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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Desemprego de 5,2% no 3° trimestre é o menor para o período desde 2012

 Dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE

AGÊNCIA BRASIL

Os trabalhadores da montadora Fiat Chrysler Automobiles constroem um modelo Argo 2020, em meio à disseminação da doença por coronavírus (COVID-19), na fábrica de montagem em Betim
© REUTERS/WASHINGTON ALVES/PROIBIDA REPRODUÇÃO



A taxa de desocupação para o terceiro trimestre caiu para 5,2%, a menor já registrada para esse período desde 2012. O desemprego era de 5,4% no segundo trimestre deste ano e de 5,6% no terceiro trimestre de 2025. 

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (30), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A população desocupada (5,6 milhões) diminuiu 4% (menos 234 mil pessoas) na comparação com o trimestre de abril a junho (5,9 milhões). Em comparação com igual trimestre do ano anterior (6 milhões), houve queda de 6,9% (menos 417 mil pessoas).

População ocupada

A população ocupada, que totaliza 103,6 milhões de pessoa, foi a maior da série histórica, com alta de 0,6% no trimestre (mais 581 mil) e aumento de 1,2% no ano (mais 1,2 milhão).

O nível da ocupação  – percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar – também foi recorde, ao alcançar 59%. Além disso, houve variação de 0,2 pontos percentuais frente ao trimestre anterior (58,8%) e estabilidade em relação a igual trimestre do ano anterior (58,7%).

Informalidade

Segundo a pesquisa, a taxa de informalidade foi de 37,5% da população ocupada (ou 38,8 milhões de trabalhadores informais), contra 37,4% (ou 38,6 milhões) no trimestre e 37,8% (ou 38,7 milhões) no ano.

Rendimento

O IBGE informou que o rendimento real habitual de todos os trabalhos (R$ 3.790) ficou estável no trimestre e cresceu 3,6% no ano (mais R$ 131). A massa de rendimento real habitual (R$ 387,5 bilhões) foi a maior da série, com alta de 1,5% no trimestre (mais R$ 5,6 bilhões) e 4,7% no ano (mais R$ 17,5 bilhões).

FONTE: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/desemprego-de-52-no-3deg-trimestre-e-o-menor-para-o-periodo-desde-2012 

MPT processa Meta em R$ 50 milhões e quer remoção imediata de conteúdos de assédio eleitoral

 


Ação judicial também pede a suspensão de perfis que insistirem em incentivar demissões por convicção política


O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou, nesta quinta-feira (29), com ação civil pública na Justiça do Trabalho contra a Meta, dona do Instagram, do Facebook e do Threads. O órgão cobra que a empresa retire do ar, em até 24 horas, publicações que convocam empresários a vigiar, expor, deixar de contratar e demitir funcionários por causa do voto. Pede, ainda, R$ 50 milhões de indenização por danos morais coletivos.


Após o segundo turno das eleições, em 25 de outubro, perfis nas plataformas passaram a se dirigir a empregadores em tom de convocação. Publicações de empresários, influenciadores e até parlamentares orientam vasculhar as redes sociais de trabalhadores para descobrir em quem votaram e, no caso de a opção ser diferente do patrão, mandá-los embora. Outras expõem pessoas à ridicularização, com nome e imagem, ou comemoram demissões. Apenas quatro publicações de um único perfil, com selo de verificação e 3,8 milhões de seguidores, somavam mais de 2 milhões de curtidas. Entre a meia noite do dia 26 de outubro e às 12h do dia 29, o MPT recebeu 1.459 denúncias de assédio eleitoral, de um total de 3.396 registradas nas eleições deste ano.


Responsabilidade da plataforma

A ação aponta a responsabilidade da plataforma digital, pois, além de permitir conteúdos ilegais durante dias, os próprios sistemas de recomendação da empresa, como a aba ‘Explorar’ e os ‘Reels’ sugeridos, ampliam o alcance do que gera mais engajamento. As postagens seguiam no ar dois dias depois de publicadas, embora as regras da própria Meta admitam a remoção de conteúdos que violem a lei.


Para o MPT, a empresa dispõe de sistemas automatizados, combinados com revisão humana, que já identificam e removem outros tipos de conteúdo em larga escala.


“Se não os emprega para identificar a incitação à discriminação de trabalhadores por convicção política, é por escolha, e não por impossibilidade técnica”, afirmam os procuradores que assinam a ação.


