A produção industrial brasileira teve
alta de 0,7% em abril de 2026 frente a março de 2026, na série com
ajuste sazonal, quarto mês seguido de aumento, acumulando 4,4% de avanço
neste período.
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta
quarta-feira (3), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Com o resultado, a indústria está 4,7% acima do patamar pré-pandemia
(fevereiro de 2020), mas registra 12,9% abaixo do nível recorde,
alcançado em maio de 2011.
A indústria brasileira acumula crescimento de 1,7% nos quatro primeiros meses de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior.
Na passagem de março para abril de 2026, duas das quatro grandes
categorias econômicas e 14 dos 25 ramos industriais pesquisados
avançaram na produção. As influências mais significativas vieram
dos segmentos de indústrias extrativas (3,1%) e coque, produtos
derivados do petróleo e biocombustíveis (3,1%), ambas crescendo pelo
quinto mês consecutivo.
“Nestas atividades, as pressões positivas mais relevantes vieram de
óleos brutos de petróleo, gás natural e minério de ferro, no caso do
setor extrativo, e de álcool etílico e dos derivados do petróleo,
especialmente o óleo diesel, para a atividade dos derivados do petróleo e
biocombustíveis”, explicou o gerente da PIM, André Macedo.
Segundo o IBGE, outras contribuições positivas sobre o total
da indústria vieram de produtos de borracha e de material plástico
(3,1%), produtos de madeira (8,5%), produtos têxteis (4,1%) e máquinas,
aparelhos e materiais elétricos (2,2%).
Por outro lado, entre as 11 atividades que recuaram na produção,
produtos químicos (-3,9%) exerceu a principal influência no mês.
"Destaca-se também os impactos negativos dos setores de produtos
farmoquímicos e farmacêuticos (-6,0%), máquinas e equipamentos (-2,9%),
veículos automotores, reboques e carrocerias (-0,7%) e metalurgia
(-1,0%)", diz o IBGE.
O senador gaúcho Paulo Paim foi o grande
homenageado da cerimônia de abertura da 18ª edição do Fórum Sindical Sul
(FSS-2026), realizada nesta quarta-feira, dia 27 de maio, em Itapema
(SC). Diante de centenas de dirigentes sindicais e trabalhadores de
cinco estados brasileiros, o parlamentar fez uma defesa contundente da
democracia, do fortalecimento do movimento sindical, da redução da
jornada de trabalho e da organização política da classe trabalhadora.
Com quase quatro décadas de atuação no
Congresso Nacional, Paim afirmou que o movimento sindical precisa
continuar ocupando os espaços políticos para garantir direitos e
enfrentar os desafios impostos ao mundo do trabalho.
“No meu tempo de sindicalista era uma
novela mostrar para alguns dirigentes que tinha que fazer política. Hoje
chego aqui e vejo aquela bela frase em defesa da democracia, do Governo
Lula, da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1; em
defesa da unicidade sindical, do custeio confederativo, da igualdade e
do fim da violência contra as mulheres. Deixem elas viver!”, declarou.
Em um discurso marcado por reflexões
políticas, sociais e emocionais, o senador destacou que viver em
sociedade é, necessariamente, um ato político.
“Homens e mulheres que dedicam suas vidas à
defesa da classe trabalhadora vivem em comunidade, vivem uns para os
outros. Viver é um ato político e social. Tudo passa pela política”,
afirmou.
Paim também falou sobre o encerramento de
sua trajetória parlamentar após 40 anos no Congresso Nacional,
ressaltando a importância da renovação política.
“Aprendi que homem público deve saber o
momento de entrar, mas também precisa ter a grandeza de reconhecer o
momento de sair. Saio e abro a porta para os mais jovens. Em breve deixo
a vida parlamentar, mas não a política, porque é por meio dela que
podemos melhorar, de forma concreta, a vida do nosso povo”, destacou.
Ao recordar sua trajetória legislativa, o
senador citou projetos históricos de sua autoria aprovados ao longo das
últimas décadas, entre eles o Estatuto do Idoso, o Estatuto da Pessoa
com Deficiência, o Estatuto da Igualdade Racial e políticas públicas
voltadas às pessoas com Alzheimer.
