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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

DIEESE aponta avanços e desafios do Brasil em 30 anos

 

DIEESE analisa 30 anos do Brasil e aponta avanços no emprego, renda e alimentação, além de desafios na indústria, desigualdade e juros

 

Dieese avalia os avanços e desafios do Brasil através de indicadores que mostram a evolução do emprego e da economia. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dieese avalia os avanços e desafios do Brasil através de indicadores que mostram a evolução do emprego e da economia. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgou síntese que apresenta transformações econômicas e sociais registradas pelo Brasil entre 1995 e 2025.

Em sua quarta edição anual, a publicação reúne indicadores destinados a subsidiar dirigentes sindicais, trabalhadores e a sociedade na análise da realidade socioeconômica brasileira.

Além disso, o estudo organiza os dados em condições de vida e trabalho, crescimento econômico, evolução dos preços, contas públicas e relações econômicas externas brasileiras.

Emprego e salário mínimo avançam

Entre os principais resultados, o mercado de trabalho apresentou recuperação, com a taxa de desemprego caindo de 12% em 2018 para 5,6% durante 2025.

Da mesma forma, os empregos formais cresceram significativamente, passando de 28,7 milhões de vínculos registrados em 2002 para 60,7 milhões contabilizados no ano de 2025.

Entretanto, o DIEESE recomenda cautela nessa comparação porque a Relação Anual de Informações Sociais passou por mudança metodológica, incorporando novos registros desde o ano 2022.

O salário mínimo também apresentou valorização real, passando de R$ 775,30, em valores corrigidos de 2002, para R$ 1.518,00 no decorrer do ano de 2025.

Posteriormente, em janeiro de 2026, o piso nacional alcançou nominalmente R$ 1.621,00, ampliando o valor recebido pelos trabalhadores remunerados diretamente pelo salário mínimo nacional.

As negociações coletivas também avançaram: em 2022, somente 26,2% dos acordos analisados tiveram ganhos acima do INPC, proporção que alcançou 75,8% no ano 2025.

Por outro lado, a participação dos salários na renda nacional recuou de 44,6% para 39,2% em 2021, revelando outro desafio estrutural para os trabalhadores brasileiros.

“A renda nacional é distribuída basicamente entre capital e trabalho”, explicou o DIEESE ao contextualizar a importância desse indicador para analisar a distribuição econômica brasileira.

Desigualdade recua, mas permanece elevada

No campo social, a desigualdade diminuiu durante o período analisado, embora continue elevada, conforme demonstra a evolução do índice de Gini da renda domiciliar brasileira.

O indicador caiu de 0,589 em 2002 para 0,511 em 2025, sendo que valores próximos de zero representam uma distribuição de renda mais equilibrada socialmente.

Além disso, a insegurança alimentar, que atingiu 58,7% da população durante a pandemia de Covid-19, apresentou forte recuo e chegou a 24,1% durante 2024.

Entretanto, o DIEESE ressalta diferenças metodológicas entre levantamentos realizados pela Rede Penssan e pelo IBGE, recomendando cautela nas comparações diretas entre os diferentes períodos analisados.

Mesmo assim, os indicadores mostram forte deterioração durante a pandemia e recuperação posterior das condições de acesso regular da população brasileira aos alimentos em quantidade suficiente.

Outro indicador relacionado ao poder aquisitivo mostra que o consumo médio de carne bovina alcançou 26 quilos por habitante em 2025, superando os níveis registrados anteriormente.

Já o salário mínimo permitiu comprar 1,8 cesta básica em São Paulo durante 2025, contra aproximadamente uma cesta em 1995, mostrando recuperação do poder aquisitivo.

Porém, essa capacidade permaneceu abaixo do melhor resultado registrado na série histórica, quando o salário mínimo possibilitou adquirir aproximadamente 2,1 cestas básicas na capital paulista.

Economia cresce, mas indústria perde espaço

O desempenho econômico apresentou diferenças expressivas durante três décadas, com períodos de crescimento acelerado, baixo avanço da atividade e até retração do Produto Interno Bruto brasileiro.