Em caráter de urgência, o MPT pede que a Meta remova, em até 24 horas, as publicações de assédio eleitoral, sob multa de R$ 500 mil por conteúdo mantido, e exiba um aviso a todos os usuários brasileiros que não compactua com manifestações que incentivam a discriminação, retaliação ou punição de empregados por orientação política. O MPT também requer a notificação aos perfis responsáveis por conteúdos ilegais e suspensão por 30 dias para aqueles que voltarem a publicar conteúdos ilegais, com desativação em caso de nova reincidência.


O MPT também quer que a empresa crie uma política permanente de prevenção ao assédio eleitoral, mude suas regras de uso para proibir expressamente esse tipo de conteúdo, reforce a moderação em períodos eleitorais e preste contas periodicamente à Justiça.


A ação é assinada pelo procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, pela procuradora-chefe do MPT-SP, Vera Lúcia Carlos, além dos procuradores Igor Gonçalves, Luciana Coutinho, Tatiana Amormino, Diego Jimenez e Marcos Cutrim.

 

Processo nº 1001837-49.2026.5.02.0077

 

 Fonte: MPT - Extraído no Blog de Notícias da CNTI https://cnti.org.br


quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Denúncias de assédio eleitoral no trabalho disparam 75% após 2º turno

 Empregador pode ser obrigado a reintegrar e pagar salário em dobro

Felipe Pontes - repórter da Agência Brasil

Brasília - 04/10/2026 - Eleitores brasileiros vão às urnas para eleger presidente da República, deputados federais, estaduais e distritais, senadores e governadores, no Centro de Ensino Fundamental 06 de Brasília, no Lago Sul. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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As denúncias de assédio eleitoral aumentaram mais de 75% desde segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno das eleições, com 1.459 registros nos últimos três dias, informou o Ministério Público do Trabalho (MPT). 

Até a manhã de segunda, o órgão havia recebido 1.937 denúncias do tipo. Desde então, a busca pelo MPT vem aumentando aceleradamente e as novas ocorrências já correspondem a cerca de 40% de todas as 3.396 denúncias recebidas em 2026. 

O maior número de denúncias é proveniente de São Paulo (620), seguido de Minas Gerais (351), Paraná (338), Rio de Janeiro (252), Rio Grande do Sul (223) e Santa Catarina (165). 

>> Descubra se você está sofrendo assédio eleitoral e saiba como denunciar

Os dados coincidem com a multiplicação de relatos sobre incentivos a boicotes e a demissões de funcionários que tenham votado em candidato contrário à orientação política do patrão. 

Na terça-feira (27), por exemplo, a Justiça do Trabalho proibiu, em liminar, que a deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ) incentive empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. 

Reeleita com mais de 248 mil votos e com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, a deputada publicou a mensagem “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez o L. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”, referindo-se a eleitores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. 

Na quarta-feira (28), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que o governo estuda a criação de uma “lista suja” de empresas que cometem assédio eleitoral no Brasil, incluindo pressão ou demissão por conta de opção política. Segundo ele, a empresa que cometer essa ilegalidade vai sofrer sanções de restrição de créditos públicos.

O assédio eleitoral no trabalho é crime e se configura quando alguém usa sua posição de poder no ambiente de trabalho para influenciar, constranger ou pressionar trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato, partido ou posicionamento político.

"Resposta será ágil", diz TST

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, destacou que estão sendo atingidos trabalhadores assalariados e profissionais autônomos que divulgam seu trabalho por redes sociais e estabelecimentos comerciais de pequeno porte que manifestaram sua posição política. 

“É preciso que o recado seja dado com muita clareza. A resposta para aqueles que praticaram a ilegalidade será dura e rápida, será ágil. E mais: esses empregadores que, infelizmente, tiveram essa conduta, se preocupem. Porque o risco econômico que estão assumindo é muito grande”. 

O empregado que se considerar discriminado na relação de trabalho, em virtude de sua posição política, pode processar o patrão. Pela legislação, o empresário pode ser responsabilizado a indenizar o funcionário dispensado. 

A Lei 9.029/1995, por exemplo, diz ser “proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção”. 

Em caso de condenação, o empresário pode ser obrigado a reintegrar o funcionário ou, caso este não queira continuar no emprego, ter que pagar em dobro os salários devidos por todo o período de afastamento. 

