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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

PARA LEMBRAR AOS ASSOCIADOS: ELEIÇÕES DA DIRETORIA DO SINDICATO SERÁ HOJE ENTRE 16:00 ÀS 18:00 HORAS

  

CONFORME O EDITAL PUBLICADO NO DIA 27 DE NOVEMBRO DE 2025, POR HAVER SOMENTE UMA CHAPA REGISTRADA PARA AS ELEIÇÕES, NA FORMA DO PREVISTO NO ARTIGO 531, § 2º DA CLT, A ASSEMBLEIA SE INSTALARÁ, COM URNA FIXA NA SEDE DO SINDICATO, NO DIA 30 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 16:00 HORAS, EM PRIMEIRA CONVOCAÇÃO E DUAS HORAS  DEPOIS, ÀS 18:00 HORAS, EM SEGUNDA E ÚLTIMA CONVOCAÇÃO, COM QUALQUER NÚMERO DE ELEITORES, PODENDO A ASSEMBLEIA GERAL ELEGER, POR ACLAMAÇÃO, NA FORMA DO ARTIGO 96 DO ESTATUTO SOCIAL, OS MEMBROS DA DIRETORIA E DO CONSELHO FISCAL.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DOS COMPANHEIROS!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Congresso: maioria capturada

O lobby governa, o mercado manda e o trabalhador paga a conta.


Marcos Verlaine*


Estamos falando ou tratando da pauta que nunca ou muito pouca anda no Legislativo federal. Por que o Congresso Nacional não vota proposições estruturais como a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6x1 e outras medidas capazes de melhorar objetivamente a vida dos trabalhadores?


A resposta não está na falta de propostas, nem na ausência de debate técnico. Está na correlação de forças.


Essas matérias não avançam porque enfrentam o poder organizado do chamado “mercado” e de seus agentes, que atuam por meio de lobbies estruturados, permanentes, profissionalizados e profundamente influentes sobre o processo legislativo. Essa influência é cotidiana e diuturna.


Assim, o Parlamento, em vez de ser mediador entre interesses sociais distintos, converte-se, nesse tema, em espaço de bloqueio institucional.


Não se trata de inércia. Trata-se, pois, de veto político. E veto é ideológico.


“MERCADO” COMO PODER DIFUSO E ORGANIZADO

 

O chamado mercado não é entidade abstrata e/ou neutra. É composto por investidores, empresas, bancos, fundos, instituições financeiras, conglomerados econômicos e seus intermediários: corretores, gestores, analistas, consultorias, bancos de investimento, associações empresariais e entidades representativas.

 

Esse conjunto atua de forma coordenada por meio de:

- pressão direta sobre os parlamentares;

- financiamento de campanhas;

- produção de narrativas econômicas;

- captura da agenda pública;

- interlocução permanente com as mesas diretoras; e

- influência técnica disfarçada de neutralidade.


O lobby não é episódico: é estrutural, cotidiano e profissionalizado.


PACTO SILENCIOSO

 

Nesse contexto, forma-se entendimento tácito — e profundamente funcional — entre os agentes do mercado e os presidentes das Casas Legislativas. Não é necessário acordo formal: basta convergência de interesses.


As pautas que ampliam direitos sociais, reduzem a exploração do trabalho ou reorganizam a lógica produtiva são tratadas como “sensíveis”, “inconvenientes” ou “arriscadas para a economia”.


Assim, não são derrotadas no plenário. Até porque sequer são pautadas.


São simplesmente engavetadas ou “esquecidas” nos desvãos do Parlamento sob a ficção de que não há consenso para apreciá-las.


O método é mais eficiente: não votar é melhor do que perder.


CHANTAGEM DA NARRATIVA ECONÔMICA

 

O bloqueio dessas proposições é sustentado por narrativa hegemônica:

- redução da jornada “gera desemprego”;

- fim da escala 6x1 “aumenta custos”;

- direitos trabalhistas “quebram empresas”; e

- proteção social “afugenta investimentos”.

 

São discursos apresentados como técnicos, mas são profundamente ideológicos. Transformam interesses privados em supostas verdades universais e convertem privilégios econômicos em dogmas econômicos.


O resultado é a naturalização da desigualdade como se fosse racionalidade.


DEMOCRACIA DE BAIXA INTENSIDADE

 

Quando propostas que beneficiam milhões de trabalhadores não chegam sequer ao plenário, o problema deixa de ser político-partidário e passa a ser de ordem democrática.