“Meu segredo sempre foi a escuta. Só
conseguimos aprovar tantas políticas públicas porque havia diálogo e
compromisso social”, afirmou.
Paim também destacou avanços conquistados
em parceria com o movimento sindical e governos comprometidos com pautas
sociais, como a política de valorização do salário mínimo.
“Implantamos a política de valorização do
salário mínimo junto com o movimento sindical. Antes era cerca de 60
dólares, hoje estamos próximos dos 350 dólares”, ressaltou.
Durante sua fala, o senador lembrou ainda
da inclusão de Zumbi dos Palmares no Livro dos Heróis e Heroínas da
Pátria e da criminalização do preconceito racial no Brasil.
“O movimento sindical sempre esteve ao lado da democracia, da igualdade e da justiça social”, pontuou.
Ao analisar o cenário político nacional,
Paulo Paim classificou o atual momento como “difícil e conturbado”,
marcado por tensões sociais, econômicas e políticas, e alertou para a
necessidade de mobilização permanente da classe trabalhadora.
“Os desafios serão enormes e exigirão mobilização permanente do movimento sindical e da classe trabalhadora”, afirmou.
Redução da jornada e fim da escala 6×1
Um dos principais temas abordados pelo
senador foi a luta histórica pela redução da jornada de trabalho no
Brasil. Paim lembrou que o debate atravessa gerações e destacou que o
movimento sindical segue pressionando pela aprovação das 40 horas
semanais sem redução salarial.
“A redução da jornada vem desde os tempos
de Getúlio Vargas. Ele criou as 48 horas. Nós conquistamos as 44 horas
na Constituinte e queríamos as 40 horas naquela época, mas perdemos.
Passaram-se 40 anos e agora vamos conquistar as 40 horas”, afirmou.
O senador explicou que possui um projeto
apresentado em 2015 já pronto para votação no Senado, mas destacou que a
proposta em tramitação na Câmara Federal, liderada pelos deputados
Reginaldo Lopes e Erika Hilton, pode avançar antes devido às regras
regimentais.
“Projeto bom é projeto aprovado. Não quero saber quem é o autor”, disse.
Paim também elogiou o movimento VAT (Vida
Além do Trabalho), liderado por Rick Azevedo, que ganhou força nacional
no debate sobre o fim da escala 6×1.
Segundo o parlamentar, a redução da jornada de trabalho poderá gerar milhões de empregos e fortalecer a economia brasileira.
“A redução da jornada pode gerar cerca de
4,5 milhões de novos empregos diretamente, aumentar a massa salarial e
acompanhar uma tendência mundial. Desde 1935 a OIT recomenda as 40 horas
semanais e muitos países já discutem jornadas de 36 horas. O Brasil
está atrasado”, destacou.
Ele citou ainda experiências
internacionais, como a implementada por Henry Ford nos Estados Unidos há
mais de um século, reduzindo a jornada sem redução salarial.
“A redução da jornada diminui a rotatividade, fortalece setores como lazer e entretenimento e ajuda toda a economia”, completou.
Defesa do movimento sindical
Em outro momento de sua palestra, Paulo
Paim destacou o papel histórico do sindicalismo brasileiro na criação da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na redemocratização do país e
na defesa dos direitos sociais.
“O movimento sindical foi fundamental na criação da CLT, na redemocratização deste país e na defesa da democracia”, afirmou.
O senador alertou ainda para os projetos
em tramitação no Congresso Nacional que, segundo ele, têm como objetivo
enfraquecer os sindicatos e flexibilizar direitos trabalhistas.
“Há inúmeros projetos com objetivo claro
de enfraquecer o movimento sindical. Querem ampliar acordos individuais
em detrimento dos acordos coletivos, inviabilizar o financiamento das
entidades sindicais e alterar profundamente a CLT”, alertou.
Paim criticou duramente o avanço da pejotização das relações de trabalho.
“Pejotização é um crime. Estão pejotizando até pedreiro. Os números são alarmantes e isso pode quebrar a Previdência”, afirmou.
