As centrais sindicais intensificaram nesta terça-feira (1º), em
Brasília, a mobilização pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
A presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sônia
Zerino, participou das atividades no Senado Federal acompanhada pelo
Diretor de Relações Institucionais, Moacyr Roberto Tesch Auersvald, pelo
Diretor de Finanças, Wilson Pereira, e por outros dirigentes da
entidade. A mobilização reuniu presidentes e representantes das centrais
sindicais em defesa da proposta.
A mobilização ocorre às vésperas da análise da PEC 221/2019 pela
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, prevista
para esta quarta-feira (2). O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM),
apresentou parecer favorável à proposta.
Durante a mobilização, os dirigentes percorreram gabinetes e foram
recebidos por senadores, entre eles Otto Alencar (PSD-BA), Omar Aziz
(PSD-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Professora Dorinha Seabra
(União-TO), para apresentar a pauta e buscar apoio à aprovação da PEC.
Trabalho de convencimento
O diretor de Relações Institucionais da NCST, Moacyr Roberto Tesch
Auersvald, destacou a articulação realizada junto aos parlamentares.
“Nós estamos aqui no Senado Federal com a presidente da Nova Central,
Sônia Zerino, e com o presidente da Contratuh, Wilson Pereira, fazendo
um trabalho de convencimento aos senadores, porque amanhã será votado o
fim da 6x1. Estamos tendo uma repercussão muito positiva. Já estivemos
com o senador Otto Alencar, com o senador Omar Aziz, fomos recebidos
pelo senador Renan Calheiros e estamos correndo rapidamente aos
gabinetes.”
Moacyr também reforçou a importância da unidade do movimento sindical.
“Gostaríamos de agradecer à Nova Central, à Contratuh e aos companheiros
que estão aqui colaborando com o nosso trabalho. Nós estamos juntos,
porque juntos somos fortes.” Mobilização precisa continuar
Para Wilson Pereira, a mobilização precisa ser ampliada para garantir
apoio à proposta nas próximas etapas de votação.“É um trabalho
dignificante e que está muito bem apresentado. A gente viu, inclusive,
por parte de vários senadores, a perspectiva de ser aprovado. É um
trabalho que tem que ser realizado. Por isso, estamos chamando todos os
dirigentes sindicais da União para que conversem com seus senadores,
façam contato e peçam a aprovação amanhã na Comissão de Constituição e
Justiça.”
O dirigente ressaltou que, após a CCJ, a mobilização deverá continuar no
plenário do Senado.“Logicamente, depois vamos para o plenário, para o
Senado, e temos que trabalhar todos os senadores para que seja aprovada
essa PEC.” Sônia Zerino destaca importância para as mulheres
A presidente da NCST, Sônia Zerino, reforçou a necessidade de pressão
junto aos senadores e destacou os impactos da redução da jornada,
especialmente para as mulheres.
“Nós estamos aqui numa ação concentrada, trabalhando com os senadores,
pedindo apoio para que amanhã a Comissão de Constituição e Justiça
aprove o fim da escala 6x1, sem redução do salário. Precisamos que os
companheiros, nas suas bases, continuem fazendo a pressão por e-mail,
pedindo aos senadores dos seus estados o apoio.”
Sônia também destacou que a redução da jornada representa melhores
condições de trabalho e mais tempo para descanso e convivência familiar.
“Melhores condições de trabalho significam ter dois dias de folga na
semana, principalmente para nós, mulheres, que temos a dupla, a tripla
jornada. Trabalhamos uma jornada fora e ainda temos as responsabilidades
de casa e da família.” Vigília no Senado
As centrais sindicais realizam vigílias em frente ao Anexo II do Senado nesta terça, quarta e quinta-feira, a partir das 14h.
A NCST orienta trabalhadores e dirigentes sindicais a manterem a mobilização e pressionarem os senadores pela aprovação da PEC.
Marcos Verlaine. Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP.
Para
reconquistar a juventude, a CLT precisa oferecer renda, direitos,
perspectiva e flexibilidade, sem transformar precarização em liberdade
nem proteção em privilégio.
