Translate

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Pejotização avança e esvazia proteção trabalhista

 

 


 Migração de 5,5 milhões de trabalhadores da CLT para contratos via CNPJ amplia perdas para Previdência e FGTS e leva disputa sobre o futuro do trabalho ao STF

 

Trata-se da nova face da precarização. Estamos tratando da migração em massa de trabalhadores da CLT para contratos via PJ (pessoa jurídica), que transforma o trabalhador em “empresa” deixou de ser tendência restrita a profissionais de alta renda e passou a redesenhar o mercado de trabalho brasileiro.

Entre 2022 e 2025, cerca de 5,5 milhões de trabalhadores abandonaram vínculos formais e passaram a atuar como prestadores de serviço, segundo dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

 

O fenômeno, vendido por empresas como modernização das relações de trabalho e ampliação da flexibilidade, começa a produzir efeitos significativos sobre as contas públicas e a rede de proteção social.

Estimativas do governo apontam perdas de R$ 61,4 bilhões para a Previdência Social e de R$ 24,2 bilhões para o FGTS no período.

O crescimento acelerado da chamada pejotização levou o debate ao STF (Supremo Tribunal Federal), que realizará julgamento — Tema 1389 — com potencial para redefinir os limites entre contratação legítima e fraude trabalhista no País.

Semana passada, o Supremo decidiu retomar o andamento dos processos sobre pejotização na primeira e segunda instâncias da Justiça do Trabalho. Embora as ações possam voltar a tramitar nas varas e tribunais regionais, a Corte ainda não julgou o mérito da questão, pendente sob o Tema 1389 da repercussão geral.

O que está em jogo no STF

A discussão ganhou dimensão nacional após o STF suspender milhares de processos sobre reconhecimento de vínculo empregatício até o julgamento do Tema 1389, que deverá fixar tese de repercussão geral para todo o Judiciário.

O caso expõe divergência histórica entre a Justiça do Trabalho e setores empresariais. Enquanto o TST (Tribunal Superior do Trabalho) entende que a existência de CNPJ não afasta automaticamente o vínculo de emprego quando estão presentes subordinação, pessoalidade, habitualidade e remuneração, representantes do mercado defendem maior liberdade contratual.

Em audiência pública promovida pela Corte, magistrados, economistas, sindicalistas, empresários e especialistas divergiram sobre os efeitos do modelo. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, classificou a expansão da pejotização como ameaça à proteção previdenciária e trabalhista, alertando para o risco de esvaziamento do sistema de Seguridade Social, que engloba Previdência Social, Saúde Pública (SUS) e Assistência Social.

Nas redes e em fóruns especializados, o debate também se intensificou. De um lado, trabalhadores relatam ganhos líquidos maiores e maior autonomia profissional. De outro, multiplicam-se relatos de profissionais obrigados a abrir empresas para manter empregos que continuam funcionando sob as mesmas regras de subordinação típicas da CLT.

Crescimento impulsionado por empresas

A expansão da chamada pejotização não decorre apenas de escolha dos trabalhadores. Em muitos setores, essa tem sido estimulada por empresas interessadas em reduzir encargos trabalhistas e custos operacionais.

A diferença é expressiva. Enquanto a contratação formal envolve férias remuneradas, 13º salário, FGTS, contribuição previdenciária patronal e outras obrigações, os contratos PJ transferem parte desses custos e riscos para o trabalhador.

O resultado é pressão crescente para substituição de vínculos celetistas por contratos empresariais, sobretudo em segmentos de alta qualificação.

Levantamento da Catho mostra que as vagas para contratação via PJ cresceram 19% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Estudo da InfoJobs indica dado revelador: apesar da expansão desse modelo, 56% dos profissionais que atuam como PJ afirmam preferir retornar ao regime CLT, principalmente em busca de estabilidade e proteção social.

Onde a pejotização mais avança

A transformação é especialmente intensa em atividades ligadas à economia digital e aos serviços especializados.

Na área de tecnologia da informação, mais de 90% dos profissionais já atuam como pessoa jurídica. Em comunicação e marketing, a participação do modelo passou de 49% das vagas em 2021 para 68% em 2026.

A saúde também aderiu fortemente ao sistema. Médicos plantonistas, psicólogos e outros profissionais frequentemente trabalham por meio de empresas próprias. O mesmo ocorre em setores como engenharia, advocacia, consultoria e produção audiovisual.

