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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Juros altos travam crédito para 80% das indústrias, revela pesquisa

 


CNI aponta dificuldade maior no financiamento de longo prazo
 
Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
 

Os trabalhadores da montadora Fiat Chrysler Automobiles constroem um modelo Argo 2020, em meio à disseminação da doença por coronavírus (COVID-19), na fábrica de montagem em Betim
© REUTERS/Washington Alves/Proibida reprodução
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De cada dez empresas industriais, oito enfrentaram dificuldades para obter crédito. Elas apontam os juros elevados como o principal obstáculo ao financiamento no país. O dado faz parte de pesquisa divulgada nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

Segundo a Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025, 80% dos empresários que tiveram problemas para acessar crédito de curto ou médio prazo (até 5 anos) citaram os juros altos como o maior entrave. Em seguida aparecem a exigência de garantias reais, como imóveis ou máquinas (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%).

O cenário se repete no crédito de longo prazo, acima de 5 anos. Nesse caso, 71% dos industriais atribuíram as dificuldades aos juros elevados, enquanto 31% mencionaram a exigência de garantias e 17% a ausência de linhas compatíveis com seus projetos de investimento.

“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito. Com a Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o financiamento fica mais caro e desestimula investimentos em expansão e inovação”, explica Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.

Selic alta reduziu a busca por crédito

  • 54% das empresas não buscaram crédito de longo prazo nos seis meses anteriores à pesquisa
  • 49% não procuraram crédito de curto ou médio prazo no mesmo período 
  • apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo
  • no crédito de longo prazo, o percentual caiu para 17%

Dificuldade maior no crédito de longo prazo

  • Quase um terço das empresas que tentaram crédito de longo prazo não teve sucesso
  • Cerca de 20% das que buscaram crédito de curto ou médio prazo também não conseguiram

Crédito de curto ou médio prazo

  • Médias: 26% não obtiveram crédito
  • Pequenas: 21%
  • Grandes: 16%

Crédito de longo prazo

  • Médias empresas: 43% não obtiveram crédito
  • Pequenas empresas: 37%
  • Grandes empresas: 27%

Condições de crédito pioraram

  • 35% das empresas avaliaram que as condições de crédito de curto ou médio prazo pioraram
  • 33% fizeram a mesma avaliação para o crédito de longo prazo
  • Para 47%, as condições permaneceram semelhantes
  • Apenas 14% relataram melhora no curto ou médio prazo
  • No longo prazo, o índice cai para 12%

Baixa adesão ao risco sacado

  • Apenas 13% das indústrias contrataram operações de risco sacado nos últimos 12 meses
  • Outros 5% pretendiam contratar
  • 54% não contrataram nem pretendiam contratar
  • 29% não souberam ou preferiram não responder

O risco sacado é uma modalidade de antecipação de recebíveis em que o fornecedor recebe o pagamento antecipado de uma instituição financeira, enquanto o comprador assume o compromisso de quitar o valor na data acordada.

A Sondagem Especial ouviu 1.789 empresas industriais de 1º a 12 de agosto do ano passado. Desse total, 713 são de pequeno porte, 637 de médio porte e 439 de grande porte.

 FONTE: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/juros-altos-travam-credito-para-80-das-industrias-revela-pesquisa

Aposentados têm até 14 de fevereiro para pedir ressarcimento ao INSS

 

Prazo para devolução de descontos indevidos foi prorrogado em novembro
 
Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil

Brasília (DF), 22/05/2025.- Presidente do INSS, Gilberto Waller, durante entrevista coletiva para atualizar as ações do Governo Federal sobre os descontos de entidades associativas. 
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
© Antonio Cruz/Agência Brasil
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Os aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm até 14 de fevereiro para pedir o ressarcimento, anunciou o presidente do instituto, Gilberto Waller. Em entrevista ao programa a Voz do Brasil, ele fez um balanço atualizado sobre os pedidos.

De acordo com presidente Waller, cerca de 6,2 milhões de beneficiários contestaram descontos indevidos do INSS, dos quais 4,1 milhões de beneficiários já foram ressarcidos, em valores que somam R$ 2,8 bilhões. O governo estima, no entanto, que ainda existam 3 milhões de aposentados e pensionistas aptos a solicitar a devolução.