O princípio da não discriminação do trabalhador por convicção política está também expresso em diferentes artigos da Constituição e integra as Convenções 100 e 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ambas ratificadas pelo Brasil. 

FONTE: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-10/denuncias-de-assedio-eleitoral-no-trabalho-disparam-75-apos-2-turno 

Denúncia de Assédio Eleitoral

  ÀS ENTIDADES SINDICAIS DE TRABALHADORES E EMPREGADORES — SINDICATOS, FEDERAÇÕES, CONFEDERAÇÕES E CENTRAIS SINDICAIS


Diante das denúncias de ameaças, assédio, discriminação e demissões motivadas pelo posicionamento político de trabalhadores após o segundo turno das eleições, recebidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e por outros órgãos do Estado brasileiro, bem como das denúncias veiculadas pela imprensa, dirijo-me às organizações sindicais para reafirmar que a liberdade de opinião e o sigilo do voto são direitos constitucionais. Nenhum trabalhador é obrigado a revelar seu voto, nem pode sofrer ameaças, perseguições ou demissão e, tampouco, deixar de ser contratado em razão de suas convicções políticas.


A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho, e a legislação eleitoral também prevê medidas de proteção contra condutas dessa natureza. Nos casos em que as irregularidades forem comprovadas, o Ministério do Trabalho e Emprego adotará as medidas cabíveis, incluindo fiscalização das empresas, lavratura de autos de infração e aplicação das sanções previstas em lei. Os responsáveis também poderão ser obrigados a reintegrar trabalhadores, pagar em dobro a remuneração do período de afastamento e a repará-los por danos morais individuais e coletivos, sem prejuízo de outras responsabilizações legais.


O MTE tem orientado que os trabalhadores vitimados pelas práticas de assédio procurem, em primeiro lugar, seus sindicatos. Além disso, disponibilizamos aos trabalhadores individualmente e aos sindicatos um canal específico de denúncias, acessível pelo link:


https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/servicos/trabalhador/denuncia-de-assedio-eleitoral/denuncia-de-assedio-eleitoral


Conclamo as entidades sindicais a divulgar amplamente este posicionamento e o canal de denúncias, utilizando suas redes sociais e demais meios de comunicação para orientar trabalhadores e empregadores, contribuindo, assim, ao enfrentamento sem fronteiras às práticas do assédio eleitoral.


A liberdade de opinião é um princípio fundamental da democracia e deve ser respeitada também no ambiente de trabalho. Ninguém pode ser constrangido, discriminado ou punido por exercer esse direito.


Recebam minhas saudações!


Luiz Marinho

Ministro do Trabalho e Emprego

  

 Fonte: MTE - Do Blog de Notícas da CNTI

https://cnti.org.br/html/noticias.htm#Den%C3%BAncia_de_Ass%C3%A9dio_Eleitoral 


CNTI lança revista que resgata 80 anos de lutas e projeta futuro do trabalho

 



Publicação comemorativa reúne memória, conquistas e desafios do sindicalismo industrial, com destaque para a defesa dos direitos, da democracia e da soberania nacional


Clique aqui e leia a Revista


São 8 décadas de história, organização e resistência do movimento sindical brasileiro que estão reunidas na revista comemorativa dos 80 anos da CNTI (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria).


A publicação recupera a trajetória da entidade, registra conquistas da classe trabalhadora e aponta os desafios do sindicalismo diante das transformações econômicas, tecnológicas e políticas do País.


Fundada em 19 de julho de 1946, a CNTI atravessou diferentes períodos da história brasileira, enfrentando ditaduras, crises econômicas e ofensivas contra os direitos trabalhistas.


A revista transforma essa trajetória em memória coletiva e instrumento de reflexão sobre o papel das organizações sindicais em defesa do trabalho e do desenvolvimento nacional.


“O Brasil não é colônia. O trabalho não é mercadoria. E a soberania não se negocia”, afirma o presidente da CNTI, José Reginaldo Inácio, ao sintetizar uma das bandeiras que orientam a atuação da entidade.


HISTÓRIA QUE APONTA CAMINHOS


Com 44 páginas, a edição reúne linha do tempo da Confederação, entrevista com José Reginaldo Inácio e reportagens especiais sobre memória, lutas, conquistas e perspectivas do sindicalismo.