O Congresso deixa de representar a sociedade e passa a operar como filtro de interesses econômicos organizados. A democracia se esvazia, porque a soberania popular é substituída pela soberania dos fluxos de capital.


Formalmente, há eleições. Materialmente, há captura de poder.


TRABALHO COMO VARIÁVEL DE AJUSTE

 

Nesse modelo, o trabalhador não é sujeito político. É variável econômica. A jornada exaustiva, a escala desumana, a precarização e a insegurança não são vistas como problemas sociais, mas como “custos operacionais”. As contrarreformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019) evidenciam isto fortemente.


A lógica é simples: o capital não negocia sua taxa de lucro; ajusta o trabalho. E, consequentemente, não permite que nenhuma matéria que possa comprometer essa lógica fure esse bloqueio imposto pelo chamado mercado comandado pelo capital.


PARLAMENTO SITIADO

 

O Congresso não vota a redução da jornada, nem o fim da escala 6x1, nem outras proposições estruturais porque não governa livremente a agenda. O Parlamento a administra sob vigilância.


Entre a maioria social e a minoria econômica organizada, escolhe a minoria organizada. Entre o interesse público e o interesse de mercado, escolhe o mercado. Entre a democracia social e a estabilidade dos privilégios, escolhe os privilégios.


Não é ausência de projeto. Não é falta de proposta. Não é limitação técnica. É escolha política.


Enquanto isso, milhões de trabalhadores seguem esperando que o Parlamento cumpra sua função básica: legislar para a sociedade. E não para os seus financiadores.


Em ano eleitoral isso fica mais latente, inclusive porque os prazos da legislatura diminuem, o tempo dos parlamentares escasseia em razão da disputa eleitoral e a pressão do chamado mercado se intensifica porque a força dos interesses não cessa nem tampouco tira recesso ou férias.


(*) Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e reator do HP

 

 Fonte: Diap - Do Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br

Acordos sustentaram ganhos reais, avalia Dieese

 

 
Aprovação da pauta de reivindicações dos Metalúrgicos do ABC na Campanha Salarial de 2025. (Foto: Adonis Guerra)

A edição 64 do Boletim de Olho das Negociações, do Dieese, publicado neste mês de janeiro, traz o balanço das negociações coletivas, com base em 21.510 acordos firmados entre empregados e patrões em 2025.

Os números principais são: 77,7% dos acordos obtiveram resultado acima da inflação (basicamente o INPC); 14,1%, reajustes iguais à inflação; e 8,2% ficaram abaixo do INPC. Comparando-se com 2018, a evolução foi positiva: 72,6% acima da inflação; 17,3% ficaram iguais à inflação; e 10,1% fecharam no negativo. O pior ano foi 2021, quando foram negativos 46,6% dos acordos.

Muitos desses acordos não agregam os ganhos salariais obtidos por meio da PLR – Participação nos Lucros e/ou Resultados da empresa. É o caso dos 700 mil metalúrgicos ligados à Força Sindical, cuja imensa maioria procura negociar PLR empresa por empresa.

Conclusão – O Boletim conclui: “Os dados refletem, por um lado, piora em relação a 2024. Por outro, mostram também a continuidade de um padrão observado desde 2023, ou seja, prevalência dos ganhos reais e pequena incidência de reajustes abaixo da inflação na comparação principalmente com o período que vai de 2019 a 2022, quando houve fortes perdas para a classe trabalhadora”.

MAIS – www.dieese.org.br

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Centrais realizam novo ato contra juros

Ato reuniu oito Centrais sindicais e diversos Sindicatos.

Terça (27) as Centrais Sindicais realizaram novo protesto contra a taxa Selic. Força Sindical, CUT, UGT, CTB, CSB, Intersindical, Pública e Nova Central se reuniram novamente na avenida Paulista, região central de São Paulo, para repudiar a política monetária do Banco Central (BC), que definiu a taxa atual de juros em 15% ao ano, considerada abusiva pelo movimento sindical.

Com a palavra de ordem “Eu quero já! Eu quero ver o juro baixar!”, as lideranças sindicais reafirmaram que o atual índice do BC trava o crescimento, reduz empregos e penaliza a classe trabalhadora.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, CNTM e Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, afirma que juros elevados travam o crescimento econômico, reduzem investimentos produtivos e prejudicam diretamente a classe trabalhadora, agravando desemprego, endividamento e desigualdades sociais. “Juros menores estimulam consumo, ampliam produção e fortalecem a economia”, defendeu o sindicalista em discurso na manifestação.

Para Maria Auxiliadora dos Santos, secretária Nacional das Mulheres da Força Sindical, é inaceitável conviver com uma inflação controlada, que não chega a 5%, e, ao mesmo tempo, com juros tão altos. “Essa política penaliza especialmente as mulheres trabalhadoras, aumenta o custo de vida, dificulta o acesso ao crédito e aprofunda desigualdades. Precisamos de juros mais baixos para garantir emprego, renda e justiça social”, disse.

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo (UGT) foi representado por Josimar Andrade, diretor da entidade. Em seu discurso, ele cobrou urgência na queda da taxa de juros.  “É urgente reduzir a taxa Selic. Com juros altos, não há consumo, não há investimentos e não há geração de empregos. Essa política sufoca a economia e penaliza milhões de trabalhadores que dependem do crescimento para garantir renda e dignidade”, frisou.

MAIS – Sites das centrais sindicais.

 

FONTE: Agência Sindical

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Sindicato dos Comerciários de São Paulo, UGT e centrais denunciam exploração da Starbucks e trabalho escravo no Brasil



O Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP), juntamente com a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e outros sindicatos participaram no dia 26 de janeiro de 2026 do ato promovido pelo movimento Sem Direitos Não é Legal, realizado em frente à unidade da Starbucks na Avenida Paulista. A mobilização reuniu cerca de 100 trabalhadores rurais do Sul de Minas Gerais, organizados pela ADERE/MG, além de dirigentes sindicais e apoiadores, denunciando graves violações de direitos humanos e trabalhistas na cadeia produtiva do café.

 

Durante a manifestação, o presidente da UGT e dos Comerciários, Ricardo Patah, declarou: “A Starbucks tem que responder criminalmente por comprar café de plantações que utilizam mão de obra escrava.”

 

Diretores do SECSP também estiveram presentes, entre eles a diretora Maria das Graças Silva Reis, responsável pela coordenação da campanha contra abusos da Starbucks e do McDonald’s no Brasil, que destacou a contradição entre o preço pago pelo consumidor e a exploração no campo: “Enquanto pagamos 30 reais em meio quilo de café, este é o valor pago em 60 quilos para o trabalhador.”

 

O caso do café se soma a outras formas de exploração laboral no Brasil. No setor da moda, por exemplo, trabalhadores estrangeiros — em sua maioria bolivianos e paraguaios — são submetidos a condições análogas à escravidão em oficinas de costura, recebendo valores irrisórios por jornadas exaustivas. Segundo dados oficiais divulgados por veículos como G1 e CBN, mais de 65 mil pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão no Brasil nos últimos 30 anos, e em 2024 o país registrou um caso de tráfico de pessoas por dia, frequentemente ligado ao setor têxtil.

 

O ato que contou com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sinthoresp e a Femaco,  também lembrou a Chacina de Unaí, ocorrida em 2004, quando três auditores-fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados durante fiscalização de denúncias de trabalho escravo em Minas Gerais, reforçando a gravidade e a persistência da exploração laboral no setor. Entre os depoimentos, Fernando Henrique de Araujo Lopes, que trabalha há 10 anos em uma fazenda de Betim, no Sul de Minas, declarou: “Eu vejo o trabalho escravo, a carga horária, sempre tiram proveito dos trabalhadores e trabalhadoras. Sobre o ato de hoje, eu digo que todo posicionamento gera uma mudança.”

 

A mobilização também se conectou à luta dos baristas nos Estados Unidos, organizados pelo Starbucks Workers United, que estão em greve desde novembro de 2025 contra baixos salários, sobrecarga de trabalho e práticas antissindicais. As organizações presentes defenderam maior transparência na cadeia do café “do campo à xícara”, fortalecimento da fiscalização trabalhista por parte do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho, reparação às vítimas de trabalho escravo, revisão dos sistemas de certificação e responsabilização das empresas globais que lucram com violações de direitos, como a Starbucks

FONTE: Página da U.G.T. (União Geral dos Trabalhadores)

https://www.ugt.org.br/Noticias/79948-Sindicato-dos-Comerciarios-de-Sao-Paulo-UGT-e-centrais-denunciam-exploracao-da-Starbucks-e-trabalho-escravo-no-Brasil

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Petrópolis amplia atendimentos do SUS com adesão ao programa Agora Tem Especialistas

 


Foto: Demétrio do Carmo
Foto: Demétrio do Carmo

Demétrio do Carmo - Especial para o Diário

Na manhã deste sábado (24/01), o prefeito Hingo Hammes e o secretário municipal de Saúde, dr. Aloísio Barbosa, receberam o diretor nacional do programa Agora Tem Especialistas, Rodrigo Oliveira, para a assinatura do termo de adesão que amplia a oferta de atendimentos especializados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Petrópolis. Com a adesão, dois hospitais particulares passam a realizar procedimentos gratuitos pelo SUS, além da integração do Hospital Alcides Carneiro ao programa do governo federal. 


O Hospital Sociedade Médico Hospitalar (SMH) e o Hospital de Olhos Dr. Tannure firmaram contrato para a realização de quase 2 mil cirurgias, totalizando mais de R$ 3,3 milhões em atendimentos gratuitos à população.

Segundo o diretor nacional do programa, Rodrigo Oliveira, a iniciativa representa uma mobilização nacional para reduzir o tempo de espera por atendimento especializado. “Com a adesão dos hospitais em Petrópolis, ampliamos a ação em cerca de R$ 3 milhões por ano, o que significa mais de mil procedimentos especializados anuais para a cidade e a região. É o governo federal fortalecendo a parceria com estados e municípios para atender mais e mais rápido o povo brasileiro, especialmente o povo de Petrópolis e região”, destacou.

O prefeito Hingo Hammes comemorou a inclusão do município no programa. “Ficamos felizes por sermos contemplados. Petrópolis enfrenta muitas dificuldades desde a pandemia de covid-19, que gerou uma grande retenção de procedimentos eletivos. Agora, temos a possibilidade de atender a população com mais agilidade e avançar para zerar a fila de espera”, afirmou.

O SMH, também celebrou a parceria.  Na unidade, pacientes do SUS encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde poderão realizar cirurgias relacionadas às glândulas endócrinas e ao aparelho digestivo, além de pequenas cirurgias e procedimentos dermatológicos e urológicos. A instituição realizará, ao longo de um ano, mais de R$ 2,1 milhões em cirurgias, com média mensal de R$ 181,3 mil

"Esse é mais um relevante passo em nosso processo de reestruturação e que reafirma a importância do Hospital para toda a rede de saúde de Petrópolis. Seguimos trabalhando com muita dedicação e entrega para oferecer ao povo petropolitano e aos nossos colaboradores, um ambiente seguro, estável e com foco total na saúde da população", disse a direção da unidade em nota.

Já o Hospital de Olhos Dr. Tannure oferecerá cirurgias oftalmológicas que somam R$ 1,1 milhão em atendimentos, com produção mensal média de R$ 95,9 mil.

Com a entrada das novas unidades, o programa Agora Tem Especialistas passa a contar com 34 instituições de saúde privadas, com ou sem fins lucrativos, responsáveis por garantir anualmente R$ 178 milhões em procedimentos de média e alta complexidade à população usuária da rede pública. A iniciativa do governo federal é viabilizada por um modelo pioneiro no sistema de saúde brasileiro, que permite a troca de atendimentos especializados por créditos financeiros para abatimento de tributos federais vencidos ou a vencer.

Edição: segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

 

FONTE: DIÁRIO DE PETRÓPOLIS

https://diariodepetropolis.com.br/integra/petropolis-amplia-atendimentos-do-sus-com-adesao-ao-programa-agora-tem-especialistas-38832

O impacto da jornada de trabalho na saúde é discutido em artigo sobre o Fim da Escala 6×1


Saiba mais sobre o impacto da jornada de trabalho na saúde e como o fim da escala 6×1 pode beneficiar os trabalhadores.


O vigésimo terceiro artigo do dossiê “Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho”, organizado pelo Organizado pelo Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) em parceria com as centrais sindicais, fala sobre “Por uma jornada mais humana: impactos da redução da carga horária na saúde laboral“. O artigo é assinado por Emerson Victor Hugo Costa de Sá e Francisco Péricles Rodrigues Marques de Lima.