Entre 2023 e 2025, nos três primeiros anos do atual governo Lula, o PIB brasileiro registrou crescimento médio real de aproximadamente 3% ao ano no período.

Em contrapartida, a indústria de transformação perdeu participação na economia, passando de 15,1% do PIB em 2022 para somente 13,7% durante o ano de 2025.

Esse recuo preocupa porque a atividade industrial possui papel estratégico na geração de empregos qualificados, inovação tecnológica, arrecadação tributária e produção com maior valor agregado nacional.

Por outro lado, os investimentos federais em ciência e tecnologia apresentaram recuperação, chegando a R$ 19,5 bilhões em 2025, considerando valores corrigidos para dezembro daquele ano.

Também houve redução das emissões líquidas de gases do efeito estufa, que caíram de dois bilhões de toneladas em 2023 para 1,5 bilhão durante 2024.

Segundo a síntese, metade das emissões brasileiras estava relacionada ao desmatamento, enquanto aproximadamente um quarto tinha origem nas atividades desenvolvidas pelo setor agropecuário do país.

Consumo cresce e inflação permanece moderada

O consumo das famílias mais que dobrou em termos reais, avançando de R$ 3,3 trilhões em 1996 para aproximadamente R$ 8,1 trilhões durante o ano 2025.

Esse indicador representa mais de 60% do PIB pela ótica da demanda e acompanha diretamente as condições relacionadas ao emprego e à renda das famílias brasileiras.

Enquanto isso, a inflação medida pelo INPC encerrou 2025 em 3,9%, enquanto a cotação do dólar chegou ao patamar de R$ 5,59 no mesmo período.

“Uma taxa de câmbio mais alta aumenta a renda dos exportadores, mas também eleva os custos dos importadores e pode ter efeitos inflacionários”, observou o DIEESE.

Reservas crescem, mas juros pressionam orçamento

Nas contas externas, as reservas internacionais passaram de US$ 51,8 bilhões em 1995 para US$ 358,2 bilhões em 2025, fortalecendo a proteção econômica brasileira contra crises.

Além disso, a dívida externa líquida, que alcançou US$ 165 bilhões em 2002, tornou-se negativa e chegou a menos US$ 17,2 bilhões durante o ano 2025.

“Quando é negativa, significa que o país é credor e não devedor”, destacou o DIEESE ao explicar a mudança registrada nas contas externas brasileiras nesse período.

Entretanto, no campo fiscal, o governo federal apresentou déficit primário equivalente a 0,5% do PIB em 2025, enquanto a dívida líquida do setor público avançou.

A dívida, que correspondia a 35,6% do PIB em 2015, retomou trajetória de crescimento posteriormente e alcançou 65,2% durante o atual mandato presidencial de Lula.

Além disso, a taxa Selic atingiu 15% ao ano em 2025, encarecendo crédito, dificultando investimentos produtivos e aumentando significativamente as despesas brasileiras com juros públicos.

Essas despesas alcançaram R$ 891,9 bilhões, valor quase seis vezes superior aos aproximadamente R$ 158 bilhões destinados ao programa Bolsa Família durante o mesmo período analisado.

Enquanto isso, as despesas da União com pessoal e encargos diminuíram proporcionalmente, passando de 4,8% do PIB em 2002 para 3,2% durante o ano de 2025.

Estudo revela avanços e desafios

Portanto, a síntese mostra avanços importantes em emprego, salário mínimo, segurança alimentar e reservas internacionais durante as três décadas analisadas pelo levantamento elaborado pelo DIEESE.

Contudo, o país ainda enfrenta desafios relacionados à desigualdade, desindustrialização, juros elevados e crescente pressão das despesas financeiras sobre os recursos do orçamento público brasileiro.