O prazo original se encerraria em 14 de novembro. No entanto, o Ministério da Previdência Social decidiu ampliar o período para garantir que todos os afetados possam registrar seus pedidos.

O esquema de descontos indevidos foi revelado pela Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou fraudes em Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados entre o INSS e entidades associativas. As investigações levaram ao afastamento de parte da cúpula do instituto em abril.

Na entrevista, Gilberto Waller ressaltou o esforço coordenado de órgãos federais para ressarcir as vítimas dos descontos não autorizados. O presidente do INSS também destacou a união entre o instituto, a Advocacia-Geral da União (AGU), a CGU e a Polícia Federal para rastrear os recursos desviados e entrar com ações na Justiça para recuperar o dinheiro.

Como pedir a devolução

Os beneficiários podem abrir pedidos de ressarcimento pelos canais oficiais do INSS:

 Aplicativo ou site Meu INSS, com login no Portal Gov.br;

 Telefone 135, com atendimento gratuito de segunda a sábado, das 7h às 22h:

 Agências dos Correios, que oferecem suporte gratuito em mais de 5 mil unidades.

 

FONTE: Agência Brasil -  

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-01/aposentados-tem-ate-14-de-fevereiro-para-pedir-ressarcimento-ao-inss

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Artur propõe unidade sindical nas eleições


Artur Bueno no VIII Congresso Nacional da Categoria, em julho de 2023.

O sindicalismo está preocupado com as eleições deste ano. Para tanto, já se mobiliza visando conter o avanço da direita, do bolsonarismo e de outros setores contrários aos trabalhadores.

Uma das entidades que já debatem o desafio eleitoral é a CNTA/Afins. Ainda no final de dezembro, numa reunião de balanço, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação alertou seus filiados.

Artur Bueno de Camargo, presidente, comenta: “A ideia é formarmos uma frente ampla sindical, para informar às bases como têm sido os votos dos congressistas. Outra meta é deixar um divisor claro entre os candidatos, apontando ao eleitor como e por que uns merecem o nosso voto e outros devem ser repudiados”.

Para o sindicalista, “a frente eleitoral em defesa da classe trabalhadora precisa ser ampla, sempre com o sentido de agregar os democratas e progressistas”. Ele afirma: “Essas eleições vão ser decisivas para a democracia brasileira, especialmente à classe trabalhadora”.

Artur Bueno tem o cuidado de alertar que não é papel de uma frente desse tipo fazer proselitismo ideológico. “Nosso objetivo é eleitoral e a data-base já está garantida pelo TSE – Tribunal Superior Eleitoral, seja quanto ao primeiro turno, seja quanto ao segundo”.

Base – A grande dificuldade, alega o presidente da CNTA/Afins, é chegar à base trabalhadora ou “ao chão de fábrica”, como se diz no linguajar sindical.

UITA – A Confederação é filiada à União Internacional dos Trabalhadores na Alimentação. Artur explica: “Embora as eleições sejam marcadamente nacionais, queremos debater até que ponto os interesses do grande capital multinacional procurarão influir no placar eleitoral”.

Pauta – Para o dirigente da maior Confederação de trabalhadores no setor, a luta eleitoral não poderá se desvincular da pauta trabalhista, cujos pontos centrais são reduzir a jornada de trabalho, acabar com a escala 6×1, garantir proteção legal à segurança dos trabalhadores e, “no centro de tudo”, ele diz, defender a democracia arduamente restaurada na Assembleia Nacional Constituinte, ainda no final dos anos 80.

MAIS – CNTA/Afins – (61) 3242-6171, Stial-Limeira – (19) 3441-8524.

 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Receita Federal volta a negar taxação do Pix e alerta para golpes

 


Fake news voltaram a circular após novo vídeo de deputado
 
Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

Brasília (DF), 16/01/2025 - Aplicativo bancário para pagamento financeiro em pix. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
© Bruno Peres/Agência Brasil
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A Receita Federal voltou a desmentir informações falsas que circulam nas redes sociais sobre suposto monitoramento de transações via Pix para cobrança de impostos.