Por outro lado, atividades com menor remuneração média e maior necessidade de controle operacional continuam predominantemente vinculadas à CLT, como comércio, logística, transporte coletivo, construção civil, limpeza urbana e serviços administrativos.

Conta que fica para o Estado

O avanço da pejotização produz efeito paradoxal. Embora reduza custos para empresas e possa elevar a renda líquida de parte dos profissionais, diminui significativamente a arrecadação destinada à Previdência Social e ao FGTS.

Especialistas em finanças públicas alertam que a expansão indiscriminada do modelo pode ampliar o desequilíbrio previdenciário justamente em momento de envelhecimento acelerado da população brasileira.

A preocupação também envolve o futuro dos próprios trabalhadores. Sem contribuição previdenciária regular, milhões de profissionais podem chegar à aposentadoria sem cumprir requisitos mínimos para acesso a benefícios ou depender exclusivamente de programas assistenciais financiados pelo Estado.

Flexibilidade ou fraude?

A questão central não é a existência do contrato PJ em si. Há consenso de que esse é legítimo em inúmeras atividades empresariais e profissionais. O problema surge quando a figura jurídica é utilizada para mascarar relações de emprego tradicionais.

Nesses casos, trabalhadores cumprem jornada fixa, respondem a superiores hierárquicos, não podem se fazer substituir e recebem remuneração periódica, mas sem qualquer proteção trabalhista.

É justamente essa fronteira que o STF será chamado a definir.

O julgamento poderá estabelecer marco regulatório para um dos temas mais sensíveis da economia contemporânea: o equilíbrio entre flexibilidade produtiva, competitividade empresarial e preservação dos direitos sociais.

Mais do que disputa jurídica, a discussão reflete o dilema estrutural do mercado de trabalho brasileiro.

De um lado, empresas pressionadas por custos e competição global. De outro, milhões de trabalhadores que veem na carteira assinada não apenas contrato de trabalho, mas rede de proteção cada vez mais rara em mercado marcado pela informalização crescente, que, em última instância, significa precarização das relações de trabalho.

 FONTE: DIAP

https://www.diap.org.br/index.php/noticias/agencia-diap/93001-pejotizacao-avanca-e-esvazia-protecao-trabalhista 

 

Governo veta integralmente projeto que reduz direitos trabalhistas como incentivo à contratação de jovens

Programa Contrato de Primeiro Emprego previa redução da alíquota do FGTS e da contribuição à Previdência; Congresso pode derrubar o veto


O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, vetou integralmente o projeto de lei que flexibiliza regras para a entrada no mercado de trabalho de jovens com idades entre 18 e 29 anos que nunca tiveram carteira assinada. O Programa Contrato de Primeiro Emprego, objeto do PL 5228/19, previa redução da alíquota do FGTS e da contribuição à Previdência como incentivos para as empresas contratarem pessoas sem experiência.


A mensagem de veto, publicada no Diário Oficial da União da quinta-feira (18), sustenta que o texto fere a Constituição ao instituir modalidade diferenciada de contrato trabalhista com diminuição de garantias laborais, o que constitui “afronta aos princípios da isonomia, da igualdade material e da vedação ao retrocesso social”. Além disso, a redução da alíquota do FGTS imporia aos trabalhadores “padrão protetivo inferior ao dos demais celetistas” e comprometeria o equilíbrio financeiro da Previdência Social.


O Congresso decidirá, em sessão conjunta, se mantém ou derruba o veto.


O projeto teve origem em proposta do senador Irajá (PSD-TO) e foi aprovado com modificações pela Câmara dos Deputados em novembro de 2023. A Câmara incluiu no texto as regras gerais da Carteira Verde e Amarela, objeto da Medida Provisória 905/19, cuja vigência acabou por não ser votada. O texto definitivo teve a aprovação do Senado em 27 de maio deste ano.

 

Fonte: Agência Câmara - Do Blog de Notícias da CNTI

 

https://cnti.org.br

sexta-feira, 19 de junho de 2026

DIAP divulga “Cabeças” do Congresso 2026; saiba quem são

 

O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) divulga a edição 2026 dos “Cabeças do Congresso Nacional”, estudo que identifica os parlamentares que mais se destacam pela capacidade de influenciar o processo decisório no âmbito do Poder Legislativo federal.

A edição reúne 100 parlamentares, sendo 69 deputados federais e 31 senadores. O estudo também registra a presença de 20 novos integrantes na elite parlamentar, refletindo a renovação e a ascensão de lideranças com crescente protagonismo no cenário político nacional.

Entre os atributos que caracterizam protagonismo no processo legislativo, destacam-se, na visão do DIAP, a capacidade de conduzir debates, negociações, votações, articulações e formulações, seja pelo saber, senso de oportunidade, eficiência na leitura da realidade, que é dinâmica, e, principalmente, facilidade para conceber ideias, constituir posições, elaborar propostas e projetá-las para o centro do debate, liderando a repercussão e tomada de decisão.

Enfim, é o parlamentar que, isoladamente, ou em conjunto com outras forças, é capaz de criar papel e contexto para desempenhá-lo.

Parlamentares em “ascensão”

Além dos 100 “Cabeças”, desde a 7ª edição da série, o DIAP divulga levantamento, que inclui na publicação anexo com outros 50 parlamentares. São os deputados e senadores em “ascensão”, que, mesmo não fazendo parte do grupo dos 100 mais influentes, têm recebido missões partidárias, podendo, mantida a trajetória ascendente, estar futuramente na elite parlamentar. Pode-se dizer que estão entre os 150 mais influentes. Dentre os 50 em “ascensão”, são 15 novos parlamentes. Sendo, 13 deputados, e 2 senadores.

Entende-se por parlamentar em “ascensão” aquele deputado ou senador que vem recebendo missões partidárias, políticas ou institucionais e se desincumbindo bem dessas. Estão também nessa categoria, os parlamentares que têm buscado abrir canais de interlocução, criando os próprios espaços e se credenciando para o exercício de lideranças formais ou informais no âmbito do Parlamento.

Parlamentares no exercício do mandato

A pesquisa inclui apenas os parlamentares que estavam no efetivo exercício do mandato no período de avaliação, que considera o desempenho parlamentar desde a posse, com prazo de avaliação até o mês de junho de 2026. Assim, quem esteve licenciado para assumir cargos fora do Parlamento este período, mesmo influente, não faz parte da publicação. Por isto, não constam entre os 100 mais influentes de 2026, o deputado licenciado do mandato, cumprindo missão no Poder Executivo: 1) ministros de Estado: deputado Alexandre Padilha (PT-SP); e o senador Wellington Dias (PT-PI); e 2) licenciado do mandato para tratar de interesses particulares: deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Leia o resumo da publicação, que, posteriormente estará completa, com os perfis individuais dos deputados e senadores.

 

Abaixo a relação completa dos “Cabeças do Congresso Nacional 2026”

(Parlamentares em caixa alta e negrito são os novos “Cabeças”)