FONTE: Rádio Peão Brasil

https://radiopeaobrasil.com.br/dieese-aponta-avancos-e-desafios-do-brasil-em-30-anos/

 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Nota das Centrais Sindicais – Em defesa das instituições e da democracia

 

 

Centrais sindicais cobram apuração célere, independente e transparente da crise envolvendo o STF e a Polícia Federal e defendem a preservação das instituições e da democracia


Escrito por: Centrais Sindicais


notice

As Centrais Sindicais manifestam preocupação com a escalada da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal. O momento exige firmeza, transparência e absoluto respeito à Constituição.

Vazamentos seletivos, divulgação fragmentada de informações e critérios distintos de celeridade alimentam suspeitas de seletividade e comprometem a confiança nas próprias investigações.

Não é a primeira vez, na história recente, que os brasileiros assistem ao uso do sistema de Justiça para fins políticos e eleitorais. O resultado dessa prática foi a instabilidade política e a ameaça à democracia.

É inaceitável que ministros, dos quais se esperam condutas exemplares no exercício do cargo, utilizem suas posições para proteger interesses pessoais, perseguir grupos políticos ou interferir, ainda que indiretamente, no processo eleitoral.

Além de prejudicar o direito soberano do povo de decidir os rumos do país, manipulações dessa natureza expõem o Brasil como uma sociedade vulnerável a ingerências estrangeiras — algo ainda mais preocupante diante da ascensão de governos extremistas em diferentes partes do mundo.

Diante da gravidade da situação, é necessária uma reação imediata do STF. Cabe ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, assegurar uma resposta colegiada e contribuir para o restabelecimento da confiança no Tribunal.

Os fatos e as responsabilidades precisam ser apurados de forma célere, independente e transparente. É preciso que se faça quebra integral dos sigilos, para que as informações sejam apresentadas sem recortes ou vieses. Com respeito ao devido processo legal e sem antecipação de culpa, os investigados devem ser cautelarmente afastados sempre que sua permanência na função puder comprometer as apurações.

É urgente garantir a independência, a autoridade e a credibilidade do STF, da Polícia Federal, da Advocacia-Geral da União e das demais instituições da República. O pleno funcionamento dessas instituições é expressão de uma democracia saudável e ativa. Foram elas que garantiram, por exemplo, a soberania das urnas e a normalidade constitucional em 2022.

Em nome dos trabalhadores brasileiros, cobramos verdade, transparência, imparcialidade e estabilidade institucional. A democracia brasileira é maior do que qualquer interesse pessoal, político ou eleitoral e deve estar acima de todos eles.

São Paulo, 10 de setembro de 2026

Sérgio Nobre – Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)

Miguel Torres – Presidente da Força Sindical

Ricardo Patah – Presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT)

Ronaldo Leite – Presidente interino da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

Antonio Neto – Presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)

Sônia Maria Zerino da Silva – Presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST)

Nilza Pereira – Secretária-Geral da Intersindical - Central da Classe Trabalhadora

José Gozze – Presidente da Pública Central do Servidor

Luiz Arraes – Coordenador-Nacional do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST)

 

FONTE: Página da CUT 

https://www.cut.org.br/noticias/nota-das-centrais-sindicais-em-defesa-das-instituicoes-e-da-democracia-fca7 

MPT apoia fim da 6×1 e propõe ajuste no texto

 

MPT defende fim da escala 6×1, aponta impactos sobre saúde e segurança e pede mudança em trecho da proposta aprovada pela Câmara

MPT apoia fim da 6x1 e propõe ajuste no texto

O Ministério Público do Trabalho defendeu o fim da escala 6×1 e pediu alteração em trecho da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados.

O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, assinou Nota Técnica sobre a PEC 221/2019, que atualmente segue em análise no Senado Federal.

Para o chefe do MPT, a mudança representa “uma das mais relevantes conquistas históricas da classe trabalhadora”, principalmente diante dos impactos provocados pela jornada.

Segundo o documento, décadas de atuação permitiram ao MPT identificar problemas estruturais desse modelo, especialmente riscos de acidentes e impactos sobre saúde física e mental.

Além disso, dados de 2025 mostram que o Brasil registrou quatro milhões de afastamentos decorrentes de acidentes e doenças relacionadas diretamente às atividades profissionais.