Ao final da palestra, o senador reforçou a
necessidade de diálogo com as novas gerações e de reinvenção do
movimento sindical sem abrir mão da defesa da classe trabalhadora.
“É necessário dialogar com os jovens e
reinventar o sindicalismo sem perder sua essência. O movimento sindical é
um movimento de resistência e de conquista”, concluiu.
Ovacionado pelos participantes do Fórum Sindical Sul, Paulo Paim encerrou sua participação emocionado.
“Volto para casa, mas continuo onde o movimento sindical estiver”, declarou.
Proposta liderada pelo
senador Rogério Marinho (PL-RN) surge como reação à vitória dos
trabalhadores na Câmara e amplia poder patronal para definir jornadas
por meio de negociação individual
Trata-se de proposta contra a redução da jornada e o fim da escala
6x1, e a favor da flexibilização de direitos. É disse que se trata a PEC
12/26, assinada por 40 senadores.
A apresentação dessa proposta ocorreu menos de 24 horas após a Câmara
dos Deputados aprovar, em 2 turnos, a PEC (Proposta de Emenda à
Constituição) 221/19, que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para
40 horas e extingue a escala 6x1, bloco de senadores conservadores e
alinhados aos interesses empresariais protocolou no Senado a PEC 12/26,
já apelidada por movimentos sindicais e setores do mundo do trabalho de
“PEC dos patrões”.
Leia também: Senado esvazia “PEC dos patrões” e prioriza proposta que reduz jornada e extingue escala 6x1
A proposta é encabeçada e foi apresentada pelo senador Rogério
Marinho (PL-RN), ex-ministro do governo Bolsonaro e relator da Reforma
Trabalhista de 2017 quando era deputado federal.
O texto altera o artigo 7º da Constituição para permitir que
jornadas, escalas e distribuição da carga horária sejam definidas por
acordo individual entre empregado e empregador, além das negociações
coletivas já previstas em lei.
Embora os defensores da proposta utilizem expressões como
“liberdade”, “modernização” e “autonomia do trabalhador”, críticos
apontam que a PEC institucionaliza a desigualdade existente na relação
entre capital e trabalho, transferindo para negociações individuais
direitos que historicamente foram protegidos pela legislação trabalhista
e pela organização sindical.
Na prática, a proposta recoloca no centro da legislação trabalhista
brasileira a lógica que inspirou a Reforma Trabalhista de 2017: a
prevalência da negociação sobre a proteção legal, mesmo quando uma das
partes possui poder econômico muito superior à outra.
Rogério Marinho e a continuidade
da agenda de flexibilização
O primeiro signatário da PEC não é personagem secundário nesse
debate. O senador Rogério Marinho foi o principal relator da Reforma
Trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer (MDB), uma das
maiores alterações na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) desde a
criação deste relevante Código do Trabalho.
À época, defensores da contrarreforma prometeram geração massiva de
empregos, formalização das relações trabalhistas e fortalecimento da
economia. Passados quase 10 anos, o mercado de trabalho brasileiro
continua marcado pela precarização, pela informalidade elevada, pela
expansão do trabalho por aplicativos e pelo enfraquecimento da
capacidade de negociação coletiva dos trabalhadores, por meio dos
sindicatos, que foram enfraquecidos sobremodo.
Agora, diante da mobilização nacional que recolocou a redução da
jornada no centro do debate público, Marinho volta a liderar ofensiva
legislativa em sentido contrário. Em vez de discutir a repartição dos
ganhos de produtividade, o aumento do tempo livre e a melhoria das
condições de vida da população trabalhadora, a PEC 12/26 amplia os
mecanismos de flexibilização – precarização - das relações laborais.
A proposta surge exatamente no momento em que a sociedade brasileira
passa a questionar jornadas exaustivas, adoecimento mental, excesso de
trabalho e a permanência de modelo herdado do século passado.
Reação do bloco conservador
A chamada PEC dos patrões foi protocolada como resposta direta à
aprovação da PEC 221/19, do fim da escala 6x1 na Câmara. O próprio
debate no Senado já revela a disputa entre dois projetos distintos de
sociedade.