A publicação também registra a atuação de parceiros institucionais e os debates realizados na Plenária Nacional CNTI 80 Anos, em Luziânia (GO), em setembro. Participaram desses debates a presidenta do DIAP, Rita Serrano, e André dos Santos, da assessoria parlamentar do órgão.


Entre os temas abordados estão a precarização das relações de trabalho, a pejotização, os impactos da inteligência artificial, a redução da jornada sem diminuição salarial, a formação sindical e a necessidade de renovar a participação de mulheres e jovens nas entidades.


A revista também dá espaço à Carta de Luziânia, documento aprovado na plenária que atualiza as diretrizes políticas da Confederação e reafirma o compromisso com os direitos trabalhistas, a organização sindical e a soberania brasileira.


FUTURO EM DISPUTA


Mais do que celebrar o passado, a publicação procura conectar a experiência acumulada pela CNTI às exigências de um mundo do trabalho em transformação.


O desafio é fortalecer os sindicatos, ampliar a participação das bases e garantir que os avanços tecnológicos e produtivos se traduzam em melhores condições de vida para os trabalhadores.


A mensagem que atravessa a edição é a de que a defesa do trabalho decente está diretamente ligada à democracia, à valorização da indústria nacional e à construção de projeto de desenvolvimento soberano.


Ao completar 80 anos, a CNTI reafirma, assim, seu compromisso com a unidade do movimento sindical e com a luta por direitos. A revista preserva a memória de quem construiu essa história e projeta os próximos capítulos da trajetória que permanece em movimento.

 

 

 

 

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Confira mais fotos aqui!

 

FONTE: CNTI

https://cnti.org.br/html/PlenNacCNTI80anos/RevistaCNTI80Anos.htm 

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Demissão por voto nas eleições é ilegal; saiba como denunciar

 

Após reeleição de Lula, parlamentares e pessoas que se dizem empresárias incentivam, pelas redes sociais, demissões de petistas. Prática discriminatória pode gerar indenização e reintegração ao emprego.

A reeleição de Lula (PT) provocou uma série de publicações nas redes sociais incentivando a demissão de funcionários por suas preferências políticas. A prática é ilegal: embora o empregador possa dispensar trabalhadores sem justa causa, não pode fazê-lo por sua escolha eleitoral. Quem sofrer discriminação pode recorrer à Justiça para pedir indenização e reintegração ao emprego.

Entre os autores das publicações estão pessoas que se apresentam como empresárias e a vereadora de Londrina (PR) e deputada estadual eleita Jessicão (PL). No X, ela escreveu: "Você tem uma empregada que é petista? DEMITA! Tem um funcionário que é petista? DEMITA!". Também recomendou romper relações com prestadores de serviços e amigos que apoiam o PT.

No Rio de Janeiro, a deputada estadual Índia Armelau (PL) comparilhou nas redes mensagem que sugeria que empresários verificassem as manifestações políticas dos empregados: "Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez 'L'", dizia o texto que ainda questionava a manutenção de funcionários que "odeiam empresários". A publicação foi posteriormente apagada pela parlamentar. Reeleita, Índia Armelau foi a deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro, com mais de 248 mil votos.

Deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro, Índia Armelau publicou mensagem incentivando demissão de funcionários que votaram em Lula.

Deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro, Índia Armelau publicou mensagem incentivando demissão de funcionários que votaram em Lula.Reprodução

O Ministério Público do Trabalho (MPT) do Paraná abriu investigação sobre a manifestação de Jessicão por possível assédio eleitoral. O órgão ressalta que represálias motivadas por escolhas políticas podem ser denunciadas mesmo depois das eleições.

Legislação proíbe a demissão de trabalhador por orientação política.

 
Legislação proíbe a demissão de trabalhador por orientação política.                                  
Léo Burgos/Folhapress

O que diz a lei?

A Constituição garante a liberdade de convicção política, enquanto a Lei 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. Isso significa que o empresário pode ter suas preferências eleitorais e manifestá-las, mas não usar sua autoridade para constranger, ameaçar ou punir funcionários por suas escolhas políticas.

Se a Justiça reconhecer que a demissão foi discriminatória, o trabalhador poderá pedir indenização por danos morais e escolher entre duas alternativas:

  • Voltar ao emprego, com recebimento dos salários e demais remunerações devidas pelo período de afastamento.
  • Receber em dobro a remuneração correspondente ao período de afastamento, com correção monetária e juros legais.