Em nota oficial emitida nesta quarta-feira (14), o órgão afirma que não existe tributação sobre o Pix nem fiscalização das movimentações financeiras com esse objetivo, prática proibida pela Constituição Federal.

Segundo a Receita, mensagens alarmistas sobre “taxa do Pix” ou “imposto sobre transferências” são completamente falsas. O Pix é apenas um meio de pagamento, como dinheiro ou cartão, e não gera, por si só, qualquer tipo de tributo.

Assista entrevista com o superintendente da Receita Federal na TV Brasil sobre o assunto:

https://youtu.be/5vZTt8OdUm4

 

Os boatos citam a Instrução Normativa nº 2.278, de agosto do ano passado, como se ela autorizasse o rastreamento de transações individuais.

De acordo com o Fisco, a norma apenas estende às fintechs as mesmas obrigações de transparência já aplicadas aos bancos tradicionais, dentro das regras de combate à lavagem de dinheiro e à ocultação de patrimônio. Não há acesso a valores individuais, origem ou natureza dos gastos dos cidadãos.

As informações falsas voltaram a ganhar força nas redes sociais nas últimas horas, após o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) voltar a publicar vídeos em que afirma que o governo voltará a monitorar o Pix. Há duas semanas, o Fisco tinha emitido outro alerta de notícias falsas sobre taxação de transações financeiras.

De acordo com a Receita, esse tipo de conteúdo tem como objetivo enganar a população, gerar pânico financeiro e enfraquecer a confiança em um dos principais meios de pagamento do país. O órgão afirma ainda que a disseminação dessas mensagens atende a interesses do crime organizado e de pessoas que se beneficiam da monetização e do engajamento gerado por notícias falsas.

O que diz a instrução normativa

A Receita esclarece que a instrução normativa de agosto não trata de taxação nem de monitoramento de transações financeiras. O órgão reitera que a norma apenas estende às fintechs e instituições de pagamento as mesmas obrigações de transparência já aplicadas aos bancos tradicionais desde 2015.

As informações repassadas ao Fisco não detalham transações individuais, nem permitem identificar a origem ou a natureza dos gastos dos usuários.

Segundo a Receita, a medida é fundamental para evitar que fintechs sejam usadas por organizações criminosas para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, como identificado em operações policiais recentes.

Reforma do IR

No mesmo comunicado, a Receita destacou informações verdadeiras que vêm sendo distorcidas nas redes. Desde janeiro, quem recebe até R$ 5 mil mensais está totalmente isento do Imposto de Renda. Para rendas de até R$ 7.350, há desconto no valor devido.

Essas mudanças, segundo o Fisco, não têm qualquer relação com Pix, monitoramento de transações ou criação de novos tributos.

Como se proteger de golpes

A Receita Federal alerta que a propagação de boatos sobre impostos e Pix cria um ambiente favorável para a aplicação de golpes. Criminosos se aproveitam da desinformação para enviar mensagens falsas por redes sociais, telefone e aplicativos como o WhatsApp, tentando coagir vítimas, solicitar pagamentos indevidos ou obter dados pessoais.

Para o órgão, esse tipo de prática é perigosa porque amplia o alcance do crime e coloca a população em risco.

A orientação da Receita Federal é desconfiar de mensagens alarmistas, evitar o compartilhamento de conteúdos sem fonte confiável e buscar informações em canais oficiais do governo ou em veículos de imprensa profissional.

Mensagens que pedem pagamentos, dados pessoais ou “regularizações” relacionadas ao Pix e a impostos devem ser tratadas como tentativas de golpe.

 FONTE: AGÊNCIA BRASIL

 https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/receita-federal-volta-negar-taxacao-do-pix-e-alerta-para-golpes

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Dieese mostra ganhos com isenção do Imposto de Renda

 

Em novembro, o presidente Lula (PT) sancionou a lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) elaborou uma calculadora para demonstrar os ganhos econômicos dos trabalhadores a partir da nova medida. Ideia é demonstrar quanto o trabalhador economizará ao longo do ano, ao deixar de pagar Imposto de Renda.