A PEC 221 chancelada pela Câmara, por meio do relatório do deputado
Leo Patres (Republicanos-PB), é um substitutivo que reuniu as propostas
do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) — PEC 221/19 — e da deputada Erika
Hilton (PSol-SP) — PEC 8/25 —, aprovado na comissão especial e depois no
plenário da Casa.
De um lado, está a proposta aprovada por amplíssima margem de votos
pelos deputados, que reduz a jornada sem redução salarial e amplia os
períodos de descanso remunerado.
Do outro, a PEC 12/26, que transfere para negociações individuais a
definição de aspectos centrais da jornada de trabalho, sob o argumento
de maior flexibilidade.
O embate revela divergência profunda: enquanto um campo defende que
os avanços tecnológicos e os ganhos de produtividade devem beneficiar
também os trabalhadores por meio da redução da jornada, o outro sustenta
que a solução passa pela ampliação da liberdade contratual entre
empregado e empregador.
Críticos dessa PEC observam que essa suposta liberdade ignora a
assimetria estrutural existente nas relações de trabalho. Em país
marcado, como é o caso do Brasil, pelo desemprego, pela informalidade e
pela concentração de renda, o trabalhador frequentemente negocia sob
necessidade econômica, não em condições de igualdade.
Senadores que assinam a PEC dos patrões
Segundo os registros do Senado Federal, os signatários da PEC 12/26
incluem parlamentares de partidos da direita e do centro-direita:
PL: Rogério Marinho (RN), Marcos Rogério (RO),
Hermes Klann (SC), Magno Malta (ES), Marcos Pontes (SP), Wilder Morais
(GO), Jaime Bagattoli (RO), Flávio Bolsonaro (RJ), Carlos Portinho (RJ),
Eduardo Gomes (TO), Márcio Bittar (AC), Sergio Moro (PR), Romário (RJ) e
Efraim Filho (PB).
PP: Laércio Oliveira (SE), Luis Carlos Heinze (RS), Ciro Nogueira (PI), Tereza Cristina (MS) e Dr. Hiran (RR).
Republicanos: Damares Alves (DF), Hamilton Mourão (RS) e Angelo Coronel (BA).
Podemos: Zequinha Marinho (PA) e Styvenson Valentim (RN).
PSD: Lucas Barreto (AP) e Nelsinho Trad (MS).
Novo: Eduardo Girão (CE).
PSDB: Plínio Valério (AM).
Avante: Marcos do Val (ES)
Os registros oficiais consultados até o momento disponibilizam
parcialmente a relação de signatários na tramitação pública da matéria. O
Senado informou inicialmente 36 assinaturas no protocolo, número
posteriormente ampliado para mais de 40 apoios políticos durante a
articulação da proposta.
O que está em disputa
O debate sobre a jornada de trabalho não é apenas econômico. Trata-se
de disputa sobre tempo, qualidade de vida, saúde física e mental,
convivência familiar e distribuição dos ganhos produzidos pela
sociedade.
A PEC aprovada pela Câmara parte do princípio de que o avanço
tecnológico deve resultar em mais descanso e melhor qualidade de vida
para quem trabalha.
A PEC dos patrões aposta na ampliação da flexibilidade contratual como resposta às transformações do mercado.
Por isso, a batalha que agora se desloca para o Senado tende a se
transformar em um dos principais confrontos políticos e sociais de 2026:
de um lado, trabalhadores defendendo a redução da jornada e o fim da
escala 6x1; de outro, setores empresariais e parlamentares
conservadores, de direita e extrema-direita tentando preservar
mecanismos de precarização das relações de trabalho sob o discurso da
“liberdade contratual”.
Os trabalhadores podem usar, desde a
última segunda-feira (25), parte dos recursos disponíveis do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para renegociar dívidas em atraso
com bancos e instituições financeiras no Novo Desenrola Brasil.
A modalidade inédita de uso do FGTS para colocar as finanças em dia
tem o objetivo de diminuir os índices de inadimplência dos trabalhadores
no Brasil.