A empresa também pode sofrer sanções administrativas e responder por danos morais coletivos, conforme as circunstâncias.

Demitir por motivo político é crime?

Não automaticamente. A demissão discriminatória é uma ilegalidade trabalhista, mas não configura, por si só, crime eleitoral.

O artigo 301 do Código Eleitoral prevê até quatro anos de prisão, além de multa, para quem usa violência ou grave ameaça para obrigar alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido.

A diferença está na conduta: ameaçar um empregado para interferir em seu voto pode configurar crime eleitoral. Já dispensá-lo como represália depois da votação pode gerar indenização e outras consequências trabalhistas, sem necessariamente constituir aquele crime.

O MPT considera que o assédio eleitoral pode ocorrer antes, durante ou depois da eleição, desde que relacionado à disputa e à relação de trabalho.

Como denunciar?

Quem sofrer ou presenciar ameaças, constrangimentos ou demissões por motivação política pode procurar o Ministério Público do Trabalho. Não é necessário esperar pela demissão para denunciar.


Veja o que fazer, segundo orientações do Ministério Público do Trabalho:

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Fim da escala 6x1: 13 perguntas e respostas sobre o que muda com a nova regra

 

Saiba o que muda com a nova lei, que determina a escala 5x2 e jornada de trabalho de até 40 horas semanais, sem redução de salário

Publicado: 19 Outubro, 2026 - 16h05 | Última modificação: 19 Outubro, 2026 - 16h39

Escrito por: Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha

A escala 6x1 está chegando ao fim com a promulgação da Emenda Constitucional em 16 de outubro que estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário. Mas quando as novas regras começam a valer? O trabalhador já terá direito a dois dias de folga em 2026? O que acontece com quem trabalha em atividades que precisam funcionar todos os dias? E a mudança pode provocar demissões?

Confira as principais dúvidas sobre a nova jornada

1- Quando começa o fim da escala 6x1?

A contagem começou em 16 de outubro de 2026, data da promulgação da Emenda Constitucional. Em até 60 dias, as empresas deverão adotar a escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, além de reduzir a jornada semanal de 44 para 42 horas. As empresas também podem antecipar o início da redução de jornada.

A implementação completa da nova jornada para 40 horas semanais ocorrerá em até 14 meses. Ao final da transição, o trabalhador deverá cumprir, no máximo, oito horas por dia e 40 horas por semana, distribuídas em até cinco dias de trabalho

2 - Vou continuar a receber o valor atual do meu salário, apesar da jornada reduzida?

Sim. A emenda determina que a redução da jornada ocorra sem redução salarial. Isso vale também para os pisos das categorias.

Na prática, o trabalhador passará a receber o mesmo salário por uma jornada menor.

3 - Terei folgas sempre aos domingos?

A nova lei diz preferencialmente aos domingos. Isso não significa que as empresas serão obrigadas a dar folga aos domingos.

4 - Como ficam os trabalhadores que trabalham em escalas diferentes?

Quem já trabalha 40 horas ou menos, como por exemplo, na escala 12x36, poderá continuar. Saúde, segurança, transporte, limpeza urbana e outros serviços essenciais também poderão ter regimes diferenciados para garantir o funcionamento contínuo desses serviços.

Esses trabalhadores não terão uma nova redução proporcional da jornada. Mas também terão direito aos dois dias de descanso remunerado por semana. Ou seja, quem já trabalha até 40 horas não perderá o direito conquistado e passará a ter também a garantia dos dois dias de descanso prevista na nova regra

5 - A empresa poderá continuar funcionando aos sábados e domingos?

Sim. O fim da 6x1 não significa que empresas, lojas, hospitais, restaurantes, serviços de transporte ou outras atividades terão necessariamente de fechar dois dias por semana.

O que muda é a jornada de cada trabalhador. Atividades que precisam funcionar continuamente poderão organizar escalas diferenciadas, respeitando os limites estabelecidos pela emenda e garantindo os períodos de descanso.

6 - O que acontece se o trabalhador fizer horas extras?

A redução da jornada não significa que as horas trabalhadas além do limite deixarão de existir. Quando houver necessidade de trabalho extraordinário, deverão ser respeitadas as regras previstas na legislação e nos acordos e convenções coletivas.

