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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Novo Bolsa-Família aquece mercado

O aumento de R$ 91,00 no valor do Bolsa-Família, anunciado pelo governo ontem (17), beneficiará as pessoas, o mercado interno e também os cofres públicos. “É dinheiro que multiplica”, afirma o economista e perito contábil, Pedro Afonso Gomes, também integrante do Conselho Federal de Economia.

O reajuste de 15% repõe a inflação ao elevar o valor por família para R$ 691,00. Pedro Afonso cita o fator “múltiplo de cinco”. E explica: “Cada R$ 1,00 destinado pelo governo ao consumidor multiplica-se por cinco, pois beneficia a pessoa, o comércio, os serviços e também aumenta a receita do governo via impostos gerados pela cadeia de negócios”.

Comida – O economista ressalta que a agricultura e o setor que comercializa alimentos serão diretamente contemplados. Hoje, em média, o pacote com cinco quilos de arroz custa em torno de R$ 20,00. Ou seja, os R$ 691,00 permitem comprar 34,5 pacotes de cinco quilos do alimento. Com os R$ 91,00 ao Programa, a família pode comprar mais 4,5 pacotes de cinco quilos.

A pendenga política, devido ao reajuste próximo do dia da eleição, na visão de Pedro Afonso Gomes já era previsível. Ele comenta: “O certo teria sido conceder meses atrás esse aumento, que é justo. Porém, quanto ao benefício em si ninguém em sã consciência irá contestar”.

Pela legislação em vigor, é proibido distribuir gratuitamente bens, valores ou benefícios no ano eleitoral, mas há exceções para casos de calamidade pública, estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), o Bolsa-Família beneficia atualmente 19,3 milhões de famílias em todo o Brasil. A multiplicação de 19 milhões por R$ 91,00 ao mês indica um forte aporte de dinheiro no mercado. Para Pedro Afonso Gomes, “esse dinheiro vai direto pro consumo e a tendência é beneficiar principalmente os pequenos negócios do setor de serviços, muitos deles na informalidade”.

MAIS – Site do MDS

 

FONTE: Agência Sindical

CNTI encerra plenária de 80 anos com defesa do sindicalismo, transição justa e soberania

 

Último dia em Luziânia reuniu debates sobre custeio sindical, mudanças climáticas e IA, além de homenagens, posse da nova direção e aprovação da Carta de Luziânia

 


O terceiro e último dia da Plenária Nacional CNTI 80 Anos, na quinta-feira (17), foi marcado por debates sobre os desafios do sindicalismo diante das transformações no mundo do trabalho, pela discussão sobre transição energética e tecnológica e, no encerramento, por homenagens, posse da nova diretoria e decisões políticas da entidade.

Na parte da manhã, o painel “Direito, estrutura e sustentação sindical” discutiu as mudanças no Direito do Trabalho, o financiamento das entidades, o chamado antissindicalismo institucionalizado e as assimetrias na relação entre capital e trabalho.

O debate foi mediado por Walison Reis, professor e auditor independente da W2M Auditoria, com participação da advogada e procuradora do Trabalho aposentada Elaine Nassif e do auditor-fiscal do Trabalho André Grandizoli, diretor do Departamento de Relações do Trabalho do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
 


Elaine Nassif chamou atenção para o que definiu como “sindicatofobia”, expressão utilizada para caracterizar, segundo ela, “discussão odiosa, discriminatória, contra os sindicatos”. Para a advogada, trata-se de “aversão social aos sindicatos e sindicalistas”, intensificada a partir de 2013 e acompanhada, na avaliação dela, por campanhas de desinformação e pelo que classificou como “massacre midiático”.

Ao abordar o financiamento sindical, Nassif afirmou que “não existe o direito de oposição, de lesar os outros”, defendendo que a liberdade individual não deve ser utilizada para comprometer a sustentação da organização coletiva dos trabalhadores.

A discussão ocorreu no contexto das mudanças no custeio sindical e da jurisprudência recente. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal fixou, no Tema 935, que é constitucional a contribuição assistencial estabelecida por acordo ou convenção coletiva, inclusive para não sindicalizados, desde que assegurado o direito de oposição.

Grandizoli, por sua vez, tratou do registro sindical e dos processos envolvendo organizações de trabalhadores em tramitação no Ministério do Trabalho.