Cargo

Nome/Partido

UF

Deputado

Aécio Neves – PSDB

MG

Deputado

Aguinaldo Ribeiro – PP

PB

SENADOR

ALAN RICK - REPUBLICANOS

AC

DEPUTADO

ALENCAR SANTANA - PT

SP

Deputado

Aliel Machado – PV

PR

Deputado

Altineu Côrtes – PL

RJ

Deputado

André Figueiredo – PDT

CE

DEPUTADO

ANDRÉ FUFUCA - PP

MA

Deputado

Antonio Brito – PSD

BA

Deputado

Arlindo Chinaglia – PT

SP

Deputado

Arnaldo Jardim - Cidadania

SP

Deputado

Arthur Lira – PP

AL

Deputado

Augusto Coutinho – Republicanos

PE

Deputado

Aureo Ribeiro – Solidariedade

RJ

Deputado

Baleia Rossi - MDB

SP

Deputada

Bia Kicis – PL

DF

DEPUTADO

CABO GILBERTO SILVA - PL

PB

SENADOR

CAMILO SANTANA - PT

CE

Deputado

Carlos Veras - PT

PE

Deputado

Carlos Zarattini - PT

SP

SENADOR

CID GOMES - PSB

CE

Senador

Ciro Nogueira – PP

PI

Senador

Confúcio Moura – MDB

RO

DEPUTADA

DAIANA SANTOS - PCDOB

RS

Deputado

Daniel Almeida – PCdoB

BA

Senador

Davi Alcolumbre – União Brasil

AP

Deputado

Domingos Neto - PSD

CE

Deputado

Doutor Luizinho – PP

RJ

Senador

Dr. Hiran - PP

RR

Senador

Eduardo Braga – MDB

AM

Senador

Eduardo Gomes – PL

TO

Senador

Efraim Filho – PL

PB

Senadora

Eliziane Gama – PSD

MA

Deputada

Erika Hilton - PSol

SP

Deputada

Erika Kokay – PT

DF

Deputado

Eunício Oliveira – MDB

CE

Deputado

Fernando Coelho Filho – União Brasil

PE

Senador

Flávio Bolsonaro – PL

RJ

DEPUTADA

GLEISI HOFFMANN - PT

PR

Deputado

Hugo Motta - Republicanos

PB

Senador

Humberto Costa – PT

PE

Deputado

Isnaldo Bulhões Jr. – MDB

AL

Deputada

Jandira Feghali – PCdoB

RJ

Senador

Jaques Wagner – PT

BA

DEPUTADO

JONAS DONIZETTI - PSB

SP

Deputado

Julio Lopes – PP

RJ

DEPUTADO

KIM KATAGUIRI - MISSÃO

SP

Deputada

Laura Carneiro – PSD

RJ

Deputado

Leo Prates – Republicanos

BA

DEPUTADO

LEUR LOMANTO JÚNIOR - UNIÃO BRASIL

BA

Deputado

Lincoln Portela – PL

MG

Deputado

Lindbergh Farias – PT

RJ

Deputado

Luiz Carlos Hauly – Podemos

PR

Deputado

Luiz Carlos Motta - PL

SP

Deputado

Luiz Gastão – PSD

CE

Deputada

Luiza Erundina - PSol

SP

Senador

Marcelo Castro – MDB

PI

Deputado

Marcos Pereira - Republicanos

SP

Deputada

Maria do Rosário – PT

RS

Deputado

Mário Heringer - PDT

MG

Deputado

Mendonça Filho - PL

PE

Senador

Nelsinho Trad – PSD

MS

Senador

Omar Aziz – PSD

AM

Deputado

Orlando Silva - PCdoB

SP

Senador

Otto Alencar – PSD

BA

Deputado

Paulinho da Força - Solidariedade

SP

Deputado

Paulo Abi-Ackel – PSDB

MG

Senador

Paulo Paim – PT

RS

Deputado

Paulo Pimenta – PT

RS

DEPUTADO

PAULO TEIXEIRA - PT

SP

Deputado

Pedro Campos – PSB

PE

Deputado

Pedro Lucas Fernandes - União Brasil

MA

Deputado

Pedro Lupion – Republicanos

PR

DEPUTADO

PEDRO UCZAI - PT

SC

Senadora

Professora Dorinha Seabra – União Brasil

TO

Senador

Randolfe Rodrigues – PT

AP

Deputado

Reginaldo Lopes – PT

MG

Senador

Renan Calheiros – MDB

AL

SENADOR

RENAN FILHO - MDB

AL

Deputado

Renildo Calheiros - PCdoB

PE

DEPUTADO

RODRIGO GAMBALE - PODEMOS

SP

Senador

Rodrigo Pacheco – PSB

MG

DEPUTADO

RODRIGO ROLLEMBERG

DF

Senador

Rogério Carvalho – PT

SE

Deputado

Rogério Correia – PT

MG

Senador

Rogério Marinho – PL

RN

Deputado

Rubens Pereira Júnior – PT

MA

DEPUTADO

SILVIO COSTA FILHO - REPUBLICANOS

PE

Deputado

Sóstenes Cavalcante – PL

RJ

Deputada

Tabata Amaral – PSB

SP

DEPUTADO

TARCÍSIO MOTTA

RJ

SENADORA

TERESA LEITÃO - PT

PE

Senadora

Tereza Cristina – PP

MS

Senador

Veneziano Vital do Rêgo – MDB

PB

Deputado

Wellington Roberto – PSD

PB

Senador

Weverton – PDT

MA

Deputado

Zé Silva – União Brasil

MG

DEPUTADO

ZÉ VITOR - PL

MG

Deputado

Zeca Dirceu – PT

PR

Senador

Zequinha Marinho – Podemos

PA

Paim defende redução da jornada de trabalho e divulga debate em 1º de julho


O senador Paulo Paim (PT-RS) destacou nesta quarta-feira (17) a promoção de uma sessão de debates temáticos no Plenário, no dia 1º de julho, sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso). Segundo Paim, a sessão foi confirmada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.


