o valor máximo das punições ambientais - Wesley Amaral/Câmara dos Deputados

Ao menos 16 deputados federais somam mais de R$ 1 milhão em multas ambientais do Ibama. Desmatamento, caça e pesca ilegais, bem como construção em área de preservação sem autorização prévia, estão entre as principais infrações cometidas pelos parlamentares multados. 

O levantamento considera tanto os parlamentares como suas  empresas e se baseia em dados do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais). As informações podem ser consultadas no Ruralômetro, ferramenta desenvolvida pela Repórter Brasil que, desde 2018, avalia a atuação dos deputados federais diante de votações e projetos de lei que impactam, positiva ou negativamente, o meio ambiente, os povos indígenas e os trabalhadores rurais.

Dos 16 políticos punidos pelo Ibama, 13 tiveram atuação legislativa desfavorável à agenda socioambiental, segundo o Ruralômetro. Isso significa que eles apresentaram projetos ou votaram medidas que são negativas para o meio ambiente e os povos do campo. O número de parlamentares infratores ambientais identificados pela plataforma na atual legislatura é três vezes maior do que no período anterior

(Infografia: Fernanda Segabinassi/Repórter Brasil)

As multas aplicadas aos eleitos em 2018 variam de R$ 600 a R$ 800 mil, como é o caso do deputado Gutemberg Reis (MDB-RJ). Sua empresa, a GR Caxias Construções e Empreendimentos Imobiliários, foi penalizada por iniciar a construção de um condomínio em Área de Preservação Ambiental (APA) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. 

Além da multa e embargo pelo Ibama, o Ministério Público Federal moveu ação em 2020 contra a prefeitura do município e o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), do Rio de Janeiro, por terem autorizado o desmate para o empreendimento, apesar de posicionamento contrário do Ibama e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade). A Justiça embargou a obra, que impactava a Reserva Biológica do Tinguá. Procurado, o deputado Gutemberg Reis disse que não comentaria o caso.

O aval para a obra foi concedido em 2005, quando o prefeito de Duque de Caxias era o irmão do deputado, Washington Reis (MDB). Ele foi condenado pelo caso no STF (Supremo Tribunal Federal), em 2016, a sete anos de reclusão por crime ambiental, mas ainda há recursos a serem julgados. A defesa alegou que normas ambientais do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) alteradas em 2010 — que permitiram obras a uma distância mínima de 3 km de unidades de conservação —  poderiam ser utilizadas retroativamente para beneficiar o réu, mas a segunda turma do Supremo rejeitou os argumentos no ano passado. Washington Reis concorre a vice na chapa do governador Cláudio Castro (PL-RJ), mas a candidatura é contestada pelo MPF em razão da condenação. A reportagem não conseguiu contato com o candidato.

Empresa do deputado Gutemberg Reis (MDB-RJ) foi multada em R$ 800 mil por construir condomínio em área de preservação em Duque de Caxias (RJ) (Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados)

Já a prefeitura de Duque de Caxias afirmou, por meio de nota, que “detém a competência para a concessão de licença para empreendimentos que tenham impacto ambiental local” e que a autorização dada à construtora cumpriu as exigências legais. O município também informou que o ICMBio manifestou “que não era responsável administrativamente pela área” e que “reconheceu a competência do Inea” sobre o caso. A respeito de o então prefeito ser irmão do deputado e proprietário da construtora, a prefeitura negou favorecimento ou conflito de interesse. 

O Inea afirmou, em nota, que os questionamentos foram respondidos à Justiça. Já o Ibama não se manifestou. O processo, que gira em torno de uma discussão jurídica sobre qual órgão público seria de fato o responsável por autorizar o desmate no local, ainda tramita na Justiça Federal do Rio de Janeiro (confira os posicionamentos na íntegra).

O imbróglio envolvendo o deputado fluminense é a penalidade ambiental mais alta do levantamento feito pela Repórter Brasil, mas não a única. Depois de Gutemberg está o deputado Luciano Bivar (União-PE), multado em R$ 100 mil em 2012 por construir em local de valor paisagístico ou ecológico sem autorização, em Jaboatão dos Guararapes (PE). Procurada, a assessoria de imprensa do parlamentar disse que buscaria mais informações sobre a infração, e, mesmo cobrada novamente, não respondeu. 

‘Preservacionista liberal’

Foi por desmatar 15 hectares de uma Área de Preservação Permanente (APP) em sua própria fazenda, em Alto Taquari (MT), que o deputado Nelson Barbudo (PL-MT) recebeu uma multa de R$ 25,5 mil em 2005. À Repórter Brasil, o deputado afirmou que a fazenda foi vendida em 2009. Ainda que não seja o valor mais alto entre os deputados multados, o parlamentar mato-grossense chegou a elaborar um projeto de lei para reduzir drasticamente o teto para multas ambientais, o que poderia beneficiá-lo. De acordo com o texto, o limite seria reduzido de R$ 50 milhões para R$ 5.000 para infratores primários, e o cálculo para as multas obedeceria critérios como área da propriedade e renda do proprietário. Atualmente, o cálculo é baseado não apenas na situação econômica, mas também na gravidade da infração e nos antecedentes do infrator. 

Eleito em 2018 como o deputado mais votado do Mato Grosso e puxado pela onda bolsonarista daquela eleição, o estreante na Câmara dos Deputados apresentou ao menos oito projetos de lei que, segundo especialistas consultados pela reportagem, são desfavoráveis ao meio ambiente.

Mais da metade desses projetos colocam em risco territórios indígenas e seus habitantes. É o caso de uma proposta de julho de 2020, que altera o Estatuto do Índio, permitindo o registro de imóveis em terras indígenas (TIs) ainda não homologadas. A medida, que não chegou a ser votada no plenário, buscava reforçar o que a Instrução Normativa número 9, publicada pela Funai em abril daquele ano, já havia autorizado. No texto, Nelson Barbudo justifica-se dizendo que o projeto traria mais segurança jurídica para o cumprimento da normativa. 

Outro caso é o do projeto para aproveitamento de recursos hídricos de sete hidrovias que passam por TIs entre as regiões Norte e Centro-Oeste. Em outro texto, Barbudo propõe permitir a exploração econômica desses territórios por meio de atividades rurais associadas com não indígenas. Outra proposta, ainda mais específica, autoriza a pesca esportiva em unidades de conservação e em TIs.

À Repórter Brasil, Barbudo afirmou que seu projeto visa a “arrecadação monetária” e beneficiaria essas comunidades. “As pessoas do mundo inteiro vão trazer dinheiro para fazer a pesca: dólar, euro… isso sim é proteger o meio ambiente, porque é ser contra a pesca predatória”, afirmou. “Estou sendo preservacionista.” 

Também é de autoria do deputado uma proposição que prevê que propriedades privadas existentes em áreas de conservação só deverão ser desapropriadas mediante prévia indenização em dinheiro. O texto ainda estabelece que, se o pagamento ao proprietário não for feito em até cinco anos, a norma que criou a unidade de conservação deixará de valer.  

Deputado com a pior avaliação no Ruralômetro 2022, Barbudo participa ativamente dos debates ambientais na Câmara. O parlamentar é membro da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, onde é suplente do deputado Covatti Filho (PP-R). Ali, sua atuação diante dos pareceres emitidos tem sido similar às propostas que apresenta. Rejeitou, por exemplo, um projeto de lei que prevê penas mais duras e multas maiores para infratores ambientais

À reportagem, Barbudo afirmou que se considera um defensor do meio ambiente. “Se você vier ao Mato Grosso eu vou te levar em fazendas que controlam muito mais [o desmatamento] do que o Ibama. A nossa cultura no Mato Grosso é de preservacionismo”, afirmou. “E eu sou preservacionista liberal”. De todos os projetos apresentados em que ele é o único autor, nenhum, até o momento, foi aprovado.