A expectativa do governo federal é que o programa de reequilíbrio financeiro movimente até R$ 8,2 bilhões em recursos do FGTS, de acordo com números informados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O Ministério da Fazenda, que coordena o programa, esclarece que o uso do FGTS suspenderá temporariamente novos saques anuais e antecipações do saque-aniversário até a recomposição do saldo.
Quem pode acertar dívidas
Chamada também de Desenrola 2.0, a iniciativa de renegociação é destinada a:
Trabalhadores formais com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105, em 2026);
Clientes com dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e 720 dias (cerca de dois anos);
Entram na lista as dívidas em atraso com cartão de crédito, cheque especial e Crédito Direto ao Consumidor (CDC).
Ao entrar no Desenrola, o trabalhador poderá usar até 20% do
saldo do fundo ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor, para
amortização (redução parcial da dívida) ou quitação de débitos em
atraso.
O saldo do fundo destinado à renegociação de dívidas já pode ser consultado no aplicativo do FGTS no Novo Desenrola Brasil.
Contas ativas e inativas do FGTS poderão ser usadas pelo trabalhador. Terão prioridade as inativas.
O que o Novo Desenrola Brasil oferece
Para possibilitar o pagamento parcial ou integral das dívidas
atrasadas, o Novo Desenrola Brasil oferece condições diferenciadas e
mais acessíveis ao trabalhador inadimplente:
Desconto de até 90% aplicados sobre o valor da dívida original;
Taxa máxima de juros de 1,99% ao mês;
Prazo de parcelamento de 12 a 48 vezes;
Consolidação das dívidas em uma única operação.
Como aderir
De acordo com o Ministério da Fazenda, para aderir ao programa
federal, primeiramente, o trabalhador deverá autorizar o acesso das
instituições financeiras onde tem as dívidas ao saldo do FGTS para pagar
dívidas, diretamente no aplicativo do FGTS, disponível para Android e iOS. É preciso fazer login com Cadastro de Pessoa Física (CPF) e senha da plataforma Gov.br.
Depois da autorização no aplicativo, o trabalhador deve procurar o
banco e outras instituições financeiras nas quais tenha dívidas e pedir
adesão ao programa.
Os bancos poderão consultar o saldo disponível por até 90 dias.
Renegociação da dívida
Não será necessário comparecer às agências bancárias da Caixa para concluir a operação.
O prazo estimado para formalização online da operação é de até 30 dias após a consulta do saldo disponível.
Após concretizar a renegociação da dívida, as informações serão
registradas na Caixa Econômica Federal, responsável por administrar os
recursos do fundo.
O banco oficial, então, fará a transferência dos valores diretamente aos bancos responsáveis pelos contratos.
Vencida
a etapa na Câmara dos Deputados, as PECs da redução para 40 horas
semanais e do fim da escala 6×1 dependem, agora, do Senado. Esse trâmite
é regimental. Ou seja, o caminho é obrigatório.
Ainda na quinta, dia 28, os dirigentes das Centrais Sindicais se
reuniram para definir as ações e articulações com os senadores. São três
por Estado. A Casa é presidida por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP),
cuja relação com o governo federal é repleta de altos e baixos.
A Agência Sindical falou com Sérgio Luiz Leite (Serginho), que preside a
Federação dos Químicos do Estado de SP e também é vice-presidente
nacional da Força Sindical.
“No campo sindical”, ele diz, “o espírito é muito positivo. É forte a
disposição de mobilizar, pressionar, mas também de dialogar com todos os
partidos, de todas as tendências”.
Os secretários-gerais das Centrais vão se reunir em São Paulo para
informar as providências de cada entidade e de que modo elas orientarão
seus filiados.
Serginho explica: “São três senadores por Estado. Vamos tratar com eles
nos seus Estados, sem descuidar das tratativas nos gabinetes de Brasília
ou em eventuais comissões”. Ele informa que o Diap está fazendo o
mapeamento Estado por Estado.