O estudo destaca que, desde a Constituição de 1988, quando a jornada semanal foi fixada em 44 horas, o país não avançou por meio da legislação, apesar de conquistas pontuais obtidas via negociação coletiva. No pós-pandemia, o debate voltou a ganhar força diante do agravamento das condições de trabalho, do aumento dos transtornos mentais e da mobilização contra a escala 6×1, considerada prejudicial à saúde e à qualidade de vida.


De acordo com os autores, jornadas prolongadas estão associadas a doenças cardiovasculares, problemas musculoesqueléticos, distúrbios metabólicos, estresse ocupacional e síndrome de burnout. Dados da Auditoria-Fiscal do Trabalho mostram que parte significativa dos acidentes analisados entre 2023 e 2024 apresentou irregularidades relacionadas à jornada, descanso ou férias, evidenciando o descumprimento recorrente da legislação trabalhista.


O artigo também analisa experiências internacionais, com destaque para a França, onde a adoção da jornada de 35 horas resultou em maior satisfação dos trabalhadores e ganhos de produtividade, ainda que com criação de empregos abaixo do esperado. A experiência, segundo os autores, demonstra que a redução da jornada precisa vir acompanhada de mudanças na organização do trabalho para evitar a intensificação das tarefas.


Na conclusão, o texto defende que a redução da jornada de trabalho deve ser tratada como uma estratégia de saúde pública, justiça social e valorização do trabalho humano. Para que seja efetiva, é necessária a combinação de políticas públicas, fiscalização rigorosa e mudanças culturais nas empresas, garantindo ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e compatíveis com a dignidade dos trabalhadores.


Leia aqui o artigo: Por uma jornada mais humana: impactos da redução da carga horária na saúde laboral

 

 Fonte: Rádio Peão Brasil - Do Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A importância do Salário Mínimo – Miguel Torres



O salário mínimo foi criado em 1936, durante o governo Vargas. Portanto, neste ano de 2026, estamos celebrando 90 anos deste que é um dos principais instrumentos de distribuição de renda do País.

Fui um dos coordenadores das Marchas da Classe Trabalhadora a Brasília, desde a primeira que realizamos em 2000, e digo com muito orgulho que fomos nós, do movimento sindical unificado, que, em nome dos trabalhadores(as) e do povo brasileiro, conquistamos em 2006, no 1º governo Lula, a política de valorização do salário mínimo.

Nos governos Temer e Bolsonaro não houve aumento real do salário mínimo, isso só voltou a ocorrer no 3º e atual mandato do presidente Lula, novamente com efetiva participação do movimento sindical.

O valor atual de R$ 1.621,00, segundo o Dieese, injetará mais de 80 bilhões na economia. Não é pouca coisa! Aumenta o poder de compra da população, gera consumo, mais produção, mais emprego. Almejamos alcançar um dia o valor ideal calculado pelo Dieese (hoje seria mais de 7 mil reais).

Mas tudo passa pelas nossas escolhas e decisões políticas.

Temos eleições este ano e não podemos nem vamos vacilar: precisamos ampliar o perfil progressista, social e trabalhista do Congresso Nacional e reeleger o presidente Lula, para que o diálogo social prevaleça e, entre tantos outros projetos de inclusão, distribuição de renda e desenvolvimento, a política de valorização do salário mínimo também continue e torne-se futuramente uma política de Estado, para que não haja retrocessos!

A luta faz a lei!

Miguel Torres. Presidente da Força Sindical, da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

 

DIEESE: negociações salariais garantiram ganhos reais em 2025


Os dados sobre negociações salariais de 2025 mostram que 77,7% dos reajustes superaram a inflação. Descubra mais.


Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) mostra que 77,7% das negociações coletivas realizadas em 2025 resultaram em reajustes salariais acima da inflação, medida pelo INPC. O dado consta do boletim De Olho nas Negociações, número 64, divulgado em janeiro de 2026.


A análise preliminar considera 21.510 reajustes salariais registrados no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego, até 12 de janeiro deste ano — cerca de 80% do total esperado para 2025. Segundo o estudo, 14,1% das negociações tiveram reajustes equivalentes à inflação, enquanto apenas 8,2% ficaram abaixo da variação dos preços.


Apesar de indicar uma leve piora em relação a 2024, quando os ganhos reais foram mais expressivos, o DIEESE avalia que o resultado de 2025 mantém um padrão favorável às negociações coletivas, observado desde 2023, após um período de perdas reais entre 2020 e 2022.