VERDADE, MENTIRA E DISPUTA DE NARRATIVAS

Ao tratar da disputa de ideias em torno do sindicalismo, o debate também recuperou a conhecida “Parábola da Verdade e da Mentira”, segundo a qual a “Mentira” veste as roupas da “Verdade” e passa a circular com sua aparência, enquanto a “Verdade” permanece sem disfarces.

A metáfora foi utilizada para chamar atenção para a forma como discursos contra os sindicatos podem adquirir aparência de verdade quando repetidos sistematicamente. A reflexão serviu de contraponto à discussão sobre desinformação e criminalização da ação coletiva.

TRANSIÇÃO JUSTA E TRABALHO

O segundo painel da manhã discutiu “Transição justa: energética e ecológica”, que abordou crise ambiental, mudanças climáticas, impactos territoriais, migrações, novas demandas energéticas e hídricas e os efeitos das tecnologias de inteligência artificial e tecnologia da informação no Sul Global.



A mesa foi mediada por Pedro Ivo, presidente da Associação Alternativa Terrazul e coordenador do Fórum Brasileiro de ONG e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Participaram Suzi Huff Theodoro, professora doutora da UnB e coordenadora do projeto de remineralizadores do CTE (Centro de Treinamento e Educação) da CNTI, e Clemente Ganz Lúcio, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais e enviado especial da Presidência da COP30 para Assuntos do Trabalho.

Clemente defendeu maior preparação do movimento sindical para enfrentar a agenda climática. “É preciso preparar quadros para debater a agenda climática”, afirmou.

Ele também criticou a forma como o sindicalismo é retratado por parte da imprensa e defendeu a presença do movimento sindical no debate político. “O sindicalismo precisa sair das páginas policiais e ir para a página de política”, disse.

No caso, o movimento sindical é em geral colocado pelos patrões e a grande mídia sindical nas páginas policias, por preconceitos aflorados pela “sindicatofobia”.

Ao relacionar democracia e organização dos trabalhadores, foi enfático: “Sem democracia não há sindicatos e tampouco sindicalismo.” Para Clemente, o movimento sindical precisa estar preparado para enfrentar as mudanças econômicas, sociais e tecnológicas do século 21 e, ao mesmo tempo, dar maior atenção ao envelhecimento da população brasileira.

IA E FUTURO DO TRABALHO

Na parte da tarde, o debate se orientou para os impactos da Indústria 4.0, da automação avançada e da inteligência artificial na reconfiguração do ambiente fabril.

Foram discutidas as bases industriais da IA, a dimensão geopolítica das capacidades produtivas, os marcos regulatórios brasileiros, as diretrizes internacionais da OIT (Organização Internacional do Trabalho), a regulação algorítmica, o direito à desconexão e os riscos de desemprego estrutural.
 

 

O painel foi mediado por Leandro Cerqueira, assessor da Presidência da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), e contou com Cristina Akemi Shimoda Uechi, coordenadora-geral de Transformação Digital do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), e o professor doutor Joerg Nowac, do Irel (Instituto de Relações Internacionais) da UnB (Universidade de Brasília).


O debate reforçou a necessidade de que a transformação tecnológica seja acompanhada de regulação, qualificação profissional e participação dos trabalhadores na definição dos rumos da produção.

Após o almoço, os participantes se dividiram em grupos para discutir os temas da plenária. As conclusões foram posteriormente apresentadas ao conjunto dos delegados.

HOMENAGEM A CALIXTO E POSSE DA NOVA DIREÇÃO

O encerramento ganhou tom especialmente emotivo com a homenagem a José Calixto Ramos, histórico dirigente da CNTI. As filhas receberam placa em reconhecimento à trajetória do dirigente sindical e à contribuição que deixou para o movimento dos trabalhadores da indústria.
 


Na sequência, ocorreu a posse política da nova diretoria da CNTI, sob a presidência de José Reginaldo Inácio, com a entrega dos diplomas aos dirigentes.

O ato marcou formalmente a continuidade da direção da Confederação no ciclo em que a entidade celebra 8 décadas de existência e projeta atuação diante das transformações econômicas, tecnológicas e sociais.

MOÇÃO DE APOIO A LULA

No encerramento, os delegados aprovaram, por unanimidade, Moção de Apoio ao presidente Lula (PT) e à reeleição do mandatário.
 


O documento, aprovado pela Plenária Nacional CNTI, defende “apoio total e irrestrito à reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva” e vincula essa posição à defesa, segundo o texto, da democracia, da soberania nacional, dos direitos sociais e de projeto de desenvolvimento baseado na indústria brasileira, no emprego decente, na valorização do produto e no conteúdo nacionais.