Desse total, 546 mil afastamentos envolveram transtornos mentais, incluindo ansiedade, depressão e síndrome de burnout, representando o maior número já registrado no país até então.

Outros 445 mil afastamentos decorreram de dores nas costas e hérnias, problemas associados principalmente à sobrecarga física dos trabalhadores e às condições ergonômicas inadequadas.

Fim da escala pode ampliar proteção

Nesse sentido, o MPT considera que o fim da escala 6×1 poderá contribuir diretamente para construir ambientes de trabalho mais equilibrados, seguros e saudáveis.

Além disso, a mudança poderá fortalecer o combate ao trabalho em condições análogas à escravidão e ao trabalho infantil, segundo avaliação apresentada pela instituição.

Para o Ministério Público do Trabalho, esses benefícios poderão alcançar trabalhadores de empresas privadas e também servidores e empregados vinculados diretamente à Administração Pública brasileira.

MPT questiona exceção prevista no texto

Apesar de apoiar a mudança, Gláucio Araújo manifestou preocupação com o artigo 8º do texto aprovado pela Câmara, que estabelece exceção para determinados empregados brasileiros.

O dispositivo retira das regras de duração da jornada e controle de horário empregados com diploma superior e remuneração mensal considerada elevada pela proposta legislativa aprovada.

A regra alcançaria profissionais que recebem valor igual ou superior a duas vezes e meia o teto estabelecido pelo Regime Geral de Previdência Social, RGPS.

De acordo com Gláucio Araújo, entretanto, qualificação profissional e remuneração elevada não eliminam riscos provocados por jornadas sem limites, incluindo fadiga e adoecimento físico ou mental.

Além disso, jornadas sem controle podem prejudicar diretamente o direito à desconexão, comprometendo períodos destinados ao descanso, convívio familiar, lazer e recuperação física dos trabalhadores.

Para o procurador-geral, exigir somente diploma e determinada faixa salarial não garante que esses profissionais tenham autonomia efetiva para organizar adequadamente o próprio tempo de trabalho.

Ao contrário, segundo a Nota Técnica, retirar o controle poderá incentivar jornadas maiores, porque essa alternativa pode representar menor custo empresarial comparativamente ao pagamento de horas extras.

“Revela-se, assim, contraditório que uma proposta destinada a ampliar a proteção constitucional mediante a redução geral da duração do trabalho institua, simultaneamente, para determinado grupo de empregados, exceção capaz de conduzir à ausência total de limites efetivos de jornada, com repercussões diretas sobre a saúde e a segurança no trabalho, além da privação do convívio familiar e social”, afirma o procurador-geral na nota técnica.

Assim, o MPT defende que a proposta avance no Senado, porém reivindica alteração para impedir que determinados grupos permaneçam sem limites efetivos para sua jornada profissional.

Clique aqui para ler a nota técnica.

Leia também:

FLEMACON debate desafios dos trabalhadores latino-americanos


FONTE: RÁDIO PEÃO BRASIL

https://radiopeaobrasil.com.br/mpt-apoia-fim-da-6x1-e-propoe-ajuste-no-texto/ 


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Sindicalismo mantém pela votação da PEC

 


Sexta-feira, dia 4, as Centrais Sindicais se reuniram na UGT, em São Paulo, para tratar da pauta referente à PEC 221, que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada para 40 horas semanais. A matéria já foi aprovada na CCJ do Senado. Agora, o esforço dos dirigentes é para que o voto em plenário aconteça logo após as eleições, em 4 de outubro.

Clemente Ganz Lúcio é o coordenador do Fórum das Centrais. Segundo informa, “o movimento sindical vai manter a pressão pela votação em plenário, mesmo porque essa foi também a posição anunciada por Davi Alcolumbre, presidente do Senado”.

O movimento do sindicalismo vai ganhar fôlego em duas vias. Nos locais de trabalho e terminais de transporte (locais de grande concentração popular), como também por meio de diálogo e articulação junto aos senadores e lideranças partidárias.