Ganho real médio e inflação

 

A variação real média dos reajustes em 2025 foi de 0,87% acima do INPC, inferior aos 1,25% registrados em 2024, mas ainda positiva. O boletim aponta forte relação entre o comportamento da inflação e os resultados das negociações. Para janeiro de 2026, por exemplo, o reajuste necessário segundo o INPC é de 3,9%, o menor patamar desde setembro de 2024.


Parcelamento e escalonamento em queda

 

Outro destaque do estudo é a baixa incidência de reajustes parcelados e escalonados. Em 2025, apenas 1,7% das negociações tiveram reajustes parcelados, enquanto 15,7% adotaram reajustes escalonados — o menor percentual desde 2021. Para o DIEESE, os dados indicam maior previsibilidade e menor fragmentação nos acordos firmados.


Indústria, comércio e serviços lideram ganhos

 

Na análise por setor, indústria e comércio foram os segmentos com maior proporção de ganhos reais, com cerca de 80% das negociações acima da inflação, seguidos de perto pelo setor de serviços. O setor rural, por outro lado, apresentou desempenho mais frágil, com ganhos reais em 69,4% dos casos e perdas em quase 20% das negociações.


Sul e Sudeste se destacam regionalmente

 

Regionalmente, Sul e Sudeste lideraram os resultados, com mais de 80% das negociações garantindo ganhos reais. O Sul foi a região com o menor percentual de reajustes abaixo da inflação (3,4%). Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os ganhos reais ocorreram em cerca de 68% das negociações.


Pisos salariais

 

O piso salarial médio nacional negociado em 2025 foi de R$ 1.863, enquanto o piso mediano ficou em R$ 1.739. O maior piso médio foi observado no setor de serviços, e os maiores valores regionais foram registrados no Sul, tanto para piso médio quanto para o mediano.


Para o DIEESE, os dados reforçam a importância da negociação coletiva como instrumento central de recomposição do poder de compra e de defesa dos direitos da classe trabalhadora, especialmente em um cenário econômico ainda marcado por desafios.

 

Fonte: Rádio Peão Brasil - Do Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Salário Mínimo: dignidade que nasceu da luta – Eduardo Annunciato

 


Na semana passada, no dia 14 de janeiro, celebramos 90 anos da criação do Salário Mínimo no Brasil e 20 anos da política de valorização com ganho real iniciada nos governos do presidente Lula, a partir de 2003. Não se trata apenas de uma data simbólica. Trata-se de reafirmar um projeto de país que reconhece o trabalho como fundamento da dignidade humana e o Estado como instrumento de justiça social.

O Salário Mínimo foi criado no governo de Getúlio Vargas, pelo Decreto-Lei nº 185, de 1936, e regulamentado em 1940. Foi uma ruptura histórica. Pela primeira vez, o Brasil estabelecia em lei que todo trabalhador tinha direito a receber um valor mínimo capaz de garantir suas necessidades básicas: alimentação, moradia, vestuário, higiene e transporte. Isso mudou para sempre as relações de trabalho no país.

Antes disso, o contrato de trabalho era tratado quase como uma relação civil qualquer, em que o empregador pagava o que quisesse, sem qualquer compromisso social. A criação do Salário Mínimo foi fruto de intensas greves, mobilizações e da pressão organizada da classe trabalhadora. Foi também uma resposta a um Brasil que deixava de ser apenas agroexportador e caminhava para a industrialização e a urbanização.

Getúlio Vargas enfrentou uma elite econômica marcada por uma herança escravocrata, que nunca aceitou a ideia de que o trabalhador tivesse direitos garantidos, renda digna e proteção social. O Salário Mínimo não foi apenas uma medida econômica. Foi um choque moral. Foi a afirmação de que o trabalho não é mercadoria e que o Estado tem responsabilidade direta na proteção do seu povo.

Desde então, o Salário Mínimo sempre foi alvo de ataques. Durante a ditadura militar, o arrocho salarial foi uma política deliberada, usada para concentrar renda e enfraquecer a organização dos trabalhadores. Em vários períodos da nossa história recente, tentaram nos convencer de que valorizar o mínimo gera inflação, desemprego e crise econômica. A realidade sempre mostrou o contrário: salário digno aquece o consumo, movimenta a economia e gera desenvolvimento.