O ambiente no Senado ainda está sendo apalpado. Lá, joga pesado Rogério
Marinho, bolsonarista-raiz que despreza direitos trabalhistas e quer
impor o padrão salarial por hora, fora da tradição brasileira. CCJ – Um dos esforços do sindicalismo é emplacar o
senador Oto Alencar numa futura presidência da CCJ no Senado. Ele
pertence ao PSD, um partido centrista que não se nega a dialogar.
Pressão – “Nossas articulações serão mais fortes e
efetivas se respaldadas em atos públicos e manifestações sindicais e
populares organizadas”, comenta Serginho.
O Senado terá um terço renovado nas próximas eleições. O dirigente
forcista vê aí um espaço importante para articular o avanço da PEC e
definir voto a favor do fim da escala 6×1 e da jornada reduzida para 40
horas semanais.
Passar um dia na praia com as filhas de 12 e 7
anos é a intenção da atendente de lanchonete Gessiane Roberto Vianna, de
28 anos, quando tiver mais um dia de descanso.
"É minha mãe que dá café da manhã [para as filhas], que leva para a
escola, que busca, porque eu não tenho tempo", conta a atendente, de 28
anos.
Gessiane Roberto Vianna, atendente de lanchonete, exibe foto das filhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Além das 44 horas semanais, a jornada diária inclui ainda
duas horas de transporte para ir e voltar da lanchonete, o que a afasta
ainda mais da rotina familiar.
“As meninas me cobram, me pedem para ir à praia, para sair com elas, ir a qualquer canto, mas eu nunca consigo”, lamentou.
O trâmite para acabar com a escala 6x1 ainda depende do Congresso
Nacional, mas os trabalhadores que passarão a ter dois dias de descanso
remunerado na semana já fazem planos. Respirar o ar puro da Floresta da Tijuca ao lado do filho de 13 anos é o desejo do balconista Emerson Santos, de 43 anos.
“Meu filho pede para irmos juntos. Esse é o nosso momento de lazer: subir a montanha, pegar uma cachoeira. Mas é raro”, relatou.
Emerson, que atende em uma farmácia na zona sul do Rio, pretende
aumentar a frequência dos passeios com as duas folgas, descanso que
outras categorias já têm, lembra.
Emerson Santos pretende passar mais tempo com seu filho, Igor Gabriel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Família reunida
Filhos também querem ficar mais tempo com os pais. Gerente de
uma loja de calçados e bolsas no centro do Rio, Victor Pacheco, de 23
anos, que trabalha de segunda a sábado, conta que está mais aliviado
pela mãe, de 50 anos, que trabalha 6x1 em uma fábrica de biscoitos.
“Ela mora em Duque de Caxias e sai de casa às 9h da manhã para chegar
duas horas depois em Madureira. Quando volta, correndo o risco de
perder o último ônibus, é quase meia-noite”, revelou. “É uma correria
enorme”. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Victor Pacheco, que trabalha em loja, mostra foto da mãe no celular. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Quando a folga dos dois coincide, aos domingos, eles fazem um esforço para se verem.
“Sábado, a gente trabalha. No domingo, quando a minha folga e a dela
batem, a gente, de vez em quando, se organiza para se ver. Tem que ser
bem planejado”, contou.
Correndo contra o tempo também está Juliana de Mello*, de 21 anos, atendente de um quiosque de sorvete, de segunda a sábado. Com um bebê de 1 ano e 10 meses, ela anseia por mais tempo para a rotina básica da criança.
"Ela quase ligou para a dona da loja, hoje, para saber como iria funcionar a nova escala", brincou uma colega de trabalho.
"Quero levar ao pediatra, levar para vacinar, coisas simples, ver crescer", relatou Juliana à Agência Brasil. "A nossa expectativa é de que comece logo", completou a jovem mãe.
Com mais tempo, há quem também planeje se dedicar aos
estudos. É o caso da atendente de banca de jornal Stephanie Gonzaga, de
34 anos.
"Se tiver mais uma folga, eu posso focar no meu curso [técnico] de
enfermagem", disse. "Para estudar, tem que ter tempo e cabeça, né? Se
você está muito cansada acaba abdicando de algo", explicou.