O debate deverá reunir representantes de trabalhadores, empresários, especialistas e integrantes do movimento Vida Além do Trabalho, que defende a redução da jornada.


Em pronunciamento no Plenário, Paim afirmou que o encontro servirá para aprofundar a discussão sobre os impactos da PEC  221/2019, que reduz a carga horária máxima de trabalho para 40 horas semanais e garante dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução de salários. A proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados e aguarda análise no Senado.


— Nesse mesmo dia, eu diria que teremos aqui um palco iluminado, fazendo um bom debate sobre a importância de reduzirmos a jornada de trabalho, como fizemos 40 anos atrás na Assembleia Nacional Constituinte — afirmou.

 

Fonte: Agência Senado

 

https://cnti.org.br/html/noticias.htm#Paim_defende_redu%C3%A7%C3%A3o_da_jornada_de_trabalho_e_divulga_debate_em_1%C2%BA_de_julho 

Juros continuam sufocando a produção e o emprego


 


A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual está muito aquém das necessidades da economia brasileira e das demandas da classe trabalhadora.

O Banco Central segue adotando uma política monetária excessivamente conservadora, que restringe investimentos, compromete a expansão da atividade econômica e dificulta a geração de empregos de qualidade.

Além disso, a redução anunciada produz impacto praticamente insignificante sobre o custo do crédito, que continua elevado para empresas, produtores e consumidores.

O Brasil apresenta inflação sob controle e reúne condições para uma redução mais significativa dos juros. Não há justificativa econômica para uma postura tão cautelosa, que mantém o país preso a um ciclo de baixo crescimento.

Enquanto o setor produtivo enfrenta dificuldades para investir e ampliar suas atividades, a manutenção de juros elevados continua beneficiando o rentismo e a especulação financeira, em detrimento da produção e do trabalho.

Com isso, o país perde oportunidades de acelerar o crescimento econômico, fortalecer a indústria nacional, estimular o consumo e ampliar a renda das famílias brasileiras.

A persistência de taxas de juros em patamares tão elevados também pressiona as contas públicas, aumentando os gastos com a dívida e reduzindo a capacidade do Estado de investir em áreas estratégicas e em políticas sociais.

As centrais sindicais continuarão defendendo uma redução mais consistente da Selic, compatível com os desafios do desenvolvimento nacional, da valorização do trabalho e da geração de emprego e renda.

O Brasil precisa de uma política econômica voltada ao crescimento sustentável, à reindustrialização, à valorização do trabalho e à distribuição de renda, e não de uma política que prolongue a estagnação e limite as perspectivas de desenvolvimento do país.

São Paulo, 17 de junho de 2026

Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros)
Sonia Zerino, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores)
 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

PEC 12/2026 amplia trabalho intermitente e ameaça direitos, alerta Dieese

 

Dieese alerta para a PEC da Maldade

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026, apresentada no Senado Federal, acende um alerta entre entidades sindicais e especialistas em relações de trabalho. Segundo análise do Dieese, a medida pode ampliar a lógica do contrato intermitente, conhecido como “contrato de zero hora”, criando um modelo em que a jornada e a remuneração ficam condicionadas à demanda das empresas.

A proposta surge após a aprovação, na Câmara, da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial e da ampliação do descanso semanal. Para o Dieese, enquanto uma iniciativa busca garantir mais tempo livre e proteção aos trabalhadores, a PEC 12/2026 segue caminho contrário ao flexibilizar jornada, salários e regras de contratação.

Pela proposta, o trabalhador poderia ser contratado com pagamento baseado apenas nas horas efetivamente trabalhadas. Na prática, a empresa deixaria de estabelecer uma jornada fixa, podendo convocar o empregado conforme suas necessidades. O estudo aponta que esse modelo transfere para o trabalhador os riscos das oscilações da atividade econômica, aumentando a insegurança sobre renda e estabilidade profissional.


O Dieese destaca que a chamada “liberdade” de escolha da jornada pode representar, na realidade, maior poder para as empresas definirem quando e quanto o trabalhador irá trabalhar. A entidade argumenta que, diante da desigualdade existente entre patrões e empregados, a negociação individual pode enfraquecer a proteção garantida pelos acordos e convenções coletivas.