No artigo “Quando a precarização é vendida como liberdade”, publicado no Portal Vermelho nesta
quarta-feira (26), procurei mostrar que a perda de prestígio da CLT
entre parcelas da juventude não pode ser explicada simplesmente por
suposta rejeição aos direitos trabalhistas.
Essa resulta de
combinação de precarização, baixa remuneração, mudanças tecnológicas,
dificuldades de ingresso no mercado e, sobretudo, de disputa ideológica
que há anos procura apresentar direitos como obstáculos à liberdade.
A
questão que se impõe agora é outra, complementar: o que fazer para que a
juventude, sobretudo a mais pobre, volte a enxergar na carteira
assinada conquista. E não prisão? Esse trabalho precisa ser enfrentado
pelo Estado e pelos sindicatos.
A resposta começa por constatação
incômoda: não se reconquista o jovem para a CLT apenas explicando o que
são férias, 13º salário, FGTS e Previdência. É preciso fazer com que
esses direitos sejam acompanhados de renda, autonomia, respeito,
perspectiva profissional e qualidade de vida.
O jovem não está errado ao procurar ocupação que lhe permita viver melhor.
Números desmentem tese da “geração sem CLT”
Pesquisa
recente da Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha e do Instituto
Locomotiva, ajuda a qualificar o debate. Entre os jovens de 16 a 29
anos que trabalham, 44% têm carteira assinada. Outros 15% são
assalariados sem registro, 13% são autônomos ou freelancers, 10% estão
em trabalhos informais e 8% são estagiários ou aprendizes remunerados.
Mais
revelador ainda: 30% dizem que hoje desejam emprego com carteira
assinada. Quando projetam os próximos 5 anos, porém, esse percentual cai
para 16%, enquanto a preferência declarada pelo trabalho autônomo sobe
de 28% para 42%. Não é difícil entender por quê.
O salário é o
principal fator para 64% dos jovens na escolha de um trabalho.
Benefícios, plano de carreira e ambiente agradável aparecem, cada um,
com 31%. E 62% aceitariam ganhar um pouco menos para trabalhar em
ambiente menos estressante. Entre os que já trabalharam, 69% afirmam ter
deixado voluntariamente algum emprego; falta de respeito, jornadas
longas, pressão excessiva e ausência de perspectiva estão entre as
principais razões.
Ou seja: o jovem não está rejeitando
necessariamente o direito. Está rejeitando empregos que não entregam
vida minimamente digna.
Não basta dizer: “valorize a CLT”
Há
erro recorrente nesse debate: responsabilizar o jovem por não
reconhecer o valor da proteção trabalhista. É preciso inverter a
pergunta.
Em vez de indagar porque o jovem não valoriza a CLT,
deveríamos perguntar o que fizemos para que a CLT continue sendo
socialmente desejável para quem está entrando no mercado de trabalho.
Se
o jovem recebe proposta de emprego formal de salário baixo, jornada
rígida, deslocamento longo, chefia abusiva e nenhuma perspectiva de
crescimento, enquanto o aplicativo lhe oferece dinheiro ao final do dia,
não é racional esperar que ele seja convencido apenas com cartilha
sobre FGTS.
O direito futuro precisa dialogar com a necessidade
presente. E isso não significa aceitar a precarização. Significa
melhorar o emprego formal.
Renda e direitos não podem ser adversários
A
primeira tarefa é elevar o poder de compra do trabalho. Não haverá
campanha de valorização da CLT capaz de convencer o jovem pobre se o
salário recebido no fim do mês não permite pagar aluguel, transporte,
alimentação e outros custos básicos.
A valorização real do salário
mínimo, políticas de primeiro emprego, incentivos à contratação de
jovens vulneráveis e estímulos à permanência no emprego precisam fazer
parte dessa agenda, governamental e sindical.
Mas há diferença
fundamental em relação à velha fórmula da desoneração indiscriminada: o
incentivo público precisa estar condicionado à qualidade do emprego.
Subsidiar
contratação que dura poucos meses e depois devolve o jovem à
informalidade não resolve o problema. O incentivo deve premiar
contratação formal, formação profissional, permanência, progressão
salarial e respeito aos direitos.
O Estado pode reduzir o custo de entrada do jovem no mercado, mas não pode subsidiar a precarização.