Stephanie Gonzaga, pretende usar tempo de folga para estudos no curso de enfermagem. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Escala sacrificante
Em São Paulo, trabalhadores que conversaram com a Agência Brasil
também comemoram o fim da 6x1 e destacaram a intenção de passar mais
tempo com suas famílias, como Flávio Antunes, funcionário de uma
papelaria na zona sul de São Paulo.
“Eu, particularmente, queria muito o fim da 6x1. Quero ter mais tempo para meu filho e minha esposa”, revelou.
A vigilante Celma Araújo, que trabalha na zona oeste da
capital paulista, soube do resultado da votação no Congresso e também
celebrou. Celma relatou que a mudança não deve afetá-la diretamente, mas que será boa para seu marido e filho.
“Eles trabalham na 6x1 e reclamam muito. Não podem ficar com a família, não podem ir a um evento, nada”.
Trabalhadores em ponto de ônibus no Largo da Carioca
após aprovação pela Câmara dos Deputados da PEC que acaba com escala de
trabalho 6x1. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O porteiro Everton França trabalha na zona norte de São Paulo. Ele é
metalúrgico de formação, mas abandonou a profissão por considerar a
escala 6x1 sacrificante.
“Achei bom o fim da escala [6x1], porque vai abrir novas
oportunidades. O pessoal que saiu dos empregos antigos devido à escala
mais forte, vai poder voltar”, acredita.
França se enquadra nessa categoria de pessoas: “Eu sou metalúrgico e
saí porque a escala era muito puxada. Agora, com a 5x2, já estou
pensando em ser metalúrgico de novo”.
*Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada.
A aprovação, na Câmara dos Deputados, da PEC que reduz a
jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, e estabelece
o fim da escala 6x1 representa uma conquista histórica para a classe
trabalhadora brasileira.
As Centrais Sindicais, Confederações, Federações e
Sindicatos celebram este importante marco para as trabalhadoras e os
trabalhadores do país.
Destacamos o amplo processo democrático de negociação
institucional e diálogo social construído junto aos deputados e deputadas, bem
como o compromisso público demonstrado pelo Governo Federal, sob a liderança do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conferiu centralidade a esta pauta
tão relevante para o povo brasileiro.
A medida beneficiará milhões de pessoas pelo país, que
poderão contar com mais tempo para cuidados com a saúde, convivência com a
família, formação, lazer, ou seja, para usufruir como melhor lhe convém. A
forma como a proposta deverá ser implementada também oferece aos setores
econômicos um horizonte claro de adaptação e transição, compatível com as
transformações do mundo do trabalho e da organização produtiva contemporânea.
Estudos e experiências internacionais demonstram que a
redução da jornada tende a elevar a produtividade, qualificar o tempo de
trabalho e gerar novos postos de emprego. São avanços que fortalecem o
desenvolvimento nacional com soberania, inclusão social e valorização do
trabalho.
Toda a mobilização em torno da luta pela redução da jornada
e pelo fim da escala 6x1 — incluindo audiências públicas, cobertura da
imprensa, entrevistas, debates, manifestações populares, discursos e
posicionamentos de sindicalistas e representantes do movimento sindical —
constitui um rico processo de aprendizado político para toda a sociedade
brasileira. Trata-se de uma conquista histórica construída com participação
social, mobilização e diálogo democrático.
É fundamental que esse aprendizado se converta em
consciência na hora de eleger parlamentares, governadores, senadores e
presidente da República, ou seja, representantes comprometidos com o povo e com
a valorização do trabalhador.
As Centrais Sindicais e todo o movimento sindical iniciam,
desde já, a mobilização para a próxima etapa de debates no Senado Federal,
confiantes de que o presidente Davi Alcolumbre dará celeridade à tramitação
legislativa naquela Casa, para garantir a aprovação definitiva desses direitos
fundamentais.
Viva esta vitória da classe trabalhadora
brasileira!
Brasília, 27 de maio de 2026
Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos
Trabalhadores)
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do
Brasil)
Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros)
Sonia Zerino, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores)