Para ex-ministra, conjunto de políticas para enfrentamento da pobreza será também motor do desenvolvimento econômico
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Produção agroecológica representa produção de alimento de qualidade,
geração de trabalho decente no campo e enfrentamento às mudanças
climáticas, observa Tereza Campello
São
Paulo – A viabilização do novo programa Bolsa Família a partir de
janeiro é apenas uma parte do enfrentamento à pobreza, diz a ex-ministra
Tereza Campello. “Achar que era só trazer os R$ 600 e está tudo
resolvido, como fizeram às vésperas das eleições, é coisa do Bolsonaro”,
afirma a economista. Segundo ela, política pública de combate à pobreza
precisa ter continuidade, estabilidade e critério. Além disso, grande
parte do aumento da pobreza no Brasil tem a ver com o desmonte no
mercado de trabalho.
Tereza Campello se refere ao fato de que em apenas um ano, em 2021, o número de pessoas vivendo em situação de pobreza no Brasil aumentou 22,7%, para 62,5 milhões. E observa que, mesmo quem não está em situação de pobreza, sobrevive no limite.
“Com
muito gente em trabalho precário, ou trabalhando menos horas do que
gostaria ou trabalhando muito e ganhando pouco. Então, toda a agenda do
enfrentamento será casada com retomada de direitos trabalhistas, com a
reconstrução do mercado de trabalho”, defende a economista, integrante
do grupo do Desenvolvimento Social e Combate à Fome no Gabinete da Transição.
“É
um debate multidimensional com múltiplos objetivos, para que o combate à
fome e a pobreza seja também motor do próprio desenvolvimento
econômico.”
Para se enfrentar de fato um problema
estrutural, como ela explica, é preciso um conjunto de políticas
integradas. “É esse conjunto de medidas que está sendo costurado pelo
grupo de trabalho do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O Bolsa
Família vai ter de voltar a ter condicionalidades. Isto é, as crianças
estarem na escola, se alimentarem, terem a vacinação em dia. Ma tem
também as outras políticas, como as cisternas, Programa de Aquisição de
Alimentos, só para ficar em alguns que cabem ao nosso grupo”, diz.
Imenso mercado interno
A
economista diz que a questão programática é bem maior e envolve um
projeto que articule ampliação do acesso ao alimento não só com Bolsa
Família. Mas com qualificação profissional, com acesso a emprego, com
salário mínimo valorizado. “O enfrentamento à pobreza tem esse conjunto
de elementos. E olhando o Brasil como um imenso mercado interno. Então,
estamos articulando o combate à fome com acesso a alimentos de
qualidade, e isso exigirá que gente produza melhor. Ao fazer isso
estaremos gerando empregos verdes, sustentáveis”, exemplifica a
ex-ministra.
Tereza Campello define que o papel da transição, mais
que diagnosticar a situação e pensar o futuro, é desarmar bombas. “E
tem um monte de bombas armadas. Por exemplo, quando o governo interrompe
o envio de caminhões-pipa ao povo do Nordeste, não são baldes que não
estão sendo enchidos, mas cisternas. O programa de cisternas, se a gente
não tomar medidas agora, a partir de abril a gente não pode mais fazer,
porque o marco legal acaba. Quer dizer, ele deixou um conjunto de
problemas armado. Estamos descobrindo coisas terríveis.”
Confira entrevista de Tereza Campello ao Revista Brasil TVT
https://youtu.be/lgUFfspnElQ
FONTE: Redação RBA