Candidatos – O sindicalismo também quer levar para dentro das campanhas eleitorais, proporcionais ou majoritárias, as bandeiras das 40 horas e pelo fim da escala 6×1. A ideia é dar mais peso e densidade nas campanhas dos candidatos a essa demanda do conjunto da classe trabalhadora.

Tudo o que o sindicalismo não quer é trazer para dentro do movimento a crise de Brasília e a confusão institucional, geradas por problemas e choques no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Caso as entidades tenham que se manifestar, adianta Clemente Ganz, “será sempre no sentido de fortalecer as instituições, tendo em vista a necessidade da transparência e ética na conduta da função pública”.

MAIS – Sites das Centrais Sindicais e do Diap

 

FONTE: AGÊNCIA SINDICAL -  https://agenciasindical.com.br

Brasil reforça segurança e saúde no trabalho com aprovação da Convenção 187 da OIT


Congresso aprova Convenção 187 da OIT, fortalecendo políticas de prevenção, segurança e saúde nos ambientes de trabalho brasileiros

Convenção 187 reforça segurança e saúde no trabalho

Convenção 187 reforça segurança e saúde no trabalho

O Brasil avançou no fortalecimento das políticas de segurança e saúde no trabalho com a aprovação do texto da Convenção 187 da Organização Internacional do Trabalho.

O Diário Oficial da União publicou, em 8 de setembro, o Decreto Legislativo 390/2026, que aprova o Marco Promocional para Segurança e Saúde no Trabalho.

A Convenção estabelece uma estrutura destinada a fortalecer políticas nacionais de SST e promover permanentemente a prevenção de acidentes, doenças e mortes relacionadas ao trabalho.

Assim, o instrumento reforça que segurança e saúde precisam integrar políticas permanentes, articulando prevenção, legislação, instituições, fiscalização e participação dos trabalhadores nos ambientes laborais.

Proteção deve integrar política permanente

Para Alexandre Scarpelli, diretor do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho da Secretaria de Inspeção do Trabalho, a aprovação representa importante avanço nacional.

Segundo ele, a medida reforça a segurança e saúde no trabalho como tema estratégico para o desenvolvimento econômico e social e para o trabalho decente.

“A Convenção parte da premissa de que a proteção da vida e da saúde dos trabalhadores não deve ser tratada apenas como uma obrigação legal ou como resposta a acidentes já ocorridos, mas como uma política permanente de Estado, integrada às estratégias de desenvolvimento, produtividade, competitividade e promoção do trabalho decente”, afirma.

Convenção estabelece melhoria contínua

A OIT adotou a Convenção 187 durante a 95ª Conferência Internacional do Trabalho, realizada em 2006, estabelecendo princípios para aprimorar continuamente políticas nacionais preventivas.

Nesse sentido, o Marco Promocional propõe superar regras isoladas e ações pontuais, criando uma estrutura nacional integrada para fortalecer permanentemente a segurança e saúde ocupacional.

A proposta articula políticas, legislação, instituições, programas e mecanismos de prevenção, buscando transformar a proteção dos trabalhadores em elemento permanente das estratégias nacionais de desenvolvimento.

Na prática, a Convenção prevê políticas nacionais de SST, sistemas para implementação e programas com objetivos, prioridades, ações e mecanismos destinados à avaliação dos resultados.

Além disso, o instrumento destaca a consulta às organizações representativas de trabalhadores e empregadores, fortalecendo o diálogo social na construção das políticas nacionais de prevenção.

A Convenção também ressalta a necessidade de avaliar riscos ocupacionais e combatê-los diretamente na fonte, ampliando medidas preventivas antes da ocorrência de acidentes e adoecimentos.

Brasil já possui instrumentos de prevenção

Segundo Scarpelli, o Brasil já possui instrumentos alinhados aos princípios estabelecidos pela Convenção, entre eles a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho.

A PNSST estabelece diretrizes para integrar a atuação dos órgãos governamentais e orientar um sistema nacional destinado à prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

Outro instrumento importante é o Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, responsável por transformar as diretrizes estabelecidas pela política nacional em ações concretas.