7 - A escala 6x1 pode continuar existindo em algum caso?

Pode haver regimes diferentes da 5x2 por meio de convenção ou acordo coletivo (negociados por sindicatos), com compensação das folgas e respeito aos limites estabelecidos pela nova Constituição. Isso não significa, porém, a manutenção da atual 6x1 como regra geral. O trabalhador deverá ter, em média, dois dias de repouso remunerado por semana, dentro das condições estabelecidas pela emenda.

A participação sindical é fundamental para que o trabalhador e a trabalhadora tenham seus direitos garantidos, mas o candidato à presidência da República, Flavio Bolsonaro (PL), tem defendido que o trabalhador pode negociar diretamente com o patrão, enfraquecendo o poder de uma luta coletiva.

Leia mais: Flávio diz apoiar fim da 6x1, mas promete rever lei se for eleito, aponta Folha

8 - O que acontece com os acordos e convenções coletivas que mantêm a escala 6x1?

Dois meses depois da publicação da emenda, deixam de valer as cláusulas de contratos, acordos e convenções coletivas que forem incompatíveis com o novo limite de jornada e com a garantia de dois dias de repouso remunerado.

Os instrumentos coletivos poderão estabelecer formas de organização da jornada durante a transição, desde que respeitem os limites estabelecidos e os períodos de descanso.

9 - As novas regras também se aplicam aos empregados públicos e como ficam os trabalhadores terceirizados do setor?

A Emenda Constitucional nº 141 prevê tratamento específico para empregados públicos da administração direta e indireta da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Por isso, é importante observar as regras específicas da emenda e a legislação aplicável a cada vínculo de trabalho. 

Os terceirizados da administração pública terão uma regra de transição específica. Nos contratos existentes, a redução da jornada dependerá inicialmente de um aditamento contratual para preservar o equilíbrio econômico-financeiro. Esse aditamento deverá ser feito em até um ano após a publicação da emenda. Mesmo que o contrato não seja alterado dentro desse prazo, a redução para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas passará a valer. Também fica garantida a manutenção dos salários dos terceirizados, mesmo com a redução da jornada.

10 - A redução da jornada vale para trabalhadores com ensino superior e salários mais altos?

O texto estabelece uma exceção para empregados com diploma de curso superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto do Regime Geral de Previdência Social — atualmente, R$ 21.188,87.

Para esse grupo, há uma regra específica relativa à jornada de 40 horas e ao controle de jornada. É importante observar as condições previstas na emenda para saber como a exceção se aplica a cada contrato. Essa regra não se aplica a esses empregados públicos.

11- O desemprego vai aumentar com a escala 6x1?

Não. O potencial de criação de empregos é de mais de 4 milhões e de aumento da massa salarial de R$ 290 bilhões ao ano, segundo análise da diretora-técnica do Dieese, Adriana Marcolino, em debate no Senado sobre o tema .

12- A economia do país vai quebrar com a escala 6x1?

No mesmo debate, Adriana Marcolino rechaçou os estudos conservadores que preveem perdas econômicas para o país com o fim da escala 6x1 e a redução de jornada. Segundo ela, esses estudos cometem um erro grave ao usar modelos de equilíbrio parcial e análises simplificadas e, que ao fazerem isso, ignoram o efeito multiplicador da renda, a criação de novos empregos e os ganhos de produtividade já comprovados em diversos países, inclusive com estruturas econômicas semelhantes à brasileira.

"Reduzir a jornada não é perder riqueza; é redistribuí-la, inovar e colocar os trabalhadores no centro do desenvolvimento”, declarou.

13- O fim da escala 6x1 vai gerar inflação?

Estudo dos pesquisadores do Ipea, divulgado em fevereiro de 2026, mostra que o custo médio da hora trabalhada aumentaria 7,84%. Isso não significa aumento de 7,84% nos preços. O custo da mão de obra é apenas uma parte do custo total de uma empresa. Uma nota técnica do órgão indicou que na indústria e no comércio o custo operacional adicional ficaria abaixo de 1%.

Leia mais Fim da escala 6x1 e redução da jornada são positivos para a economia, diz Ipea

 

FONTE: CUT

https://www.cut.org.br/noticias/fim-da-escala-6x1-13-perguntas-e-respostas-sobre-o-que-muda-com-a-nova-regra-e5fd