Outro ponto de preocupação é a possibilidade de redução da renda mensal. Apesar de a PEC prever o pagamento proporcional de direitos como férias, 13º salário e FGTS, o estudo aponta que a ausência de uma jornada mínima contratada pode fazer com que trabalhadores recebam valores inferiores ao salário mínimo ao final do mês.


A análise também compara a proposta com a redução da jornada aprovada na Câmara. Segundo o Dieese, a PEC 221/2019 busca reduzir o tempo de trabalho para 40 horas semanais, sem diminuir salários, enquanto a PEC 12/2026 mantém a lógica da remuneração variável e do trabalho sob demanda.

Experiências anteriores com o contrato intermitente, criado pela reforma trabalhista de 2017, reforçam as críticas. Dados apresentados pelo Dieese mostram que, em 2025, havia 539,7 mil vínculos intermitentes no país, com remuneração média mensal de R$ 686,47. Mais da metade desses contratos não registrou atividade no período, resultando em remuneração igual a zero.


Para o Dieese, os números indicam que a flexibilização das relações de trabalho não trouxe a redução esperada da informalidade nem garantiu melhores condições aos trabalhadores. A entidade avalia que a PEC 12/2026 pode consolidar um modelo em que empresas ganham maior controle sobre a jornada, enquanto trabalhadores ficam submetidos à instabilidade de renda.

O debate agora deve avançar no Senado, onde representantes dos trabalhadores defendem que qualquer mudança nas regras de jornada preserve direitos históricos, fortaleça a negociação coletiva e garanta condições dignas de emprego.

MAIS – Site do Dieese

FONTE: Agência Sindical 

https://agenciasindical.com.br/dieese-alerta-para-a-pec-da-maldade/ 

Definição sobre PEC da 6×1 deve ficar para julho, afirma presidente da CCJ do Senado

Senador Otto Alencar, contudo, afirmou ainda não ter recebido sinalizações de presidente da Casa, Davi Alcolumbre, sobre trâmite da proposta


O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, afirmou que a definição de como será a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1 deve ficar para a primeira quinzena de julho.


O prazo deve frustrar a expectativa do governo, que esperava ver a medida, bandeira eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aprovada e promulgada pelo Senado e pela Câmara dos Deputados antes do início do recesso parlamentar, em 17 de julho.


Pelo trâmite normal, a CCJ é a primeira etapa de discussão da proposta, que foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, mas ainda não foi remetida à comissão pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).


— Ainda não tenho definição de quando o presidente Davi Alcolumbre vai despachar a PEC para a CCJ. Ele não falou nada comigo. Está tudo parado — disse o senador.


O cálculo de Otto que o tema deva ficar para julho leva em consideração o período de esvaziamento do Senado, motivada pelas festas juninas e a Copa do Mundo. Alcolumbre marcou sessões de votações semipresenciais nesta semana.


A decisão, que permite a participação de senadores em votações mesmo não estando em Brasília, atende a demandas de parlamentares, que têm preferido ficar em seus estados para articular as pré-campanhas eleitorais.


Conversa com Lula

 

Segundo interlocutores, Alcolumbre ainda aguarda uma conversa com Lula antes de destravar a votação da PEC no Senado. Os dois não se falam desde a rejeição da indicação do advogado geral da União (AGU), Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).


Alencar disse acreditar que, dependendo das conversas, ainda seria possível aprovar a PEC antes do recesso. Alcolumbre, contudo, já disse que não vai colocar a proposta em votação diretamente em plenário e que ela vai passar pelo menos por uma comissão.


Segundo interlocutores, o presidente do Senado também não deu qualquer sinalização ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos PB), com quem tem falado com freqüência, de que pretende acelerar a tramitação da PEC.


O presidente do Senado também ainda não definiu quem será o relator da PEC. Entre os cotados estão o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e o líder do PSD na Casa, Omar Aziz (AM).

 

Fonte: Agência O Globo - Do Blog de Notícias da CNTI


https://cnti.org.br/html/noticias.htm#Defini%C3%A7%C3%A3o_sobre_PEC_da_6%C3%971_deve_ficar_para_julho,_afirma_presidente_da_CCJ_do_Senado