“Ele organiza prioridades, metas e iniciativas voltadas ao fortalecimento da prevenção, da educação, da produção de informações, da pesquisa, da fiscalização e da melhoria contínua das condições de trabalho”, detalha Scarpelli.

Portanto, segundo o diretor, a aprovação da Convenção não exige necessariamente que o Brasil crie uma nova estrutura ou uma nova política pública de segurança.

“O que ela faz é reforçar a necessidade de implementação efetiva da PNSST e de execução continuada do PLANSAT, consolidando-os como os principais instrumentos de promoção da segurança e saúde no trabalho no país”, ressalta.

Inspeção do Trabalho ganha relevância

Dentro dessa estrutura, a Inspeção do Trabalho exerce papel fundamental para transformar políticas nacionais de prevenção em ações efetivas dentro dos diferentes ambientes profissionais brasileiros.

Nesse processo, Auditores-Fiscais do Trabalho fiscalizam ambientes laborais, identificam riscos, promovem adequações e exigem das empresas o cumprimento das Normas Regulamentadoras aplicáveis às atividades.

“É por meio da atuação dos Auditores-Fiscais do Trabalho que o Estado intervém diretamente nos ambientes laborais para identificar riscos, promover adequações, exigir o cumprimento das Normas Regulamentadoras e assegurar que os trabalhadores exerçam suas atividades em condições seguras e saudáveis”, afirma.

Além da fiscalização e orientação, análise de acidentes, embargos e interdições permitem transformar diretrizes das políticas públicas em resultados concretos nos locais de trabalho.

Participação fortalece prevenção

A Convenção 187 também reforça a importância da governança e do acompanhamento permanente das políticas nacionais destinadas à segurança, saúde e prevenção nos ambientes laborais.

Nesse contexto, a Comissão Nacional Tripartite acompanha a implementação da PNSST, avalia resultados e estimula o aperfeiçoamento contínuo das ações desenvolvidas em todo país.

Além disso, gerenciamento de riscos ocupacionais, prevenção e participação dos trabalhadores assumem importância crescente na construção de ambientes profissionais mais seguros, saudáveis e dignos.

Portanto, o Marco Promocional reforça que segurança e saúde devem integrar uma política permanente de prevenção, superando ações limitadas ao cumprimento formal das exigências legais.

Para Scarpelli, a aprovação fortalece uma agenda construída durante anos, baseada na prevenção, articulação estatal, consolidação da PNSST, execução do PLANSAT e fiscalização trabalhista.

Com essas medidas, o objetivo é ampliar a proteção dos trabalhadores e avançar na promoção de ambientes profissionais “mais seguros, saudáveis, produtivos e dignos”.

Fonte: Revista Proteção, por Lia Nara Bau (08/09/2026)

Leia também:

Trabalhadores da Dinatecnica conquistam aumento na PLR

FONTE: RÁDIO PEÃO BRASIL

https://radiopeaobrasil.com.br/brasil-reforca-seguranca-e-saude-no-trabalho-com-aprovacao-da-convencao-187-da-oit/

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

UGT rompe fronteiras na luta contra o trabalho infantil

 



A UGT – União Geral dos Trabalhadores participou de forma propositiva da 2ª Mesa Binacional Brasil–Uruguai para a Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, realizada em Rivera, na fronteira entre os dois países.


Representantes da UGT estiveram presentes na construção de propostas e no debate sobre os desafios enfrentados por crianças e adolescentes, especialmente nas regiões de fronteira.


Orildes Lottici, Secretária Nacional de Políticas Sociais, reforçou que lugar de criança é na escola, brincando e vivendo sua infância, e não no trabalho ou submetida à exploração.


Sérgio Neves, Diretor Tesoureiro, destacou a importância da participação das centrais sindicais e das lideranças dos trabalhadores na construção de respostas concretas para o combate ao trabalho infantil e à exploração nas fronteiras.