Como fazer – Simulação é gratuita, através do site do Dieese. Entenda:

1 – Acesse o site https://www.dieese.org.br/calculadoraIR

2 – No campo em branco, escreva o valor do seu salário bruto mensal.

3 – Em seguida, se você contribuir para o INSS, marque “SIM”. Se você contribui para o PPS ou tem outra forma de contribuição, marque “NÃO”.

4 – Role a tela para baixo, leia com atenção e clique em “CALCULAR”.

Após seguir todos os passos, o Dieese apresenta o resultado da simulação, com dados sobre o valor do seu “IR atual”, “Novo IR”, “Economia mensal” e “Economia anual”, que inclui o 13º salário e férias. A simulação demonstra os valores que deixarão de ser descontados do salário mensal.

Tabela de IR – Além da isenção para quem ganha até R$ 5 mil, a medida prevê desconto progressivo para trabalhadores que ganham até R$ 7.350,00 mensais. Lei entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026.

MAIS – Site do Dieese.

FONTE: Agência Sindical

Sindicatos celebram salário mínimo e defendem melhoria em reajustes

 Entidades defendem política de recuperação mais acelerada

São Paulo (SP), 01/05/2023 - Ato unificado das centrais sindicais CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Intersindical, CSB, Nova Central e Pública em comemoração ao dia dos trabalhadores e das trabalhadoras, com o lema Emprego, Renda, Direitos e Democracia, no Vale do Anhangabaú. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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Criada em 1936, por iniciativa do então presidente Getúlio Vargas, a Lei do Salário Mínimo completa 90 anos nesta quarta-feira (14) e sua importância para o trabalhador é celebrada pelas centrais sindicais, que apontam desafios para o presente e futuro.

“O salário mínimo é fundamental porque baliza primeiro aquelas categorias sem piso salarial. Em segundo, os aposentados e pensionistas. Ele acaba sendo um importante instrumento de distribuição de renda em nosso país”, diz João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário geral da Força Sindical.

Juruna recorda que as centrais sindicais lutaram para que o reajuste do salário mínimo passasse a ser um instrumento de distribuição de renda. “O reajuste foi conquistado no Congresso e, com isso, o salário mínimo acabou conseguindo um aumento real, o que foi cortado nos governos [Michel] Temer e [Jair] Bolsonaro, ficando só o INPC”.

Ele lembra que a política do aumento real foi resgatada no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora houve a volta do balizamento real, um pouco menor, o que é ainda importante, mesmo que menor”, diz.

São Paulo (SP), 18/03/2025 - O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, conhecido como Juruna, participa do ato das centrais sindicais pela redução da taxa selic em frente ao prédio do Banco Central, na avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, lembra que o salário mínimo é instrumento de distribuição de renda - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Para Ariovaldo de Camargo, secretário de Administração e Finanças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o salário mínimo “para os trabalhadores da ativa é um colchão, um referencial importante, mas aquém do necessário”. 

Camargo defende que é preciso que haja uma política de recuperação “mais acelerada” e que o reajuste real se torne uma política de Estado e não apenas de governo. 

“Após o golpe de 2016 [que tirou Dilma Rousseff do poder], quando passamos seis anos sem ter reposição acima da inflação, em alguns momentos até abaixo, foi uma política descontinuada, podemos dizer”, avalia.

De acordo com Ariovaldo, “é preciso criar um mecanismo que seja permanente, que não seja política de governo, mas de Estado, para que possamos ter uma recuperação do salário mínimo de forma perene”.

Rio de Janeiro - O presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil, Ronaldo Leite, fala durante lançamento da campanha de apoio às empresas públicas, Se é público é para todos  (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil, Ronaldo Leite, diz que o salário mínimo é uma garantia fundamental para os trabalhadores - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Ronaldo Leite, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, também celebra a importância do salário mínimo. “É uma garantia fundamental para os trabalhadores. O fato de ter um piso constitucional garante minimamente o poder de compra da classe trabalhadora”.