Flexibilidade sem desproteção
Há
outro ponto que não pode ser ignorado. O jovem valoriza autonomia e
flexibilidade. Isso não significa que queira necessariamente abrir mão
de direitos. Significa que o modelo tradicional de trabalho precisa
acompanhar mudanças efetivas na organização da vida.
A discussão
sobre redução da jornada, fim da escala 6×1, horários flexíveis,
trabalho híbrido quando possível e novas formas de organização do tempo
precisa ser incorporada à modernização trabalhista.
É
perfeitamente possível ter flexibilidade com direitos. O erro é aceitar a
falsa escolha entre CLT rígida e informalidade libertadora.
A
questão não é obrigar o jovem a trabalhar sob modelo concebido para
outra época. É atualizar a proteção social para que essa alcance o
trabalhador do século 21.
Primeiro emprego não pode ser armadilha
A
pesquisa revela que 49% dos jovens apontam a falta de experiência como
principal dificuldade para conseguir trabalho. A contradição é
conhecida: as empresas exigem experiência justamente de quem está
tentando conquistar a primeira oportunidade. É aí que a política pública
pode fazer a diferença.
O programa de aprendizagem profissional
já oferece caminho. A modalidade combina formação teórica e experiência
prática, assegurando registro em carteira e direitos trabalhistas e
previdenciários para jovens de 14 a 24 anos.
O Ministério
do Trabalho informa que mais de 4 mil entidades formadoras estão
cadastradas e que, em 2025, ações de fiscalização contribuíram para
inserir 174,6 mil aprendizes no mercado.
O caminho,
portanto, não é desmontar a aprendizagem para baratear o primeiro
emprego. É ampliá-la, qualificá-la e conectá-la às novas economias.
Tecnologia,
inteligência artificial, transição energética, indústria, saúde,
economia verde, serviços digitais e infraestrutura precisam ser portas
de entrada para nova geração de trabalhadores qualificados.
Há,
inclusive, proposta recente no Senado para criar o Programa Nacional de
Empregabilidade Jovem em Setores Estratégicos, orientado à formação e
contratação de jovens em áreas como petróleo, mineração, energia,
indústria e semicondutores.
Não é preciso precarizar para empregar jovens
Essa
é talvez a principal lição a extrair do debate. Em junho, o governo
federal vetou integralmente o projeto que criava o chamado “Contrato do
Primeiro Emprego”, sob o argumento de que a proposta estabelecia
condições que poderiam precarizar a contratação de jovens, inclusive com
jornada de até 44 horas semanais e enfraquecimento da aprendizagem
profissional.
A discussão é importante porque há tentação
permanente de repetir a velha receita: para contratar o jovem, retire
direitos; para reduzir o desemprego, reduza o custo do trabalhador; para
modernizar, flexibilize a proteção.
É a mesma lógica que transforma direito em custo e precariedade em oportunidade. Não precisa ser assim.
O
primeiro emprego pode ser subsidiado sem ser precarizado. Pode ter
formação sem ser exploração. Pode ser flexível sem ser informal. Pode
ser moderno sem abandonar a proteção social.
Jovem quer respeito
Há
dados da pesquisa que deveriam estar no centro dessa discussão: 43% dos
jovens que deixaram emprego apontam falta de respeito ou tratamento
inadequado por parte de chefes ou líderes. Jornadas longas aparecem para
36%; pressão excessiva, para 32%; falta de oportunidade de crescimento,
para 28%.
Isso desmonta outro preconceito. O jovem não quer
simplesmente “trabalhar menos”. Ele quer trabalhar com sentido, ser
respeitado, receber adequadamente, aprender, crescer e ter tempo para
viver. Trata-se, pois, de reivindicação legítima.
Aliás, a
preferência por ambientes menos estressantes mostra que a nova geração
está colocando uma questão que o mundo do trabalho frequentemente
ignorou: produtividade não precisa ser sinônimo de exaustão.
CLT precisa voltar a ser promessa
Há,
portanto, batalha cultural a ser travada, mas essa não será vencida
apenas pela comunicação. É preciso mostrar o valor do FGTS, das férias,
do 13º, da Previdência, do seguro-desemprego e da proteção contra
acidentes. Mas é igualmente necessário garantir que o emprego protegido
ofereça salário digno, carreira, formação, respeito e tempo para viver.
A
juventude precisa olhar para a carteira assinada e enxergar o futuro.
Isso exige também falar a linguagem dessa. Direitos precisam estar nas
redes, nos vídeos curtos, nas escolas, nos cursos profissionalizantes e
nos locais onde os jovens efetivamente constroem visão de mundo.
Mas
comunicação sem realidade vira propaganda. O jovem não será convencido a
prestigiar a CLT se a experiência concreta do trabalho formal continuar
sendo marcada por salário baixo, assédio, jornada excessiva e ausência
de perspectiva.
Não é volta ao passado
Valorizar
a CLT não significa congelá-la em 1943. A legislação trabalhista já
passou por inúmeras alterações e continuará precisando ser atualizada.
Atualizada, não desconfigurada, como fez a Reforma Trabalhista, de 2017.
O que não se pode aceitar é a ideia de que toda modernização precisa retirar proteção.
A
verdadeira modernização é outra: incorporar tecnologia sem abandonar
direitos; introduzir flexibilidade sem transferir todos os riscos ao
trabalhador; reduzir jornadas sem reduzir salários; estimular
empreendedorismo sem transformar necessidade em virtude; e ampliar a
autonomia sem deixar o indivíduo sozinho diante do poder econômico.
O
desafio é construir novo pacto trabalhista para a nova geração. Pacto
em que o jovem possa ser empreendedor se quiser, autônomo se preferir e
trabalhador assalariado sem que nenhuma dessas escolhas implique abrir
mão de dignidade e proteção.
Disputa é pelo futuro
O artigo “Quando a precarização é vendida como liberdade” procurou
demonstrar como a ideologia pode transformar a retirada de direitos em
suposta emancipação. O passo seguinte é reconhecer que a defesa da CLT
também precisa escapar da nostalgia.
Não se trata de dizer ao jovem: “você precisa gostar da CLT porque seus pais gostavam”. Tra
ta-se de fazer com que ele possa dizer: “a carteira assinada melhora minha vida”. Esta é a disputa de fundo.
Se
o emprego formal oferecer apenas direitos que serão usufruídos no
futuro, enquanto a informalidade oferece dinheiro para pagar a conta
hoje, a escolha será previsível.
Mas se a CLT significar salário
melhor, jornada menor, respeito, formação, carreira, proteção e
possibilidade de conciliar trabalho, estudo, família e lazer, o
documento voltará a ser vista pelo que historicamente foi: não como
prisão, mas como conquista de liberdade.
A juventude pobre não
precisa ser convencida de que merece menos. Precisa ter a oportunidade
de experimentar, na prática, que ter direitos pode ser uma das formas
mais concretas de ser livre.
Exemplo histórico: quando
o nordestino pobre migrava para o Sudeste, sobretudo para São Paulo,
recebia 2 documentos que simbolizavam cidadania: a Carteira de Trabalho e
o Título de Eleitor. O primeiro o protegia do trabalho escravo ou
semiescravo; o segundo lhe assegurava a liberdade de escolher quem
melhor o representasse. Antes da Revolução de 1930, no Nordeste, o voto
era marcado pelo chamado “voto de cabresto”.
Marcos Verlaine. Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP.
Emendas alongam transição, ampliam espaço para
acordos e flexibilizam segundo dia de descanso.
Relator defende manutenção do texto aprovado pela
Câmara. Proposta abre pauta da CCJ do Senado na
quarta-feira.
Senadores de oposição lideram uma tentativa de
flexibilizar pontos centrais da PEC que acaba com a
escala 6x1, primeiro item da pauta da Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (2).
As propostas tentam manter a jornada de 44 horas em
algumas situações, ampliar o espaço para negociação
entre patrões e empregados, criar exceções e
estender o prazo para a chegada ao limite de 40
horas semanais.
A PEC 221/2019 recebeu 25 emendas. Izalci Lucas
(PL-DF) apresentou nove, Oriovisto Guimarães
(PSDB-PR), seis, Hermes Klann (PL-SC), três, e
Hamilton Mourão (Republicanos-RS), uma. Juntos,
concentram 19 propostas.
O texto aprovado pela Câmara reduz de 44 para 40
horas a jornada máxima semanal e garante dois dias
de repouso remunerado, sem redução salarial. A
transição dura 14 meses: o teto cai para 42 horas
dois meses após a promulgação e chega a 40 horas um
ano depois. A proposta já admite alguma
flexibilização por acordo ou convenção coletiva. As
emendas da oposição procuram ampliar esse espaço e
criar novas exceções.
Izalci quer preservar na Constituição o atual limite
de 44 horas semanais e deixar eventual redução para
acordo ou convenção coletiva. Na prática, a emenda
retiraria da PEC a redução obrigatória para 40
horas.
Oriovisto também propõe exceções ao novo teto. Uma
de suas emendas permite jornadas de até 44 horas por
lei, acordo ou convenção coletiva em setores como
saúde, transporte, segurança, comércio, hotelaria,
agronegócio e serviços essenciais.
Mais tempo para chegar às 40 horas
Oriovisto propõe reduzir uma hora por ano: 43 horas no
primeiro ano, 42 no segundo, 41 no terceiro e 40
apenas no quarto. O texto da Câmara conclui a
transição em 14 meses.
Izalci apresentou proposta semelhante, também
levando a jornada às 40 horas no quarto ano e
preservando durante a transição acordos e convenções
já em vigor. O senador do PL do Distrito Federal
aceita o limite de 40 horas em uma de suas
propostas, mas permite que a escala seja definida
até por acordo individual escrito.
Hamilton Mourão quer autorizar, mediante negociação
coletiva, jornadas como 12x36 e escalas 4x4 e 3x3.
Oriovisto também propõe mais liberdade para acordos
e convenções organizarem a distribuição da jornada.
Segundo dia de descanso também é alvo
Izalci tenta modificar outro ponto central da PEC. Em
suas emendas, mantém dois dias sem trabalho, mas
permite que apenas um seja considerado repouso
semanal remunerado em determinadas situações.
O segundo poderia ser tratado como dia útil não
trabalhado, sem os mesmos reflexos sobre outras
parcelas remuneratórias e sobre o FGTS.
As outras seis propostas foram apresentadas por
Vanderlan Cardoso (PSD-GO), Laércio Oliveira (PP-SE)
e Mara Gabrilli (PSD-SP), com duas cada. Mara, por
exemplo, propõe regras próprias de transição e
jornada para cuidadores.
Relator quer preservar texto da Câmara
Relator da PEC, Omar Aziz (PSD-AM) já sinalizou
resistência às mudanças. O parecer apresentado na
quinta-feira (27) recomenda a aprovação integral do
texto da Câmara e rejeita as 12 primeiras emendas.
As outras 13 foram apresentadas depois e
encaminhadas ao relator. Até agora, o parecer
disponível no Senado ainda não se manifesta sobre
elas.
A estratégia de Omar Aziz é evitar mudanças de
mérito e uma nova passagem pela Câmara. A PEC ainda
precisa de dois turnos no Plenário do Senado, com ao
menos 49 votos em cada um. Se prevalecer a posição
do relator, o texto poderá seguir para promulgação.
Se o Senado aprovar alguma mudança de mérito, terá
de voltar à Câmara.
Fonte: Congresso em Foco - Do Blog de Notícias da CNTI - https://cnti.org.br
Os dados divulgados pelo Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e
Emprego, apontam que 58.568 postos de trabalho com carteira assinada
foram abertos em julho. O indicador mede a diferença entre contratações e
demissões.
O saldo é 57,3% menor em relação a junho, quando o país criou 137.044 empregos.
A criação de empregos caiu 56,3% em comparação a julho do ano
passado, pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia.
No mesmo mês de 2025, tinham sido criados 133.932 postos de trabalho,
nos dados com ajuste, que consideram declarações entregues em atraso
pelos empregadores.
Em relação aos meses de julho desde 2020, esse é o resultado mais
baixo da série. A mudança da metodologia no Caged impede a comparação
com anos anteriores a 2020.
Acumulado
De janeiro a julho, o Caged registrou queda de 20,9% no acumulado de vagas formais:
972.203 (sete meses de 2026);
1.229.107 (sete meses de 2025).
Os dados trazem ajustes, quando o Ministério do Trabalho registra
declarações entregues fora do prazo pelos empregadores e retifica os
dados de meses anteriores.
Setores
Na divisão por ramos de atividade, quatro dos cinco setores pesquisados criaram empregos formais em julho.
Serviços: +24.098 postos;
Construção civil: +12.691;
Agropecuária: +12.523;
Indústria (de transformação, de extração e de outros tipos): +11.315
Um setor demitiu mais do que contratou em julho:
Comércio: -8.114 postos
Tradicionalmente, o mês de julho é fraco para o comércio,
principalmente para o varejo, que dispensou 3.674 pessoas a mais do que
admitiu.
Destaques
Nos serviços, a criação de empregos foi puxada pelo segmento de
transporte, armazenagem e correio, com a abertura de 18.150 postos
formais. A categoria de saúde humana e serviços sociais abriu
12.235 vagas. O setor de educação, no entanto, fechou 7.352 postos.
Na construção civil, o destaque positivo ficou com o segmento de
obras de infraestrutura, que abriu 7.087 empregos formais. Em segundo,
vêm os serviços especializados para construção, com 4.253 postos.
Na indústria, o maior gerador de empregos foi a fabricação de
produtos alimentícios, com 6.994 vagas, seguida por fabricação de
veículos automotores, reboques e carrocerias (+3.440) e fabricação de
máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+1.950).
Regiões e estados
Quatro das cinco regiões registraram abertura de vagas formais em julho.
Veja abaixo o desempenho de cada região:
Sudeste: +21.668 postos
Nordeste: +18.973
Centro-Oeste: +9.943
Norte: +8.375
Sul: -628
Na divisão por unidades da federação, 22 registraram saldo positivo e cinco demitiram mais do que contrataram. Os destaques na criação de empregos foram em São Paulo (+17.814), Mato Groso (+5.766) e Minas Gerais (+5.199).
As unidades da federação que eliminaram empregos formais em julho
foram Espírito Santo (-2.605), Rio Grande do Sul (-903), Tocantins
(-366), Santa Catarina (-248) e Distrito Federal (-134).
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, no Espírito Santo, as
demissões decorrem do fim da safra de café. No Tocantins, estão
relacionadas ao comércio e à agropecuária. No Rio Grande do Sul,
concentraram-se na indústria do fumo e no comércio.
Carteira assinada
Com a criação de empregos formais, o número de trabalhadores
com carteira assinada encerrou julho em 48.082.866, alta de 0,12% em
relação a junho e de 1,02% em relação ao mesmo mês do ano passado.
A
presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sônia
Zerino, participou, nesta quinta-feira (27), em São Paulo, da abertura
do Ciclo de Debates sobre Saúde Mental, Trabalho e Enfrentamento à
Violência contra a Mulher, promovido pelo Conselho Nacional do SESI.
Para Sônia Zerino, discutir esses temas exige atenção às condições em
que trabalhadoras e trabalhadores exercem suas atividades e aos impactos
que o ambiente profissional pode provocar na vida pessoal e familiar.
“Precisamos
tratar essas questões de forma integrada, ouvindo os trabalhadores e
fortalecendo a participação das instituições na construção de ambientes
de trabalho mais seguros, saudáveis e respeitosos. O enfrentamento à
violência contra as mulheres deve ter papel de destaque nessa agenda”,
destacou.
Durante o encontro, a dirigente sindical ressaltou a trajetória de 80
anos do SESI e sua atuação na promoção da qualidade de vida dos
trabalhadores. Para Sônia, a cooperação entre entidades, empresas, poder
público e instituições é fundamental para avançar na construção de
relações de trabalho mais humanas e equilibradas.
Agora,
no início da noite, a Agência Sindical falou com Ricardo Patah,
sindicalista comerciário em São Paulo-Capital e presidente Nacional da
UGT – União Geral dos Trabalhadores.
Inevitavelmente, o tema da
conversa foi a PEC 221, que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada
semanal de 44 para 40 horas, sem reduzir salários.
O presidente da
UGT confirma que, a partir de segunda, 31, o sindicalismo reforçará a
pressão junto aos senadores. Ele diz: “Creio que a votação da matéria na
CCJ não terá atropelos. Porém, no plenário a situação não é a mesma,
exigindo da nossa parte um superesforço concentrado no Senado”.
“Sem
agressividade, mas com persistência e vigor”, assim entende Ricardo
Patah deve ser a abordagem sindical junto aos senadores. Para o
sindicalista, “a hora de pôr pra votar é agora, antes das eleições em
outubro”.
A UGT, que desponta como segunda maior Central
brasileira, tem entre seus filiados um grande número de entidades
ligadas ao comércio e ao setor de serviços. Patah afirma: “Esses
companheiros e companheiras são os que mais se ressentem do desgaste
provocado pela escala 6×1 e devido à jornada de 44 horas”.
Conhecido
pelo modo enfático como defende as bandeiras trabalhistas, Ricardo
Patah está otimista quanto aos atos deste domingo, dia 30, e também em
relação à vigília dos sindicalistas e ativistas a partir de
segunda-feira, em Brasília.
Lula – Nos últimos
dias, o Presidente da República tem publicado conteúdos em que defende a
mudança na escala de trabalho e a redução da jornada pra 40 horas.
Inegável o peso de Lula no debate e tramitação da matéria. Seu apoio
agrega grande força a essa luta.
Nas
últimas semanas, o movimento sindical concentrou forças na aprovação da
PEC 221, que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho de 44
pra 40 horas. Os próximos dias serão de movimentação intensa, nas ruas e
junto aos senadores.
Domingo – Neste domingo,
30, sindicalismo e movimentos populares promovem manifestações visando
pressionar o Senado a votar a aprovação da PEC. Na CCJ do Senado, o
cenário é de aprovação. No plenário, não é bem assim.
Brasília –
Já nas primeiras horas da segunda, 31, dirigentes das Centrais e de
outras entidades reforçam o corpo a corpo nos gabinetes do Senado.
Orientação é consolidar os apoios, buscar novas adesões e isolar o
bolsonarismo, que é contra a PEC.
CTB – A Agência Sindical ouviu Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Ele é bancário.
Adilson
comenta: “O fim da extenuante escala 6X1 já é matéria vencida na
Câmara. Batalha agora é no Senado. A PEC 221 contempla o anseio de mais
de 70% da população que reclama o atendimento de uma velha reivindicação
da classe trabalhadora”. Ou seja, trabalhar menos pra poder viver mais e
melhor.
Segundo o cetebista, “a redução da jornada gera
inquietação em parte do patronato, que utiliza da desinformação, com
apoio na mídia burguesa, pra impedir e protelar a votação. Eles fazem
uma campanha falaciosa e alarmista. Vale recordar que o Brasil, por
resistência da classe dominante, foi o último País do mundo a acabar com
a escravidão”.
Adilson Araújo lembra que “o Brasil é o terceiro
País no mundo em incidência de doença ocupacional; é o segundo no G20
com maior registro de mortes por acidentes no trabalho”. Mas ele está
otimista. E diz: “O fim da desumana escala 6×1 e a jornada de 40 horas
vão colocar o Brasil em linha com diversos países que se beneficiaram, a
exemplo da França, que, ao reduzir a jornada pra 35 horas, viu a
economia crescer e gerar 350 mil novos postos de trabalho”.
Para o
presidente da CTB, “tudo o que Brasil precisa é, dentro de um Projeto
Nacional de Desenvolvimento, se apropriar do avanço tecnológico, dos
benefícios e ganhos com o aumento da produtividade, reindustrializar a
economia, desenvolver forças produtivas com efetividade na
infraestrutura, apoiando-se na engenharia, ciência e tecnologia e
inovação para gerar empregos de qualidade”.
CCJ –
Nesta fase de tratativas junto aos senadores, ganha importância a
experiência do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar). Marcos Verlaine, jornalista e consultor do Diap, tem
produzido conteúdo diário acerca da tramitação da PEC 221. Em texto
divulgado na noite da quinta (27), ele informa que “a PEC 221 está
pronta pra ser votada na CCJ em 2 de setembro e eventual pedido de vista
não impede aprovação na própria quarta”. Para Verlaine, a pressão do
sindicalismo e dos atos públicos pode ser decisiva para evitar novo
adiamento”.