A decisão integra o conjunto de deliberações políticas da plenária e explicita a posição aprovada pela entidade para o processo eleitoral de 2026.

CARTA DE LUZIÂNIA  ATUALIZA PLATAFORMA DA CNTI

Também foi aprovada a Carta de Luziânia1, documento que procura atualizar as formulações da CNTI 10 anos depois da Carta de Brasília, aprovada em 2016.

O texto faz diagnóstico crítico das transformações ocorridas na última década e aponta como desafios a sustentação financeira das entidades, a defesa do Direito Coletivo do Trabalho, a precarização das relações laborais, os impactos da IA, a desinformação e as mudanças climáticas.

Entre as diretrizes apresentadas estão o fortalecimento da formação sindical e da educação popular, a atualização programática da entidade, a participação no debate eleitoral de 2026, a defesa de contrapartidas sociais para investimentos públicos na Indústria 4.0, a redução da jornada sem redução salarial, o direito à desconexão e políticas de igualdade de gênero, raça e renovação geracional.

A Carta também destaca iniciativas desenvolvidas pela CNTI, como a usina fotovoltaica e o Centro de Experimentação com Remineralizadores e Agroecologia Socioprodutiva instalado no CTE de Luziânia.

Ao encerrar os trabalhos, o documento reafirmou, segundo os próprios termos, o compromisso da CNTI com “democracia política, soberania nacional e justiça social”.

Realizada em Luziânia (GO), a Plenária Nacional CNTI 80 Anos reuniu 288 delegados e combinou balanço histórico, análise da conjuntura e formulação de diretrizes para o sindicalismo industrial diante das mudanças no mundo do trabalho perante os avanços tecnológicos nessa quase terceira década do século 21.
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¹ Leia resumo da Carta: Documento apresenta análise crítica da última década no Brasil, e destaca retrocessos, ameaças e propostas de resistência sindical e social.

Contexto e diagnóstico:
• Em 2016, a Carta de Brasília representou a defesa da classe trabalhadora durante a crise política.
• 10 anos depois, a crise se agravou, e atingiu soberania e democracia.
• Aumentaram ameaças como a Lei 13.467/17, que institucionalizou a sindicatofobia e enfraqueceu o sindicalismo.
• A Reforma Trabalhista aprofundou desigualdades, desmantelou o Direito Coletivo e precarizou as condições de trabalho.
• Escândalos nos três poderes e crise ética alimentam desconfiança pública.
• Desinformação e manipulação ameaçam soberania e controle sobre recursos nacionais.
Objetivos e propostas:
• Fortalecer educação contra hegemônica e resistência sindical.
• Atualizar programa de defesa e consolidar a Carta de Luziânia.
• Intervir na eleição de 2026, exigindo compromisso com revisão de reformas regressivas.
• Exigir contrapartidas sociais na indústria 4.0, como redução de jornada e proteção ao trabalhador.
• Promover justiça de gênero, raça e renovação geracional na luta sindical.
• Celebrar conquistas como autonomia energética e projetos de sustentabilidade.
• Enfrentar ameaças desenvolvimento baseado na soberania, democracia e justiça social.

 

Clique aqui e leia o Moção de Apoio do Presidente Lula

 

Clique aqui e leia a Carta de Luziânia

 

Homenagens:

 

 

 

 

FONTE: CNTI

https://cnti.org.br/html/PlenNacCNTI80anos/PlenNacCNTI80anos3.htm 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Formação sindical e proteção ao trabalho no centro dos debates da CNTI

 



Plenária dos 80 anos reúne especialistas para discutir hegemonia, formação de lideranças, precarização, saúde do trabalhador e os desafios da proteção previdenciária

 


O segundo dia da Plenária Nacional CNTI 80 Anos, nesta quarta-feira (16), foi marcado por debates sobre a formação sindical e os impactos das transformações econômicas e sociais sobre o mundo do trabalho.

Ao longo do dia, dirigentes e militantes da base da Confederação discutiram desde a disputa de hegemonia e a preparação de novas lideranças até os efeitos da precarização sobre direitos, saúde e proteção previdenciária dos trabalhadores.
 


Na programação da manhã, o tema “Formação sindical e os impactos da realidade socioeconômica brasileira” abriu os trabalhos. O debate reuniu o professor titular da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Ricardo Lara, e o professor-doutor da UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), Diogo Prado Evangelista, com mediação de Fabrício José Missio, professor do Departamento de Economia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e presidente da Ipead/UFMG (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas).

