Plenária Nacional reúne dirigentes para discutir conjuntura, eleições de 2026, desafios do sindicalismo, indústria, soberania e participação de mulheres e jovens
Os 80 anos da CNTI foram marcados, nesta
terça-feira (15), por agenda que
combinou análise da conjuntura política,
eleições de 2026, desafios do
sindicalismo, desenvolvimento
industrial, soberania nacional e
renovação geracional.
A programação ocorreu no CTE (Centro
Técnico Educacional) da entidade, em
Luziânia (GO), onde também foram
inaugurados a usina fotovoltaica da CNTI
e o Ceras (Centro de Experimentação com
Remineralizadores e Agroecologia
Socioprodutiva). A programação integra a
Plenária Nacional CNTI 80 Anos,
realizada ao longo desta semana.
Na abertura dos trabalhos, o presidente
da CNTI, José Reginaldo Inácio, destacou
a singularidade do momento vivido pelo
País e o significado histórico das 8
décadas da entidade.
Para ele, a celebração dos 80 anos
representa também oportunidade de
discutir os caminhos do movimento
sindical diante das transformações
econômicas, políticas, tecnológicas e
sociais do Brasil.
CONJUNTURA E
ELEIÇÕES
Sob mediação da presidenta do Diap
(Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar), Rita Serrano, a
primeira rodada de debates tratou da
conjuntura nacional e internacional, da
correlação de forças entre os Poderes
Executivo e Legislativo e dos impactos
da grande mídia e das plataformas
digitais sobre o debate público.
Também entraram na pauta as eleições de
2026, as agendas estratégicas da classe
trabalhadora, o combate ao assédio nas
relações de trabalho, a fiscalização e
as denúncias de violações de direitos. O
debate defendeu a construção de
plataforma sindical capaz de formular
propostas, incidir no debate político e
estabelecer interlocução com
candidaturas.
Rita Serrano chamou atenção para a
mudança estrutural provocada pelo avanço
do capitalismo plataformizado. Segundo
ela, o objetivo já não se restringe ao
controle do trabalho. “Não quer apenas o
controle da força de trabalho; quer
também o controle da mente dos
trabalhadores.”
Para a presidenta do Diap, o cenário
internacional e nacional tornou-se mais
complexo. “O mundo está mais complexo”,
afirmou, ao sustentar que o antigo
“pacto de paz acabou” e que as minorias
que contribuem para manter algum nível
de estabilidade social demonstram
capacidade de resistência.
“É necessário mudar a realidade atual,
porque essa não nos serve”, afirmou
Rita. Ao concluir a exposição, defendeu
confiança na capacidade de
transformação: “É preciso acreditar na
capacidade de mudanças na realidade
atual”.
A defesa da unidade sindical apareceu
como eixo transversal dos debates,
especialmente em torno da
institucionalidade, da soberania
nacional, da democracia e da preservação
dos direitos trabalhistas.
PLATAFORMAS DIGITAIS E ELEIÇÕES
O jornalista Sylvio Costa, ex-editor do
portal Congresso em Foco e presidente da
Rede pela Soberania, abordou a crescente
influência das plataformas digitais na
formação da opinião pública e no debate
político.
A exposição chamou atenção para o uso
dessas ferramentas no processo eleitoral
e para a atuação da extrema direita no
ambiente digital, colocando para o
movimento sindical o desafio de
compreender novas formas de comunicação,
disputa narrativa e mobilização
política.
Na sequência, o jornalista e assessor
parlamentar do Diap André dos Santos
analisou as eleições para a Câmara dos
Deputados e o Senado. Ele destacou as
dificuldades envolvidas na renovação do
Congresso Nacional e chamou atenção para
a necessidade de discussão que vá além
da eleição presidencial.
“Não basta renovar o mandato do atual
presidente; é preciso renovar para
melhor o Congresso Nacional”, resumiu.
NIB E O PAPEL DO TRABALHADOR
Antes do almoço, a Plenária orientou-se
para a NIB (Nova Indústria Brasil) e o
papel estratégico do trabalhador
industriário no projeto de
desenvolvimento nacional.
O debate foi mediado pelo jornalista
Marco Antônio Campanella e contou com a
participação de Randal Farah, chefe da
Diei (Diretoria de Inteligência e
Economia da Indústria) da ABDI (Agência
Brasileira de Desenvolvimento
Industrial), vinculada ao Mdic
(Ministério do Desenvolvimento,
Indústria, Comércio e Serviços).