Por isso, a política de valorização do Salário Mínimo iniciada em 2003, nos governos Lula, foi tão importante. Pela primeira vez, o Brasil passou a garantir aumentos reais acima da inflação, fazendo o mínimo recuperar parte do seu papel histórico. Essa política completou 20 anos, foi interrompida em 2017 e felizmente retomada em 2023.

Os números são claros: se a política de valorização não tivesse existido, o Salário Mínimo hoje estaria em torno de R$ 830. Com ela, chegou a R$ 1.621. Isso representa comida na mesa, remédio comprado, aluguel pago e um pouco mais de dignidade para milhões de brasileiros, especialmente aposentados, pensionistas, trabalhadores domésticos e os mais vulneráveis, que não têm força de negociação coletiva.

Participei, no Rio de Janeiro, da solenidade na Casa da Moeda que celebrou os 90 anos do Salário Mínimo, ao lado do presidente Lula, do ministro Luiz Marinho e de diversas lideranças sindicais. Ali reafirmamos algo fundamental: ainda não estamos celebrando o valor ideal do Salário Mínimo. Estamos celebrando a ideia, criada em 1936, de que ninguém que trabalha pode viver na miséria.

E é preciso ter clareza: o Salário Mínimo atual ainda é insuficiente para garantir uma vida digna a uma família. Segundo o DIEESE, para atender plenamente o que determina a Constituição — moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência — o salário mínimo necessário seria hoje de aproximadamente R$ 6.850,00 para uma família de quatro pessoas.

Nós, do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (STIEESP), reconhecemos esse parâmetro como referência técnica e social. Mas, de forma responsável e realista, defendemos nos nossos Acordos Coletivos de Trabalho um piso salarial de R$ 2.889,60. Esse valor ainda está muito abaixo do ideal, mas representa aquilo que chamamos de “o mínimo do mínimo, o básico do básico para se ter uma vida digna”.

Considerando que o Estado deve garantir saúde e educação públicas e que as longas e exaustivas jornadas de trabalho praticamente eliminam o direito ao lazer, entendemos que R$ 2.889,60 é um patamar justo, possível e socialmente necessário. E mais: esse valor não quebra a economia, não gera inflação e não prejudica o desenvolvimento. Pelo contrário, injeta oxigênio no comércio, fortalece a economia local e promove crescimento com justiça social.

Defender a valorização do Salário Mínimo é defender o Brasil. É enfrentar a concentração obscena de renda, a especulação e a lógica que insiste em jogar a conta da crise sempre nas costas de quem vive do trabalho.

Celebrar os 90 anos do Salário Mínimo é celebrar uma conquista histórica arrancada com luta. Celebrar os 20 anos da política de valorização é afirmar que políticas públicas fazem diferença concreta na vida das pessoas. E lutar por pisos salariais dignos é continuar essa história de resistência, organização e esperança.

O Salário Mínimo não é um problema. O problema é a desigualdade. O Salário Mínimo não é custo. É investimento social. E enquanto houver trabalhador vivendo sem dignidade, nossa luta seguirá sendo pela valorização do trabalho, da renda e do futuro do povo brasileiro.

Eduardo Annunciato (Chicão). Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente.

 FONTE: Agência Sindical

 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Juros altos travam crédito para 80% das indústrias, revela pesquisa

 


CNI aponta dificuldade maior no financiamento de longo prazo
 
Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
 

Os trabalhadores da montadora Fiat Chrysler Automobiles constroem um modelo Argo 2020, em meio à disseminação da doença por coronavírus (COVID-19), na fábrica de montagem em Betim
© REUTERS/Washington Alves/Proibida reprodução
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De cada dez empresas industriais, oito enfrentaram dificuldades para obter crédito. Elas apontam os juros elevados como o principal obstáculo ao financiamento no país. O dado faz parte de pesquisa divulgada nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

Segundo a Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025, 80% dos empresários que tiveram problemas para acessar crédito de curto ou médio prazo (até 5 anos) citaram os juros altos como o maior entrave. Em seguida aparecem a exigência de garantias reais, como imóveis ou máquinas (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%).

O cenário se repete no crédito de longo prazo, acima de 5 anos. Nesse caso, 71% dos industriais atribuíram as dificuldades aos juros elevados, enquanto 31% mencionaram a exigência de garantias e 17% a ausência de linhas compatíveis com seus projetos de investimento.