Leite ressalta que o governo Lula trouxe de volta a política de valorização do salário mínimo, que permite reajustes acima da inflação, mas reconhece que houve uma desvalorização ao longo dos anos. “O salário mínimo perdeu boa parte de seu poder de compra comparado a quando foi instituído. O Dieese calcula que o valor ideal atualmente estaria em R$ 7.106,83. A CTB defende a manutenção e ampliação da política de valorização do salário mínimo para garantir à classe trabalhadora a melhoria das condições de vida”.

Juruna, da Força Sindical, tem um pensamento parecido com o de Leite. Para ele, é necessário “fortalecer as campanhas salariais, puxando pisos e ajudando a aumentar o consumo interno e a aumentar o PIB e afins. Sindicatos e trabalhadores têm de buscar o crescimento do país”.

FONTE: Agência Brasil  - https://agenciabrasil.ebc.com.br

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Afastamentos por problemas mentais expõem cultura de exaustão

 



O número de afastamentos por doenças psicológicas disparou no Brasil. Segundo dados do INSS, só em 2025 cresceu 143%, escancarando o agravamento do sofrimento mental entre a classe trabalhadora. O dado revela que cada vez mais pessoas estão sendo consideradas incapacitadas para o trabalho por transtornos psíquicos, como ansiedade, depressão e esgotamento profissional, o que aponta para um cenário alarmante de adoecimento social.

A Agência Sindical conversou com a médica e pesquisadora da Fundacentro, Maria Maeno. Segundo ela, esse aumento não pode ser analisado de forma superficial. Os números mostram apenas que mais trabalhadores foram afastados por doenças psíquicas, mas não significam, necessariamente, que esses casos tenham sido reconhecidos como relacionados ao trabalho. “Existe uma enorme subnotificação. O INSS quase não reconhece o vínculo entre adoecimento mental e condições de trabalho, mesmo quando ele é evidente”, afirma.

Maeno explica que a organização do trabalho atual, marcada por metas abusivas, pressão permanente por produtividade, falta de pausas e isolamento dos trabalhadores, é um dos principais fatores de adoecimento. “O sistema exige produção constante, sem descanso, sem coletivo e sem espaço para diálogo. Isso adoece profundamente”, alerta. Além disso, o medo de demissão, a insegurança e a discriminação dentro das empresas agravam ainda mais o sofrimento psicológico.

Outro ponto crítico é que menos de 3% dos afastamentos por doenças psíquicas são reconhecidos como relacionados ao trabalho. Para a pesquisadora, isso revela um sistema que protege as empresas e invisibiliza o adoecimento provocado pela exploração do trabalho. “As empresas não querem ser vistas como fontes de adoecimento e o próprio sistema previdenciário dificulta esse reconhecimento, descumprindo a legislação”, denuncia.

Na avaliação de Maria Maeno, campanhas internas, palestras motivacionais ou ações cosméticas não são capazes de enfrentar o problema. “Só há um caminho real: mudar o processo de trabalho. Reduzir a pressão, rever metas, diminuir a sobrecarga e parar de exigir cada vez mais de menos pessoas. Qualquer coisa fora disso é maquiagem”, afirma.

O crescimento explosivo dos afastamentos por doenças psicológicas é um alerta de que o modelo atual de organização do trabalho está adoecendo a classe trabalhadora. Para o movimento sindical, o enfrentamento desse cenário passa pela luta por condições dignas, pelo reconhecimento do nexo entre trabalho e adoecimento mental e pela responsabilização das empresas”.

Fundacentro – A Fundacentro atua no enfrentamento ao adoecimento no trabalho por meio de pesquisa, formação e ações diretas de acolhimento no trabalho através de pesquisa, formação e ações diretas de acolhimento e denúncia.

Outros caminhos são: Casa do Trabalhador e da Trabalhadora, que acolhe pessoas com problemas relacionados ao trabalho. Maria explica: “Nós temos um vídeo que se chama ‘Conte Pra Gente, Conte Com A Gente’, lançado para divulgação de direitos, de discussão com especialistas”.

Mais – Site da Fundacentro.