Sobre a multa recebida em 2005, Barbudo confirmou o valor, disse que o débito ainda não foi quitado e que está recorrendo. “Estou demandando judicialmente até hoje sobre esta multa e recentemente assinei um acordo para pagá-la.” 

No Senado, o cenário é muito parecido: levantamento da Repórter Brasil em parceria com a Agência Pública em junho deste ano mostrou que os mesmos senadores que hoje analisam mudanças na lei que podem ter impactos ao meio ambiente já foram multados em quase meio milhão de reais pelo Ibama. 

Ofensiva do Congresso

Embora se autodenomine “preservacionista”, projetos apresentados por Nelson Barbudo nos últimos anos fazem parte de uma ofensiva travada pelo Congresso, em especial nesta legislatura, contra a agenda socioambiental. Ao menos 351 deputados têm atuação prejudicial à natureza e aos povos do campo, segundo o Ruralômetro, o que representa 68% da Câmara, ou 2 a cada 3 deputados.

De acordo com o cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida, essa atuação dos deputados segue uma linha ditada pelo Executivo. Por isso, não adiantaria apenas uma renovação nas cadeiras do Congresso para que a agenda ambiental mudasse de rota em Brasília. “Quem lidera essas agendas na Câmara e no Senado de modo geral é o Poder Executivo, inclusive essa agenda antiambiental”, afirma. “O comportamento dos deputados está muito condicionado ao Executivo e é uma resposta a Bolsonaro”.

Almeida, que também é coautor de “A mão e a luva: o que elege um presidente?” (Record, 2022) e outros livros que estudam o comportamento do eleitor, lembra, no entanto, que o eleitorado tem peso importante nas direções seguidas pelos dois poderes. “A opinião pública poderia reagir diante dessa agenda antiambiental, mas não reage, afirma. “Preservar o meio ambiente não é uma coisa trivial.”

 

Esta reportagem foi realizada com o apoio da DGB Bildungswerk, no marco do projeto PN: 2020 2611 0/DGB0014, sendo seu conteúdo de responsabilidade exclusiva da Repórter Brasil

FONTE: BRASIL DE FATO

https://www.brasildefato.com.br/2022/08/21/16-deputados-somam-mais-de-r-1-milhao-em-multas-ambientais-do-ibama


Audiência debate situação de trabalhadores lesionados no País

 

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados discute na próxima quinta-feira (25) a situação dos trabalhadores lesionados no Brasil.


O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que pediu a realização do debate, reclama da desregulação do mercado de trabalho nos últimos anos. "Os principais artigos da legislação trabalhista, conquistados e aperfeiçoados pelas lutas sociais ao longo de décadas, foram revogados ou tiveram seus efeitos benéficos neutralizados. A regra passou a ser o trabalho precário e intermitente, sendo permitida e ampliada a terceirização dos contratos de trabalho, reduzindo muitos direitos."


Segundo o parlamentar, isso afetou grandes polos de trabalhadores, como, por exemplo, os trabalhadores metalúrgicos da região do Vale do Paraíba.


"O que estamos vendo nos últimos anos é o fechamento de fábricas importantes, tanto dessa região, quanto para o Brasil. A Ford, por exemplo, fechou as portas em Taubaté e demitiu centenas de trabalhadores. A LG, também em Taubaté, fechou as portas e demitiu centenas de trabalhadores. Recentemente a Caoa Chery, em Jacareí, anunciou o fechamento e pretende demitir mais uma centena de trabalhadores", lista Orlando Silva.


O deputado afirma que muitos desses trabalhadores são portadores de doença do trabalho, portanto tinham direito a uma estabilidade de emprego e mesmo assim foram demitidos sem ter direitos e indenizações garantidos.


Foram convidados para debater o assunto o presidente e o advogado da Associação dos Trabalhadores Lesionados nas Indústrias Metalúrgicas do Vale do Paraíba, respectivamente, Luis Fabiano Costa e Gustavo de Paula Oliveira, além de trabalhadores que sofreram lesões.


A audiência será realizada no plenário 9, a partir das 16 horas.

 

Fonte: Agência Câmara - Do Blog de Noticias da CNTI