“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito. Com a Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o financiamento fica mais caro e desestimula investimentos em expansão e inovação”, explica Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.

Selic alta reduziu a busca por crédito

  • 54% das empresas não buscaram crédito de longo prazo nos seis meses anteriores à pesquisa
  • 49% não procuraram crédito de curto ou médio prazo no mesmo período 
  • apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo
  • no crédito de longo prazo, o percentual caiu para 17%

Dificuldade maior no crédito de longo prazo

  • Quase um terço das empresas que tentaram crédito de longo prazo não teve sucesso
  • Cerca de 20% das que buscaram crédito de curto ou médio prazo também não conseguiram

Crédito de curto ou médio prazo

  • Médias: 26% não obtiveram crédito
  • Pequenas: 21%
  • Grandes: 16%

Crédito de longo prazo

  • Médias empresas: 43% não obtiveram crédito
  • Pequenas empresas: 37%
  • Grandes empresas: 27%

Condições de crédito pioraram

  • 35% das empresas avaliaram que as condições de crédito de curto ou médio prazo pioraram
  • 33% fizeram a mesma avaliação para o crédito de longo prazo
  • Para 47%, as condições permaneceram semelhantes
  • Apenas 14% relataram melhora no curto ou médio prazo
  • No longo prazo, o índice cai para 12%

Baixa adesão ao risco sacado

  • Apenas 13% das indústrias contrataram operações de risco sacado nos últimos 12 meses
  • Outros 5% pretendiam contratar
  • 54% não contrataram nem pretendiam contratar
  • 29% não souberam ou preferiram não responder

O risco sacado é uma modalidade de antecipação de recebíveis em que o fornecedor recebe o pagamento antecipado de uma instituição financeira, enquanto o comprador assume o compromisso de quitar o valor na data acordada.

A Sondagem Especial ouviu 1.789 empresas industriais de 1º a 12 de agosto do ano passado. Desse total, 713 são de pequeno porte, 637 de médio porte e 439 de grande porte.

 FONTE: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/juros-altos-travam-credito-para-80-das-industrias-revela-pesquisa

Aposentados têm até 14 de fevereiro para pedir ressarcimento ao INSS

 

Prazo para devolução de descontos indevidos foi prorrogado em novembro
 
Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil

Brasília (DF), 22/05/2025.- Presidente do INSS, Gilberto Waller, durante entrevista coletiva para atualizar as ações do Governo Federal sobre os descontos de entidades associativas. 
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
© Antonio Cruz/Agência Brasil
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Os aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm até 14 de fevereiro para pedir o ressarcimento, anunciou o presidente do instituto, Gilberto Waller. Em entrevista ao programa a Voz do Brasil, ele fez um balanço atualizado sobre os pedidos.

De acordo com presidente Waller, cerca de 6,2 milhões de beneficiários contestaram descontos indevidos do INSS, dos quais 4,1 milhões de beneficiários já foram ressarcidos, em valores que somam R$ 2,8 bilhões. O governo estima, no entanto, que ainda existam 3 milhões de aposentados e pensionistas aptos a solicitar a devolução.

O prazo original se encerraria em 14 de novembro. No entanto, o Ministério da Previdência Social decidiu ampliar o período para garantir que todos os afetados possam registrar seus pedidos.

O esquema de descontos indevidos foi revelado pela Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou fraudes em Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados entre o INSS e entidades associativas. As investigações levaram ao afastamento de parte da cúpula do instituto em abril.

Na entrevista, Gilberto Waller ressaltou o esforço coordenado de órgãos federais para ressarcir as vítimas dos descontos não autorizados. O presidente do INSS também destacou a união entre o instituto, a Advocacia-Geral da União (AGU), a CGU e a Polícia Federal para rastrear os recursos desviados e entrar com ações na Justiça para recuperar o dinheiro.

Como pedir a devolução

Os beneficiários podem abrir pedidos de ressarcimento pelos canais oficiais do INSS:

 Aplicativo ou site Meu INSS, com login no Portal Gov.br;

 Telefone 135, com atendimento gratuito de segunda a sábado, das 7h às 22h:

 Agências dos Correios, que oferecem suporte gratuito em mais de 5 mil unidades.

 

FONTE: Agência Brasil -  

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-01/aposentados-tem-ate-14-de-fevereiro-para-pedir-ressarcimento-ao-inss