As exposições abordaram os processos culturais, a hegemonia e as relações de poder na formação das lideranças, além das implicações da dominação ideológica sobre as relações de trabalho, a organização sindical e a esfera política.
 


Os debatedores também destacaram o papel da educação popular e da formação sindical diante da hegemonia patronal e das forças do mercado.

Para os especialistas, a preparação de dirigentes e militantes exige domínio de dados, informações históricas e indicadores socioeconômicos capazes de transformar conhecimento em instrumento de organização e ação da classe trabalhadora.

A discussão apontou, assim, para a necessidade de formação sindical que não se limite à transmissão de conteúdos, mas prepare os dirigentes para compreender a realidade, identificar os mecanismos de poder e atuar sobre esses.
 

 

TRABALHO, SAÚDE E PROTEÇÃO SOCIAL

Ainda pela manhã, a programação contou com a participação de Ileana Neiva Mousinho, subprocuradora-geral do Trabalho do MPT (Ministério Público do Trabalho), e Gilmar Ortiz, presidente da Abrastt (Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora).

O debate foi mediado pela professora e especialista em formação de lideranças sindicais e diretora da Repensar Cursos.

No período da tarde, os trabalhos avançaram para o tema “Trabalho e proteção previdenciária: realidade e perspectivas – precarização, ambiente, condições e saúde laboral”. A mesa temática foi mediada pelo professor-doutor René Mendes, coordenador do Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora, do IEA/USP (Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo).

 


Participaram como palestrantes Carolina Maria Ruy, jornalista e pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical, editora do Rádio Peão Brasil e integrante do Conselho Consultivo da Fundação Maurício Grabois; e Paulo Rogério Albuquerque de Oliveira, professor e auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil, autor de estudos e instrumentos relacionados ao PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário), NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário), FAP (Fator Acidentário de Prevenção) e aos eventos de SST (Saúde e Segurança do Trabalho) no eSocial.

O debate tratou dos impactos das Reformas Trabalhista e previdenciária sobre a realidade dos trabalhadores industriários e das novas formas de precarização, entre essas a terceirização irrestrita, a pejotização, o contrato intermitente e a plataformização algorítmica.

Também estiveram no centro das discussões as condições e os ambientes de trabalho na indústria, com os riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, inerente aos processos de trabalho, além das políticas de vigilância da saúde do trabalhador e da necessidade de ambientes laborais seguros.

DA INDUSTRIALIZAÇÃO AO NEOLIBERALISMO

Carolina Ruy recuperou a trajetória histórica das relações de trabalho e das condições laborais a partir das transformações do modelo de desenvolvimento brasileiro na década de 1930.

Na exposição, ela percorreu o período do nacional-desenvolvimentismo, as crises e transformações das décadas de 1970 e 1980 e o avanço do neoliberalismo.

A perspectiva histórica ajudou a situar as mudanças atuais no mundo do trabalho como parte de processo mais amplo de transformação econômica e social, no qual a organização sindical também precisa se adaptar para enfrentar novas formas de exploração e precarização.
 


Paulo Rogério, por sua vez, chamou atenção para mecanismos utilizados para contornar direitos trabalhistas e previdenciários, muitos desses pouco conhecidos pelos próprios trabalhadores. Para ele, a disputa também passa pelo domínio das novas tecnologias e pela capacidade de comunicação das entidades.

“Os sindicatos precisam deixar de ser analógicos para serem digitais. A era do papel e do PDF acabou”, enfatizou.

A afirmação sintetizou uma das preocupações que atravessaram os debates: a necessidade de modernizar instrumentos de organização, comunicação e formação sem perder de vista a defesa dos direitos e a representação coletiva dos trabalhadores.

DEBATE NOS GRUPOS

Depois das exposições e dos debates em plenário, os participantes da Plenária Nacional CNTI 80 Anos foram divididos em grupos de trabalho, dando sequência às discussões e aprofundando os temas apresentados ao longo do dia.
 


A programação combinou análise histórica, formação política e sindical, economia, saúde do trabalhador e proteção previdenciária, colocando diante dos dirigentes desafio comum: compreender as transformações do mundo do trabalho para fortalecer a capacidade de organização e defesa dos direitos da classe trabalhadora.

