A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD)
divulgou na última quarta-feira (6), dados de 2019.
A análise é realizada pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) e investiga dados
socioeconômicos, entre eles, educação, trabalho e
renda. Um dos índices mede a desigualdade no país e
constatou que em 2019, as desigualdades se
mantiveram no pior nível da série desde 2012.
Segundo a PNAD, o dado vem aumentando desde 2015 e
manteve o resultado negativo de 2018.
O desemprego no Brasil atingiu em 2019, R$ 12,6
milhões de pessoas. A dimensão racial é um dos
fatores da desigualdade: as pessoas brancas, por
exemplo, têm um rendimento médio mensal de R$ 2.999,
as pardas R$ 1.719 e as pretas R$ 1.673.
A concentração e a desigualdade econômica é medida
através do índice de Gini, cujos valores variam de 0
(perfeita igualdade) a 1 (máxima concentração e
desigualdade). Ou seja, quanto menor o índice, menor
é a desigualdade. No cálculo do índice para o
rendimento médio mensal recebido de todos os
trabalhos, a Região Sul do Brasil teve a menor taxa:
0,451, seguido da Centro-Oeste: 0,485. Já o maior
índice foi do Nordeste com 0,531. De 2018 para 2019,
a Região Norte caiu de 0,517 para 0,504, a Sudeste
de 0,508 para 0,504, e a Centro-Oeste de 0,486 para
0,485.
Outra forma analisar a desigualdade é a partir do
índice de Gini do rendimento domiciliar per capita.
Para obter o dado, soma-se a renda mensal dos
moradores do domicílio, em reais. O resultado é
dividido pelo número de moradores. O Brasil
registrou o valor de 0,543 nesse índice. O Nordeste
tem a maior desigualdade (0,559), sendo a única
região onde houve aumento do índice em 2019. Por
outro lado, o Sul apresentou o menor índice (0,467)
e o Norte a maior redução (de 0,551 para 0,537).
Bolsa Família
A relação da desigualdade pode ser observada também no
número de acesso a bens e serviços por parte de
pessoas que recebem programas de benefícios do
governo. No país, 13,5% dos domicílios particulares
permanentes recebiam, em 2019, renda referente ao
Programa Bolsa Família, contra 13,7% em 2018. A
cifra era de 15,9% dos domicílios em 2012, e a
partir desse ano foi se reduzindo anualmente.
O Norte e o Nordeste tinham as maiores proporções de
domicílios com beneficiários do programa: 25,0% e
27,6%, respectivamente, e o Sul, a menor proporção
(4,7%). O Nordeste sofreu a maior redução
proporcional (- 6,1%) de domicílios com
beneficiários do programa entre 2012 e 2019.
O benefício de prestação continuada (BPC-LOAS) -
concedido a pessoas incapazes de exercer uma
atividade laboral, assim como os idosos acima de 65
anos, que não conseguem sobreviver e se auto
sustentar - atendeu 3,7% dos domicílios do país, em
2019. O número praticamente se manteve igual ao de
2018 (3,6%) e 1,1 ponto percentual acima do de 2012
(2,6%).
O rendimento mensal domiciliar per capita nos
domicílios que recebiam o Programa Bolsa Família foi
de R$ 352 e naqueles que não recebiam foi de R$
1.641. Para os que recebiam o BPC-LOAS, o rendimento
médio per capita foi de R$ 755 e, para os que não
recebiam, R$ 1.433.
Outro dado que reflete o aumento da desigualdade diz
respeito aos acessos a bens e serviços. Entre os que
recebem Bolsa Família, 68,5% não tinham esgotamento
sanitário com rede geral ou fossa séptica ligada a
rede geral, já nos domicílios que não recebiam o
benefício, 72.8% tinham o serviço.
O mesmo comportamento foi verificado em relação à
posse de bens, principalmente máquina de lavar e
microcomputador. Enquanto 32% dos domicílios que
recebiam o Bolsa Família em 2019 tinham máquina de
lavar e 12,6% tinham microcomputador, 71,4% dos que
não recebiam tinham máquina e 45,6%, computador.
FONTE: Brasil de fato - do Blog de Notícias da CNTI
http://cnti.org.br/html/noticias.htm#Desigualdade_no_Brasil_registra_pior_%C3%ADndice_desde_2012