Wilson Caetano, presidente do Sindicato dos Rodoviários de São Leopoldo e Região, também contribuiu para as atividades e para o debate, levando a experiência do movimento sindical e reforçando a importância da participação dos trabalhadores na construção de políticas de proteção à infância e de enfrentamento às diferentes formas de exploração.


A UGT também chamou atenção para a necessidade de proteção social, políticas públicas, apoio às famílias e articulação entre Brasil e Uruguai, especialmente diante de situações de vulnerabilidade e violência sexual que podem atingir crianças e adolescentes nas regiões fronteiriças.


O combate ao trabalho infantil não reconhece fronteiras. A proteção das nossas crianças também não.


UGT rompendo fronteiras, fortalecendo a cooperação e defendendo um futuro com dignidade, educação e trabalho decente.


Texto e fotos: UZINA Comunicação Sindical

FONTE: SITE DA U.G.T.

https://www.ugt.org.br/Noticias/81211-UGT-rompe-fronteiras-na-luta-contra-o-trabalho-infantil 

Luta pela PEC 221 fortalece o sindicalismo

 


Quando se entra numa luta, independentemente do resultado, a pergunta que se impõe é se, ao final da contenda, estamos mais fracos ou mais fortes.

O sindicalismo responde afirmativamente a essa pergunta, após longas e intensas mobilizações nas bases e também junto ao Congresso Nacional, a fim de aprovar a PEC 221 – que acaba com a escala 6×1 e estabelece jornada de 40 horas.

“Avalio que saímos mais fortes, mais reconhecidos perante o Poder Legislativo e também mais bem avaliados pela sociedade”, pondera Clemente Ganz Lucio, coordenador do Fórum das Centrais.

O sindicalismo conseguiu uma primeira vitória, na Câmara Federal, com aprovação maciça da PEC. Outro avanço ocorreu dia 31, no Senado, quando a Comissão de Constituição e Justiça aprovou a PEC, que ainda precisa ser apreciada pelo Plenário da Casa.

Clemente também considera que todo esse trabalho tornou mais forte a coesão entre as entidades de classe. Nessa fase, as Centrais agregaram à luta o Fórum Sindical de Trabalhadores (FST), que é forte junto às Confederações.

Pauta – Para o coordenador do Fórum das Centrais (que durante anos foi o coordenador-técnico do Dieese), a pauta sindical ganhou relevância perante a população. Ele observa: “Pesquisas mostram que mais de 80% das pessoas apoiam o fim da escala 6×1 e a redução da jornada pra 44 horas”.

A votação da PEC 221 no Senado deve ficar para depois das eleições, sinaliza Davi Alcolumbre, presidente da Casa. O movimento sindical tem pressa, enquanto a direita e os setores empresariais manobram e tentam empurrar para o futuro a decisão sobre escala e jornada.

Durante toda a fase de debates, na Câmara ou no Senado, o empresariado jogou pesado contra a PEC 211. “Travamos uma luta desigual, porque as representações patronais têm muitos recursos, enquanto as entidades de trabalhadores estão sem meios, que foram cortados na reforma trabalhista de Temer, em 2017”, comenta Clemente.

Nas últimas semanas, entidades como a CNI e a CNC, atuaram fortemente dentro do Congresso Nacional. O setor patronal também conseguiu repercutir na mídia suas posições acerca do fim da 6×1 e redução da jornada pra 40 horas. Ou seja, foi uma luta desigual.

Saldo – O diálogo com deputados e senadores, de diferentes partidos, ampliou a articulação sindical no Congresso e também junto ao governo. Para Clemente Ganz, esse acúmulo será importante no futuro, seja na votação da PEC no plenário do Senado, seja quanto a outras matérias de interesse da classe trabalhadora.

Lula – O presidente da República, até onde pôde, entrou em campo a favor da PEC 221, vale dizer, pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada, que não ocorre há 38 anos, quando foi promulgada a Constituição Federal. Nos próximos passos visando à votação pelo Plenário do Senado, o sindicalismo espera contar com o apoio de Lula.

MAIS – Sites das Centrais, Diap e do Senado

 

FONTE: Agência Sindical