 

 

 

 

 

FONTE: CNTI 

https://cnti.org.br/html/PlenNacCNTI80anos/PlenNacCNTI80anos2.htm

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

CNTI 80 anos debate eleições, trabalho e soberania e projeta futuro da indústria


 

Plenária Nacional reúne dirigentes para discutir conjuntura, eleições de 2026, desafios do sindicalismo, indústria, soberania e participação de mulheres e jovens

 

 

Os 80 anos da CNTI foram marcados, nesta terça-feira (15), por agenda que combinou análise da conjuntura política, eleições de 2026, desafios do sindicalismo, desenvolvimento industrial, soberania nacional e renovação geracional.

A programação ocorreu no CTE (Centro Técnico Educacional) da entidade, em Luziânia (GO), onde também foram inaugurados a usina fotovoltaica da CNTI e o Ceras (Centro de Experimentação com Remineralizadores e Agroecologia Socioprodutiva). A programação integra a Plenária Nacional CNTI 80 Anos, realizada ao longo desta semana.

Na abertura dos trabalhos, o presidente da CNTI, José Reginaldo Inácio, destacou a singularidade do momento vivido pelo País e o significado histórico das 8 décadas da entidade.

Para ele, a celebração dos 80 anos representa também oportunidade de discutir os caminhos do movimento sindical diante das transformações econômicas, políticas, tecnológicas e sociais do Brasil.
 

 

 

 

CONJUNTURA E ELEIÇÕES

Sob mediação da presidenta do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Rita Serrano, a primeira rodada de debates tratou da conjuntura nacional e internacional, da correlação de forças entre os Poderes Executivo e Legislativo e dos impactos da grande mídia e das plataformas digitais sobre o debate público.

Também entraram na pauta as eleições de 2026, as agendas estratégicas da classe trabalhadora, o combate ao assédio nas relações de trabalho, a fiscalização e as denúncias de violações de direitos. O debate defendeu a construção de plataforma sindical capaz de formular propostas, incidir no debate político e estabelecer interlocução com candidaturas.

Rita Serrano chamou atenção para a mudança estrutural provocada pelo avanço do capitalismo plataformizado. Segundo ela, o objetivo já não se restringe ao controle do trabalho. “Não quer apenas o controle da força de trabalho; quer também o controle da mente dos trabalhadores.”

Para a presidenta do Diap, o cenário internacional e nacional tornou-se mais complexo. “O mundo está mais complexo”, afirmou, ao sustentar que o antigo “pacto de paz acabou” e que as minorias que contribuem para manter algum nível de estabilidade social demonstram capacidade de resistência.

“É necessário mudar a realidade atual, porque essa não nos serve”, afirmou Rita. Ao concluir a exposição, defendeu confiança na capacidade de transformação: “É preciso acreditar na capacidade de mudanças na realidade atual”.

A defesa da unidade sindical apareceu como eixo transversal dos debates, especialmente em torno da institucionalidade, da soberania nacional, da democracia e da preservação dos direitos trabalhistas.

PLATAFORMAS DIGITAIS E ELEIÇÕES

O jornalista Sylvio Costa, ex-editor do portal Congresso em Foco e presidente da Rede pela Soberania, abordou a crescente influência das plataformas digitais na formação da opinião pública e no debate político.

A exposição chamou atenção para o uso dessas ferramentas no processo eleitoral e para a atuação da extrema direita no ambiente digital, colocando para o movimento sindical o desafio de compreender novas formas de comunicação, disputa narrativa e mobilização política.

Na sequência, o jornalista e assessor parlamentar do Diap André dos Santos analisou as eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado. Ele destacou as dificuldades envolvidas na renovação do Congresso Nacional e chamou atenção para a necessidade de discussão que vá além da eleição presidencial.

“Não basta renovar o mandato do atual presidente; é preciso renovar para melhor o Congresso Nacional”, resumiu.

NIB E O PAPEL DO TRABALHADOR

Antes do almoço, a Plenária orientou-se para a NIB (Nova Indústria Brasil) e o papel estratégico do trabalhador industriário no projeto de desenvolvimento nacional.

O debate foi mediado pelo jornalista Marco Antônio Campanella e contou com a participação de Randal Farah, chefe da Diei (Diretoria de Inteligência e Economia da Indústria) da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), vinculada ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A discussão abordou a reindustrialização brasileira diante de cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, guerras comerciais e barreiras tarifárias.