A discussão abordou a reindustrialização
brasileira diante de cenário
internacional marcado por tensões
geopolíticas, guerras comerciais e
barreiras tarifárias.
Os participantes também discutiram a
necessidade de contrapartidas
sociolaborais na concessão de incentivos
e subsídios públicos vinculados à NIB,
com exigências relacionadas à geração de
empregos decentes, valorização salarial
e responsabilidade ambiental.
Outro ponto destacado foi o
fortalecimento da organização dos
trabalhadores nos locais de produção,
incluindo os comitês de fábrica, como
instrumentos de participação e
resistência aos processos de
desindustrialização.
A agenda dialoga com iniciativas que a
própria CNTI vem defendendo na área de
ciência, tecnologia, inovação, transição
energética e trabalho decente. Em
agosto, a entidade havia apresentado à
ministra Luciana Santos propostas
relacionadas ao desenvolvimento
sustentável, inovação e fortalecimento
das políticas públicas para o setor
produtivo.
INDÚSTRIA, CIÊNCIA E TRABALHO
Na parte da tarde, a abertura solene da
Plenária foi marcada pela exibição do
vídeo institucional produzido para os 80
anos da CNTI, recuperando a trajetória
da entidade e a relação com a história
do trabalho e da industrialização
brasileira.
A ministra da Ciência, Tecnologia e
Inovação, Luciana Santos, destacou o
papel dos trabalhadores no processo de
desenvolvimento nacional. “Os
trabalhadores da indústria têm papel
indispensável no desenvolvimento
nacional. E fortalecer a indústria
significa, portanto, fortalecer o
trabalho.”
A ministra ressaltou ainda que são os
trabalhadores que transformam
conhecimento, matéria-prima e tecnologia
em riqueza para o País, vinculando
ciência, inovação e produção à
valorização do trabalho.
MULHERES, JUVENTUDE E TRANSIÇÃO
GERACIONAL
O encerramento dos debates da tarde
colocou no centro da discussão a
renovação do movimento sindical. A
ministra das Mulheres, Márcia Lopes,
abordou gênero, transição geracional e
juventude no contexto sindical.
A programação contou ainda com exposição
da diretora-técnica do Dieese, Adriana
Marcolino, que contribuiu para a análise
das transformações no mundo do trabalho
e dos desafios colocados à organização
sindical.
Também participou Mazé Morais,
agricultora familiar, dirigente sindical
e coordenadora-geral da Marcha das
Margaridas. Secretária Nacional de
Mulheres da Contag, Mazé ampliou sua
atuação política em 2026 ao assumir
também a Secretaria Nacional de Mulheres
do PT.
A presença de mulheres e jovens na
programação reforçou uma das questões
estratégicas colocadas para o
sindicalismo: como preservar a memória e
o legado das entidades sem perder a
capacidade de dialogar com as novas
gerações e com as transformações do
mundo do trabalho.
SUSTENTABILIDADE E SOBERANIA
O dia foi encerrado com a inauguração da
Usina Fotovoltaica da CNTI e do Ceras
(Centro de Experimentação com
Remineralizadores e Agroecologia
Socioprodutiva).
Ambas as iniciativas aproximam a
estrutura da entidade de temas que
ganharam espaço na agenda sindical
contemporânea: transição energética,
sustentabilidade, inovação, agroecologia
e desenvolvimento tecnológico.
A usina fotovoltaica também simboliza a
aposta da CNTI em fontes renováveis de
energia. Já o Ceras amplia o campo de
atuação da entidade para experiências
relacionadas à agroecologia e ao uso de
remineralizadores.
A combinação entre os debates políticos
e sindicais e as novas estruturas
inauguradas em Luziânia deu ao encontro
sentido que ultrapassa a comemoração das
8 décadas.
A Plenária colocou em discussão o papel
do sindicalismo diante de um mundo em
transformação, no qual democracia,
soberania, indústria, tecnologia, meio
ambiente, direitos trabalhistas e
renovação geracional passam a integrar a
mesma agenda.
Ao completar 80 anos, a CNTI procura,
assim, articular memória, organização
sindical e projeto de futuro,
reafirmando a centralidade do trabalho
na construção do desenvolvimento
brasileiro.
Inauguração da Usina de Energia Fotovoltaica
FONTE: CNTI
https://cnti.org.br/html/PlenNacCNTI80anos/PlenNacCNTI80anos.htm