Os participantes também discutiram a necessidade de contrapartidas sociolaborais na concessão de incentivos e subsídios públicos vinculados à NIB, com exigências relacionadas à geração de empregos decentes, valorização salarial e responsabilidade ambiental.

Outro ponto destacado foi o fortalecimento da organização dos trabalhadores nos locais de produção, incluindo os comitês de fábrica, como instrumentos de participação e resistência aos processos de desindustrialização.

A agenda dialoga com iniciativas que a própria CNTI vem defendendo na área de ciência, tecnologia, inovação, transição energética e trabalho decente. Em agosto, a entidade havia apresentado à ministra Luciana Santos propostas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, inovação e fortalecimento das políticas públicas para o setor produtivo.

INDÚSTRIA, CIÊNCIA E TRABALHO

Na parte da tarde, a abertura solene da Plenária foi marcada pela exibição do vídeo institucional produzido para os 80 anos da CNTI, recuperando a trajetória da entidade e a relação com a história do trabalho e da industrialização brasileira.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o papel dos trabalhadores no processo de desenvolvimento nacional. “Os trabalhadores da indústria têm papel indispensável no desenvolvimento nacional. E fortalecer a indústria significa, portanto, fortalecer o trabalho.”

A ministra ressaltou ainda que são os trabalhadores que transformam conhecimento, matéria-prima e tecnologia em riqueza para o País, vinculando ciência, inovação e produção à valorização do trabalho.
 

 

 


MULHERES, JUVENTUDE E TRANSIÇÃO GERACIONAL

O encerramento dos debates da tarde colocou no centro da discussão a renovação do movimento sindical. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, abordou gênero, transição geracional e juventude no contexto sindical.

A programação contou ainda com exposição da diretora-técnica do Dieese, Adriana Marcolino, que contribuiu para a análise das transformações no mundo do trabalho e dos desafios colocados à organização sindical.

Também participou Mazé Morais, agricultora familiar, dirigente sindical e coordenadora-geral da Marcha das Margaridas. Secretária Nacional de Mulheres da Contag, Mazé ampliou sua atuação política em 2026 ao assumir também a Secretaria Nacional de Mulheres do PT.

A presença de mulheres e jovens na programação reforçou uma das questões estratégicas colocadas para o sindicalismo: como preservar a memória e o legado das entidades sem perder a capacidade de dialogar com as novas gerações e com as transformações do mundo do trabalho.

 

Participou ainda, na parte da tarde, o ministro interino do Trabalho e Emprego, Francisco Macena, que saudou os 80 anos da CNTI e destacou os desafios da pasta diante de cenário econômico e social ainda marcado pela precarização das relações de trabalho.


Entre os principais problemas, citou a chamada pejotização, mecanismo que, ao substituir vínculos formais por relações contratuais mais frágeis, amplia a insegurança e reduz direitos.

O enfrentamento dessa prática, que afeta diretamente a proteção trabalhista, está entre as prioridades da atuação da CNTI em defesa do trabalho decente e dos direitos dos trabalhadores.

SUSTENTABILIDADE E SOBERANIA

O dia foi encerrado com a inauguração da Usina Fotovoltaica da CNTI e do Ceras (Centro de Experimentação com Remineralizadores e Agroecologia Socioprodutiva).

Ambas as iniciativas aproximam a estrutura da entidade de temas que ganharam espaço na agenda sindical contemporânea: transição energética, sustentabilidade, inovação, agroecologia e desenvolvimento tecnológico.

A usina fotovoltaica também simboliza a aposta da CNTI em fontes renováveis de energia. Já o Ceras amplia o campo de atuação da entidade para experiências relacionadas à agroecologia e ao uso de remineralizadores.

A combinação entre os debates políticos e sindicais e as novas estruturas inauguradas em Luziânia deu ao encontro sentido que ultrapassa a comemoração das 8 décadas.

A Plenária colocou em discussão o papel do sindicalismo diante de um mundo em transformação, no qual democracia, soberania, indústria, tecnologia, meio ambiente, direitos trabalhistas e renovação geracional passam a integrar a mesma agenda.

Ao completar 80 anos, a CNTI procura, assim, articular memória, organização sindical e projeto de futuro, reafirmando a centralidade do trabalho na construção do desenvolvimento brasileiro.

 

 

 

Inauguração da Usina de Energia Fotovoltaica

 

 

 

 

 

Confira a Programação!

 

FONTE: CNTI

https://cnti.org.br/html/PlenNacCNTI80anos/PlenNacCNTI80anos.htm